Persia, a dream come true in Iran – DAY 2 – Teerão

28 de Dezembro de 2014, Iran
Bazar de Teerão
Quando cheguei estive mais de meia hora à espera no control de passaportes porque os gajos são leeeeentos! Até o amigo da primária o gajo carimbou, nunca mais se despachava. Eram quase seis da manhã quando finalmente me despachei. O Filipe estava à minha espera, e eu fui toda lançada pra lhe dar um abraço e dois beijinhos, e ele dá um passo pra trás e estica-me o “bacalhau”! Ora bamo lá a ber, o Filipe era da Tuna do meu irmão, tinha estado com ele a falar da viagem no Celta, é “de abraço”, né?! Mas nesta terra os homens e as mulheres não se tocam em público, não há cá beijinhos ou abraços a não ser que sejas da família ou casados. Welcome to Iran Sofia! Tás perdoado Filipe :))

Chegada ao hotel, com uma directa em cima, foi-me dado a escolher ir dormir e perder o primeiro dia, ou aguentar-me até poder e aproveitar. Tá claro que enfiei três cafés no bucho e lá fui eu! Não sem antes conhecer o grupo e avisar as hostes que eu falo o triplo quando bebo café, aparvalho ao limite e só digo asneiras, mas caso estivessem todos de acordo em mandar-me calar, estavamos bem!

O grupo é espectacular, como todos os grupos da Nomad, e eu acho que sou a mais nova. A mais velha do grupo é a Maria José, 78 anos de fazer inveja a muuuuuito gaiato de 20! Já lho disse pessoalmente, mas fica aqui o registo: eu quando for grande quero ser como ela, mesmo. Ela já foi com a Nomad à Etiópia, à Birmânia, à Indochina, e meu, fez o Transiberiano com o Jorge Vassalo! De comboio durante dias!!! Está escrito: É a M-A-I-O-R!!! Somos 8 mulheres e 3 homens, e já todos tinham chegado (e dormido) no dia anterior, só faltava eu pra compor o ramalhete, e que belo ramo :)))

No metro as mulheres vão separadas dos homens, a não ser que sejam parentes e então podem ir noutra carruagem mista.
Bazar de Teerão

Às 9 e meia estava tudo pronto pra começar, e apanhamos o metro pro Bazar. Homens num lado, mulheres no outro. Todas de hijab, umas com o véu mais caído que outras, mas quase todas mostram o cabelo no topo, e têm todas uma pinta… Só nós é que parecíamos umas lavradeiras, oh pa, e sempre a chamar a atenção umas às outras porque o lenço estava a cair. Entramos no metro e começa a loucura: há mulheres a vender lingerie, molas pro cabelo, vernizes, maquilhagem, clutchs, you name it! Os soutiens passam de mão em mão até às interessadas, uns são azul elétrico, outros vermelhos e há até amarelos canário! A moça ao meu lado escolheu um, mandou o dinheiro de mão em mão até à vendedora, tudo isto no meio dum monte de mulheres de manto, apertadas umas contra as outras, sem lugar pra mexer nem o dedo mindinho! Quando saímos na paragem do Bazar, fomos literalmente enroladas e empurradas até à saída, e no meio desta tourada, a Maria José tinha feito 3 sketchs espectaculares, de pé e sem se apoiar. Lindo!

O bazar às 11 e meia da manhã, num dia normal, cheio de gente por todo o lado, impressionante.
Esse daqui é o novo hit da estação, querida!
No Irão não se usa burka, mas sim shador, esta espécie de camilha ou lençol preto por cima da roupa.
O que existe por baixo do pretinho básico!
O Bazar é uma loucura de gente, mas contrariamente ao de Istambul ou de Marrocos, não tem turistas e ninguém te persegue pra te vender seja o que for. Há lá de tudo, coisas que há anos que não via à venda, tudo muito dourado, muito cheio de motivos,muito bling, excepto a zona dos tecidos, aí era só panos pretos e só me consegui lembrar do Moda da Porta dos Fundos: esse está super na moda este ano, não gosta não? Então é um pretinho básico, um clássico, né? Ri-me sozinha ao lembrar-me do “tou-me sentido um pouco vagabunda”, eles são geniais.

De repente começamos a ouvir vozes exaltadas e vejo um tipo enfiar a cabeça dum senhor contra uma bancada. Não faço ideia o que se passa, ninguém fala farsi, por isso paramos quietinhos à espera que passe, e eis que vejo a cara do senhor cheia de sangue que escorre da testa rachada. Na mão tinha uma série de papéis que abanava freneticamente enquanto falava alto e se recusava a ir embora ou desistir. Imagino que fossem contas que queria cobrar ao outro.
O Filipe estava chocado porque diz que nunca tinha visto violência física no Irão, nem mesmo em Teerão, muito menos uma cena de porrada daquele género. Eu cá achei interessante, imaginei logo uma história do estilo “o gajo casou-se com a filha do velhote e agora recusa-se a pagar as contas do casamento porque descobriu que ela não era virgem”, ou então “o velhote emprestou-lhe dinheiro pra fugir pros Estados Unidos em troca dum acordo que o outro se recusa a pagar mesmo agora que já é rico”, tanta coisa gira que dali se podia espremer….
Bazar de Teerão, já com a molinha…

Por indicação do Filipe compramos umas molas pro cabelo que têm umas flores muito grandes agarradas, que se põe por baixo do lenço e que evitam que ele ande sempre a escorrer e a cair. Fica brutal, confesso, e realmente nunca mais me lembrei do dito cujo, aquilo segura mesmo e ainda dá a impressão que tenho um coq na cabeça, tipo anos 60, coisa só imaginável com um cabelo pelo fundo das costas. Eu não gosto de andar de lenço, mas adoro um bom penteado, e modéstia à parte, com uma boa maquilhagem, fico gira à brava! Modéstia-0 (zero), Sofia – 10! 😀

Mesquita Iman Khomeini
Mesquita Iman Khomeini

Dentro do Bazar há a Mesquita Iman Khomeini onde tivemos a sorte de poder entrar. Por fora não è nada do outro mundo, mas a sala de oração das mulheres era bem linda, e as senhoras foram uns amores e deixaram-nos tirar fotos lá dentro e tudo. A Filipa até sacou do stick do iphone e tirou umas selfies conosco :)) e eu também, está claro. Morta de sono, mas rendeu!

Saímos do Bazar, não sem antes beber um sumo de romã natural, e fomos até ao parque Shahr descansar da azáfama e da poluição. No centro do parque há um monumento pela paz, que explica que o Irão foi o primeiro País alvo de armas químicas e nucleares durante a guerra Irão-Iraque de 80 a 89, e que apela ao perdão e a que tal jamais volte a suceder. O parque é bonito, deu pra ir à casinha (não pensem que é fácil encontrar um WC fora de casa no Irão!)e descansar um bocadinho, e fazer tempo pro Museu das Jóias e que só está aberto das 14 às 17.

Vou explicar assim o museu das Jóias (que fica dentro dum cofre): imperdível, fascinante, incrível, uma verdadeira jóia e pérola para compreender o passado recente do Irão.
Bastava UM dos diamantes que vi lá dentro pra alimentar um País inteiro durante um mês. Não se pode tirar fotos, o museu é muito pequeno, mas vale a pena pra se entender a dimensão da riqueza do Sha da Pérsia só nos últimos 250 anos: um globo terrestre feito de ouro e cravado a esmeraldas, rubis, safiras, turquesas e diamantes, umas coisas que parecem umas pulseiras, todas cravadas de pedras preciosas e que eram usadas pra por no rabo dos cavalos (!!), coroas cravejadas, pérolas usadas pra enfeitar os cavalos, esqueçam, a sério, têm que lá ir, porque contado ninguém acredita. Se me dissessem que aquele era o tesouro do Ali Baba e dos 40 ladrões, eu acreditava.

Em carneirada, a foto é gentilmente fornecida pelo companheiro de viagem Alberto
Pela cidade há edifícios magníficos que ainda hoje permanecem, e com desenhos dos Assírios… no Irão tudo é história
Almoçamos num café ali perto que pra mim era uma espécie de Noobai Iraniano, muito simpático, chamado Romance. Mostro-vos a conta pra ver se entendem alguma coisa :)) que tal, ah?
Sabe Deus saber se foi aquilo que comeste, quanto mais quanto é que tens de pagar, já viram a numeração? Não é lindo? 😀

Eu estava quase a morrer, mas não é meu apanágio dar parte de fraca, por isso malhei mais um café, e fui com o pessoal ver o norte de Teerão.
O norte é onde vivem os ricos, ou melhor dito, os muitos ricos. As casas são do outro mundo, e só tenho pena de não conhecer ninguém aqui pra ver uma casa destas por dentro, andar sem véu e ir a uma festa onde houvesse até alcool. Claro que me ia sentir uma sem abrigo, mas e daí? 😀
Subimos à montanha, vimos malta a fazer jogging, inclusivamente raparigas de lenço na cabeça . A minha grande questão é: será que há hijabs anti-transpirantes?!?!
A vista é fascinante porque se vê a cidade toda, e a montanha é pra onde os Iranianos vão namorar, à discoteca, fazer piqueniques, enfim, e estava cheio de gente, muito embora já tivesse anoitecido há muito.

Descemos da montanha e basicamente colapsei de sono na carrinha do Magdavid e apaguei no quarto do hotel. E que belíssima cama, senhores.

Highlights

Bazar de Teerão
Praça Iman Khomeini
Parque Shahr
Museu das Jóias
Montanhas a norte de Teerão
O grupo e o Filipe
O Hotel Eshan
As vendedoras dentro do metro
O café Romance

6 comments:

  1. Fazer jogging com véu deve ser cá uma coisa… também me questiono se os há adequados à prática desportiva 😀
    Ah, e estou maravilhada com as cuecas fluorescentes, MUITO BOM.

  2. Aquilo faz um calor meu. Já experimentaste? No Inverno é cinco estrelas pra aquecer, melhor que os gorros! Mas correr com um hijab? Deve ser horrível, deve-se suar uma estupidez, tem que haver especiais anti-transpirantes, a sério, senão é impossível! 😀
    Não são só as cuecas, há tooooooodo um mundo de roupa interior capaz de fazer corar uma moçoila do red light district! O contraste é o mais impressionante, elas todas de preto, com aqueles lençóis por cima, a comprar no bazar aquela lingerie que é tudo menos recatada.
    Adorava que tivesses visto a venda no metro, inacreditável, mesmo MUITO BOM! 😀

  3. Usei em Istambul durante a visita às mesquitas, não é muito mas serviu para a amostra dado que apanhei um calorão em Agosto.
    Sim, deve ter sido uma cena espectacular, eu achei fantástico só de ler, imagino estando lá 🙂

  4. Já lá vão quase dois anos… até já me tinha esquecido de alguns pormenores e esbarro-me com esta descrição super divertida! Muito bom recordar! LIKE! 😉

  5. Obrigada :))) Isto vai continuar, que eu tenho o diário todo feito, mas dá o seu trabalho escolher as fotos. Se quiseres continuar a acompanhar, acho que vais gostar. Beijinhos!

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