Já (ou finalmente) foste!

Dei-te os Parabéns, logo a seguir a música tocou no Spotify randomly e o meu coração deu um saltinho de memórias.

Um dia vou andar de bengala e ainda me vou lembrar do tempo em Londres.

If I could walk a thousand miles …. ia de férias masé!

 

Coisas giras que só me acontecem a mim

Quando a minha Juicy foi operada fui a pé até ao Veterinário que fica na esquina com a Estados Unidos da America.
Pelo caminho passei 4 vezes por um senhor que está sentado a pedir esmola e os meus cães foram os 3 ter com ele fazer-lhe uma festa, e ele ficou todo contente, fez-me muitos mimos, e seguimos viagem depois dos sorrisos e lambidelas.
Hoje ia a passar sozinha sem os cães, o senhor olha pra mim, pousa a lata, estende-me as duas mãos e cumprimenta-me efusivamente enquanto pergunta pelos meninos e pelo Bitoque e pelo Tintin (o meu hóspede de quando a quando)!
Desta vez o sorriso foi meu, de orelha a orelha, enquanto ele me desejava tudo de bom!
Não me pediu dinheiro, nem eu dei, não era preciso que já estávamos os dois recompensados!
Tão fixe!!

Sou filha de Retornados e com muito orgulho

Acabei hoje de ler (compulsivamente) o livro da Dulce Maria Cardoso, O Retorno da Tinta da China.

Andava há mais de um ano a ganhar coragem. E precisava de coragem porque sofro muito a ler histórias que descrevem situações que ouvi na primeira pessoa durante anos em minha casa.

Os meus Pais são Retornados, e eu sempre disse que o eram com muito orgulho, mas agora mais ainda, porque quando vieram de Angola começaram tudo do zero, e construíram uma vida nova, mas acima de tudo, construíram um futuro pros dois filhos, com imenso trabalho e sacrifício. Eles venderam papel de parede porta-a-porta, pinturas e quadros, pratos, bacalhau demolhado pra pesar mais, o meu Pai passou um ano em Lisboa a ir a casa aos fins de semana e ainda hoje odeia Lisboa e nunca cá quer vir por os pés (é com cada fita lá em casa que não lembra ao careca, por muito que lhe explique que a Lisboa que ele conheceu já não existe, não vale a pena. Nem a minha casa conhecem e é escusado explicar que é lindíssima e espaçosa e não fica num amontoado de prédios primários. E depois de ler o livro percebo porquê, mas vou continuar a insistir), a minha Mãe abriu um cabeleireiro na sala de jantar da nossa casa, e eu cresci entre pentes e tesouras, a dar 50 beijinhos por dia a todas as Senhoras que pela nossa porta entravam (ainda hoje não deixo que os Pais peçam às crianças pra me dar beijinhos quando as conheço, já me chegou a mim a quantidade de beijos melados que recebi nos meus primeiros 10 anos de vida!) e que ainda hoje cumprimento como família que são, pegaram todas em mim ao colo! brinquei com as filhas e filhos delas! cortei-lhes as perucas! Agora não haviam de ser família? Enfim, só faltou fazerem o pino pra refazerem a vida deles e ensinaram-nos a mim e ao meu irmão que nada é garantido, que temos que ser desenrascados e polivalentes, e que quando se emigra também há retorno.

Só quem já começou do zero sabe avaliar o que os Retornados passaram quando todo o “império Português” ruiu e se viram sem nada, perderam tudo, TUDO o que tinham comprado com tanto esforço e suor do outro lado do Oceano.

Os meus Pais falam bastante da vida em Angola, como era, o que faziam ao fim de semana, do Mussolo, da Baía do Cuanza, da Ilha, do marisco nas tardes de praia, da casa cheia de gente nova que tal como eles tinha ido pra Angola para viver uma vida melhor, da beleza que era Nova Lisboa, das palmeiras, das mangas, do abacaxi gelado com vinho do Porto que a minha Mãe comeu até enjoar, do calor, do cacimbo e das ventoínhas, da Maria Helena que dizia ter 15 anos e tinha 11 e que eles adoptaram qual filha e que quiseram trazer para Portugal mas que quis ficar com a Mãe e nunca mais souberam nada dela, das empregadas que roubaram o enxoval da minha mãe dizendo que estavam grávidas enquanto levavam as toalhas e os lençóis atados à barriga, da Julieta Pala que é um nome que não esqueço, dos tiroteios que deixavam a minha Mãe em pânico completo, do papel de parede no apartamento e das decorações feitas com imaginação e pouco dinheiro, do casamento por procuração enquanto o meu Pai apanhava um escaldão na praia, do facto de serem “o Consulado Melgacense” e receberem todos os tropas que iam de Portugal pra Angola e lhes darem o conforto dum lar por uns dias e comida decente, do meu Tio Eduardo que esteve lá com eles e das peripécias dele, e dos imensos amigos que nunca mais viram e da vida boa e agradável que por lá tinham no seu início de vida de casados nos seis anos que lá viveram juntos.

O meu Pai fala muito sobre os tempos de Tropa e das batidas, e da sorte que teve ao ser recebido por um rapaz de Melgaço de quem ficou amigo mas que desconhecia antes de chegar, e que “lhe deitou a mão” só por serem da mesma terra. Dum companheiro Holandês que tinha que se chamava Kruk (que de certeza que se chamava outra coisa que os Tugas traduziram para algo como kruk e que quase que aposto que era Belga…) e que homenageou à sua maneira quando baptizou o nosso cão 🙂

Mas….

…os meus Pais falam muito pouco do pós 25 de Abril em Angola e ainda menos sobre o retorno a Portugal.

Ainda hoje quando liguei ao meu Pai a dizer: tens que ler este livro, vou-to emprestar! Ele contou-me o último dia em Angola no aeroporto (que é uma das poucas histórias que eu conheço) e acaba com um: mas isto são coisas de que não vale a pena lembrarmo-nos.

Por isso eu sei pouco sobre essa altura, e este livro veio preencher esta lacuna, embora se aplique mais àqueles que nasceram lá (eu e o meu irmão nascemos em Portugal em 76 e 79) e para quem a “Metrópole e Portugal Continental” não passavam dum mapa que havia na sala de aula. Mas estas passagens do aeroporto descrevem melhor o que o meu Pai ainda hoje me contou, e ao lê-las parecia que os via lá, de mala na mão, em fuga dum País onde trataram bem toda a gente, em direcção ao seu País onde não esperavam ser tão mal recebidos.

A minha Mãe regressou em Abril de 75, o meu Pai diz que ela não aguentou a pressão – o meu Pai é tolo, algum dia algum de nós ficava num sítio onde havia tiroteios todos os dias e a tensão crescia diariamente?, e trazia mais que uma mala, cheias do pouco que tinha, e diz que lhe roubaram duas malas (nunca percebi se no aeroporto de Angola ou no de Lisboa) onde tinha mais coisas. Lá em casa há dentes de marfim e um ovo de avestruz cheio de areia de Angola que o meu Pai protege desde que eu sou gente (se partem o ovo, levam uma coça que nunca mais se endireitam!!! Deus me livre, aquele ovo lá em casa era um verdadeiro óscar!) e umas bonecas de marfim que são africanas das tribos de perfil, uns slides e umas fotografias deles e dos penteados trançados que elas usavam, animais selvagens e afins. Honestamente, agora que penso nisso, nem sei como é que trouxeram tanta coisa, a minha Mãe não é nenhuma máquina a empacotar, ou então era e perdeu-lhe o jeito (quando ler isto vai-me pendurar pelas orelhas qual bacalhau seco!) 😀 Também havia um gira-discos, e umas colunas de som, se calhar mandaram em contentores antes, porque naquela altura estes apetrechos eram volumosos. Mas vêem, não sei bem, porque nunca falam sobre isto porque não gostam de se lembrar, o que é compreensível, não é?

O meu Pai regressou no fim de Julho, chegou ao aeroporto no carro emprestado dum amigo que depois o ia lá buscar, tinha bilhete garantido, mas à porta do aeroporto estavam centenas de pessoas que já lá dormiam há mais de 4 e 5 dias a guardar a sua vez para se virem embora e que não tinham bilhete. Os guardas decidiram fazer uma fila em quadrado das pessoas, e como ninguém se mexia mandaram vários disparos de rajada pro ar. O meu Pai que ia a sair do carro com a mala atira-se pro chão. Quando os disparos acabam, deita a correr e só pára na porta do aeroporto onde fica em segundo ou terceiro lugar a seguir à porta. Deixou a mala pra trás. Diz-lhe uma das pessoas – então não vai buscar a mala? Eu quero é que a mala se foda! Oh Senhor, vá lá que nós guardamos-lhe a vez que nós bem o vimos a chegar! E é quando eu sei disto que penso, a sorte que me acompanha sempre a mim e ao meu irmão tem de vir do meu Pai! Então ele passa à frente de centenas de pessoas e ainda o defendem e guardam-lhe o lugar? É preciso nascer com o “cú virado pra lua”!

E ele foi buscar a mala, e ficou à porta do aeroporto à espera pra entrar desde as 8 da manhã até à meia-noite, hora a que conseguiu entrar e chegar a um avião de madrugada que o trouxe de volta contrariado.

A descrição no retorno é de Agosto/Setembro de 75 aproximadamente acho eu, pelo menos a avaliar pelas descrições seguintes, e fizeram-me lembrar esta história do meu Pai do aeroporto de que ele não gosta de se lembrar.

Este blog já me serviu pra encontrar primos, e pra conhecer pessoas maravilhosas e fazer amigos.

Gostava muito que este texto imenso servisse pra encontrar amigos dos meus Pais, quem sabe são os vossos Pais ou os vossos Tios ou primos, ou para se encontrarem uns aos outros 🙂 A caixa de comentários é toda vossa, partilhem as vossas histórias como Retornados ou filhos de Retornados.

Passou um ano e dois meses

Há um ano e dois meses que fui promovida a Manager e que deixei de ter vida própria. Aconteceram muitas coisas neste ano, e durante estes mais de 365 dias não houve um dia em que não tivesse saudades de escrever.

Viajei muito, fui a Madagáscar, à Colombia, regressei ao Irão e em Outubro vou a África, do Cabo a Zanzibar.

Geri uma equipa de 55 pessoas, fui 10 vezes à Holanda, passei lá o mês de Março na bendita auditoria que estava prevista há mais de três anos (passamos, by the way e com muito sucesso!), matei muitas saudades da minha família e dos meus amigos em Portugal, fiz novos amigos, decorei ainda mais a minha casa que neste momento parece um museu de viagens, comprei mais dois tapetes nómadas Iranianos, dei conferências sobre RGPD (Data Privacy), despedi-me de (demasiados) colegas que se reformaram ou foram despedidos, e trabalhei muito, mesmo muito, dediquei muitas (demasiadas) horas a transformar o meu departamento enquanto compensava a ausência e a competência de muitas pessoas que mudaram de emprego. Descobri que tenho síndrome do colón irritável e que fazer mindfulness me ajuda muito a ser menos ansiosa. Conheci o Ricardo Araújo Pereira e tirei uma foto com ele, a única vez na vida que pedi tal coisa a alguém que admiro e a quem estou grata por me fazer sorrir mesmo nos momentos mais difíceis. Vivi Lisboa, li muito, mandei umas larachas no facebook do Andorinha, mantive os meus estarolinhas lindos saudáveis e submeti a Petzi e a Juicy a uma operação pra remover quistos que se revelaram apenas sebáceos (graças a Deus!), podei rosas no meu jardim, fui muitas vezes à praia e tenho um ar saudável também eu, apesar de ter visitado todos os médicos possíveis até descobrir o IBS. E trabalhei, trabalhei, trabalhei, muitas (demasiadas) horas.

Não sabia da password do blog e fui adiando o regresso a esta página, que tanta falta me faz para ventilar,  partilhar, e organizar os meus pensamentos.

Acabo de publicar os comentários que foram deixando e que agradeço do fundo do coração. As minhas desculpas pela falta de resposta e o meu agradecimento sincero a quem por cá ainda passa e tem a pachorra de me ler.

Já não faço promessas de escrita diária, semanal ou mensal, vou escrevendo, vou vendo, vou vivendo.

Friday Link Pack – week 16 – DUPLO!!!

Pensavam que eu me tinha esquecido? Nananananana

Eu tenho postado bastante no facebook, tanto que quase me esqueço do bom que é chegar ao blog e debitar pensamentos e coisas que encontro. Mas é tão imediato postar seja no FB, seja no Instragram….além disso é muito bom para não expôr as emoções.

Já quando escrevo, nota-se tudo, com toda a força. Na semana passada tive medo no aeroporto de Amesterdão. Eu já tinha medo daquele aeroporto porque o comboio pára mesmo por baixo da praça principal, mas agora, depois das imagens de Bruxelas, esqueçam… Eu, que não tenho medo nenhum de andar de avião, que entro nele como se fosse na carreira e que em vez do pica do 7 tenho a hospedeira que já me conhece e me cumprimenta com um “Olá, mais uma voltinha, não é?”, que sempre andei porreira da vida a viajar para Países pouco recomendáveis, cá estou: com medo.

Enfim, há-de passar, mas de momento, e depois de terem evacuado o aeroporto de Amesterdão na quarta-feira, dou-me ao direito de o sentir, porque tenho esse direito.

Mas a semana correu lindamente, até nem choveu muito, e fui ver Fat Freddy’s Drop ao Paradiso com amigos, fui jantar ao Seafoodbar na Spuistraat com os meus chefes e chorei, literalmente, a rir (enquanto comia soberbamente)!

Aliás, eu passei a semana toda à gargalhada com as minhas chefes, que bem dispostas que elas estavam, foi, JURO, mesmo divertido lá estar. Mas não pensem que volto! Daqui não saio, daqui ninguém me tira! 😀

Bem malta gira, links! Tenho imensos esta semana, por isso é que é duplo!

E tá bom, não está? 😉

Este fim-de-semana vou conhecer o meu “sobrinho” Ben, can’t wait!!! E vou a uma exposição da National Geographic, e no Domingo ainda decido, mas um cineminha era bem!

No fim-de-semana passado fiz uma coisa que não fazia há imenso tempo: rebolar na relva!! E conheci o filho lindo da minha amiga Rita, e fartei-me de o arreliar e de o fazer feliz ao visitar a Torre de Belém e o Oceanário 🙂 Diga-se de passagem que o miúdo fica feliz com tudo e foi muito fácil 😀 Mas foi mesmo muito divertido, e é espectacular, mas mesmo muito espectacular, poder ver estes meus “sobrinhos” a crescer.

Bom fim-de-semana meu povo!!!

Friday Link Pack – week 13 – Este saiu numa terça, ops!

Bom dia Malta!

Essa Páscoa foi boa e fofinha? Brincaram muito aos ovinhos escondidos com os miúdos? Comeram até rebentar? Receberam a Cruz em casa? Fizeram jejum na Sexta-Feira Santa? Viram Procissões?

Eu fiz isto tudo menos os ovinhos, mas passei a Páscoa com a minha afilhada que é uma bomboquinha linda e arrebitada, e fui até Braga onde fui a uma procissão, porque na sexta chovia e estava ainda mais frio que na quinta, e eu deixei-me de vivências porque já tinha apanhado frio p’ro campeonato no dia anterior!

As fotos estão no instagram da Andorinha (achei a password, uuuhuu!), e os links que tinha pra sexta passada em que fiz “nestum” ficaram aqui guardadinhos para distribuir quando voltasse à vida, ou seja, hoje!

  • Comecemos por esta ideia brilhante que é a de distribuir marmitas de comida saudável porta-a-porta. Os links da FitFoodPortugal estão no artigo. Experimentem e se gostarem digam-me para eu decidir as minhas encomendas 😉
  • Este artigo sobre a entrada e pertença de um rapaz à Sharia4Belgium do New Yorker é muito elucidativo de como e porque é que esta malta se alista no ISIS e se torna num bombista suicida sem convicções. Suporta a minha convicção de que o problema mais grave é o de falta de meios para acompanhar os jovens mais desprotegidos ou cujos Pais não conseguem controlar. Para mim o que se passa na Bélgica (e em França e na Holanda) não é um problema de integração social, não é uma questão de emigração, mas sim um problema mais extenso de incapacidade de suporte na educação dos jovens de hoje. São filhos de emigrantes, mas podem ser filhos de qualquer um. Há alturas em que penso que o reforço positivo devia ser uma carga de porrada pelo lombo abaixo à moda antiga. E caso já seja tarde para isso, uma maior vigilância e controlo via trabalhos civis que não lhes deixasse vontades de voltar a vagabundear. O trabalho dignifica! Eu tenho uma opinião muito própria sobre a burocracia e incompetência Belga, mas isso fica pra outro texto. Leiam que vale imenso a pena.
  • Não há como os Holandeses para inventarem coisas que em lado algum conseguiriam ser implementadas. Estas casas de banho “portáteis” já estão espalhadas pela cidade.

Esta semana fico-me por aqui, até porque tenho partilhado bastante no facebook e por isso tenho menos links para vocês, mas é só desta vez!

Espero que passem uma semana simpática! Pessoalmente a minha vai ser curtíssima, só tem 4 dias que vou gozar ao sol de Lisboa, mesmo quando estiver a chover!

O que é o narcisismo, e o que é que isso me interessa?

Tenho uma amiga que teve um namorado que dizia que era um narcisista e que por isso é que ela tinha esta espécie de doença em que fugia dele e ao mesmo tempo era atraída por ele.

Eu nunca percebi porque é que ela não o mandava pura e simplesmente às favas, mas principalmente, não sabia o que é que queria dizer que o gajo era narcisista.

Eu sei a definição geral: uma pessoa que gosta muito de si mesma e que se acha o centro do mundo. O que eu não entendia era de que modo é que isso se transformava numa doença pra ela.

Para mim o que ela tinha de fazer era simples: afastar-se de vez. E levou muito tempo a conseguir, mas depois de umas sessões de terapia, ela diz que está safa. Eu cá sou como Tomé, ver pra crer.

E juro que não sou eu a dizer que é uma amiga, eu efectivamente não poderia ser já que tenho uma certa aversão a este tipo de pessoas.

Mas explicando então o que me traz a este tema, na semana passada uma amiga minha partilhou esta Ted Talk no FB dela que explica o que é o Narcisismo e Narcisist Personality Disorder.

E eu aprendi que existem dois tipos de narcisismo:

  1. O “grandiose narcisism” (extroversão, dominância e chamadas de atenção)  cujos exemplos serão por exemplo o Donald Trump, e celebridades do mundo do espectáculo, ou aqueles que entram nos Big Brothers e nas Casas dos Segredos porque querem ficar famosos. Esta malta quer ter poder, porque o poder lhes dá status e a atenção de que se alimentam.
  2. O “vulnerable narcisism” (calados e reservados) é mais difícil de identificar, mas procurem recordar-se daquelas pessoas que ficam raivosas e possuídas sempre que não ficam em primeiro lugar nalguma coisa, e que começam logo a destruir as pessoas que competiram com elas com o máximo de agressividade. Um exemplo ainda melhor, é o caso dos políticos ou líderes mundiais que estão dispostos a começar uma guerra e mandar milhares de pessoas em direcção à morte só porque “alguém” gozou com ele, e novamente um bom exemplo: o Trump, que está disposto a mandar jovens morrer numa guerra cujo objectivo é trazer orgulho nacional aos EUA e calar aqueles que acham que eles são todos estúpidos.

O vídeo dura 5 minutos e pouco, vejam que vale imenso a pena.

Por coincidência, ou não, o The Cracked Podcast, na conversa da semana passada, decidiram abordar o mesmo tema: Why Donald Trump’s Rise Proves Americans Are Narcissists.

Eu fiz o download e vim a ouvir na viagem de carro pra Lisboa no Domingo. Foi uma hora e meia de : “wow”, “realmente!”, “nunca tinha pensado nisto”, “faz tanto sentido”.

Eu não vos consigo resumir esta hora e meia, porque abordou tantas, mas tantas questões, que eu preenchia 4 páginas a falar disto, há aqui material pra 20 posts e muita food for thoughts.

Uma das coisas que aprendi foi que o Facebook é o melhor revelador de narcisistas, porque é uma ferramenta pra eles: as selfies, a quantidade de likes que é contabilizada de x em x minutos, a exposição, a fama, a validação que conseguem a partir do mesmo.

Que o facto de as pessoas hoje em dia terem poucos amigos reais e muitos virtuais, tem tudo a ver com a relação estabelecida nas redes sociais que cultiva o narcisismo, e não promove as relações emocionais. Uma das características dos narcisistas é que estão completamente a borrifar pras emoções das demais pessoas que os rodeiam, só querem mesmo que os aplaudam. E são capazes de escolher um determinado tipo de companheira (o) que os faz “brilhar” quando vão a algum lado, porque suscitam a inveja e a cobiça dos outros, porque lhe dão status e faz com que eles “sejam” ainda mais importantes e ainda mais bem-vistos. Todas as emoções são uni direccionais. Eles fazem tudo para serem amados, mas não amam.

Ora se seja uma relação de amizade ou de intimidade, pensem lá comigo, se os “amigos” só servem pra lhes dar importância e status, e se são incapazes de retribuir qualquer tipo de sentimento, como é que é possível ter-se uma verdadeira relação forte e emocional? Não pode, certo?

E uma forma como vejo isso traduzido, é na força e na união entre os grupos que fiz antes das redes sociais, e os actuais pós-rede. E ainda no outro dia falei sobre isso aqui quando expliquei que no Irão não tive acesso às redes sociais e que por isso me liguei fortemente às pessoas do grupo que estava comigo, com quem tenho uma relação de amizade verdadeira que há muito não encontrava.

A coesão entre o ser humano e as relações pessoais não podem estar relacionadas com o narcisismo, senão morrem.

E finalmente compreendi como é que o outro tipo tinha a minha amiga em yo-yo: ele corria atrás dela sempre que precisava de atenção, ela por sua vez idolatrava-o que era o que ele queria, e sempre que ela não fazia uma vontade dele, o gajo era agressivo e rejeitava-a porque já tinha a dose de atenção de que precisava. Uma espécie de vampiro de emoções.

Enfim, eu avisei que isto dava 4 páginas, é mesmo um tema muito interessante e muito esclarecedor, explica muito sobre a realidade actual e porque é que temos os políticos que temos e porque é que temos os políticos que merecemos.

Explica porque é que temos a trash TV que temos, e temos a TV que merecemos.

E por último explica que o narcissistic disorder  é passível de ser curada, mas não é impossível. Se decidirmos melhorar todos um bocadinho, o mundo será também ele melhor.

Friday Link Pack – week 7 – Um fim-de-semana fresquinho

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Eu juro pela minha saúde que esta semana estive para calçar umas luvas. O frio de Lisboa sempre me pareceu ridículo depois de ter levado com -14 pela tromba na Holanda, e no ano passado mal vesti um sobretudo.

Mas este Domingo que passou dei comigo de cachecol e kispo, e nem queria acreditar! Estou novamente e completamente aclimatizada a Lisboa!  Mas não me dei por vencida e concluí: sim Sofia, mas pelo menos já não pareces um boneco Michelin, pelo menos consegues ter menos duas camadas de roupa! Oh yeah! Nem tudo está perdido! 😀

  • Já saíram os vencedores do World Press Photo. Preparem-se pro murro no estômago mais válido do ano.
  • A conclusão a que cheguei: não há nada mais rijo que as pontes Romanas, e Bracara Augusta continua a usar as pontes que são mais velhas que a Sé de Braga!
  • Este texto sobre homens que dão erros ortográficos e perdem o charme na hora, é hilariante!
  • Dizer que me identifico com este artigo, é pouco. Somos efectivamente a geração de mulheres que foi criada para ser tudo o que um homem não quer. O que eu pensei quando li isto, foi no abismo entre nós filhas, e aquelas que são “noras” como dizem no texto, e como esse abismo se nota em conversas que tenho com várias amigas. Vale mesmo a pena lerem.
  • As expressões nortenhas não são as do Porto. São as do Porto, e as do Minho e as de Trás-os-Montes, e são todas diferentes. E há coisas que eu digo que mais ninguém entende…a não ser que sejam Minhotos. Agora quero ver quantas acertam!

Não sei o que vão fazer este fim-de-semana, mas eu vou jantar fora na sexta, e no sábado de manhã vou visitar o Palácio de Queluz porque nunca lá entrei! Depois tenho aulas de Holandês, e tenho ideia de ter qualquer coisa marcada pra sábado à noite, mas juro que não me lembro o que é… aiaiaiai, quem é que eu vou deixar plantado, oh valha-me Deus!

Domingo planeei um jantar diferente: vou juntar 6 pessoas que não se conhecem entre si, inclusivamente há uma moça que eu não conheço e vamos experimentar um restaurante ao pé de minha casa que acabou de abrir, só porque sim, só porque queremos conhecer pessoas novas e que temos a certeza que serão espectaculares! Portanto o meu fim-de-semana acaba com uma reunião de alegres desconhecidas com planos pra ser amigas. Não é uma ideia fantástica? Eu depois digo como é que correu!

Vou jogar no Euromilhões porque pelos vistos acerto – Mustang estreia hoje, a não perder num cinema perto de si!

Escrevi a 14 de Outubro de 2015 que este filme ia estrear em Portugal porque a qualidade era tanta que era imperdível.

E cá está ele, estreia hoje dia 18 de Fevereiro de 2016, num cinema perto de si.

Não percam, eu prometo que este filme vos vai emocionar e deliciar.

O Observador fez esta resenha onde podem saber mais sobre a realizadora, sobre as 5 magníficas actrizes e sobre o filme.

Depois não digam que não dou boas recomendações! E se gostarem e forem ver, venham cá agradecer-me, sim? 😉

Agora só me falta ir ali jogar no Euromilhões porque previsão de Andorinha não falha!

Escolhe um trabalho de que gostes, e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida

Irao 2014

 

“Escolhe um trabalho de que gostes, e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida.”

Confúcio

Na semana passada, no blog do Filipe Morato Gomes, li este texto sobre ser Blogger de Viagens,  que me chamou a atenção porque me fez refletir e é essa reflexão que quero partilhar aqui hoje em dois pontos:

  1. As viagens não me identificam como pessoa. A Sofia que sou deve-se, isso sim, ao quanto eu cresço e me descubro em viagem.

Por vezes penso o quão bom seria que todos – eu, principalmente! – voltássemos a viajar sem máquina fotográfica, sem computador portátil nem smartphones, e sem a obrigação de relatar as experiências quase em direto.

Viajar pelo prazer de viajar. De vivenciar experiências novas. Ir, apenas ir. Com os sentidos despertos e um Moleskine em branco. Inspirado, quem sabe, pelas pisadas de Paul Theroux África abaixo. Ou outros. Mas ir, simplesmente. Guardar tudo na memória, no coração, no papel. Quem sabe desenhar em vez de fotografar. E talvez escrever um livro, muito depois de regressar. Ou não fazer nada além de guardar  as memórias para todo o sempre.

Nunca foi tão fácil viajar, acima de tudo nunca foi tão barato. Ir a São Francisco como eu vou em Abril por 400 euros, 80 contos na moeda antiga, era absolutamente impensável quando eu era miúda. Quando tinha 13 anos fui ao Canadá com os meus Pais e o meu irmão, e cada bilhete custou quase 100 contos, o que na altura era uma verdadeira fortuna.

Hoje viajamos por tuta e meia, percorremos o mundo agarrados à internet e ao Trip Advisor, à Booking e ao Airbnb, ao Facebook e ao Instagram, conseguimos ir uma semana ao México por 800 euros durante uma semana com all inclusive. E queremos partilhar, queremos mostrar que pudemos, que conseguimos, que estivemos lá. Tão preocupados que estamos em mostrar o sítio excelente onde nos encontramos, que nos esquecemos de viver o momento enquanto procuramos rede para postar só aquela foto que os nossos amigos, parentes e conhecidos vão morrer de inveja só de ver. E não estamos lá. Não estamos a guardar memórias, a descobrir, a falar com pessoas, estamos pura e simplesmente a  por o “tick in the box” naquele sítio que fomos visitar. E pomos “o tick” como em tudo o que fazemos no dia a dia, completamos uma tarefa: visitar o Van Gogh. Subir ao topo do Matchu Pitchu. Ir à Torre Eifel. Tomar banho no Pacífico que há-de ser igual ao powerpoint que recebemos por email e claro, tirar uma foto que mostre que lá estivemos. E publicar um texto onde descrevemos minuciosamente o nosso trajecto.

Também postamos muito sobre as viagens que usamos para justificar a nossa estadia no estrangeiro quando emigramos. Para mim foi importante distanciar-me da emigração dos meus Tios, mostrar aos meus Pais e à minha família que não estava emigrada a comer o pão que o diabo amassou, que estava a aproveitar. E dei comigo a postar pratos de comida. Shame on me! Depois de ler o texto do Filipe, reparei que neste fim de semana não postei uma única foto, embora tenha tirado algumas.  Deixei de ter necessidade de me justificar.

A viagem onde mais aproveitei cada dia e cada momento, foi a viagem do Irão, e hoje reflectindo o porquê é claro: não havia rede em praticamente lado nenhum e o acesso ao facebook ou ao blogger estava barrado em 99% dos casos. A Vodafone também não funciona naquelas terras, logo não estive contactável durante 20 dias. Comprei um cartão local que pus no telemóvel que não era um smartphone, e liguei única e exclusivamente aos meus Pais de dois em dois dias para dizer que estava bem. Não li emails, nem notícias. Foi na altura do ataque ao Charlie Hebdo, e só mandei um email a perguntar o que é que se passava à quarta mensagem de pânico recebida a perguntarem se eu estava bem.

Esta viagem à Pérsia mudou-me a vida, fiz grandes e excelentes amigos. E acima de tudo apaixonei-me pelo Irão e pelas suas pessoas.

Na última viagem que fiz à América Central havia wifi em todo o lado, e culpada me assumo, não fiz o mesmo porque a minha cabeça não estava ali, e por isso aproveitei pouco, e embora me tenha divertido bastante, o impacto não chegou nem aos calcanhares do Irão.

Na próxima viagem não vou ter internet, nem rede, sabe Deus electricidade na maioria dos sítios, e como tal tenho a certeza absoluta que vou curtir alarvemente. E como disse um amigo meu, vai ser uma viagem que vai ser “life changing”, e mal posso esperar para aterrar em Madagáscar e cumprir o meu propósito: aproveitar mais e relatar o mínimo. Mas hei-de o fazer antes disso. Viver no presente mais do que no futuro ou no passado é o meu repto para 2016.

Por último, quando pensei em por o meu blog a render dinheiro, a primeira coisa que me perguntaram foi: vais fazer um blog de viagens? Ao que eu respondi imediatamente que nem pensar. Não são as viagens que me definem como Andorinha. As viagens moldam-me e são uma parte da minha maneira de ser, mas não são quem eu sou.

                2. Escolhe um trabalho de que gostes, e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida

Esta frase banalizou-se, e hoje em dia as pessoas convertem os hobbies em trabalho. Pouca gente se apercebe que a partir do momento em que se dedicam a 100% ao hobby, este deixa de dar o prazer que lhes dava porque tem que ser vivido de outro modo para poder render dinheiro, e acima de tudo porque se transforma em múltiplas responsabilidades que não existiam anteriormente.

Uma coisa é fazermos um trabalho que abominamos e para o qual não temos vocação nenhuma. Por favor, mudem de vida já!

A outra é, assim que nos desmotivamos porque algo corre mal (o chefe é uma besta: a empresa já viu melhores dias) e não porque deixamos de gostar do que fazemos, em vez de procurarmos outro emprego na mesma área, decidirmos que agora vamos viver do cultivo da horta porque adoramos o campo, da renovação de móveis porque somos bué da bons no DYI, do Yoga porque gostamos imenso das aulas de Yoga, da fotografia só porque os nossos amigos fazem like das nossas fotos no facebilhas, das viagens porque gostamos imenso de viajar….. and so on, and so on.

Eu não digo que não seja possível viver da horta, do DYI, do Yoga, da fotografia e do que mais, o que eu digo é que não é possível transformarem um hobby num trabalho ….. sem terem que assumir as responsabilidades acrescidas que vêem com qualquer emprego, qualquer trabalho, que mais não seja a periodicidade, o aumento dos leitores, o escrever algo que seja interessante e vendável, o levar fotos a concursos ou exposições, o desgaste puro e duro de qualquer trabalho, seja ele qual for. 

O Filipe já era amigo do meu irmão, hoje é meu amigo também e eu adoptei a família dele de quem gosto muito. E por isso é que lhe disse com franqueza este fim-de-semana, e digo agora por escrito aquilo que sinto e penso há muito tempo não sobre o Filipe em particular, mas sobre todos aqueles que escolheram o seu hobby favorito como profissão:

É natural que se sintam “mecanizados”, “automatizados”, que procurem formas diferente de se relacionarem com as viagens, com a fotografia, com o desporto, …. porque hoje em dia aquilo que  era um expoente máximo de prazer semanal, mensal, anual ou bi-anual, é o vosso ganha-pão.

E é natural que, tal como em todos os trabalhos, já não sintam no dia a dia esse “kick” de prazer, porque mesmo tendo escolhido um trabalho de que gostam, este tornou-se rotineiro, cansativo, adaptou-se às necessidades do mercado que têm de preencher para poder receber a remuneração que vos permite viver deste prazer.

E assim o prazer se esbate, e inevitavelmente se converte numa obrigação.

Eu interpreto a frase do Confúcio como a necessidade de se gostar do que se está a fazer, o que me parece lógico e saudável, não como a necessidade de se ver no nosso maior prazer a nossa válvula de escape para não termos de trabalhar.

Eu sei que muitos não vão concordar comigo, mas é assim que eu protejo os meus maiores prazeres na vida: cães e viagens. Os primeiros estão esterilizados! E as viagens nunca vão ser profissionalizadas!