Vou ser Tia!

O meu irmão vai ser Pai, e eu vou ser Tia pois tá claro, e estou muito contente porque o puto vai ser escorpião como eu!

Nasce em Novembro, e eu vou estar de viagem … ops… mas um dia o puto vai viajar comigo e faltar a datas importantes também 😀

Não percebo nada de bebés, por isso fiz o melhor que pude e sei … fui à Hema comprar-lhe todo um enxoval, tem prendas até ao Natal! Rimei! 😀

Há de tudo como na farmácia, com o cuidado de ter mangas curtas e mangas compridas pra não estufar de calor quando estiver em Angola, e não morrer de frio em Portugal.

Se não exagerei? Pois tá claro que sim! Até a minha cunhada me disse que não era preciso tanto, mas eu quis 🙂 Já que “fiquei pra Tia”, ao menos deixem-me ser Tia à grande e à francesa!

O Excelentíssimo vai-se chamar Santiago, e vai ser um rapaz cheio de sorte porque vai ser o primeiro neto e o primeiro sobrinho, e como tal vai ser estragado até à exaustão 😀 mas vai ser um miúdo muito amado como tem de ser.

Esperemos que seja tão giro e fofo como o Pai era quando era pequeno, e que quando crescer tenha o bom feitio …. da Tia!!!!

Vai ser tão giro ver uma reprodução em miniatura do meu irmão! Como é que eu sei que vai sair ao Pai?

Não sei! Mas espero que sim! Sorry Cunhada, ficas com a próxima rodada, pode ser?

 

 

Tal Mãe, tal filha…

A única diferença nestas duas fotos, é que eu tenho mais 10 anos que a minha Mãe na foto dela, pelo menos.

Ou seja, eu aos 38 sou parecida com a minha Mãe aos 28, mas mesmo assim, quase iguais, é assustador!

O que acham?

Dona Jú, a decoradora escondida

A minha Mãe ADORA a época Natalícia, a nossa casa de Braga fica completamente decorada ao ponto de parecer uma montra de Natal.

Quando se entra em casa, tem-se a impressão de estar num dos andares do Corte Inglês, há presépios, árvores de Natal na parede e no chão, os quartos estão decorados com velas e decorações específicas….é o Texas!

Ou vá, um Mercado de Natal Alemão! 😀

Este ano, vendo que já não havia mais espaço livre para decorar, a minha Mãezinha fez um arranjo especial para mim, para que houvesse um bocadinho dela na minha casa, e como não, um Menino Jesus.

Nós somos de Braga, e lá em casa, todos admiramos arte sacra, e temos o Menino Jesus em tamanho quase natural, à entrada de casa, and let me tell you, é o Menino Jesus mais bonito do mundo! (quando lá estiver tiro umas fotos e mostro-vos). E como não o posso trazer, trouxe uma amostra, mas é a MINHA amostra.

Não é lindo? Obrigada Dona Jú!

 

 

Uma “Open House” – “best idea EVER” para celebrar o meu aniversário

No domingo dia 15 de Novembro, fiz 39 aninhos.

Estou uma jovem, ou como disse a uma amiga minha espanhola: casi 40 y sigo bueníssima!! Estoy que no me aguanto!!!!

Haja auto-estima como a minha, isto é que é poder….! Nem preciso de ajuda pra me enaltecer, assim é qué Sofs Maria! Adiaaaaaaaaante!

E quis convidar um grupo de amigos bem pequeno cá pra casa, só que comecei a fazer a lista e com crianças e tudo, éramos quase 50….! Eu sou muito boa a fazer amigos, e amigos duma vida inteira, daqueles que ficam e não vão embora, “graçá a Deus, né mêmo”?
E foi isto que aconteceu por email e foi assim que organizei o meu dia de anos:

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Subject: Onde estás tu dia 15 de Novembro?
Texto: 


Vocês não sei, mas eu vou estar em minha casa à vossa espera!
Queridos Amigos e Família,
Era meu hábito dar uma mega festa em Amesterdão porque a minha sala tinha 60 m2, e normalmente cabíamos lá 50 ou 60.
Este ano pensei que pelos meus anos não queria fazer uma coisa grande, queria um lanchinho com as pessoas que me acompanham todos os dias, ou quase, e aqui em Portugal somos menos porque há muitos emigrados.

– Faço uma lista.

São 50 “manos” outra vez, crianças inclusive e mais cães e eu penso: estou lixada com F. Quem me manda fazer amigos assim? E agora como é que descalço esta bota?

E tive uma ideia, que não sei se é muito brilhante, mas é uma ideia 😀

E se eu fizesse um dia de Open House?

Ou seja, o pessoal pode vir tomar o pequeno-almoço, almoçar, lanchar, jantar, na hora que mais lhe der jeito, pode ficar 10 minutos, meia-hora, 3 horas, o dia inteiro, oh pa, é como quiserem.
Ninguém tem de me dizer a que horas chega, ninguém tem de stressar pra estar cá à hora X, se não puderem vir, também não faz mal. Ninguém espera por ninguém pra comer, se não houver cadeiras sentamo-nos no chão
:)))

Família é família!!!


Podem e devem trazer os miúdos e os canídeos.

Só não me tragam prendas que eu não preciso de mais cremes nem perfumes, nem brincos, nem echarpes nem pulseiras, venham cá dar-me um abraço, tragam qq coisa pra beber se tiverem coisas específicas de que gostem muito, ou intolerâncias alimentares, sopinha pras crianças eu tenho!

Bora?

Beijos grandes e abraços apertados!
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E posso-vos garantir que foi a MELHOR IDEIA QUE JÁ TIVE, mas assim tipo, EVER!!!

Os meus amigos responderam-me a dizer coisas como: tu és louca. Só tu pra fazeres uma coisa destas. Que ideia fantástica! I’m in. Tenho um almoço marcado, passo aí de manhã. Tenho um jantar marcado, vou aí de tarde. Estou de stand-by, mas vou aí de manhã.

Resultado, as pessoas acabaram por vir quando quiseram, tomaram um café ou um chá comigo, uns vieram tomar o pequeno-almoço, outros apareceram ao meio-dia e almoçaram e ficaram cá até às 5 da tarde, outros apareceram depois do almoço pra tomar café, outros pra lanchar, e ainda houve o grupo final que apareceu depois dum espectáculo, aí pelas 20? E que vieram jantar petiscos.

Estivemos quase o tempo todo à mesa ou na varanda ao sol a conversar, deu pra nos rirmos com as bacoradas uns dos outros, pra apresentar quem não se conhecia mas já tinha ouvido falar, deu pra brincar com os miúdos, os miúdos perseguiram os meus cães que ficaram tão esgotados que ontem ainda nem se mexiam, falamos de tudo, desde nós, os miúdos, política, gafes, coisas boas e coisas más, e de como eu adoro malta que diz tudo o que pensa, e eu estive o dia todo acompanhada, como se quer num dia de aniversário, a receber abraços e sorrisos,
E como disse que não queria prendas (que faria se lhes tivesses dito: prenda all inclusive) ainda recebi um marcador de livros lindíssimo que a Maria José me trouxe da Índia, 4 livros que eu ainda não tinha e cada um melhor que o anterior, todos bons, mesmo bons. Chocolates, uma planta de trevo de 4 folhas pra me dar sorte (não fosse eu a gaja mais sortuda do mundo!), flores (tenho tulipas em casa pela primeira vez em dois anos, merci Jenni!), speculoos, que se não sabem o que é, não sabem o que perdem, compotas caseiras que eu adoro, e um bolo, e uma tarte de amêndoa, e um sabonete home made que deixa a pele tipo seda, e lava meeeesmo (oh tu, miúda, you know who, quero mais sabonetes, vamos fazer negócio!), e muito beijo e muito abraço, e muita gargalhada.

Isto já vai muito longo.

Quem tem amigos tem tudo.
Quem tem amigos como eu, tem um mundo de felicidade coroada e benzida, é só colher.

Foi ÉPICO! Tão épico, que a partir de agora vou passar a fazer isto todos os anos.
Pelo menos todos aqueles que estiver em casa e não a viajar!

Pro ano faço 40…!

O casamento do Mano por ordem cronológica ou as partes de que me lembro

01:00 AM – chegada a Braga mais morta que viva depois de 4 horas de condução.
01:30 AM – descubro que a minha Mãe convidou a minha Tia pra vir dormir lá a casa, na minha casa de 1,60 cm de largura.
02:00 AM – a minha Tia não se mexe muito e embora o espaço seja exíguo, consigo adormecer.
06:00 AM – a minha Mãe acorda pra fazer comida e limpar (ainda mais) as pratas da sala pras fotos do Noivo.
06:30 AM – os cães que estão no quarto das traseiras começam a chorar porque ouvem movimento e acham que estamos todos acordados.
07:00 AM – a minha Tia acorda porque decide ir ajudar a minha Mãe.
08:00 AM – a minha Mãe acorda-me pela quarta vez para eu ir arranjar o cabelo ao salão (que é do outro lado da rua) antes que chegue a Noiva e os convidados da noiva. A minha Tia vai com ela.
08:10 AM – levanto-me pra ir passear os cães e deito-me novamente.
08:30 AM – o meu Pai acorda-me pra me perguntar onde estavam os convidados que não tinha aparecido ainda no cabeleireiro. Proíbe-me de casar, porque se a minha Mãe está nesta carga de nervos e a Noiva não sou eu, nem quer imaginar se chego a ser.
08:31 AM – digo-lhe que não sou a Noiva, nem o Noivo, e que não sei quem são os convidados.
08:32 AM – o meu Pai manda dois berros porque alguém tem que ligar aos convidados e esse alguém sou eu.
08: 33 AM – como não tenho a quem ligar, ligo à Noiva que não me atende.
08:35 AM – como está tudo possuído lá em casa decido tomar banho e arranjar o cabelo de una “p@ta vez”.
09:00 AM – com um olho aberto e outro fechado peço um café na pastelaria, onde está a minha Tia, já com o cabelo esparso armado em jeito de casamento e a Sogra do meu irmão a tomar o pequeno-almoço tranquilamente.
09:05 AM – escandalizo a sogra do meu irmão com o chorrilho de palavrões que me sai da boca porque estou com uma birra de sono insuportável e não páro de repetir: não sou eu que caso!! Esqueçam que eu existo durante duas horas e deixem-me ir dormir!! O casamento é às três da tarde, porque raio está tudo histérico desde as 6 da manhã? O meu irmão está a dormir, ninguém foi acordar o menino, só a mim!!! Machistas, são todas iguais!
09:15 AM – entro no cabeleireiro onde a Dona Fernanda que trabalha connosco há 32 anos me faz o penteado magnífico do post anterior em… DEZ minutos.
09:30 AM – chega a Noiva, e as convidadas, e as meninas das alianças, e …… e eu só penso: EU estou acordada desde as 08:30 porque vocês ainda não chegaram porque dormiram mais três horas que eu! Insulto as desgraçadas mentalmente que olham pra mim com espanto. O meu mau feitio no seu melhor. Ao menos fui simpática e não descarreguei ali.
09:35 AM – adormeço em cima da mesa do cabeleireiro.
09:40 AM – acordam-me e mandam-me ir dormir pra casa mas com cuidado pra não estragar o penteado.
09:45 AM – chego a casa onde a minha Tia me pede pra a ajudar a escolher a roupa. Novamente, o casamento é às TRÊS da tarde! Peço-lhe que esqueça que eu existo, mostro novamenteTODO o meu mau feitio, e vou dormir pro quarto das traseiras pra um colchão no chão, junto com os cães.
10:00 AM – chega a empregada pra limpar a casa pela vigésima vez numa semana.
10:20 AM – a empregada liga o aspirador e eu passo-me.
10:30 AM – DESISTO!!! 
10:31 AM – saio chispada de casa para me encontrar com a Tininha que é a nossa (do meu irmão e minha) pseudo-irmã que só queria ir passar o fato a ferro. Peço-lhe que me acompanhe à farmácia duma grande amiga minha ao cimo da rua.
10:45 AM – porque eu não estou nada bem, assim que começo a falar com a Susana, desato a chorar de sono, de birra, a tremer, uma carga de nervos que não lembra ao diabo e que a minha Mãe e o meu Pai me conseguiram transmitir nas últimas 4 semanas.
10:46 AM – a Susana mete-me um serenal 15 mg debaixo da língua a meu pedido.
10:55 AM – a Susana e a Tininha respiram de alívio ao ver que mudei de cara, que já não esperneio, nem choro, nem tremo, e que estou pronta pra voltar ao “activo” como irmã do Noivo.
11:15 AM – chego ao cabeleireiro novamente, depois de ter deixado a Tininha sem o fato passado a ferro, acabo de me maquilhar e juro solenemente, que pelas barbas de Barnabé, se alguém dia tiver a infeliz ideia de me casar, que o vou fazer completamente às escondidas, só o noivo, eu e o padre. 
12:00 PM – chego a casa onde o meu irmão está tranquilamente à espera do fotógrafo e nos diz com a sua normalidade: está tudo muito nervoso, afinal quem casa aqui sou eu, não são vocês. A ver se se acalmam, sim?
12:15 PM – A minha mãe chega a casa, troca de roupa, chega o fotógrafo, comemos umas sandes que nos pôs na sala, tiramos umas fotos e descontraímos com o meu irmão a mandar piadas. Cá pra mim ele também já lhe tinha dado no Serenal!
14:00 PM – Chega o (bendito) do motorista que o meu irmão contratou para levar a família ao casamento, o meu irmão vai com o Padrinho e assim garante que ninguém tem de conduzir. Foi a melhor ideia do ano e do casamento inteiro!
15:00 PM – Começa o casamento, o meu irmão entra com a minha Mãe que chora atrás dos óculos escuros. O meu irmão chora porque vê a minha Mãe chorar. A seguir entra a Noiva ao som do “No teu Poema” cantada pelo amigo Daniel e da Azeituna em grande estilo e no seu melhor.
15:15 PM – Começam as leituras. O meu Pai vai ler a segunda leitura e pra meu espanto desata a chorar emocionado. Foi a segunda vez na vida que vi o meu Pai chorar. A outra foi quando eu fui pra universidade pra Coimbra. O meu irmão nunca tinha visto o homem chorar. Pensamos que lhe ia dar um AVC. Corre tudo bem afinal, o homem safa-se e consegue acabar a leitura. Não há mortos. Ufa.
15:30 PM – Oração dos fiéis, vou eu ler com o irmão da Noiva, ele pede-me pra começar primeiro e eu não reparo no que se segue: toca-me a oração em que pedimos pelos ausentes. Em segundos e em flash lembro-me do meu Tio Aprígio, do meu primo Né, da minha Tia Zé, do meu Tio Adolfo, toda a família que devia estar ali e já não está e sou eu quem desata a chorar. Apesar de tudo consigo meter a piadinha “isto é de família caramba!”. O meu irmão diz que eu parecia um motor engasgado.
16:30 PM – Acaba o casamento na Igreja e acabam-se os nervos. Choramos todos, não se safou nem um!
17:00 PM – Peço ao motorista pra me levar a casa e vou passear os cães. Sim, toda vestida de azul, vestido comprido, estola, sapato alto e cabelo armado. Se sem estar produzida já sou um circo ambulante a passear quatro cães brancos, imaginem vestida assim….será que me filmaram? Credo…
18:00 PM – chego à quinta onde o sushi já voou todo e onde me esperam um monte de primos, um monte de amigos comuns, e muito Alvarinho Torre de Menagem!
20:00 PM – sento-me à mesa com a Broa Tininha e os meus primos todos solteiros. Piada do meu primo Ricardo: ao fim de 20 anos, continuo sentado na mesa das crianças! Ao que eu respondo: essa piada é minha ó fedelho, que tu ainda só tens 30 e eu pro ano faço 40! O que é certo é que foi a mesa mais animada de todas depois da mesa da Azeituna, e que me permitiu conhecer os meus primos mais novos melhor, não tive de aturar birras dos miúdos pequenos (que se portaram lindamente, que fique de registo) nem ficar com as conversas familiares a meio, dancei com os amigos da Azeituna, com o meu Pai, comi bem e bebi melhor, e honestamente, a partir aí das 22:00 só me lembro de partes de conversas porque falei tanto, bebi tanto, curti taaaaanto, que é difícil lembrar-me de tudo.

Coisas bonitas a reter: 

  • ofereci ao meu Tio Jorge uma foto dele e da Tia Zé comigo e com o meu irmão quando éramos pequeninos. Fugi pra não o ver chorar, mas ele ficou tão feliz que disse ao meu Pai que foi a melhor prenda que lhe deram em anos e a melhor coisa do casamento. Afinal a minha Tia também lá estava.
  • O meu Pai estava tão radiante, mas tão radiante, que passou a noite toda de copo na mão a dançar connosco e a contar histórias e eu discretamente fui-lhe arranjando vítimas diferentes pra não cansar os convidados, e ele adorou falar com tantos amigos do filho que gostam dele. 
  • A minha Mãe preparou um vídeo com fotos do meu irmão desde pequenino e que fez o trajecto todo dele desde que nasceu, até à universidade, primeiros empregos e até à Noiva. A música foi bem escolhida, as fotos fantásticas (embora eu parecesse uma pequena vaca em algumas!) e o meu irmão adorou e os amigos também.
  • Os meus Primos foram trocando piadas e fotos no nosso grupo de whatsapp o casamento todo, no verdadeiro espírito palhaço que nos caracteriza, e tornaram a festa muitíssimo mais divertida. Só foi pena estarem-me sempre a perguntar quando é que era o meu. Já lhes disse que me responsabilizo por organizar um piquenique anual pra todos se pararem de me fazer perguntas estúpidas. Qual é o problema de não querer casar? Temos todos que querer o mesmo da vida? Eu viajo, eles casam e têm filhos. Com os 20 mil euros do casamento vou fazer uma volta ao mundo. E como disse antes, mesmo que me case, há-de ser em segredo que eu não aguento outra cargas de nervos desta sem ter um colapso!

É ÓBVIO que não estou à espera que ninguém leia este texto até ao fim ou sequer que lhe encontre alguma graça ou qualquer moral ou corolário. 
Esta descrição serve única e exclusivamente para EU me lembrar de como foi o casamento do século da família, o melhor e o pior de cada um num dia que era importante para pessoas que amamos e pelos vistos, por inerência, também para nós. 
Nunca pensei que fosse ser assim. 
Começou muito torto e acabou muitíssimo bem.
Já fui a mais de 60 casamentos (sim, juro que é verdade), e este não foi diferente dos outros em muita coisa, mas foi único porque foi o do meu irmão mais novo. 
E por isso foi Legen….wait for it…dary!



Atentar bem no tamanho das olheiras até ao pescoço….pra não mais esquecer!






A Andorinha também sabe o que é Fashion ou em Português: féchione!

O meu irmão casou no sábado passado e como não faço intenções de me casar pensei: é desta que dou uma de princesa!

Entrei numa loja aqui ao pé de casa no Via Venetto que costuma ter muitos vestidos de casamento, e bati os olhos neste e foi amor à primeira vista.

Era mesmo isto que eu queria, um vestido comprido, sem um decote até à boca como é meu hábito, assim muito… familiar, compostinho, não sei, era isto. Se calhar foi o mesmo sentimento que as noivas me dizem que sentem quando vão escolher o vestido e desatam a chorar.
Eu chorar não chorei, mas pensei: não mexe mais que estraga!

Pequeno problema: em Braga faz fresquinho dia 3 de Outubro, como é que eu me agasalho sem parecer uma matrafona? Uma estola! Já que é pra botar chique sem vergonhas, que seja no casamento do Mano em que é suposto os Pais e a irmã e Padrinhos e Madrinhas irem muito mais “tal” que o resto dos convidados.
Entrei na Zara a voar há três semanas atrás, vi logo a dita da estola, e não fui de modas: pimbas!

A mesma coisa com o ganchinho do cabelo, tinha que ser classy, assim como o penteado. Zara rulez nestas coisas.

Uma bela sandália beje e alta e não compensada, e lá fui eu, qual princesa a fugir pro rainha.

A única coisa chata foi a piadinha mais gasta do casamento: Sofia, tiraste o casaco aos dos teus cães e puseste-o ao pescoço?

Eu avisei que ser parvo era de família, não fosse eu ter uma família de palhaços, não sei o que seria de mim!

 

Setenta anos de boa disposição!

Quem sai aos seus não degenera, e nós saímos ao meu Pai na boa disposição e no optimismo, e a ele lhe devemos (eu e o meu irmão) muito mais que os bons genes.

O Senhor João fez questão de acompanhar os filhos nos estudos, e embora fossemos ambos naturalmente bons alunos, se não fosse ele ter-nos apoiado e incentivado sempre, hoje certamente não estaríamos onde estamos.
Fez muito mais do que pagar boas escolas, e com imenso sacrifício, já que metade do orçamento familiar ia pra pagar os Colégios e Universidade dos filhos, o meu Pai estudava connosco, certificava-se de que estávamos preparados pros testes fazendo-nos perguntas, dava-nos mil escudos por cada 100% (começou por dar acima de 90%, mas como ia falindo, elevou a fasquia!), e ofereceu-me a melhor coisa do mundo: o gosto pela leitura.

Foi o meu Pai que me comprou o meu primeiro livro, da Sophia de Mello Breyner, e que sempre discutiu qualquer coisa que quisesse comprar, excepto livros.
Livros foi coisa que nunca me faltou. Não é que me faltasse coisa alguma, mas livros, sempre houve às pazadas, tudo o que fizesse de mim uma gaija esperta, era só pedir 😀

Também nos legou o gosto pelas viagens, que nós muito agradecemos!
Gosta muito de viajar, mas agora não quer deixar o Kruk sozinho, o companheiro dele que lhe oferecemos há 6 anos atrás exactamente por esta data, o melhor presente de aniversário que já lhe demos. Nunca mais nada se igualou, nem chegou perto. É mesmo o melhor amigo do meu Pai, e retribui a atenção que lhe dão de modo incomparável.

E por isso hoje, quando faz 70 anos, não sabemos o que lhe oferecer senão uma pequenina homenagem, e um enorme beijo e abraço esticado à distância, mas muito em breve, dado bem de perto!

Parabéns meu Pai! Que a alegria e a traquinice desta foto continuem a ser o imperativo da tua vida 🙂 E da nossa contigo!!

Um mega beijo da Sofia e do Carlos, e muitas lambidelas do Kruk, da Petzi, da Juicy e do Bitoque, todos nós te adoramos 🙂

É a tua vez

Sempre foste mais sensato que eu, sabes sempre o que fazer, nunca te enganas e raramente tens dúvidas.
Sempre quiseste viver fora, mas foste adiando, não por ti, mas por nós.
E eu aproveitei sempre o facto de seres tu o presente, pra ser a ausente.
Eu fiz Erasmus, eu emigrei, e tu aguentaste o barco do lado de cá, e agora é a tua vez.
Vais fazer parte da banda dos emigras, é a ti que te vais custar agora entrar no avião, passar 4 meses sem vir a casa, gerir as férias de modo a que dê pra tudo, estares com quem mais gostas e gozar o tempo de lazer que mereces.
És tu agora quem vai estar ausente, que vai chorar de saudades, que vais ter pena de não poderes estar presente nos pequenos momentos que fazem toda a diferença.
És tu quem vai curtir as novidades diárias, enfrentar os desafios constantes, crescer quando já se pensa que se cresceu tudo, tornar-te ainda mais independente no dia-a-dia, e mais dependente dos que te rodeiam.
Vais trabalhar com outras culturas, rir-te, irritar-te, vais querer estar onde não estás, e ficar feliz por estar onde estás.
É a tua vez Mano, é a tua oportunidade, é a tua vontade, são as tuas alegrias e as tuas tristezas.
Foi pra isso que eu regressei, pra tu poderes partir, sem receio de estares a deixar alguém desamparado.
Não vou conseguir fazer o mesmo bom trabalho que tu, o meu mau feitio não permite, mas vou tentar, pra que te custe menos estar fora, pra que possas aproveitar ainda melhor cada momento desta aventura que é viver fora, não só do ninho, mas de Portugal.
E um dia vais voltar cheio de histórias na bagagem pra contar aos teus filhos, Pais e irmã.
É a minha vez de ficar cá e ver-te ir.
Vai com Deus, e que a tua estrelinha maravilhosa jamais te abandone.
Vai ser espectacular, vais ver.

Ensinaste-me a dançar

Faz dia 15 de Setembro um ano que fiz 6 horas de comboio depois do casamento do meu melhor amigo para poder passar umas horas com o meu primo Né e a minha família mais próxima.
Foi uma viagem longa, mas consciente de que o tempo se escorre por entre os dedos e poderia ser a última vez que o via.
O Néné estava doente, com essa puta dessa doença maldita que ceifa sem dó nem piedade, e estava cansado de tratamentos e viagens constantes, acima de tudo desolado por já não poder dançar. E eu fiz questão de dar o litro pra poder dar-lhe um abraço e um beijinho, mandar três larachas pro ar e fazê-lo rir só um bocadinho. E valeu a pena, foi um dia inesquecível, éramos 25 pessoas e 5 cães, pequenos e graúdos, apertados numa foto que trago no coração.
O meu primo por afinidade, mais Tio que outros Tios de sangue, que nunca quis mais que gozar a vida em pleno, que dançava passo doble como ninguém, que adormecia em qualquer lado, até na casa de banho, que tinha uma vinha e dezenas de cães de caça bem tratados, que gostava de verbenas, bailes e festa, anfitrião do cabrito da Senhora das Dores, Marido da Pija, Pai do meu primo Jorge e da minha prima Mané, Avô do Tójó, do Dinis e do Francisco, que nos ensinou a todos a dançar quando miúdos pra podermos sacar namorado e namorada como Dios manda. Que me ensinou a conduzir também e a respeitar sempre o meu Padrinho.
Na casa do Néné e da Pija não havia tristeza, havia alegria, música e patuscadas, uma merendinha sempre pronta e gente muito distraída e boa. Na casa do Né e da Pija nós podíamos chegar às 3 da manhã e encontrar a casa vazia porque eles estavam na rua a aproveitar o verão com os amigos, sentados no café entre gargalhadas e anedotas. Mas não fazia falta a casa estar cheia, porque nós estaríamos com eles cá fora, a aprender a viver e a aproveitar cada minuto.
Hoje o Né já não está entre nós, mas sabe e tem a certeza que nos marcou a cada um de nós, a cada sobrinho e filho e neto, inegavelmente, com a sua vida e alegria.
Vou ter muitas saudades tuas meu primo.
Obrigada pela tua presença na minha vida.
Obrigada por me ensinares a dançar o baile da vida.

Muito chata que é a Senhora

Tenho tido (e vou ter durante uns bons meses) muito trabalho.
Tenho tido muitos jantares e visitas e festas de anos, e viagens e casamentos e vou a todas mesmo que nem possa com uma gata pelo rabo, porque se há coisa importante na vida é a família e os amigos. Vim de Portugal numa quarta e na sexta fui até Bruxelas. No fim de semana seguinte adiantei o que pude para poder ir na quinta para Lisboa. Fui de quinta a segunda, voltei terça de madrugada e dormi uma média de 6 horas por dia, trabalhei 9 e espremi toda a gente nas restante horas que sobraram e mesmo assim, para não variar, falhei uma data de pessoas tão importantes para mim.
E elas não matam, mas moem.  E a combinação explosiva de trabalho a dar com um pau com vida social tem sempre como consequência olheiras até aos joelhos.
Tive que cortar o cabelo aos bonecos e ficaram feiosos e lingrinhas todos os dias. E têm muito frio, mas não gostam dos casacos e por isso … continuam com frio. Acho que vou entregá-los à minha Mãezinha durante um mês que é pra ela não voltar a dar-lhes banho sem amaciador (o cabelo fica “a la rastafari” e não se consegue pentear, só praticamente rapando). Estou a pensar mandar-lhe também a conta de 120 euros do Cabeleireiro. Pra próxima pensa duas vezes e deixa de ser teimosa que nem um jumento. Chata.
Por outro lado tenho que lhe agradecer ter herdado a persistência (pra mim é persistência, pra ela é teimosia!) que me leva até onde jamais chegaria se fosse uma “deixar andar”.
Um óptimo fim de semana para todos e sigam o meu conselho: escolham por onde é que querem começar a mudar e “fogo à peça”!!