Be true to yourself

É um daqueles clichés que ouvimos todos os dias e lemos em posts partilhados no facebook.

É uma frase que não é fácil de interpretar correctamente. Eu entendo-a como ser mais autêntico, e agir mais de acordo com o nosso eu mais verdadeiro.

O meu “eu” mais verdadeiro é bastante mais antipático que o “sociável ou apresentável”.

É raro eu dizer a alguém: desaparece que já não te posso ouvir.

Mas vontade não me falta.

Há tanta gente que nos ocupa o dia com chamadas de atenção que não acrescentam nada à nossa existência. Principalmente aquela malta que só vem ter connosco quando quer que lhe esfreguemos o ego e lhes digamos: boa!! Fizeste bem! És o maior!

Acho que daí o meu pó aos narcisistas, porque o mundo está cheio deles, e esperam que lhes digamos que são os maiores. E eu não quero dizer-lhes: boa! Well done!

O que eu quero mesmo, do fundinho do meu coração é mandá-los pró car…., é ser altamente antipática e no entanto ser verdadeira comigo mesma, sem ensaiar uma paciência que não tenho, ou oferecer uma generosidade que não sinto.

Gostava de ter a possibilidade de dizer a algumas pessoas: não gosto de ti.  Sem ter de mandar mensagens subliminares para que eles se manquem. E desesperar quando não o fazem. Porque é que não se mancam, pa?

O mais engraçado é que há pessoas que não gostam de mim também, porque não podemos todos gostar de amarelo porra, e também não mo dizem e entretêm-se a tratar-me polidamente ou de modo desagradavelzinho, sem nunca se darem ao trabalho de sairem da minha presença, porque parece mal, mesmo quando não gostam dela.

A sério, não se acanhem. Não me gramam, bazem.

Muito possivelmente eu também não gosto de vocês e são horas de vida e sorrisos forçados poupados.

Agradecida.

As minhas parcas férias chegaram finalmente

Hoje é o último dia de trabalho durante os próximos 10 dias. Já estou mal habituada porque “à Holandesa” já acho que são poucos dias, abaixo de 15 dias é coisa pouca, mas com 3 canitos pequenos em casa é pro que dá e não me posso queixar. Mas que me sabia bem mais 5 dias, lá isso sabia.
Começa a arrefecer na Holanda, o Outono está aí e ainda estamos no início de Setembro, e isso aborrece-me. Outono é a partir de 1 de Outubro, Setembro devia ser ainda um mês quentinho. Como não é, vou voar até paragens mais quentes: Portugal.
Ver família, amigos, conhecer pessoas que há muito quero conhecer, e acima de tudo, ver o Tejo. As saudades que eu tenho de ver o Tejo…
Não há forma nem maneira, sempre que volto a Lisboa apetece-me voltar de vez. Sempre.
Mas depois penso que cá posso trabalhar a partir de casa e entrar às 9 e sair às 5 e passear os meus cães, e ir ao ginásio, e jantar com amigos, e ler livros, estudar outras coisas e esvai-se-me a vontade. Qual balão cheio de ar que se esvazia rapidamente e fica murcho e tristonho, é assim que o meu peito fica sempre que garanto a mim mesma que esta é a melhor opção: Amesterdão.
E custa-me que assim seja.
No outro dia o Tolan publicou um texto em que perguntava porque é que os nossos governantes e jornalistas não faziam reportagens que atraíssem os jovens a ficar em Portugal em vez de fazer programas como o Portugueses pelo mundo em que mostram o bem que se está cá fora.
Não vou entrar na discussão que se gerou na caixa de comentários do post dele, vou apenas relembrar que o que mais custa no regresso não é a falta de oportunidades, nem o facto de nos descerem o ordenado, é a falta de qualidade de vida.
Eu estaria disposta a voltar por metade do que ganho mas ia ter de abdicar de tudo o que consigo e posso fazer agora. Apesar da distância, hoje em dia tenho mais tempo para os meus Pais. Falo com eles todos os dias e quando eles me telefonam não me estão a incomodar ou a interromper a jornada porque às 17 ou 18 já acabei e posso falar sobre a minha horta, sobre as tropelias dos cães, sobre o maravilhoso jantar que preparei.
Apesar da distância tenho mais tempo pra combinar coisas com os meus amigos porque não estou enfiada no trânsito durante hora e meia pra fazer o regresso a casa. Lembro-me sempre que saía às 20 em vez das 17 para não apanhar a carga de trânsito Tagus-Lisboa. São 3 horas da minha vida diárias que dedico a um trabalho que vai-se a ver e daqui a 8 ou 10 anos dão-me um chuto no rabo e dizem: obrigadinha pelo esforço mas agora dá a vez a outro, sim?
Eu quero voltar, mas não quero voltar pra um ambiente (seja qual for a empresa) em que acham que sair às 17 é tirar a tarde, em que acham que só se trabalha se estiver “debaixo de olho”, em que o meu trabalho e esforço não é tido em conta pela quantidade de trabalho produzido e entregue a tempo, mas pelo número estúpido de horas que passei dentro dum escritório.
Quero voltar pra poder disfrutar tranquilamente duma esplanada das 18 em diante sem estar preocupada que nas próximas 4 horas o meu email vai crescer exponencialmente e que vou ser tida como pouco esforçarda ou até incompetente por não ter respondido na hora, no acto, no minuto do MEU tempo livre.
Enquanto as mentalidades dos chefes deste País não mudarem, enquanto as pessoas não deixarem de passar 3 horas de pé na sala do café a fumar cigarros na varanda enquanto discutem filosoficamente merdas que podiam fazer sentadas numa call em 15 minutos, não volto.
Não preciso do big fat car, nem da vivenda construída em tamanho ultradimensional com lugar pra 3 carros e um jardim no qual não passo tempo nenhum. Não preciso do cartão dourado nem de fazer viagens ao México e à República pra dizer que estive e que fui e que vivi.
Preciso de ter tempo de qualidade pra mim, pra aproveitar o que posso enquanto a minha saúde o permite, não é depois de velha ou depois de reformada. Quero poder passar tempo com a minha família e os meus amigos e os meus cães e a minha horta orgânica no quintal, na minha casa a ouvir música, a ler um livro ou a ver um filme, de preferência antes das dez da noite.
Enquanto as coisas não mudarem, não volto. O mundo é a minha casa e serei feliz em qualquer sítio onde estejam e tenha ao alcance os meus bens mais preciosos. O mais importante deles todos: o meu tempo.

Boquinhas de chocalho

Cresci numa cidade em que o desporto “nacional” é a maledicência.
Aprendi desde muito pequena que “what goes around comes around“. Sempre que eu falava mal de alguém mais tarde tinha toda a gente voltada contra mim. E aprendi as consequências muito bem sempre que dava comigo em lágrimas por causa de males entendidos e coscuvilhice. A lição foi recebida muito cedo, e muito cedo aprendi a guardar segredos e acima de tudo que quando conhecemos alguém que fala mal de meio mundo é porque mais tarde ou mais cedo o vai fazer connosco também. E afasto-me sempre discretamente, mas afasto.
Não tenho uma amiga (das próximas e a valer) que seja coscuvilheira ou alcoviteira.
Também não tenho amigas com as quais só fale de roupa e penteados e maquilhagem.
Também não tenho amigas ou amigos de copos.
Por último também não fazem parte do meu leque as gajas mono-temáticas, aquelas que só falam de gajos e de namorados, que só querem saber se tenho, se tive ou se vou ter e que só falam comigo sobre amores e paixões. Abaixo o mono-tema!
Gosto de gente pragmática, prática, sincera, honesta, descomplicada e capaz de aguentar os níveis elevados da minha franqueza. Gosto de pessoas que sabem falar sobre tudo, que me ensinam grupos de música novos, que me falam sobre temas dos quais nunca ouvi falar, que me acrescentam como pessoa e me mostram que a disponibilidade pessoal não é unidireccional, mas bidireccional. Que gostem de cozinhar , que seja seguras de si, que gostem de comer, que gostem de viajar, que gostem de cães e que sejam sinceras e com egos controlados e pouco dadas ao escalonamento de merdas sem jeito nenhum ou a fazer filmes do nada.
Eu vivi numa casa com 63 mulheres durante 4 anos em Coimbra. Conheço a espécie “fêmea humana” à légua e detesto-a com todo o meu ser. Ainda me lembro das tricas e confusões do Lar onde vivi por causa de cenas como quem se sentava naquela mesa com aquele grupo, em que dia e como. Eram 10 mesas carregadas de almas que se ocupavam sobre se a fulaninha agora se sentava com a beltraninha e se ria muito ou pouco. Tudo pra controlar quem falava mal de quem. É fácil: falavam todas mal umas das outras. That simple! E hoje eram todas muito amigas e amanhã eram todas umas cabras pras outras porque se tinham pegado por causa dum olhar que o tipo tal em que a sicrana estava interessada tinha dado à beltraninha. Ou então porque a não sei das quantas tinha tomado conta do comando e visto futebol e não as tinha deixado ver a novela.
Meus amigos, arranjem o que fazer!!!! É tempo livre a mais e auto-estima a menos!

Não tenho cú de paciência pra estas cenas, foram muitos anos a aturá-las por obrigação. Tenho 35 anos, já não vivo num lar há 14 e há 14 que jurei que nunca mais me apanhavam no meio de tanta maldade e gajedo. Muita mulher junta dá sempre asneira da grossa, sempre. Principalmente comigo que não sou gaja de compadrios ou calhandrices.
Sou pouco gaja nestas coisas e é com muitíssimo gosto que assim sou.
Quem não gostar passar bem e passar bem longe se faz favor.

Agora é que vai fôr!

Comprei um iphone em mega desconto através da minha empresa e estou um bocadinho histérica com o brinquedo novo.
Foi a única coisa que me animou hoje antes de levar shots de vitamina D amanhã.
Além disso estou na constante esperança que a Polícia não tenha conseguido preencher lá o sistema com o processo da falta da carta de condução e ando a pôr velas com fartura ao meu rico Santo António.
Eu sou tão “boa pessoínha” (como dizia um senhor amigo do meu Pai), faço tanto bem aos outros, eu mereço safar-me, o meu bom karma e luzinha tem que andar por aí. Também aceito muito as vossas velinhas, rezas aos vossos santos, e cunhas dos ateus a quem quiserem e da forma que quiserem, o que interessa é eu não ficar sem carta e tesa. E se foi pra me safar desta que me roubaram os documentos em Bali, prometo que até vou pedir ao Universo que conceda longevidade e saúde ao safado do ladrão. JURO.
Last, but not the least, vou postar uma dica maravilhosa que me deixaram ali nos comments e que me vai poupar um dinheirão com TODA a certeza em bilhetes de avião. (Pedro, sejas tu quem fores, o meu mais sentido OBRIGADA).
Ora Emigrantes, Expatriatos e caros amigos, bloggers e anónimos com família no “istrangeiro”, funciona assim:

Um casal amigo, em que um deles está na Bélgica, costuma comprar as viagens alternando as datas, isto é, comprava a viagem de ida da primeira viagem, mas em vez de comprar juntamente com essa, a viagem de regresso dessa viagem, comprava o regresso da segunda viagem. A viagem de regresso da segunda viagem comprava com a data de ida da segunda viagem. Vantagem: como as datas eram mais espaçadas entre si, as viagens costumavam ser bem mais baratas. (espero ter-me feito entender, é uma questão de experimentar).

Deixa lá ver se eu entendi:
– comprava um bilhete para ir de BE pra PT no dia 20 de julho e com regresso de PT 30 de Setembro.
– comprava outro bilhete para vir de PT pra BE no dia 24 de julho e com regresso de BE pra PT a 25 de Agosto.

Ou seja, ele fazia sempre as idas, logo não lhe anulavam o bilhete e obviamente conseguia preços baratíssimos com a giga joga! Mas que ideia brilhante!! Olha que vou experimentar mesmo!! Muitíssimo obrigada!!

Os abraços

Abraçar é algo tão pessoal.
Quando alguém nos abraça permitimos que invadam aqueles dois palmos de distância que mantemos à nossa volta e chamamos “espaço íntimo”. Dependendo de como fomos educados, se os nossos Pais nos davam abraços com frequência ou não, podemo-nos sentir mais ou menos à vontade com o gesto. Mas mesmo que tenhamos tido uns Pais amorosíssimos, passamos sempre por aquela fase denominada adolescência em que rejeitamos o nosso corpo, que achamos que um abraço é sinónimo de ser lamechas e fracos, e desabituamo-nos a abraçar.
Aqui há uns anos fiz uma terapia um bocado marada (de que não me lembro bem o nome) com uma Senhora extraordinária e que começava cada sessão com um abraço. Aquilo era estranhíssimo!
A terapia devia-se ao facto de eu não verter uma única lágrima há uns bons 10 anos e como tal, cada vez que me emocionava ficava com tudo contido dentro do peito e tinha falta de ar, dores físicas mesmo. Basicamente, não conseguia libertar os sentimentos.
A terapia foi impecável sendo o momento áureo da mesma o dia em que desatei a chorar a ver o Extreme Make Over. Juro. Depois de 10 anos sem uma única lagriminha no canto do olho, não é um bom filme que me liberta, não é uma música, é uma casa a ser demolida e reconstruída por gajos pagos a peso de ouro em reality TV. Seriously?
Adiante!
Passado aí um ano de ter terminado a dita terapia comecei a fazer Candeia. Ora a Candeia é um grupo em que abraçar é a modos que mandatório. No meu primeiro fim de semana de animadores pensei que aquela gente fazia toda parte duma seita e que estava tudo tolinho. Um dos primeiros exercícios era estarmos todos em roda e tínhamos que ir abraçar uma pessoa que achassemos que precisava dum abraço. Ora eu não conhecia nenhum daqueles cromos! Como é que eles sabiam se eu precisava ou não?!?! De repente dou comigo a receber uma porradona de abraços e eu sem me deslocar pra abraçar ninguém. O certo é que os abraços eram distribuídos com tanto carinho, com tanta disponibilidade por parte de cada pessoa que eu … gostei!
E durante 6 anos tive direito a todo o tipo de abraços: fortes, chorosos, daqueles que tiram as saudades, dos outros em que se sente o coração, abraços medrosos, abraços palhaços, abraços carregados em ombros, abraços, abraços, abraços.
Já não faço Candeia desde Setembro de 2010 e desde então abraço e sou abraçada, e alguns com saudades, principalmente quando me vêm visitar (ou o mega abraço que dei e recebi dos farrapos que andam a dar a volta ao mundo, e meu, aquilo foi um abraço à séria!!!), mas geralmente não é a mesma coisa. Porque a não ser que seja alguém que esteja habituado a fazê-lo, a mágica quebra-se no sentimento retraído involuntário do outro provocado pela minha invasão do espaço íntimo deles.

Enfim, não me posso queixar, até porque sempre que vou a Portugal my Candeia “mimes me!” mas digamos que passei duma eficácia de abraço de 100% para uns… 30%.
E ontem abraçaram-me como nesta foto (pirosa, peço muitas desculpas mas não encontrei melhor que isto) tendo-me apanhado desprevenida, e derreti-me inteira e percebi AS SAUDADES que eu tenho deste tipo de mimo. Tenho mesmo muitas muitas saudades. Quero mais.

E só porque tenho mesmo muitas saudades, ponho aqui alguns dos meus xi-corações favoritos. (se esperavam fotos dos meus exs estão munto enganados!)

É só hoje

Só hoje, mesmo só hoje.
Estou cansada, estou triste, estou sem forças, não tenho sono mas sinto-me mole, tenho fome mas não me apetece cozinhar. Não tenho paciência pra ninguém, não estou com TPM. Apetece-me telefonar pra dizer que estou doente e ficar a dormir, mas depois fico a remoer em cenas que não devo e trabalhar é a melhor opção. Está escuro lá fora, parece que são cinco da tarde desde que acordei.
Quero que o dia acabe depressa e que as minhas tarefas se façam sozinhas por milagres.
Estou farta de que não haja pessoas suficientes e que eu tenha que pedinchar tudo aos meus colegas todos os dias. Estou farta que esteja tudo cansado. Estou com uma p@ta duma telha e duma neura que só em casa isolada com os cães é que se está bem. Não quero falar com ninguém. Quero meter a cabeça debaixo das mantas e esperar que o dia passe.
Não estou a morrer nem deprimida, não se preocupem. Só estou muito cansada e não quero conversas.

Stressada é a …….. prima!

Fico doente quando me dizem que sou stressada. Principalmente quando isso vem de pessoas que são tão ou mais stressadas do que eu, mas que têm normalmente um ar blasé de quem não é afectado pelos nervos. Aquele pessoal que tem um aspecto impávido e sereno e que depois vai-se a ver é uma pilha. E que depois me diz, com o ar mais calmo deste mundo: ai tu és muito stressada!
Eh pa, desculpem lá, stressadinha o car@lhinho.
Exacto, leram bem.
Eu queria ver as pessoas a conseguirem fazer metade do que eu faço na quantidade de tempo que eu faço e acima de tudo a absorver a quantidade de stress que eu absorvo sem entrar em espiral.
Regra geral também quem me stressa são os que dizem que eu sou stressada porque são eles que me stressam ao serem leeeeeentos. Não aguento gente leeeeeenta. Pessoas que levam 4 anos pra decidir uma merda qualquer: stressam-me. Pessoas que não sabem pra onde vão: stressam-me. Pessoas que me atrapalham “o andamento”: stressam-me. Pessoas que acham que podem chegar 2 horas atrasadas que ninguém vai dar por ela e que está tudo tranquilo: stressam-me. Pessoas que não conseguem ter soluções e que só se sabem queixar: stressam-me. Pessoas que não sabem viajar: stressam-me. Pessoas que se colam a mim e se penduram em mim: stressam-me. Pessoas que têm sempre medo de tudo: stressam-me. Pessoas que ficam histéricas em vez de controladas perante contratempos e que se dizem pessoas calmas: STRESSAM-ME! Pessoas que me tentam “empatar” no trabalho: irritam-me. Pessoas que não me deixam trabalhar e querem fazer tudo à trapalhão: stressam-me. A minha Mãe que eu adoro de coração: stressa-me. Há tanta merda que eu aturo, que eu ouço, que eu aguento, que eu faço, sempre sozinha, que acho que mesmo sendo stressada, porque o sou, ninguém tem o direito de me dizer que sou stressada enquanto não estiver no meu lugar, na minha pele. Principalmente malta que depois conta comigo pra lhes “resolver os stresses”. E depois ainda por cima não fazem bolha do que se lhes diz. Depois sai merda e eu stresso porque tenho que os aturar. Não me chateiem pa!
(ufa, estou melhor)