Alguém me explica como se eu fosse realmente muito burra

No Fórum Banca, na quarta-feira, o tom dos banqueiros foi apocalíptico em relação às facilidades de endividamento. “Temos de mudar de vida”, ecoou no hotel de luxo onde decorreu o encontro. “Há um consumismo exagerado” patente no “número de casas próprias”, que é “maior que no Norte da Europa”, assim como “o número de carros por família, as férias no estrangeiro, e as refeições em restaurantes”, constatou Fernando Faria de Oliveira, presidente da CGD.

Se os spreads aumentaram, porque é que há mais gente a comprar casa e carro???

5 comments:

  1. Na minha modesta opinião, porque são burras. Esta deve ser a pior altura de sempre para contrair um empréstimo. Carro, só se for a pronto (e a aproveitar antes que o iva suba). Quanto a casas, só para quem tenha dinheirito para investir. Tenho visto anúncios de casas bem boas ao preço da uva mijona (normalmente vivendas de luxo ou quase luxo, em Sintra ou Cascais – tás a ver, né, pessoal de negócios à rasca). Tenho pena de não ter meio milhão no banco, ias a ver, ias, ias!

  2. Ora aí está, quem tem guito não contrai empréstimos com spreads usuários, paga no acto (de preferência debaixo do tapete).
    Tenho amigos a comprar casa nesta altura porque acham que é bom negócio. Pra mim, ou a casa é praticamente oferecida, ou tô fora, como dizem os brasileiros.
    É o que eu digo: expliquem-me como se eu fosse meeeeeesmo mto burra.

  3. Outra: o mercado de arrendamento, por cá, quase não existe. Tudo graças a uma leizita do tempo da outra senhora, que congelou as rendas (i.e., não era possível aumentá-las, provavelmente para disfarçar o facto de o povinho não ter como pagar). Depois do 25 de abril não houve coragem política para mudar a lei, naquela de tadinhos dos pobrezinhos, e só nos anos 80 se passou a fixar índices de aumento.
    Resultado: inquilinos a pagar rendas ridículas (tantas inferiores ao que eu pago de condomínio!), senhorios sem dinheiro para fazer a manutenção, edifícios cada vez mais degradados.
    Na altura em que comprei a minha casa, uma renda de um apartamento equivalente ficava-me mais cara que a prestação do empréstimo. Face a isso, não há escolha possível, né?
    A coisa anda-se a recompor, mas devagariiiiinho.

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