Como devem imaginar, não sou assim tão básica para escrever o que escrevi no post inferior sem ter em mente duas provocações muito sérias que se chamam:
1) Fuga aos impostos
2) Endividamento e escolhas/prioridades
1) Da primeira todos sabemos como reza a história, o que não invalida que não me faça na mesma muita confusão como é que temos um Estado que conseguiu apertar a cobrança de impostos atrasados e em dívida, mas não foi capaz ainda de implementar um sistema de declaração de rendimentos auferidos eficaz. Dando um exemplo muito prático: na Holanda quando compro um carro, 25% do valor do carro é adicionado à minha declaração de rendimentos anuais. Ou seja, se eu comprar um carro de cem mil euros, e auferir 20 mil euros por ano, significa que no final do ano eu vou ser taxada como se tivesse auferido 45 mil euros (20 mil do que ganhei por mês mais 25% de cem mil). Porque, e faz todo o sentido, se eu tenho dinheiro para comprar um carro de cem mil, então é porque tenho dinheiro para pagar impostos. Todos os carros que são comprados cá são introduzidos no sistema informático das Finanças e se recebemos dinheiro da Tia Mariquinhas pra comprar o carro, é problema nosso. Se compramos logo um carro muito caro e muito acima das nossas possibilidades, também é um problema nosso. À bom Protestante: não deves ostentar mais que aquilo que tens. Aliás, não deverás ostentar, ponto.
Pro caso dos impostos a questão é então: se tens possibilidades para umas coisas, também tens pra outras, se calhar, quisás, devamos investigar a tua conta bancária para ver se realmente ganhas o rendimento mínimo…lá está.
Pro caso dos impostos a questão é então: se tens possibilidades para umas coisas, também tens pra outras, se calhar, quisás, devamos investigar a tua conta bancária para ver se realmente ganhas o rendimento mínimo…lá está.
2) Se nós não quiséssemos ser sempre mais do que aquilo que somos, não estávamos endividados até às orelhas. Em Braga há pessoas muito boas, mas a maioria das pessoas só vê aparências. É, como todas as cidades pequenas, uma cidade cheia de fachada. Estive lá agora duas semanas e não têm noção da quantidade de Audis Q5 que vi a circular na rua. Há uns anos atrás havia mais carros novos que os que vejo actualmente, é certo. Logo o poder de compra diminuiu. Mas a mentalidade continua a mesma, e assim nunca mais lá vamos. O que é preciso é dizer-se que se foi, que se está pra ir, mostrar que se veste, que se calça, que se tem a casa e o carro xpto e pouco interessa o que se tem no cérebro. E eu, neste sentido, nunca fui Bracarense.
Eu sei que o Braga não vai à taça UEFA todos os dias, e pra mais era um Porto vs Braga e como tal era qualquer coisa de extraordinário. Tenham em conta que quem é do Porto dizia: mas se o Braga ganhar eu não me importo, mas quem é do Sporting de Braga queria mais era que o Porto se afogasse nos infernos (pra quem não sabe, Braga é a segunda cidade mais Benfiquista do País).
As pessoas de Braga dizem: o meu Braguinha. Quem é do Braga é aquele Bracarense puro, que é quase que “bairrista” e que vai ao estádio todos os fins de semana ver o Braguinha, e sim, essas pessoas pagaram o couro e o cabelo, mas era um sonho ganharem a final da Taça UEFA, e eu não sou uma insensível e a sério que entendo. Como disse a Tuxa, foi como eu fazer a route 66, pra ele a Meca era o Braguinha!
Mas sendo do Norte, também sei que há muito boa gente que pagou bilhete de avião pra ir com os amigos pra um bar no meio de Dublin só pra dizer que lá esteve, e que no final do mês não vai ter dinheiro pra pagar aos empregados, mas que se foda, o Braga só vai à UEFA uma vez na vida! E a mulher dele queria tanto ir comprar aquela Louis Vuitton, tinha que ser no estrangeiro não é, é que comprada lá fora é mais chique! E o Manel espera até dia 15 pra receber e nada de aumentos no próximo ano que a vida não está fácil!
E assim vamos andando…

Concordo inteiramente contigo quanto ao nosso regime fiscal e a sua indiferença quanto aos sinais exteriores de riqueza. Em teoria, essa contabilização até está prevista, mas na realidade não é minimamente eficaz.
Beijinhos.
P.S. Puortoooo, carago! Não teria ficado triste se o Braguinha tivesse ganho, mas o meu fêcêpê é o maior!
Julie, eu estudei fiscalidade há mtoooos anos. Explica lá como é que essa contabilização está prevista? E Parabéns ao Porto 😀
Eu estudei fiscal também já há muitoooo tempo (cerca de 16 ou 17 anos), mas lembro-me que estava previsto um mecanismo para tributar de acordo com sinais exteriores de riqueza (mas tinha de partir de fiscalização caso as caso ou denúncia). Por isso já não te sei dar grandes explicações. Há uns 2 anos surgiu uma norma muito polémica que obrigava a declaração fiscal todos os donativos superiores a 500€. Falou-se muito da injustiça relativamente aos donativos de pais a filhos estudantes para que estes últimos pagassem despesas… mas depois caiu no esquecimento. Suponho que a falta de fiscalização bancária tenha tornado a norma inexequível.
Por denúncia nunca ia lá….
Pá, isso cá não resultava! Porquê? Porque a maioria dos popós de luxo a) estão registados em nome da empresa; b) não foram comprados, estão a ser locados (leasing ou ALD). Nem parece que bibestes cá e não conheces a esperteza tuga, ó Andorinha ;P
Andorinha, o que está em causa quanto às idas a Dublin mas nao deixa de ser interessante, não é a política fiscal aplicada em PT.
Claro que de certeza que houve gente que se endividou para ir ver o jogo, mas nao creio que tenha sido a maioria. As aparências realmente continuam a ter muita força em PT mas há quem continue (porque pode) a fazer a mesma vida que fazia. Assim de repente, quem nao perdeu o emprego nem lhe reduziram o ordenado, em que é que ficou pior?
Nada disso I., o meu carro cá é da empresa e pertence a uma empresa de Leasing, e cai no meu rendimento que é um mimo! Já a contar com a esperteza Tuga! 😀
Jibóia, o meu irmão tem um bom emprego em PT, e bem pago. Qdo o Porto foi à final da taça UEFA aqui há uns anos ele pagou 500 euros pelo bilhete de avião e eu disse-lhe q ele andava a sofrer da mona. Meteu-se num avião e foi sozinho ver o clube dele e veio de lá histérico. E como tu dizes: pôde fazê-lo. Mas pq era solteiro, não tinha casa comprada e não tinha putos. Desta vez só foi pq a empresa lhe ofereceu aviao+hotel+jogo como prémio, e o ordenado dele continua a ser bom. Segundo ele, já não pode fazer a mesma vida que fazia pq agora há uma casa pra pagar e pq o spread ja nao é o que era noutros tempos. Resumindo e baralhando: o poder aquisitivo reduziu pq eu, q tou cá a encher a mula, fico doida de cada vez que vou a PT e vejo os preços. Os preços de tudo subiram. E o teu ordenado ao fim do mês está mais magrinho. Mas como tu dizes e bem, a diferença de cá pra agora não é assim tanta, por isso… 😉 eu entendo o teu ponto de vista.