Aulas de Holandês em Portugal/Lisboa

Anteontem apanhei um vírus gastro-intestinal.
Eu tenho um estômago de ferro, apesar das intolerâncias. Mas não resistiu a um restaurante de Sushi all you can eat. Mark my words: NEVER AGAIN.
Bom, adiante. Ontem tinha aula de Holandês no ISCTE das 20 às 22.
Custou-me muito ir. Estava zonza, a minha barriga fazia barulhos estranhos, o meu cérebro estava indisponível para absorver o que fosse, e estava com os azeites à séria.
Mas como era a última aula antes do teste final, fui.
E cheguei a dizer que me ia embora mais cedo e fiquei a aula toda.

E isto só aconteceu porque a professora é cinco estrelas. E já não é a primeira vez que vou pra aula a arrastar os pés, porque vamos lá ser honestos, quem é que no seu perfeito juízo quer aprender Holandês, pra mais depois de já ter regressado?, e que fico a aula toda, e aprendo e …. gosto!

O CCL não me paga minimamente a publicidade que lhe vou fazer agora. Se o faço é por respeito e consideração à Ellen, que é boa professora, e boa pessoa, e que é a Holandesa mais Portuguesa que conheço.
Talvez superada pela minha amiga Thessa, mas a Thessa cresceu em Portugal, e a Ellen na Holanda, por isso estão, vá, empatadas.

O Neerlandês (Holandês em termos práticos, mas correctamente denominado Neerlandês) é uma língua intragável, mas que é cada vez mais necessária caso queiram arranjar um emprego na Holanda.
Eu sempre disse que se soubesse o que sei hoje, teria aprendido Holandês antes de ir pra Holanda, mas como foi tudo muito rápido e despreparado, fui sem noção. E os cursos de Holandês na Holanda custam 1000€ por mês. Aqui é 50€. É fazer as contas.
POR ACASO até tive sorte profissionalmente e safei-me em inglês durante bastantes anos, mas ao fim de 7 anos não há desculpa para não saber falar a língua do País de Acolhimento.
O que é certo é que eu costumo ser uma pessoa bastante coerente, e disse aos meus Chefes que se algum dia voltasse pra Portugal a trabalhar pra Holanda, que iria aprender Holandês. E assim foi.

Escolhi o CCL porque era mais perto da minha casa e porque era mais barato que o outro (só encontrei mais um) curso que encontrei, mas hoje recomendo-o porque acho que vale a pena, que efectivamente aprendo (e aprenderei, porque vou fazer o segundo ano), e porque acho que faz uma diferença imensa nas minhas relações profissionais.

E finalmente vou deixar de dizer “ik spreek niet nederlands”.

Pra terminar, o CCL faz cursos de verão intensivos, se puderem façam-nos antes de embarcarem na vossa nova aventura emigrante 🙂
E não digam que não vos ensino nada!

Time does fly……..

Faz hoje sete anos que fechei “o meu tasco” na IBM Portugal e que abri “o meu actual tasco” na IBM Holanda.
Era pra ficar dois, três anos no máximo, e já lá vão SETE!!
Dizia a minha Chefe hoje: mas como é que vais festejar sete anos de Holanda se já estás em Portugal?
Oh Chefinha, eu estou a festejar SETE anos a trabalhar com a IBM Holanda!! 😉

Nem me vou atrever a fazer balanços, passou-se toda uma vida desde que mudei de localização, e mais outra vida desde que regressei ao meu País. A única coisa que vos digo com toda a certeza, é que apesar do meu resmunganço habitual relativamente à Holanda, JAMAIS me arrependi do dia em que me meti no avião e me mudei pra Amesterdão.
E como tal esse dia merece ser celebrado, e só por isso…. hoje já não trabalho mais.
Bom fim de semana meu povo!
Pra mim é de 3 dias que segunda-feira o Rei faz anos, e eu vou descansar por Lissabon!
Duuuuuuuuuuuiiii!

É a tua vez

Sempre foste mais sensato que eu, sabes sempre o que fazer, nunca te enganas e raramente tens dúvidas.
Sempre quiseste viver fora, mas foste adiando, não por ti, mas por nós.
E eu aproveitei sempre o facto de seres tu o presente, pra ser a ausente.
Eu fiz Erasmus, eu emigrei, e tu aguentaste o barco do lado de cá, e agora é a tua vez.
Vais fazer parte da banda dos emigras, é a ti que te vais custar agora entrar no avião, passar 4 meses sem vir a casa, gerir as férias de modo a que dê pra tudo, estares com quem mais gostas e gozar o tempo de lazer que mereces.
És tu agora quem vai estar ausente, que vai chorar de saudades, que vais ter pena de não poderes estar presente nos pequenos momentos que fazem toda a diferença.
És tu quem vai curtir as novidades diárias, enfrentar os desafios constantes, crescer quando já se pensa que se cresceu tudo, tornar-te ainda mais independente no dia-a-dia, e mais dependente dos que te rodeiam.
Vais trabalhar com outras culturas, rir-te, irritar-te, vais querer estar onde não estás, e ficar feliz por estar onde estás.
É a tua vez Mano, é a tua oportunidade, é a tua vontade, são as tuas alegrias e as tuas tristezas.
Foi pra isso que eu regressei, pra tu poderes partir, sem receio de estares a deixar alguém desamparado.
Não vou conseguir fazer o mesmo bom trabalho que tu, o meu mau feitio não permite, mas vou tentar, pra que te custe menos estar fora, pra que possas aproveitar ainda melhor cada momento desta aventura que é viver fora, não só do ninho, mas de Portugal.
E um dia vais voltar cheio de histórias na bagagem pra contar aos teus filhos, Pais e irmã.
É a minha vez de ficar cá e ver-te ir.
Vai com Deus, e que a tua estrelinha maravilhosa jamais te abandone.
Vai ser espectacular, vais ver.

Magnífico texto!

Ipsis verbis, eu não consigo explicar melhor que a Agnes:

Além disso, lamento que assim seja, mas nem todos os sítios podem oferecer os mesmos sonhos. Se eu quiser ser actriz de Hollywood se calhar o melhor que tenho a fazer é ir para os Estados Unidos. Ou se quiser ser astronauta da NASA. Não há nada de errado em querer alcançar os nossos sonhos e sentirmo-nos realizados com o que fazemos, mas é preciso perceber que isso nem sempre pode acontecer à porta da casa onde vivemos desde sempre. E aos meus amigos que se queixam de não poderem voltar ao país que os viu crescer… vocês são uns privilegiados, pá, o que vos move não é a necessidade mas sim a ambição, e não é preciso pedir desculpa por isso. Só não me venham com histórias, sim?

Bricolage e DIY

Ontem estava a falar sobre a minha mudanca de casa e comecei a contar as coisas que aprendi a fazer sozinha desde que vivo na Holanda e que em Portugal jamais me atreveria, e … quase cai de costas:
– furar paredes de betao
– pendurar quadros e cortinas
– pintar uma parede (nunca mais, custa horrores!)
– mudar de casa e empacotar as tralhas todas
– plantar cenas no jardim
– montar mobília sozinha
…….
Enfim, todo um processo de aprendizagem que me faz ser ainda mais válida, como dizem os Espanhóis 😀

Sábias palavras

É que é mesmo isto, sem tirar nem pôr!

http://p3.publico.pt/actualidade/politica/13042/eu-jovem-emigrante-nao-sou-arma-de-arremesso-politico

Talvez descubram que grande parte de nós decidiu emigrar por vontade própria, por ambição, por espírito aventureiro e curioso, ou por sentir que o percurso da sua missão neste mundo passa por essa etapa de enriquecimento pessoal. Talvez sintamos que teremos mais valor a acrescentar a Portugal quando um dia voltarmos com mais conhecimento, experiências e competências.Não tenham pena de nós que tivemos o discernimento, a coragem e a capacidade de seguir os nossos sonhos e emigrar. Não tenham pena de nós que somos do tipo de português que faz mais do que se queixar e que luta pelo que quer.E não julgue um qualquer político aí em Portugal que pode proclamar em meu nome que eu fui obrigado a emigrar por culpa deste ou daquele outro.

É HOJE que volto a viver em Portugal!!!

Happy em Amesterdão, pra mostrar que agradeço muito à cidade onde fui feliz, mas Lisboa é a minha casa e é o amor da minha vida!!

It might seem crazy what I’m about to say
Sunshine she’s here, you can take away
I’m a hot air balloon, I could go to space
With the air, like I don’t care baby by the way
Because I’m happy
Clap along if you feel like a room without a roof
Because I’m happy
Clap along if you feel like happiness is the truth
Because I’m happy
Clap along if you know what happiness is to you
Because I’m happy
Clap along if you feel like that’s what you wanna do
Here come bad news talking this and that
Yeah, give me all you got, don’t hold back
Yeah, well I should probably warn you I’ll be just fine
Yeah, no offense to you don’t waste your time
Here’s why
Because I’m happy
Clap along if you feel like a room without a roof
Because I’m happy
Clap along if you feel like happiness is the truth
Because I’m happy
Clap along if you know what happiness is to you
Because I’m happy
Clap along if you feel like that’s what you wanna do
Happy, bring me down
Can’t nothing, bring me down
Love is too happy to bring me down
Can’t nothing, bring me down
I said bring me down
Can’t nothing, bring me down
Love is too happy to bring me down
Can’t nothing, bring me down
I said
Because I’m happy
Clap along if you feel like a room without a roof
Because I’m happy
Clap along if you feel like happiness is the truth
Because I’m happy
Clap along if you know what happiness is to you
Because I’m happy
Clap along if you feel like that’s what you wanna do
Because I’m happy
Clap along if you feel like a room without a roof
Because I’m happy
Clap along if you feel like happiness is the truth
Because I’m happy
Clap along if you know what happiness is to you
Because I’m happy
Clap along if you feel like that’s what you wanna do
Happy, bring me down
Can’t nothing, bring me down
Love is too happy to bring me down
Can’t nothing, bring me down
I said
Because I’m happy
Clap along if you feel like a room without a roof
Because I’m happy
Clap along if you feel like happiness is the truth
Because I’m happy
Clap along if you know what happiness is to you
Because I’m happy
Clap along if you feel like that’s what you wanna do
Because I’m happy
Clap along if you feel like a room without a roof
Because I’m happy
Clap along if you feel like happiness is the truth
Because I’m happy
Clap along if you know what happiness is to you
Because I’m happy
Clap along if you feel like that’s what you wanna do

It doesn’t get much better than this moments

Não sei se já alguma vez tiveram essa doce sensação de “it doesn’t get much better than this”, aqueles momentos em que de repente, do nada, por motivo nenhum em particular, nos sentimos incrivelmente bem e realizados.
Lembro-me claramente de um momento assim, há uns atrás na minha casa de Haia, um dia qualquer que se tornou especial só porque me senti contente, apaixonada pela vida, pelos meus amigos, pela minha família.
Este fim de semana tive cá duas amigas pra jantar no sábado. Duas pessoas que vi poucas vezes mas de quem gosto muito, porque as admiro por serem mulheres fortes, desenrascadas, cheias de planos, vontades, garra, com dúvidas e concretizações, apaixonadas pelo ser humano e por uma vida cheia de mudanças, sempre prontas pra arriscar, que insistem em ser felizes mesmo quando a vida lhes dá limões azedos. Mulheres educadas, interessantes, e perdoem-me a expressão, “mulheres de tomates”, independentes e viajadas. Elas não se conheciam, mas vão viver pra mesma cidade e achei que era bom apresentá-las para que pudessem, quem sabe, ser amigas também. Talvez gostassem uma da outra como eu gosto delas. Preparei a casa e o jantar, as meninas vieram de longe e trouxeram o vinho, e das nove da noite às cinco da manhã, foi até que a voz nos doesse e o vinho nos inebriasse.
Não sei como é que não ficamos sem voz e como é que permanecemos sentadas tantas horas à mesa, afinal tenho sofás bem confortáveis. Mas à boa Portuguesa, o melhor é mesmo sentada em frente ao prato, e assim se passou uma noite de sábado tremendamente agradável. E tal como previa, as meninas também gostaram de se conhecer e ficarão com certeza amigas.

Deste jantar saíram viagens planeadas em conjunto e muita partilha de peripécias e gargalhadas. E o que para mim representa ainda mais, a entre-ajuda despontou de coração aberto, como se quer numa terra que não é a nossa.
Se seríamos amigas em Portugal? Talvez, e não digo com certeza porque a amizade quando se está emigrado não é feita ou construída da mesma forma que quando se vive no rectângulo.
Quando já vivemos num sítio há muito tempo e já temos amigos e família por perto, é raro que tenhamos vontade de conhecer gente nova e temos muito quem nos ajude num momento de aflição. Quando se vive fora, principalmente quando se acaba de chegar, as pessoas têm necessidade de conhecer outros e uma mão estendida que a nós nos parece fácil e imediata, passa a ter uma importância e um significado ultra-dimensional.
Aquela pessoa que conhecemos nos anos da Mariazinha em Aveiro e com quem tivemos uma conversa gira, continua a ser a amiga da Mariazinha e possivelmente nunca mais a vemos porque até somos do Porto e não vivendo na mesma cidade, encontrarmo-nos será difícil e raro, e assim nos passa ao lado mais uma pessoa. Se pelo menos fosse um tipo(a) jeitoso(a), ainda se trocava uns sms e tal, podia dar numa paixoneta, agora mais amigo(a)s? Isso já dá muito trabalho e pouco retorno.
Mas essa mesma pessoa, se conhecida numa festa na casa da Sofia num sábado em que não se passava nada e a solidão era o outro cenário, passa a ser não só digna da mesma atenção em termos de conversa, como digna do nosso bem mais precioso: de TEMPO. Marca-se actividades em conjunto, um jantar, uma viagem, descobrem-se amigos comuns, paixões comuns, um almoço (meus ricos Rogério e Leena que me convidam pras feijoadas de domingo) aqui, um soprar de velas de aniversário acolá, ajudamo-nos uns aos outros a mudar de casa, a pintar casas (os 9 magníficos que estão no meu coração forever!), a arranjar inquilinos uns pros outros, dá-se a mão e dá-se o coração e a amizade.
E este sábado foi mais um dia destes, em que a bondade foi o mote e a energia boa e positiva o que mais fluiu dentro das minhas paredes e no Domingo quando acordei estava mega bem disposta.
Atenção que esta alegria já vinha desde sexta, onde graças a um destes amigos forjados fora de casa, consegui alugar um dos quartos da minha casa de Lisboa. Neste momento tenho lá 3 graças, todas elas resultado desta gente boa que conheço como emigrante que sou.
Tomamos o pequeno-almoço/almoço, aproveitamos a tarde de sol e tomamos um chá num dos meus cafés favoritos de Amesterdão, deixei as meninas no tram por volta das cinco, e empreendi viagem com os meus 3 biscoitos pra casa dos meus vizinhos. De quatro, três vizinhos fizeram anos no espaço de uma semana. Em casa dos P2 estavam mais 4 amigos, na mesa havia patas de sapateira, bolo e champanhe pra celebrar. Sentei-me à mesa com um sorriso radiante, do outro lado da mesa uma grande amiga: é domingo, é hora do lanche, e estou com a família à mesa. A vida é uma benção Thessa Maria, it doesn’t get better than this!!
A minha amiga mandou uma gargalhada, e eu, a sentir-me num anúncio publicitário de Thanks Giving, dei um abraço e um beijo a mais um amigo que apareceu do lado direito pra me cumprimentar. Nestas alturas sente-se o coração cheio, que transborda, a barriga confortada e o ar parece uma manta de aconchego. Há quem lhe chame o que todos buscam incessantemente: felicidade. Eu sinto-me tremendamente abençoada.