Diário da viagem ao Vietname & Camboja – DAY 5 – De Phu Quoc a Siem Reap

12 de Novembro de 2014, Cambodia

Há umas senhoras a vender fruta na praia, com os seus chapéus em bico. Sempre muito queridas, e acima de tudo, nada chatas (o que na Ásia é raríssimo!), por euro e meio preparam-nos a fruta pro pequeno-almoço que mais parece tirada dum restaurante. Uma melancia só pra mim, prq compensar os copos de ontem. Ah, vida fácil!
E de repente descubro que sao precisos dólares e uma foto pro visto do Camboja.
Toca a passar num fotografo a correr, bater umas chapas, imprimir a cores, e bazar de taxi.
Mais um carimbo no visa, e toca a entrar no Camboja.
Super organizados, muito mal equipados, a entrada faz-se em carneirada, e há uma fila de agentes, uns 6 ou 7, que fazem cada um a sua validação até que nos entregam o passaporte novamente, altamente carimbado e com mais umas estampilhas pra
minha colecção.
O Leng é o nosso condutor de cyclo/tuktuk. Por 2 dólares cada um fomos do aeroporto ao hotel. Contratamo-lo por 20 dólares ao dia. Se calhar (e com certeza) estamos a ser levados na certa, mas ele tem cara de boa pessoa, e bom coração. O que viemos a descobrir depois, que é hábito no Camboja.
Jantamos perto do hotel e o dono do spot, um moço de 29 anos, explica-nos que trabalha numa organização que tira miúdos da rua, e das 16-23 gere o restaurante. Não me parece treta, mas no Camboja há imensa gente a trabalhar com organizações pra proteger crianças. Muitos serão corruptos e lançam mão de esquemas, mas se cada um contribuir com alguma coisa…ao menos isso.
O que é certo é que 85% da população vive na mais extrema miséria, basta dar 3 passos na rua pro comprovar. E são muito, muito simpáticos, e adoram dólares 🙂 Os ordenados mais elevados são os das pessoas que trabalham nos hotéis, e rondam entre 70-80 dólares por mês. Os outros sobrevivem a sacar “one dolar” a turistas. E quando são as crianças que nos pedem…se ao menos fossem feiosos, mas este miudos são giros à brava pa! Dá logo vontade de dar uma de Angelina Jolie e trazer 6 pra casa!
Adiante, como já era muito tarde, não dava pra ir ao night market, e fomos beber uma cerveja ao que parecia ser um restaurante local muito simples, e eis se não quando me apercebo que estamos dentro dum bordel…. Não, não se distingue bem, tem de se
reparar em certos pormenores, e o meu companheiro de viagem e eu estavamos a curtir à grande observar como é quefuncionava aquele cenário. Não se vê nada, há uma espécie de private rooms com umas cortinas, mas sem tecto, e ouve-se tudo, mas nós não ouvimos nada de especial. Tínhamos um dos miúdos que servia à mesa, colado a nós pra ver se recebia uma gorja no fim, e de repente vemos uma miúda sair de lá de uma das casinhas cheia de espuma de barbear na cara, atrás do malfeitor. O certo é que não vi nada, a não ser umas moças demasiado produzidas na entrada, e não consegui perceber a idade delas, mas criancinhas de todo nao eram, talvez de 13 pra cima? Sim, sim, ainda são crianças/adolescentes, mas nós vimos uma série de bares iguais a este no dia seguinte também, e perante a pobreza a que assisti, com não acreditar que há milhares
de crianças a venderem o corpo? Não morri estúpida, e agora sei qual é “o formato habitual” desta miséria extrema esta presente nas ruas.
Não é que não me tenha apetecido salvar umas quantas crianças desta vida, mas elas não têm quem as sustente e regressam sempre à vida de rua.

Highlights
O restaurante do Vannakyoem
A entrada marada no Camboja

4 comments:

Deixar uma resposta