Ensinaste-me a dançar

Faz dia 15 de Setembro um ano que fiz 6 horas de comboio depois do casamento do meu melhor amigo para poder passar umas horas com o meu primo Né e a minha família mais próxima.
Foi uma viagem longa, mas consciente de que o tempo se escorre por entre os dedos e poderia ser a última vez que o via.
O Néné estava doente, com essa puta dessa doença maldita que ceifa sem dó nem piedade, e estava cansado de tratamentos e viagens constantes, acima de tudo desolado por já não poder dançar. E eu fiz questão de dar o litro pra poder dar-lhe um abraço e um beijinho, mandar três larachas pro ar e fazê-lo rir só um bocadinho. E valeu a pena, foi um dia inesquecível, éramos 25 pessoas e 5 cães, pequenos e graúdos, apertados numa foto que trago no coração.
O meu primo por afinidade, mais Tio que outros Tios de sangue, que nunca quis mais que gozar a vida em pleno, que dançava passo doble como ninguém, que adormecia em qualquer lado, até na casa de banho, que tinha uma vinha e dezenas de cães de caça bem tratados, que gostava de verbenas, bailes e festa, anfitrião do cabrito da Senhora das Dores, Marido da Pija, Pai do meu primo Jorge e da minha prima Mané, Avô do Tójó, do Dinis e do Francisco, que nos ensinou a todos a dançar quando miúdos pra podermos sacar namorado e namorada como Dios manda. Que me ensinou a conduzir também e a respeitar sempre o meu Padrinho.
Na casa do Néné e da Pija não havia tristeza, havia alegria, música e patuscadas, uma merendinha sempre pronta e gente muito distraída e boa. Na casa do Né e da Pija nós podíamos chegar às 3 da manhã e encontrar a casa vazia porque eles estavam na rua a aproveitar o verão com os amigos, sentados no café entre gargalhadas e anedotas. Mas não fazia falta a casa estar cheia, porque nós estaríamos com eles cá fora, a aprender a viver e a aproveitar cada minuto.
Hoje o Né já não está entre nós, mas sabe e tem a certeza que nos marcou a cada um de nós, a cada sobrinho e filho e neto, inegavelmente, com a sua vida e alegria.
Vou ter muitas saudades tuas meu primo.
Obrigada pela tua presença na minha vida.
Obrigada por me ensinares a dançar o baile da vida.

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