Vivam cada minuto, segundo, momento e esqueçam tudo o que vos consome

Esta foto foi tirada no casamento de dois grandes amigos meus no dia 6 de Novembro de 2010.
Foi tirada três dias depois de uma das piores notícias que já tinha recebido na vida.
Não sabia se rir ou se chorar mas estava entre grandes, grandes amigos de quem morria de saudades, os noivos estavam felicíssimos e eu fui abraçada q.b. e naquele dia pensei e senti cá dentro: que se foda. A vida vale cada momento.
Cada dia, cada segundo, cada gesto de bondade que temos para com os outros, cada sorriso que damos e recebemos em triplicado. Cada acorde que me faz vibral a alma e cada passo de dança que dou torna a tristeza em alegria. Não para sempre, mas pelo menos, naquele momento.

Hoje faleceu um ex-Colega meu que era um tipo porreiro, um homem que decidamente sabia viver a vida e aproveitar os momentos. Um cavalheiro podem ter a certeza, apesar da pulseira grossa de ouro e do ar de cigano gingão. Num mês passou de saudável a cadáver. O cancro do pâncreas não perdoa. Ceifa.
Mas deixou boas recordações. Acima de tudo todos se lembram da boa disposição e da gargalhada forte, das piadas rápidas e certeiras e da certeza que era um Companheiro.
À familia do Sales os meus mais sentidos pêsames, e a ele, onde quer que ele esteja, o meu obrigada por me lembrar que a vida é curta mas que vale a pena vivê-la segundo a segundo, copo a copo, passo de baile a passo de baile.

Um brinde à vida, à amizade, ao amor, à alegria, a todos os que nos querem bem e nos tornam os dias mais leves.

Um brinde a todos os que lutam todos os dias contra esta doença macabra e que lhes trocam as voltas.

Um brinde à força e à vontade de viver!

Rock&Roll everybody, porque o amanhã pode não estar ao voltar da esquina.

6 comments:

  1. Andorinha, nem me digas nada. O meu chefe está a lutar contra esse cancro e hoje vim para casa mesmo pensativa. Questionei-me o que faria no lugar dele. Questionei-me se continuaria a trabalhar. Questionei-me se não iria correr o mundo. Mas depois pensei na ansiedade que ele sente e possivelmente não iria ter cabeça para ir viajar. Só queria manter a rotina e fugir aos olhares tristes. Tal como ele o faz nos dias que consegue ir até ao gabinete dele. Vejo o corpo dele a desaparecer na roupa. Hoje até os olhos estavam amarelos. Aguarda por uma cirurgia. Só espero que tudo corra bem. Se a minha vontade tivesse algum voto na matéria…

  2. Sinceramente, os médicos recomendam que continues a ter a vida mais normal que conseguires, é uma forma de manteres a força e a vontade, porque estar em casa a olhar pro tecto não ajuda em nada.
    Há pessoas que sabendo que estão condenadas à partida, que vão viajar enquanto podem e fazer coisas que nunca fizeram, e depois no último mês os orgãos começam a falhar e por muito que lutes é uma luta inglória.
    Há muitos tipos de cancro, linfoma, carcinoma, uns que se resolvem com cirurgia, outros sem, há muitos casos de sucesso, mesmo muitos, cada vez mais. Vais ver que ele vai ser um deles.

  3. Perdi a minha mãe há um mês e três dias.
    Não era já nova, e apesar de algumas limitações de saúde não estávamos à espera, estive com ela num sábado (e igual a todos os dias dos últimos meses) e no domingo não acordou. Penso nela todos os dias, quase todo o dia e tomei pela primeira vez a consciência real da nossa mortalidade.
    Desde aí, e apesar do que sofro, quero é estar com as pessoas de quem gosto, conviver, conversar e viver o melhor que sei e que posso, tento não deixar nada para o dia a seguir e penso sempre no que ela me dizia e o quanto me incentivava (e ajudava) a viver, a divertir-me, a estar bem.
    A perda é uma grandessíssima merda, sinto-me em muitos momentos tremendamente triste. Mas faço exactamente o que dizes, aproveito o mais que posso para dar sentido e valor a coisas "pequenas" como abraços, olhares de apoio, sorrisos de cumplicidade.
    Hoje vou ver o Bon Iver, convidei uma amiga do coração para ir comigo.
    Fizeste-me dizer isto tudo, desculpa o exagero. Que a tua dor diminua, é o que te desejo. E é isso, faz algo em memória dele como ele faria.

  4. Lamento mesmo muito, de coração. O Sales era meu colega, mas a minha Tia que faleceu em Dezembro era A minha Tia. Tinha 53 anos e faleceu de cancro no pâncreas. Acorda-se bem depressa e abre-se bem os olhos quando de repente percebemos que não só os que nos rodeiam não são imortais, como também nós não o somos.
    Espero que o Bon Iver te faça dançar muito e sintas a tua Mãe a dançar ao teu lado 🙂 Muitos beijinhos!

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