À descoberta da América Central – Dia 6 – A room with a view e o chicken bus

18 de Julho de 2015, Guatemala

Vamos pro Lago Atitlan e nada como o fazer como em Roma e ser Romano, que é como quem diz, fazer uns kilómetros de Chicken bus.
Acordamos bem cedo, e fomos até à paragem com os bilhetes já pré-comprados, bilhetes que dão direito a sentarmo-nos…em bancos corridos de duas pessoas…onde cabem três! E depois há os que vão em pé. E ainda as pessoas que entram a vender empanadas, papas fritas (batatas fritas), fruta descascada em saquinhos, banana bread, bolo de laranja, tortillas com queijo derretido (palavra que não faço ideia de como é que o senhor mantinha aquilo tudo quentinho, com ar de acabado de fazer!). 
E tudo se transporta, até as galinhas, embora neste não tenha tido essa oportunidade. Estes autocarros estão todos cheios de tuning por dentro e por fora, e são deliciosos, embora honestamente, não recomende grandes viagens nisto a não ser que tenham o orçamento mesmo reduzido. Até porque nós vimos num que pára poucas vezes comparativamente aos outros, e como tal não costuma ter carteiristas. Porque nos outros os carteiristas são que nem cogumelos, é trigo limpo, farinha amparo que saiem de lá sem telemóvel, carteira e máquina fotográfica, ou seja, limpos!
De qualquer modo, é uma experiência que não vão querer perder, com o “pica” a entrar e a sair do bus e a colocar malas no tejadilho em movimento, sete pessoas onde caberiam quatro, sempre sem uma zanga, um amuo, todos a sorrir e dispostos a falar connosco, as senhoras e crianças com hupilies, é luz, cor e movimento contínuo, muito fixe mesmo.
Chegados ao lago, apanhamos um tuktuk que nos levou ao molhe onde apanhamos um barco lancha para a pousada onde estamos. A vista é deslumbrante e a chegada emocionante, e o hotel é só nosso. 
O pontão que se adentra na água verde e transparente parece tirado dum powerpoint, a vista do meu quarto é de perder a cabeça, e tudo o que me apetece é ficar aqui a viver uns dias, entre mergulhos, livros, comida e mojitos, desenhos e pinturas, sim, este sítio é um postal.
A vista do meu quarto

O pontão perfeito, ideal, o sonho.
Highlights
Chicken Bus
Banana bread
A vista da minha janela no hotel do Lago Atitlan

À descoberta da América Central – Dia 5 – Que la Madre Tierra nos bendiga

17 de Julho de 2015, Guatemala

O ceremonial dos Chamans é ancestral, reporta-se às tribos Índias que os colonizadores dizimaram por esta América fora, e que na Guatemala ainda representam uma enorme fatia da população. Os Queqchies, quiché, mam, pocomam, caqchiquel, ixil, queqchi, tsutuil e jacaltecas por exemplo, mantêm vivas várias das suas tradições, tudo misturado com as tradições católicas vindas de Espanha em 1570, huppiles e cruzes, procissões do Cristo Sepultado e rituais espirituais dos Chamãs.
Nós fomos participar dum ritual liderado pelo Don Máximo, que tinha o dom da palavra e que foi capaz de nos emocionar.
Gostei muito, mesmo muito.
Sal, resina, velas, ervas de cheiro, pedidos de benção à Mãe Terra e a Deus. Ninguém entrou em transe, não houve gente a tremer ou a beber sangue, foi só uma oração conjunta e diferente do habitual. E se tivesse oportunidade de fazer isto uma vez por ano, era gaja pro fazer. Fez-me lembrar o “Bom dia Senhor” que fazíamos na Candeia e que nos aproximava dos miúdos. Aqui também nos aproximou um dos outros, e saímos todos de lá encantados!
Demos uma voltinha por um mercado local, daqueles mesmo a sério sem turistas, daqueles onde as pessoas nos olham ao mesmo tempo que se questionam: mas que raio está este alien aqui a fazer?! Ou seja, o sítio perfeito pra vermos o dia a dia. Vi imensas crianças por ali a brincar e algumas a trabalhar que deviam estar na escola, outras a tomar conta dos irmãos mais novos, mas também vi muitos miúdos e miúdas à saída da escola, todos sem excepção vestido com roupa ultra colorida e bordada e tecida à mão.
Não sou de tirar fotos a miúdos, mas eles são irresistíveis nas suas brincadeiras inventadas, como nesta corrida de caixas de fruta.

Reparem no carrinho dos gelados em forma de camião, delicioso!

Tive pena de não me poder lá sentar uma tarde inteira, mas o pitéu já esperava por nós. O almoço foi num restaurante fantástico  (Casa del Obispo) onde a carne era manteiga e o gelado de fruta sem leite ou natas. Este sítio tão especial já foi descrito em livros que ganharam prémios literários e cujos excertos podemos ler nas paredes. Comemos soberbamente – aliás, come-se muitíssimo bem na Guatemala, têm imensa variedade. Ainda não repeti um prato, sempre à base de carne, mas com muita variedade. No fim do almoço a Dona e cozinheira do sítio vem procurar pela menina intolerante ao glúten, porque se tinha esquecido e posto molho no bife dela (o molho tinha farinha) , e pra recompensar tinha um doce gluten free. E é assim que eu me vejo a braços com um belíssimo frasco de doce de carambola, feito pelas mãos de uma Chef Guatemalteca!
Sim, sim, já sei, nasci com o cú virado pra lua, what else is new 😉
Entramos na carrinha a rebolar e fomos ao Cerro de la Cruz ver a cidade de Antígua em todo o seu esplendor.
Passamos o resto da tarde no relax e na conversa, jantamos em casa e fomos conhecer a chiconight local. Dancei como há anos que não dançava, suei que nem uma parva, ri-me que nem uma perdida a ver os alemães e holandeses a dançar descordenadamente enquanto as santas das Guatemaltecas, cheias de paciência, os guiavam e tentavam fazê-los parecer menos mal. Mas é dificil quando a técnica de baile dos elementos é pegar de estaca com os pés e mexer unicamente os ombros e o braços.
Sim, chorei a rir. E sim, lembrei-me de toda e de cada uma das minhas noites de Erasmus, ah, saudade!

Highlights

Chaman
Mercadinho da aldeia
Restaurante 5 estrelas
Cerro de La Cruz
Chicoteca local
Eleição da Rainha da Escola

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À descoberta da América Central – Dia 4 Vulcão Pacaya

16 de Julho de 2015, Guatemala

Foi o terceiro (ou quarto?) vulcão a que subi e a primeira vez que a sorte esteve comigo e consegui ver a paisagem! Em todos os outros não vi um c…aroço!! 
Finalmente vi, não um, mas 3 vulcões! O Pacaya, o Vulcano Água e o Vulcano Fuego.
A caminhada, na companhia do nosso guia, o Senhor Eusébio de 80 anos de idade!, faz-se bastante bem, embora haja zonas muito íngremes na subida e na descida tenhamos descido literalmente de rabo e aos saltinhos também numa risota pegada. E vale imenso a pena, foi realmente uma excelente ideia e efectivamente a Guatemala tem uma beleza natural extraordinária.
Depois do almoço e de um belíssimo banho pra sacudir a poeira e a lava fomos enfeirar mais um pocochinho e visitar a 3a e 4a Calle Poniente. Entramos em tudo o que é sítio, babamos em frente a milhentos pátios, todos super bem cuidados, frescos e floridos.
De volta ao hotel, aquecemos os motores com um belíssimo rum añejo Zapata… e fomos ter uma aula de salsa e merengue onde os nossos líderes (sim, porque nesta viagem temos dois: o Eduardo e o Carlos. Fixe a dobrar!) brilharam e deram uma petit demonstração da sua habilidade como bailarinos e nós, humilde e diligentemente fizemos por os imitar na façanha!
Muitas barrigadas de riso depois, fomos jantar e tivemos que deixar a borga que se avizinhava pro dia seguinte porque já nenhum de nós podia com uma gata pelo rabo, foi um dia em cheio e muitíssimo bem passado. Já cá estamos os oito, e o grupo é cinco estrelas, e hoje foi só o primeiro de 15 dias, isto vai ser do belo!
Highlights
Subida ao vulcão Pacaya
El ron ou em português: o rum.

À descoberta da América Central – Dia 3 – Antigua Guatemala

15 de Julho de 2015, Guatemala

Depois de um pequeno-almoço contundente no Kaffé Fernando, fomos procurar o Hotel Santo Domingo e pelo caminho encontramos La Iglesia de la Merced, a padroeira da Guatemala.
Eu gosto pessoalmente de arte sacra, e achei a imagem da Virgem muito bonita, diferente do habitual, toda de branco, com um coração ao centro. A igreja em simera simples, grande, mas também bonita, toda amarela, cheio de rebordos brancos, e mesmo ao lado do Arco de Santa Catarina.
Entramos em todas as portas que vimos na 4a Calle Poniente e deixamos o queixo cair de todas as vezes que o fizemos. O cuidado e o bom gosto de cada loja, restaurante, bar, padaria, convida a querer ficar pela Antigua tantos dias quanto possível.
A cidade é mesmo espectacular, cada recanto é uma surpresa, e o Hotel Santo Domingo é a prova viva. Com um museu e uma igreja lá dentro, vale a pena umas horas de passeio nos seus jardins e exposições. Depois do almoço fomos até ao Mercado de Artesanias, onde é difícil não perder a cabeça, e obviamente…enfeirei. Tinha de ser! Comprei duas mantas bordadas à mão que vão ficar fabulosas em cima das minhas poltronas e fazem pandan com o resto da sala. Embora o normal cá sejam mantas super coloridas, as minhas são beges, com uma faixa discreta em tons de laranja. Depois mostro o efeito final 😉
Passamos no hotel pra deixar as tralhas, e cai a típica trovoada desta zona, um tóró daqueles, e acabamos a conversar nos super confortáveis sofás da Casa Santiago.
Pelas 17 ainda chuviscava, mas já dava pra sair e fomos lanchar ao Kaffé Fernando porque tem uns bolos de chocolate caseiros divinais. Aliás, o chocolate é feito lá, e há imensos produtos gluten free pra mim 🙂 Jantei a la Anthony Bourdain numa barraquinha em frente à Iglesia de la Merced, umas tortas con aguacate, tomate, cebolla, queso y chilli… Y se le fué la mano a la niña con el picante! Quando acabei de comer acho que me tinham nascido 4 pêlos no peito!

Highlights

Antigua
Iglesia de la Merced
Arco de Santa Catarina
Hotel Santo Domingo
Mercado de Artesania
Kaffé Fernando (Puzzles)

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À descoberta da América Central – Dia 2 – Em Miami só se fala Espanhol e La Antigua Colonial

14 de Julho de 2015, Guatemala

Isto de ser da IBM rende sempre nos “Estates”. Através da Booking reservei um quarto no Hilton Blue Lagoon por 99$.
Segundo o concierge, a tarifa mais barata que já viu.
À chegada apresentei o cartão da IBM e perguntei se tinha direito a um desconto extra (não custa tentar!), e o senhor recusou o desconto mas fez-nos um mega upgrade.
Eu não me importo nada de dormir em sítios baratos, mas na primeira noite tento sempre ficar num bom hotel pra curar imediatamente o jet lag.
E ooooh se curei, desde o W Design em Bali que não dormia numa cama tão boa, quase choro de felicidade quando acordo hoje, recuperadíssima, pronta pra Guatemala e cheia de boa disposição.
E a avaliar pelo desenho magnífico que a Maria José fez da minha pessoa, não fui a única que dormiu maravilhosamente e acordou como um pardal, no Sir!!
Melhor ainda foi aperceber-me que q minha camisola dizia Miami…how corny is that?
Estou super inchada, confesso, nunca me tinham desenhado e acho que ficou espectacular! Obrigada Maria!
Fresquinhas que nem alfaces, chegamos à Guatemala onde o Carlos Carneiro e o Eduardo Madeira nos esperavam, e trouxeram-nos para Antígua.
Uma cidade colonial linda de morrer, completamente restaurada e cuidada, onde se encontram verdadeiras pérolas em cada recanto, como o Café Boheme, esta coisa tão fofa que pode causar naúseas de tanta foforice. No meu caso, tornou-se imediatamente NO SPOT!
Percorremos as avenidas em quadrícula durante toda a tarde e acabamos por nos sentar entre chás e bolos depois de uma tarde entre as ruínas causadas pelos terramotos e casas coloridas e cheias de bom gosto.
Começou muito bem este novo périplo, onde as pessoas são encantadoras e amáveis e os recantos apaixonantes.
Como dicen por acá: mucho gusto Antígua!

Highlights

Eu desenhada!

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À descoberta da América Central – Dia 1 – À pele

13 de Julho de 2015, United States

Aviso aos navegantes: os atrasos da Iberia podem provocar ataques cardíacos causados pelas corridas obrigatórias ao longo do estupor do Terminal 4 de Barajas para se apanhar as ligações. Menos de 3 a 4 horas de intervalo entre o vôo de Lisboa ou Porto – Madrid e o seguinte é coisa pra vos deixar plantados em terra, e cinco horas num balcão em Barajas a negociar o vôo seguinte.
Nós chegamos à pele. Rais parta a Iberia.
Mas o vôo até foi bastante razoável, principalmente tendo em conta que dormi 5 em 9 horas, todo um record.
Miami, here we are!!

PS1: o passport control em Miami é mesmo, mas mesmo muito caótico por causa da quantidade incrível de vôos que aqui fazem escala. Foram duas horas de espera numa fila imensa, e que é única, ou seja, precisam de 4 horas de escala em Miami pra não
perderem o vôo seguinte. É que mesmo que estejam em trânsito, precisam de passar neste passport control para poderem seguir para onde quer que vão. E é obrigatório levantarem a mala e fazerem check-in da mesma novamente pro próximo destino.
No regresso só temos duas horas de escala, isso sim é que ai ser “à pele”!

PS2: já há wifi e rede de telemóvel nos aviões!!! A parte menos simpática é que não são grátis e custam os olhos da cara e o outro também…



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Persia, a dream come true in Iran – DAY 3 – Teerão

29 de Dezembro de 2014, Iran

Com 9 horas de sono restablecidas, “amandamo-nos” pra dentro do metro, que como disse a Maria João, foi tão rápido que nem deu pra comprar umas cuecas! Literalmente, neste País, tal seria possível em escassas 3 ou 4 paragens de metro. Passamos outra vez pelo parque Shar em direcção ao Museu Nacional.
Só que estava fechado naquela segunda-feira, não que a gente entendesse porquê, mas era assim. Sem stress, trocamos logo pelo Palácio Golestan.

O Palácio Golestan escondidinho

 

O Palácio está meio escondido, quem vê de fora, entaipado que está entre horrorosos edifícios do ministério, ninguém diz o que ali está.

Uma pequena parte do interior do Palácio Golestan

A sala mais espectacular é sem dúvida a sala do trono, construída para que o Sha pudesse receber os chefes de estado estrangeiros, celebrar casamentos e recepções e inclusivamente coroar-se pela segunda vez em 1967, passado 25 anos de ter sido coroado pela primeira vez.
Cá pra mim ele achava que assim a coroa se lhe colava à cabeça. Adiantou-lhe muito! Só não lha arrancaram em 79 porque fugiu a tempo!
O certo é que, embora não tenha fotos da sala de espelhos, aquele tecto e até as paredes, coincidiram ipsis verbis com o meu imaginário duma sala das mil e uma noites. Os espelhos todos pequeninos a formar composições delicadas tanto nas paredes como nos tectos, foi das coisas mais bonitas que vi e vou continuar a ver nos meus sonhos. Que beleza.

Uma selfie numa das sala de espelhos (armada em intelectual com “gafas”)

Passamos a manhã toda no Palácio, onde vimos como viveram os Shas desde 1837, as peças extraordinárias que lhes foram oferecidas desde os tempos de Napoleão e da Rainha Vitória, e os quadros e estátuas de cera que representam esses seres feiosos que cagavam em sanitas de ouro enquanto o seu povo morria de fome.
Valeu a pena pra termos uma noção de porque é que houve uma revolução em 79, de porque é que os sacanas dos Ayatolas e dos militares conseguiram o poder (até hoje) e trouxeram o País pra trás mais de 50 anos, e hoje, quando o visito, sou obrigada a andar com um hijab.

Não há fotos que façam justiça ao Palácio Golestan

 

Não há fotos que façam justiça ao Palácio Golestan

 

I look like freaken royalty! 😀

 

Num é fácil andar por aí com uma camilha por cima do lombo…

 

A sério, não há fotos que façam justiça ao Palácio Golestan, AS salas dos espelhos eram qualquer coisa do outro mundo!

 

Who is the selfie master? I am!!! Esta vou pô-la cá em casa num “passepartuuuu”!

O Irão está a mudar graças a Deus e espero, sinceramente, que este País se mantenha em paz durante muitos anos, mas com um outro tipo de poder, mais permissivo, mais justo, muitísimo mais equalitário.
Almoçamos num tasco, muito concorrido e muito conhecido pela truta frita. Eu como enjooei de truta na Holanda, comi uma espécie de lentilhas, carne e beringela em molho de tomate e limão, e babei. Que delícia! E lambi os dedos com a beringela, com tomate, alho, e pimento que comi de entrada com pão Iraniano. Eu quero aprender a fazer aquilo em casa, tenho que ter a receita!!! Não sei o nome ainda, mas nos próximos dias vou descobrir e depois digo-vos!

A foto é da João, descobri há coisa de um mês que ela fotografou os pratos todos, por isso cá está a bela da truta frita.

 

E esta cena com ar de vomitado, é a tal cena de beringela, tomate, alho e pimento, que eu juro pela minha saúde que era maravilhoso, mas não consegui saber o nome, se alguma alma caridosa quiser deixar nos comentários, está à vontadinha!

Depois do almoço apanhamos um autocarro pra Kashan, e a estação central de autocarros é surreal, tenho que explicar isto que é muito engraçado: ainda dentro do taxi o Filipe disse-nos pra cada vez que falassem conosco respondermos “Kashan”, que assim eles desamparavam a loja.
Não percebi o porquê, mas fizemos o que ele nos disse, e seguimos de malas às costas atrás dele. E realmente sempre que se dirigiam a nós e dizíamos Kashan, os tipos bazavam…excepto um deles que me disse “Kashan” de volta e me mandou segui-lo.
Ora pois tá claro que me borrifei pro homem, mas isto foi ao mesmo tempo que chegamos ao interior da estação e percebo finalmente como é que isto funciona! Há uma série de homens cá fora a perguntar pra onde vais, porque há várias empresas a irem pro mesmo sítio, e os tipos vêm cá pra fora pra arranjarem clientes. Imaginem que uma rede de expressos, a rodonorte, a renex e outras que tal, tinham à porta das estações uma pessoa pra vos desafiar a escolher uma delas, que cena marada, ah!
Embora haja guichets, até onde eles vos acompanham pra comprar o dito cujo, são sete cães a um osso a tentar encher os autocarros. Essa é outra, mandaram-nos logo logo pro autocarro, e depois ficaram à espera de mais clientes pro acabar de encher. O que eu não consegui perceber bem é se os autocarros saem constantemente, ou se têm um horário pra sair, o Filipe riu-se quando lhe perguntei e disse que sim, que têm um horário, pode é ser um horário flexível…. :)))
É só rir neste País.

Kashan here we go. O autocarro é bem nice, há que dizer, até nos deram lanche e tudo! Lindo :))
São 3 horas, podiam aparecer aí as senhoras da lingerie, de certeza que fazíamos negócio!

PS: o caravensai onde ficamos em Kashan é lindíssimo! Chegados a Kashan saímos pra uma volta mínima de reconhecimento depois de jantarmos maravilhosamente no caravensai, e passamos numa frutaria e o dono vê o Filipe e faz-lhe uma festa enorme. Manda-nos entrar, oferece-nos laranjas cortadas aos quartos, (e não se esqueçam que éramos 11 pessoas!), e convida-nos A TODOS pra jantar lá em casa no dia seguinte. Era a primeira prova da afamada hospitalidade Iraniana, que assim que te conhecem oferecem-te comida e até te convidam pra ficar a dormir lá em casa. Eu que já tinha lido sobre isto, não queria acreditar.

Mais uma foto da João, e ali está o frango carregado de alecrim, o melhor da viagem, sem dúvida.

 

O Filipe vai-me rifar, mas eu vou por aqui uma foto do spot onde ficamos, sempre quero ver-vos encontrá-lo na Booking.com !

Highlights

Palácio Golestan
A sala do trono e dos espelhos
O caravensai de Kashan
O frango com molho de tomate e alecrim

O meu trajecto favorito por Amesterdão – O que (realmente) fazer na cidade dos charros e do Red Light

Em 6 anos recebi uma média de um casal de amigos por mês. E isto é uma média porque nos últimos dois anos a coisa esteve bastante tranquila, mas nos primeiros quatro cheguei a ter pessoas a sair e outras a entrar no mesmo dia.
Os meus amigos chamavam à minha casa: Fifinha Four Seasons, delegação de Amesterdão.
Acho que este nome mimoso pros meus vários palácios diz tudo.
Como é de supôr, se no início acompanhava toda a gente, ao fim da décima quinta passagem no Red Light e quarta visita à casa de Anne Frank, e vigésima passagem pelas Coffeeshops, passei a recusar veementemente por as patas em algum destes sítios, e implementei o sábado como O dia em que eu ia mostrar à malta a Amesterdão de que EU gostava e que não vinha nos guias turísticos.
Levava-os ao Albert Cuypt, depois passeavamos no Pipj, íamos dar uma perninha ao FOAM, o meu museu favorito, a seguir íamos ao Joordan e às 9 ruas, depois subíamos por Amsterdam Centraal pra ir direitinhos à Biblioteca Nacional, bebíamos uma jola num barzinho magnífico todo hippie-trendy que não tem turistas (a loucura em Amesterdão!), e se desse ainda deitava um olhinho à Sinagoga Portuguesa, e acabava invariavelmente na Brouwerij ao pé da Dam Square ou no Pizzabakkers a jantar.
No sábado de manhã recebi um email do Filipe Morato Gomes a perguntar-me: o que achas deste trajecto para 24 horas em Amesterdão?
Quando o leio dei um salto na cama! Alguém tinha descrito O MEU TRAJECTO!
– Filipe, quem é que escreveu isto? Foi alguma amiga minha?
– Não sei, és amiga da Filipa Chatillon?
– Não, mas ela só pode conhecer alguém que eu conheço, porque estes são os meus sítios favoritos.
– Isso quer dizer que gostaste do texto?
– A ver se nos entendemos: isto está tão bom, que a partir de agora não dou mais dicas sobre Amesterdão que não incluam este roteiro.

E hoje, com fotos e tudo, foi publicado “24 horas em Amesterdão” no Alma de Viajante, e eu partilho convosco para que possam partilhar também com outros e outros e outros, e acima de tudo livrarem-se de ir bater nos sítios mais cliché e mais deprimentes da cidade e terem uma opção de passar um dia giro em Amesterdão, em vez de cortarem os pulsos enquanto amparam a cabecinha do vosso amigo que decidiu fumar um charro pela primeira vez na vida.
Sucess allemal!
Well done Filipa e Alma!

PS: O Fifinha Four Seasons está reservado para a minha família e amigos, por isso se quiserem lá ir, reservem um hotel em Amesterdão na Booking.