…parte de mim, parte da minha vida, parte do meu ser.
Vou tentar outra vez.
Foi na Candeia onde recuperei o melhor de mim
Braga é uma cidade muito católica. Estudei em colégios de padres e freiras, mas em casa sempre me deixaram pensar livremente.
A religião em si nunca foi o fundamental pra mim, mas sim os valores que tinha em comum com os amigos que fiz nos colégios da cidade, amigos esses que de algum modo eram educados de uma forma semelhante à minha. Acima de tudo acho que eramos todos muito protegidos. Além disso tive muito tempo pra fazer amigos a sério, e os nossos Pais faziam questão de nos dizer a todos coisas como: partilha com o teu colega, não sejas competitivo, pede pros outros o que queres pra ti, ri muito, brinca muito, mas sê responsável, estuda e constrói o teu futuro.
Depois fui pra faculdade.
Na universidade tive muita sorte e tive (e ainda tenho) um grupo de amigos EXTRAORDINÁRIO. Os nossos Pais educaram-nos de maneiras semelhantes, tinhamos e temos valores em comum como a lealdade, a confiança, a coragem, a destreza e a valentia, o saber desenrascarmo-nos, trabalhar em grupo para obter melhores resultados, a dedicação, a verdadeira amizade.
Sempre fui muito “inocente”, muito crente nas pessoas, na bondade, na alegria, sempre ri muito, sempre fui animada.
Sempre, mas sempre falei pelos cotovelos.
Sempre fui muito bem tratada.
Muito mimada, eu diria.
Tive muita sorte.
Depois fui trabalhar.
Na empresa acharam que a minha constante boa-disposição e maneira de falar “nortenha” e de coração na boca, em que dizia tudo o que pensava, era errado.
Disseram-me que não podia ser assim. Não podia ser como era.
A dada altura deixei de poder ser eu.
ACHEI que devia ser mais como “eles” “queriam”.
Como se tivesse um garfo espetado no rabo, sempre séria com os clientes, com cara de que todos me devem e ninguém me paga.
Pensei tinha de saber mentir pra poder ser uma boa vendedora. Nunca fui boa vendedora.
Pensei que tinha de saber ser egoista, que tinha de guardar tudo pra mim porque senão iam roubar o “meu pedaço de terreno”.
Continuei a ser uma pessoa sorridente e bem disposta, até porque não sei ser de outra maneira, mas tornei-me muito mais fria, mais distante.
Os meus amigos diziam-me: tás uma chata, só falas de trabalho, resmungas o tempo todo e só pensas em ti, só falas de ti.
Quando entrei pra Candeia voltei a lembrar-me de como era bom dar-ME aos outros, como era fácil e sabia bem partilhar.
Voltei a encontrar pessoas com os mesmos valores e educação que eu.
Que sorriem sempre.
Acreditam que não há uma única foto deste último campo em que não esteja à gargalhada?
A Candeia faz-me bem à alma.
Permitiu-me voltar a ser quem era e entender melhor a mensagem que me tinham passado na empresa.
O que me tinham querido explicar e que eu tinha entendido de outra forma, é que ao ser uma pessoa tão aberta e tão generosa, no mundo dos negócios, ia acabar com os meus pontos fracos todos à vista.
Porque, por exemplo, toda a gente ia saber se eu tinha ou não namorado e alguém menos correcto poderia usar esse facto para justificar o meu rendimento ser mais alto ou mais baixo. Só pra dar um exemplo, atenção.
Aprendi que tenho EXCELENTES colegas, mas que as pessoas que trabalham comigo não têm que ser TODAS minhas amigas. Mas que há colegas que se tornam Amigos.
Acima de tudo, APRENDI que o que me queriam dizer é que eu tinha de separar a minha vida pessoal da minha vida profissional, e que não devia falar da minha vida pessoal no emprego. E estavam certíssimos.
E a Candeia deu-me espaço pra eu poder ter uma parte pessoal, uma parte e um mundo que é só meu.
Onde eu sou a verdadeira Sofia,
a que ri muito,
a que diz TUDO o que lhe passa pela cabeça,
a que PARTILHA,
a que mostra fraquezas sem achar que está a ficar exposta, porque na Candeia podemos todos ser fracos,
porque todos podemos e temos o direito a ser chamados de seres humanos.
E os seres humanos têm fraquezas e têm direito a tê-las.
É na altura em que somos mais débeis que encontramos mais forças porque temos uma mão amiga que nos ajuda a sair do charco.
Foi tudo isto que eu aprendi na Candeia.
Sou melhor pessoa.
Recuperei o melhor de mim mesma.

Adorei ler-te…
Acho que qualquer pessoa tem de ter um espaço onde possa ser verdadeira, transparente, livre de preconceitos (os dos outros) e de amarras ao politicamente correcto e outras coisas que tal. Ainda bem que encontraste na Candeia espaço para isso…
P.S. – bem-vinda, bom Ano, e mais fotos, ok? 😉 Preciso de convencer o mariduncho que o Brasil é a nossa próxima grande viagem!
Ena… que partilha fantástica!
Explica-me uma coisa: o que se faz para entrar no Grupo?
Admiro-te por o conseguires. Eu continuo meio perdido. Entre casa e o trabalho nem sempre está o "eu" certo. 🙂
olá
Já várias vezes li o que escreveste sobre a candeia e confesso que tenho alguma inveja. Deve ser fantástico. Aproveita muito e sê sempre assim.
bjs
Pat