Os sonhos é que me lixam

Hoje fartei-me de sonhar. Acordei eram umas 6 e meia da manhã e as lágrimas escorriam muito de levezinho porque sonhei com uma data de gente de quem tenho imensas saudades e em quem senti muita tristeza e abatimento quando as vi em Portugal. E outras porque não as vejo há mais de 2 anos.
Não chorei por mim, chorei por elas.
Gostava tanto de as poder animar, de poder estar mais perto pras abraçar de vez em quando. Custa tanto esta impotência.
Então levantei-me, agarrei-me ao email e despejei-lhes os meus conselhos não requeridos, o meu positivismo e ânimo, transmiti (espero eu!) a minha força e deixei ao seu critério voltarem a deixar o olhar deles brilhar.
E depois escrevi um post de 3 metros num grupo do qual faço parte e despejei o resto.
Rais parta o TPM que me deixa neste estado lamechas.
Pelo menos está sol lá fora e os meus cães já dormem novamente.

Já agora, e para arrebitar e animar, umas actualizações e brincadeiras que fiz com as fotos dos meus terroristas:

Juicy

Juicy, Petzi e Bitoque (sim, ele é o maior dos 3)

A Petzi no seu favorite spot

Carrega mula! A Petzi e a Juicy na mochila e o Bitoque no chão, que ele sozinho pesa tanto como as duas juntas!

É como a puta da mania que um cão é pra se ter na varanda


Há uma mentalidade em Portugal e em Espanha que me faz muitíssima comichão: a ideia que um animal é pra se ter no quintal ou na varanda. Na marquise, porque não?

Ou se tem um cão pra ter um cão de guarda, e então nesse sentido treina-se o bicho pra estar lá fora, ou ter um cão pra estar agarrado a uma corrente num quintal mais vale não ter.

Ai, mas ele suja-me a casa toda! Ai mas ele destrói tudo! Ai mas ele é muito bruto!

Já vos passou pela cabeça que o cão exige treino? Não só dele como do dono que é o verdadeiro animal.

Os donos são os primeiros a serem treinados. Vão a treinos especializados e aprendam a dominar os vossos cães.
Ai mas é caro!
Ai é? Então porque é que tens um cão? Um cão é caro, exige cuidados, custa financeiramente menos que uma criança mas é um encargo. Se não queres um encargo, não o tenhas, oferece-o pra adopção, há muito quem queira.
E nem queiras saber a qualidade de vida e o amigo que ganhas no cão uma que saibas como treiná-lo.

Eu sou apologista que nem toda a gente deve ser Pai ou Mãe. Há pessoas que não têm vocação pra Paternidade, ponto.

Da mesma forma há pessoas que nunca deveriam ter um animal de estimação, nem sequer um peixinho!

Eu fico verdadeiramente doente quando vou a casa dos meus primos e vejo a Golden Retriever deles fechada no quintal. Doida! Possuída. Só não dou um tabefe ao meu primo mais novo que é suposto ser o dono do cão porque senão tinha que dar um aos Pais. Estou farta de explicar que um cão daquele porte não é pra estar fechado no quintal, que é preciso levá-lo a passear e que precisa de correr. Mas nós levamo-la à praia aos fins de semana! O que é que isso interessa?! É uma vez por semana ou de 15 em 15 dias!

Os cães têm que sair à rua todos os dias pra dar um passeio, principalmente um cão grande.

E um cão pequeno, lá porque é pequeno não acha uma varanda ou uma marquise um espaço imeeeenso!

Mas está tudo burro, ou quê?

No ano passado andava eu a passear a Petzi em Braga quando ouço 3 cães a ladrar como desalmados. Eram 3 Yorkshires que estavam na varanda duma casa e ladravam como possuídos. Como é que eu sei que estavam presos? Porque as persianas estavam corridas até cá baixo.

Tivesse eu um taco de basebol e abria os donos ao meio. Não se põe os animais nas varandas, estamos entendidos?

Os meus ladravam à varanda QUANDO ela estava aberta e eram imediatamente despachados pra dentro. Agora nem isso fazem, não só porque os meus vizinhos se queixaram mas também porque eu mesma estava a dar em doida. Mas nunca ficaram do lado de fora a ladrar comigo cá dentro. Quem é que é capaz de semelhante coisa?

Li esta reportagem e voltei a ficar doente: Nos olhares, nos corpos esqueléticos, nas mazelas de maus tratos, vê-se o que de pior existe no ser humano. A crueldade e a capacidade de abandonar: porque cresceram e ocupam mais espaço, porque fazem despesa, dão mais trabalho, perderam a graça, largam pêlo. Porque sim.

Na Malásia vi UM cão pela trela e zero nas ruas e em Bali cada casa tem um cão pra sua protecção e todos eles eram famélicos e muito mal tratados. Nunca tive medo de cães, mas em Kuta houve um que quase me mordeu porque passei a um metro do caixote do lixo onde ele estava. E estes gajos na Tailândia abatem-nos à pazada. Filhos da puta.

A estupidez humana é algo que me custa imenso a deglutir. Mesmo muito.

Máquinas de destruição

Juicy, Petzi e Bitoque da esquerda pra direita.
Este chão que vêm é de vinil e foi posto na semana passada. Metade dele não resistiu às dentaduras dos seus proprietários, outrora cães que ladravam e hoje em dia silenciosos. Já não ponho mais chão até eles ficarem sem dentes, vão ter de dormir no cimento, e é se querem. Deitar mais dinheiro fora é que não.
No entanto nos últimos dias têm-se verificado um decréscimo enorme no número de peças destruídas por estes seres belíssimos. Tudo graças ao truque do castigo de isolamento social. A melhor coisa que já me ensinaram.
O Bitoque parece o Slash. A Juicy está tão parecida com a Petzi que até as confundo.
Continuam a morrer de medo de outros cães, mas já andam na rua atrás de mim.
Ainda há muito trabalho pela frente, mas nada que não se resolva!
Lambidelas pra todos!

O Cesar Millan da Holanda é o Martin Gaus

http://www.martingaushondenscholen.nl/

Tem especialistas pela Holanda inteira. Vou lá amanhã de manhã com os 3 pra decidir as melhores acções a tomar. Espero que me fique mais baratos que as coleiras e os hoteis pra cães e vacinas. Se assim for, devolvo as coleiras de choque, cancelo as vacinas do canil e o hotel que eu vivo bem mas não tenho a carteira do Ministro e gastar 500 batatas nos cães dói-me pra cacete!

A pack leader em franca progressão

Há já uns três meses que tenho problemas com os cães porque a Petzi tornou-se a defensora da família e acha que deve atacar outros cães pra defender as crias.
Felizmente não houve problemas de maior mas há muito que tento resolver a situação de modo infrutífero porque todas as opções que me apareciam eram extremamente caras.
Foi também desde que me mudei pra Amesterdão, com ou sem crias, que ela começou a vir à janela desafiar os outros cães que passam por baixo da minha varanda do terceiro andar.
Last but not the least, andar com eles os 3 na rua com a trela tripla passou a ser menos gerível porque o Bitoque cresceu imenso ao ponto de toda a gente pensar que ele é que é a Mãe e a Petzi o filhote.
Já há muitos anos que via a série do Cesar Millan na TV, mas sinceramente embirro com o homem, aquela abordagem mega venda, mega mike, muito americanizada, cheia de merchadizing, deixa-me irritada e não via os programas.
Nos últimos três meses então tem sido tão exasperante que perdi a conta à quantidade de pessoas que passam por mim na rua e me dizem: you should see Cesar Millan!
Enquanto eu consegui controlar os mais pequenos, achei que estava tudo, não controlado, mas passível de o ser em breve, era só uma questão de eles crescerem mais um bocadinho pra entenderem melhor as acções. O que foi verdade. Até porque eles só ladravam quando a Mãe ou outros cães ladravam e a sacos do lixo.
Contrariada tive que viajar a trabalho em Abril e Maio, e estudar pro exame de CISA e pagar o passaporte e mais uns extras e por isso não pude inscrever-me como queria num curso pros cães, mas não me preocupei porque achei que havia tempo.
Mas depois de um fim de semana em Itália em que nenhuma das 4 raparigas que fomos pregou olho, decidi começar a tomar acções: comprei uma coleira de vibração e som pra Petzi e telefonei pra uma escola de cães mas não me deixaram inscrever os pequenos porque já tinham quase 6 meses e o curso tem que ser antes por causa dos cios. Eu pensava que só se podia levar os cães ao 6 meses. O engano saiu-me caro.
Expliquei a situação à dona da escola que me recomendou socializar os cães e levá-los a um dog day care. Pra meu espanto, existem “creches/ATL’s” pra cães na Holanda. E levei a Petzi, que passou lá uma tarde muito agradável, nem um latido, nem uma rosnadela, nada, portou-se lindamente e a senhora do Centro disse-me que a cadela estava óptima, que não tinha problema nenhum, que devia ser de defender as crias porque de resto, a sua cadela é uma jóia.
A Petzi teria que ir mais vezes mas com as crias, e tinham que ter a vacina da tosse do canil.
Telefonei pro veterinário e cada vacina da tosse custa 54 euros e é válida durante um ano. Ora 54 vezes três são 162 euros. Cada dia no centro pros 3 é 29 euros (porque tenho desconto de família), logo multipliquem por uns 3 dias, e temos 90 euros. Ou seja, a socialização custa 252 euros e não curava o latido, mas pelo menos não atacariam outros cães na rua e a Petzi ia perceber que estava tudo bem quando outros cães se aproximavam.
E eu vim pra casa fazer contas e no mês de Junho não pode ser, mas do mês de Julho não podia passar. Mas apareceram mais umas contas imprevistas e ficou mesmo pro fim de Julho porque aconteceram 3 coisas extremamente desagradáveis:
1) O meu vizinho de cima (que é um animal e um cagão, btw, e a quem eu já tinha lixado quando um dia chamei a Polícia por as minhas paredes estarem a abanar ao som da música 80’s dele) veio tocar à campainha e queixar-se dos latidos. Fiquei possuída, mas eu própria já estava a entrar em loop!por isso comprei finalmente as coleiras a sério e paguei 60 euros por cada uma. Ao todo foram 185 euros que até andei de lado. Chegam quarta-feira.
2) Quis ir numas mini-férias e tive a certeza que ia correr mal porque os meus cães não estão de todo treinados e o sentimento de ter que voltar a acordar com os latidos deles e incomodar os meus amigos deu-me cabo da vontade toda que tinha de sair daqui porque não sabia se ia ser pior a emenda que o soneto.
3) No sábado fui passear com as minhas amigas que estavam cá de visita, pus a Petzi na mochila (sítio do qual ela não mexe, onde não tuge nem muge) e levei os outros pela trela e apercebo-me que os pequenos já ladravam aos outros cães e nomeadamente ladraram a dois pitbulls, fazendo uma figura não só de ridículos como expondo-se a serem mordidos violentamente e ficar sem as minhas pestes é que nem pensar!

No domingo liguei a uns amigos que me tinham ligado pra me darem um truque pra controlar o latido dos cães já que eles também estavam a ter problemas com a deles (que tem 3 mesitos), mas nada de parecido ao meu. Mas o truque funciona, e se continuar assim vou poder deixar as coleiras pra momento especiais, ou com um bocado de sorte nem as usar.
O truque é simples: cada vez que um deles ladrar, calmamente levanto-me, sem estabelecer contacto visual ou lhes dirigir palavra, sem perder a calma, sem dizer o nome deles, nada. Pego no “culpado” pela coleira e isolo-os dos outros ao pô-lo dentro da casa de banho, por exemplo. E ficam lá um minuto. A segunda vez que fizerem a asneira ficam lá 5 minutos, da terceira vez um minuto, da quarta 5 minutos e sempre assim. Até corrigir. Vale pro latir, pros xixis, pra tudo. A explicação é que sendo estes cães tão sociais, isolá-los da sociabilidade é a pior coisa que lhes posso fazer e como tal eles percebem que vão pro castigo. Como não querem ser castigados, deixam de ladrar.
Só vos posso dizer que ainda não vi o casal, mas juro que lhes vou dar o beijo mais repenicado do mundo porque tem sido milagroso! Ao fim de duas horas já tinha começado a funcionar.
Neste momento posso finalmente sentar-me na minha varanda durante 20 minutos seguidos, com os cães no chão ao estilo tapete e já não há ladrar pra ninguém. Não estão curados, mas garanto-vos que quase.
Como são espertos até à quinta casa dos infernos perceberam IMEDIATAMENTE o sentido da coisa.

Entretanto na quinta vão ao veterinário levar as injecções e em meados de Agosto têm já 3 dias de hotel reservados no Dog day care onde vão passar a saber o que são os outros cães e onde há até terapeutas pra cães.
Lembro-me dum colega na empresa dizer que tínhamos uma colega que era tolinha porque levava o cão ao psicólogo. O que eu não percebeu é que não é um psicólogo, é um terapeuta de correcção de comportamento. Que no fundo é tudo o que é o tal do César Millan.

Por último, ontem à noite fiz uma pesquisa a sério no site dele e recusei-me a comprar os vídeos e os DVDs, mas vi uns excertos no youtube e li mais umas dicas e percebi: a Petzi tinha assumido a liderança deste pack, ao qual eu pelos vistos também pertenço.
Erroneamente eu pensava que o pack era dela, mas não. O pack é MEU. Sou eu que tenho que ser a líder deste pack e a dona destes 3 reguilas.
Como tal hoje de manhã acordei às 7 e um quarto e fui passeá-los em separado, primeiro a Petzi e a Juicy e depois o Bitoque. Percebi que com a trela tripla não conseguia dominar a Petzi e esta tarde passei por uma loja de animais e comprei uma trela como as que vi no Dog Day care, que são umas cordas enormes, mas suaves, que se põe e tiram muito facilmente nos cães. São trelas de estrangulamento, coisa que eu sempre achei exagerada pra um cão tão pequeno. O certo é que comprei uma e assim que puder vou comprar mais duas. Funcionam espectacularmente e pela primeira vez consegui controlar a Petzi quando tentou ir atrás de outros cães. Foi também a primeira vez que consegui passear 3 cães ao mesmo tempo sem parecer uma tolinha, sem estar a ser puxada, com passo ritmado, sem stress e sem ter passado qualquer vergonha.

E agora é rezar pra que não volte a chover durante uma semaninha, pelo amor de Deus, que é pra eu poder levar estes gajos à rua 3 vezes ao dia, por as regras do Millan a funcionar (bastou um dia e já pareciam soldadinhos a marchar ao meu lado, imaginem daqui a uma semana) e voltar a por ordem na minha loja, que é como quem diz, na minha casa. Na MINHA casa, no MEU PACK. Sim, porque por muito que eu não suporte o fulano, o gajo tinha razão e o que faltava aqui era liderança. Havia amor a pacotes, mas a Dona andava a dormir.

(neste momento estão os 3 deitados na minha varanda, em perfeito silêncio e a ver as vistas)

Já agora, o que mais me inspirou foi o vídeo desta gaja que passou de não conseguir controlar um pra passar a passear 16 cães duma vez. Se ela conseguiu, eu também.

Sessão fotográfica animal (espero que não me venham cá parar os tarados todos com o google!)

Ontem pedi ao Manelinho pra me fazer uma sessão fotográfica com os meus 3 piolhos que agora depois de rapadinhos estão tão assustadoramente iguais que até eu me vejo à rasca pra distinguir a Juicy e a Petzi.
Não ficou mal, mas eu gostava de fazer uma cena à séria, acho que havia de ficar muito engraçado. E não é a primeira vez que o digo, cada maluco com a sua, e eu gostava de fazer uma sessão com os meus bichos.
Crescem tão rápido, e é tão complicado ter os 3 a olhar pra câmara!!
Então a minha amiga Inês lembrou-se de mim e mandou-me o link dum amigo dela que é fotógrafo e que se juntou à mulher que é veterinária e fizeram uma empresa que faz mesmo isso: sessões fotográficas dos nossos melhores amigos!!

A Cool Pet Photo:

Vejam só que moca: Cool Pet Photo web site

E as fotos que são brutais:

http://500px.com/coolpetphoto

Também estão no Facebook:

https://www.facebook.com/coolpetphoto

Eu punha aqui as fotos, mas ele tem tudo protegido e vão ter mesmo que ir ao site.
Como estou na Holanda ainda não pude ir ter com ele, mas fica aqui a minha sessão de fotos feita por mim ontem. Enjoy!!

Juicy – estes olhinhos são os verdadeiros puppy eyes, dão cabo de qualquer coração!
Juicy

Bitoque – este cão é cómico, e ponto. É o mais meigo dos 3!

Bitoque mais à frente, Juicy e Petzi

Juicy

Petzi – rejuvenesceu uns bons 2 anos!

Ai rica, que vocês podiam ser irmãs em vez de mãe e filha!! Nem acredito!  (Juicy em cima, Petzi em baixo) – estão tão iguais que me vejo à rasca pras distinguir, juro!

Sessão de amor entre Mãe e filho :))