Persia, a dream come true in Iran – DAY 3 – Teerão

29 de Dezembro de 2014, Iran

Com 9 horas de sono restablecidas, “amandamo-nos” pra dentro do metro, que como disse a Maria João, foi tão rápido que nem deu pra comprar umas cuecas! Literalmente, neste País, tal seria possível em escassas 3 ou 4 paragens de metro. Passamos outra vez pelo parque Shar em direcção ao Museu Nacional.
Só que estava fechado naquela segunda-feira, não que a gente entendesse porquê, mas era assim. Sem stress, trocamos logo pelo Palácio Golestan.

O Palácio Golestan escondidinho

 

O Palácio está meio escondido, quem vê de fora, entaipado que está entre horrorosos edifícios do ministério, ninguém diz o que ali está.

Uma pequena parte do interior do Palácio Golestan

A sala mais espectacular é sem dúvida a sala do trono, construída para que o Sha pudesse receber os chefes de estado estrangeiros, celebrar casamentos e recepções e inclusivamente coroar-se pela segunda vez em 1967, passado 25 anos de ter sido coroado pela primeira vez.
Cá pra mim ele achava que assim a coroa se lhe colava à cabeça. Adiantou-lhe muito! Só não lha arrancaram em 79 porque fugiu a tempo!
O certo é que, embora não tenha fotos da sala de espelhos, aquele tecto e até as paredes, coincidiram ipsis verbis com o meu imaginário duma sala das mil e uma noites. Os espelhos todos pequeninos a formar composições delicadas tanto nas paredes como nos tectos, foi das coisas mais bonitas que vi e vou continuar a ver nos meus sonhos. Que beleza.

Uma selfie numa das sala de espelhos (armada em intelectual com “gafas”)

Passamos a manhã toda no Palácio, onde vimos como viveram os Shas desde 1837, as peças extraordinárias que lhes foram oferecidas desde os tempos de Napoleão e da Rainha Vitória, e os quadros e estátuas de cera que representam esses seres feiosos que cagavam em sanitas de ouro enquanto o seu povo morria de fome.
Valeu a pena pra termos uma noção de porque é que houve uma revolução em 79, de porque é que os sacanas dos Ayatolas e dos militares conseguiram o poder (até hoje) e trouxeram o País pra trás mais de 50 anos, e hoje, quando o visito, sou obrigada a andar com um hijab.

Não há fotos que façam justiça ao Palácio Golestan

 

Não há fotos que façam justiça ao Palácio Golestan

 

I look like freaken royalty! 😀

 

Num é fácil andar por aí com uma camilha por cima do lombo…

 

A sério, não há fotos que façam justiça ao Palácio Golestan, AS salas dos espelhos eram qualquer coisa do outro mundo!

 

Who is the selfie master? I am!!! Esta vou pô-la cá em casa num “passepartuuuu”!

O Irão está a mudar graças a Deus e espero, sinceramente, que este País se mantenha em paz durante muitos anos, mas com um outro tipo de poder, mais permissivo, mais justo, muitísimo mais equalitário.
Almoçamos num tasco, muito concorrido e muito conhecido pela truta frita. Eu como enjooei de truta na Holanda, comi uma espécie de lentilhas, carne e beringela em molho de tomate e limão, e babei. Que delícia! E lambi os dedos com a beringela, com tomate, alho, e pimento que comi de entrada com pão Iraniano. Eu quero aprender a fazer aquilo em casa, tenho que ter a receita!!! Não sei o nome ainda, mas nos próximos dias vou descobrir e depois digo-vos!

A foto é da João, descobri há coisa de um mês que ela fotografou os pratos todos, por isso cá está a bela da truta frita.

 

E esta cena com ar de vomitado, é a tal cena de beringela, tomate, alho e pimento, que eu juro pela minha saúde que era maravilhoso, mas não consegui saber o nome, se alguma alma caridosa quiser deixar nos comentários, está à vontadinha!

Depois do almoço apanhamos um autocarro pra Kashan, e a estação central de autocarros é surreal, tenho que explicar isto que é muito engraçado: ainda dentro do taxi o Filipe disse-nos pra cada vez que falassem conosco respondermos “Kashan”, que assim eles desamparavam a loja.
Não percebi o porquê, mas fizemos o que ele nos disse, e seguimos de malas às costas atrás dele. E realmente sempre que se dirigiam a nós e dizíamos Kashan, os tipos bazavam…excepto um deles que me disse “Kashan” de volta e me mandou segui-lo.
Ora pois tá claro que me borrifei pro homem, mas isto foi ao mesmo tempo que chegamos ao interior da estação e percebo finalmente como é que isto funciona! Há uma série de homens cá fora a perguntar pra onde vais, porque há várias empresas a irem pro mesmo sítio, e os tipos vêm cá pra fora pra arranjarem clientes. Imaginem que uma rede de expressos, a rodonorte, a renex e outras que tal, tinham à porta das estações uma pessoa pra vos desafiar a escolher uma delas, que cena marada, ah!
Embora haja guichets, até onde eles vos acompanham pra comprar o dito cujo, são sete cães a um osso a tentar encher os autocarros. Essa é outra, mandaram-nos logo logo pro autocarro, e depois ficaram à espera de mais clientes pro acabar de encher. O que eu não consegui perceber bem é se os autocarros saem constantemente, ou se têm um horário pra sair, o Filipe riu-se quando lhe perguntei e disse que sim, que têm um horário, pode é ser um horário flexível…. :)))
É só rir neste País.

Kashan here we go. O autocarro é bem nice, há que dizer, até nos deram lanche e tudo! Lindo :))
São 3 horas, podiam aparecer aí as senhoras da lingerie, de certeza que fazíamos negócio!

PS: o caravensai onde ficamos em Kashan é lindíssimo! Chegados a Kashan saímos pra uma volta mínima de reconhecimento depois de jantarmos maravilhosamente no caravensai, e passamos numa frutaria e o dono vê o Filipe e faz-lhe uma festa enorme. Manda-nos entrar, oferece-nos laranjas cortadas aos quartos, (e não se esqueçam que éramos 11 pessoas!), e convida-nos A TODOS pra jantar lá em casa no dia seguinte. Era a primeira prova da afamada hospitalidade Iraniana, que assim que te conhecem oferecem-te comida e até te convidam pra ficar a dormir lá em casa. Eu que já tinha lido sobre isto, não queria acreditar.

Mais uma foto da João, e ali está o frango carregado de alecrim, o melhor da viagem, sem dúvida.

 

O Filipe vai-me rifar, mas eu vou por aqui uma foto do spot onde ficamos, sempre quero ver-vos encontrá-lo na Booking.com !

Highlights

Palácio Golestan
A sala do trono e dos espelhos
O caravensai de Kashan
O frango com molho de tomate e alecrim

Conhecer a Pérsia – era um sonho antigo que se concretizou quando cheguei ao Irão.

A partir de hoje vou postar o meu diário de bordo e as fotos da minha viagem à Pérsia, mais conhecida actualmente por Irão.
Foi a viagem de uma vida, na excelente companhia do Filipe Morato Gomes e de grandes amigos que hoje em dia preenchem os meus dias de sol e de chuva, com o selo de qualidade da Nomad, que recomendo vivamente a toda a gente e com a qual decidi passar a viajar doravante até lhes esgotar as viagens todinhas.
Eu não tenho qualquer comissão ou patrocínio da Nomad, pura e simplesmente gosto de anunciar e recomendar produtos de qualidade, e até hoje nunca recomendei nada que não tivesse experimentado. Fui a Marrocos com eles em Maio do ano passado, e ao Irão em Dezembro, em Julho de 2015 vou fazer a América Central com eles também, e a minha passagem do ano vai ser no Perú e na Bolívia na companhia de 3 amigos que fiz na viagem ao Irão e do António Luis Campos.
Estão com inveja? Então esperem até eu começar a postar os relatos…
E só pra que conste, eu tenho inveja de mim mesma!!!!

O melhor das férias?

Os amigos que se fazem, com toda a certeza!

Imaginem o que é na primeira noite em que nos vemos de pijama, eu e a minha colega de quarto vermos que os pijamas são iguais, os nossos casacos de viagem só mudam de cor, que quando abertas as malas as camisas são iguais, e que pronto, somos Sisters, ou em “inguelish”: Sistas!

Foi amizade à primeira vista, ou ao primeiro pijama! Somos parecidíssimas, ambas aceleradas, cheias de vida, independentes, pensamos da mesma forma, gostamos mais de viajar que de hotéis de cinco estrelas, chegou ao ponto de falarmos em uníssono! Ganhei uma amiga, uma irmã ao estilo: separadas à nascença.
Ao fim de três dias eu e a Sista já fazíamos ginástica de manhã como a Maria José, sim, que nós queremos todos ser como ela, a mulher mais genial de todos os tempos, que com 78 anos nos deu uma lição de vida a todos, ao mesmo tempo que se esforçava por aprender com todos nós. Quem é que está disposto a aprender com esta idade? Só alguém muito extraordinário.
Destemida, independente, com um positivismo e uma sabedoria na hora de viver que me deixou a mim a um canto, valente, curiosa, ela dança tango, ela dá workshops de alimentação saudável, ela acorda a fazer ginástica, faz tai-chi e shi-kung (depois vejo como se escreve), ela desenha, ela maneja a máquina fotográfica xpto como ninguém, ela ri, ela nunca, mas nunca se queixou de um passeio a pé, fez os kilómetros todos (e foram muitos!) sem um ai, ela anima toda a gente, ela fala pelos cotovelos e conta histórias maiores que as minhas e muito mais giras, ela tem mais 40 anos que eu, mas trata-me como qualquer das minhas amigas da minha idade, sem maternalismos, sem preocupação afogada de mãe e já tem filhos e netos, a Maria José é uma companheirona, e viajar com ela é O privilégio.
Ganhou um “mánágér” que não sabe fazer contas, mas que é um mimo de pessoa, sempre atento, educadíssimo, se não fosse advogado dizia que era um verdadeiro Senhor! Estou a brincar Nuninho! Um fixe, um porreiro, um castiço, com imenso sentido de humor, este moço é um poço de informação sobre literatura e história.
Gostamos do mesmo tipo de livros, dos mesmos filmes, das mesmas séries, e quando chegamos à Necrópolis vibramos com a mesma intensidade quando eu disparei: e ainda há quem não entenda como é que eu gosto mais de vir visitar a Pérsia que de passar três dias esticada ao sol como um bacalhau! Naquele momento o Nuno olhou pra mim e disse-me: eu entendo-te. E descobrimos ali que ambos nos desesperávamos a comprar sapatos e vestíamo-nos na secção de criança! Estava o laço feito, podemos ir juntos às compras da Fnac até à Benetton pra miúdos ou gente baixinha como nós :)) 
O que eu me ri com ele foi incrível, apenas superado (se possível) com o quanto me ri com a Isabel, com especial relevo no dia que levamos 40 minutos a atravessar uma praça que se leva 4 minutos a cruzar. Há fotos minhas de rabo pro ar com um tripé minusculo ao lado dos mega tripés dos chineses que lá estavam, e nossas ajoelhadas no chão de tanto rir. A Isabel que ao fim de uma semana já me lia o olhar e me entendia sem palavras. A sempre atenta, carinhosa, alegre, despachada e decidida moça que comprou um tapete ao mesmo tempo que eu, e sem pestanejar. Ah carago, o que eu gosto de gente decidida, que se manda pra uma viagem sem conhecer ninguém num pulo! Com a Isabel aprendi o que é a solidez, a constância, e a perenidade de uma amizade começada anteontem. 
E da Isabel passo à Vera, que embora não os tenha fisicamente, tem psicologicamente, tomates! Pra frente é que é o caminho, sabendo o que quer e o que não quer, a coerência em pessoa. E tem o mesmo ângulo que eu pra fotos, aliás, tem mais e melhor, ao ponto de eu ter deixado (praticamente) de tirar fotos pra ficar com as dela, assim como assim eram iguais, e a máquina dela era melhor que a minha, why bother? 
A Maria João, que me falou nos interrails dela há mais de 20 anos atrás, sozinha, Europa fora, e que me lembrou imenso da minha Broa, com a mesma forma de falar e de pensar. Que trouxe um tacho pequenino do Irão, com a etiqueta do preço e tudo, só pro por em cima da mesa de modo decorativo, pra se lembrar da viagem e de nós. Não vale a pena repetir que é outro poço de literatura, história e conhecimento, vale? 
Last but not the least, o nosso líder viajante, o Filipe.
Não sei se ele seria capaz de me aturar a mim e ao meu irmão na mesma viagem, mas caramba, nós somos iguais, só muda o sexo, e ele atura um e mete-se numa viagem com o outro? É de herói, pá!
E aturou-me estoicamente, sem nunca me mandar calar. Eu acho que ele já sabia por experiências passadas que não devia valer a pena esforçar-se 😉
O paciente, o calmo, o tranquilo, o porreiro, o castiço, o risonho, o grande coração que é este rapaz que se emociona todos os dias com as nossas alegrias e com o que vê pelas ruas.
Filipe, chegaste ao ponto de eu te deixar fazeres as mesmas piadas que o meu irmão, e como explicar isto: once you go that far, you don’t come back. Os meus amigos são aqueles a quem eu autorizo a piada e ofereço porrada simbólica, e tu conseguiste passar essa linha, e pronto, tás quilhado, agora é Kuoiso e Kuoisa! Mas diz lá, vá lá, eu sou mais fixe que ele não sou? Uma fácil, é o que eu sou!
Como é que podemos conhecer tanta gente parecida conosco numa única viagem? Com as mesmas paixões, pontos de vista, todos tão diferentes, todos tão parecidos, todos tão apaixonantes? 
Sorte a minha!

Só pra vos dar um cheirinho da viagem ao Irão…

Enquanto publico a da Indochina, aqui vai um cheirinho da viagem ao Irão pela pena de Filipe Morato Gomes, o nosso líder da Nomad nesta viagem, e hoje meu amigo a quem estou eternamente grata por me ter proporcionado a viagem com que sonhei durante mais de vinte anos enquanto lia o Samarcanda do Amin Maalouf.
Agora vão ter de esperar pelos meus relatos e fotos, mas nada supera a experiência e a vivência, mesmo tendo de usar um lenço na cabeça como as meninas do Albert Heijn.
É só usarem os links.

And I’m back!!

Está tudo escrito e relatado em pormenor sobre este tempo no Irão com a Nomad, mas antes quero acabar o relato do Vietname e do Cambodja, por isso vão ter de esperar mais um bocadinho.

Deixo mais uma foto, que me custou a escolher no meio de mais de três mil fotos, da Andorinha no Irão.
Bom ano 2015 pra todos!!!
Sofia

Volubilis






Afinal chegamos todos um dia antes, só falta um elemento no pelotão.

Somos 9 Tugas e 2 Brasileiros, Pai e Filho.
O grupo é giro e o Carlos um porreiro, que em vez de nos deixar andar por aí perdidos pela Medina a enfeirar babouchas como se não houvesse amanhã, nos propõe irmos até umas ruínas romanas a 100 kms de Fez: Volubilis.
A uma hora de caminho de Fez, encontram-se as ruínas de um império Romano que se mantêm melhor que a Acrópole de Atenas e que foram declaradas Património Mundial da Unesco. Vale a visita, mas não deixem de  contratar um guia. Por 15 dirham cada um, faz-se a festa e vale bem a pena a explicação. O Rough Guides também ajuda, mas o guia tem surpresas…
Pelo caminho passamos por vales cultivados intensamente e a perder de vista. Vimos uma barragem que transformou a paisagem com águas azuis, e fomos a uma aldeia perdida no meio do nada almoçar. No regresso tentamos parar no concurso anual de fantasias Marroquinas, centenas de cavalos e de pessoas esperavam-nos… dentro dum camião. Chegamos tarde demais, foi uma pena.
Chegados a Fez novamente proponho-me a um hammam. Os guias acharam um, SPA privado e não um hammam público, não se metam nisso! e por 200 dirhams recebi uma massagem divinal. Tão boa que lhe dei 50 de gorja! Que mãos tinha a cachopa!
A medina é labiríntica, perdi-me do resto do grupo e encontrei o caminho sozinha, o que pra uma andorinha é um feito!
Fez fervilha de gente, mais ainda à noite que de dia. O nosso Riad fica mesmo na porta de entrada de Bab Boujeloud.
Não é nenhum W design nem nenhum Hilton, mas é seguro e acolhedor, realmente bonito. E o senhor que toma conta dele é simpático.
Há milhares de gatos por todos os lados, todos com um ar famélico, outros extremamente pequenos, de partir o coração a qualquer dono de bichanos. Alimentam-se dos restos dos talhos e peixarias e dos restos de toda a gente que faz vibrar esta cidade e esta medina.
As pessoas são pobres, humildes, simpáticas, aldrabonas e sempre a tentar ganhar vantagem. As mulheres todas de lenço, os homens de mãos dadas como é tradição árabe. Só se nota que os tempos mudaram e os anos passaram, quando lhe olhamos pras roupas. De resto continua tudo na mesma: galinhas vivas, cabeça de cabra, com pêlo e tudo, coelhos, talhos a céu aberto com moscas insistentes e carnes tristonhas, muitas tendas que vendem de tudo e outras que só vendem peles e babouchas e as loiças das tagines e brincos e pulseiras mil. 
Imprópria pra nojentinhos, África abre-me assim as suas portas através de Fez, e eu gostei.
E isto foi só o primeiro dia. Venham de lá mais, estou a ficar viciada Nomad!