Cumplices – Mafalda Veiga

A noite vem às vezes tão perdida
e quase nada parece bater certo
há qualquer coisa em nos inquieta e ferida
e tudo que era fundo fica perto

nem sempre o chão da alma é seguro
nem sempre o tempo cura qualquer dor
e o sabor a fim da mar que vem do escuro
é tantas vezes o que resta do calor

se fosse a tua pela
se tu fosses o meu caminho
se nenhum de nós se sentisse nunca sozinho

trocamos as palavras mais escondidas
e só a noite arranca sem doer
seremos cúmplices o resto da vida
ou talvez só até amanhecer

fica tão fácil entregar a alma
a quem nos traga um sopro do deserto
olhar onde a distância nunca acalma
esperando o que vier de peito aberto

se fosse a tua pela
se tu fosses o meu caminho
se nenhum de nós se sentisse nunca sozinho

se fosse a tua pela
se tu fosses o meu caminho
se nenhum de nós se sentisse nunca sozinho

6 comments:

  1. Tenho-te a confessar que detestei esta mulher dos meus 15 anos até aos 30. O motivo do ódio era pq foi por causa dela que o meu grupo de Braga perdeu um festival de música e a nossa prestação foi claramente melhor, a música tb, enfim.
    Aos meus 30 o meu amigo Vasco que tinha acabado com a namorada (agora é mulher dele 😉 ) naqueles momentos, qdo estava triste vinha chorar pra minha casa e cantar Mafalda Veiga 😀 E tanto bateu nas letras e no quanto aquilo descrevia a sua relação com a namorada, que pronto, rendi-me, passei a gostar das músicas da Mafalda Veiga 🙂

  2. Mak, fizeste mandar uma gargalhada que não tens noção!
    Eu continuo a não gostar da moça, ou da voz, mas as letras, são poemas.
    Mas eu também sou a gaja que gosta de jazz a Placebo e Franz Ferdinan…

  3. Bem, a Florbela Espanca também tem belos poemas, mas se a Floribela "Luciana Abreu" os começar a cantar eu não vou deixar de reprimir a vontade de atar a uma chumbada de 100kgs e fundo do Nilo com ela.

    Quanto ao resto, há coisas piores 😉

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