Não compreendi vezes 12.

“Tenho despesas que não dão pra pagar em duodécimos.”
Eu recebo o meu salário em 12 , o subsídio de férias são 8% do meu ordenado e são distribuídos em 12 ordenados. Recebo exactamente o mesmo valor por ano seja em 12 seja em 13 vezes.
Por isso não entendo a frase que ouvi agora na televisão.
Não é que ache bem as políticas do Estado, mas tenho uma certa aversão a que as pessoas disponham de dinheiro que não têm. Faz-me espécie, embora entenda a necessidade como vou explicar.
Mas no fundo a minha pergunta é: qual é a diferença entre por 20 euros de lado por mês ou recebê-lo todo de uma vez?
Lembro-me sempre duma amiga que ganhava menos 500 euros por mês que eu em Portugal, acho que o ordenado dela rondava os 1000 euros por mês e pagava as despesas dela e as do irmão que ainda era dependente.
E tinha um emprego como o meu, mas a empresa que a contratava era outra. Fartei-me de lhe dar na cabeça durante os anos das vacas gordas, disse-lhe que mudasse de empresa, que aproveitasse as ofertas de outros. Não quis (não quer).
Mas todos os dias se queixava que não tinha dinheiro pra nada. E eu sei que ela fazia as contas muito certinhas e não saía um tostão daquela carteira que não tivesse contado, e já na altura levava marmita e comia sopa, pra poupar. E não é que não se pudesse queixar então, mas teria ganho mais energia com uma mudança do que aquela que despendeu a queixar-se. Não consigo compreender este masoquismo. Agora muito possivelmente não consegue mudar de empresa com a mesma facilidade, mas continua a auto impôr-se esta espécie de auto-flagelação. Mas já me desviei muito do assunto, o que eu queria dizer é que me lembro que na casa da minha amiga era tudo tão contado que o subsídio de férias e o de natal antes de entrarem já estavam destinados.
 E se eu compreendo que fosse necessário fazer este exercício, por outro também sei que ela é bem capaz de colocar o dinheiro de lado para poder pagar na mesma o seguro do carro, os seguros da hipoteca.
E embore eu ache que ela já devesse ter mudado de emprego e que continua a exercer masoquismo nela mesma, entendo também que é uma opção que ela tomou e que acha correcta.
Também aprendeu que, sabendo eu do que ela é capaz, vir chorar no meu ombro é péssima ideia.
Kalimeros é que não, obrigada.
E se me perguntar se deve emigrar digo-lhe que o seu único bloqueador é ela mesma, mas que se é capaz de mudar de País e não de emprego, então pelo menos que mude algo, que mude de País.
Voltando aos duodécimos, entendo muitas frases contra os mesmos. Do fundo do coração que entendo, ainda me levou uns 2 anos a aprender a viver sem subsídios e o meu problema nunca foi falta de dinheiro, mas sim de organização. Agora…. despesas que não dão pra pagar em duodécimos?

7 comments:

  1. Já me aborrece a conversa dos subsídios. Eu tou-me a borrifar se pagam em 14 ou 12 vezes, a questão é que o ordenado anual foi reduzido!
    Se quiserem pagar à semana também me oriento, agora cortarem por vir carimbado como "subsídio" é que não.

  2. Ali em cima já foi dito o que queria dizer. Ou seja, se me tirassem agora o subsidio que me é pago em duodécimos, para voltar a ser pago por inteiro na altura devida, eu estava fodido, porque o muito que já me roubaram por mês deu nisso.
    Estou de acordo em me pagarem 14 em 12, mas era sem ser gamado, entendes?
    São uns FDP!

  3. Eu percebo a tua questão mas tb percebo o comentário. É que os duodécimos foram inventados porque correspondem "mais ou menos" à subida do escalão o IRS. Na prática o ordenado mensal ficou mais ou menos na mesma e os os subs é que foram à vida (metade de cada para os privados e qualquer coisa mais do que isso para os FP).
    Quanto a mim prefiro receber em duodécimos. Estava e estou organizada para pagar todas as minhas contas mensalmente. Tenho a sorte de não ter subs. destinados a pagar contas e o rombo mensal ia dar-me chatices. Mas tenho total noção de que os duodécimos vieram mascarar a tal "brutal subida de impostos".
    Porque, como tu dizes, a redução de salário não é prevista por lei mas na prática tem sido praticada por cá, especialemente (mas não só) na função publica.Pouca gente sabe o seu ordenado bruto ao cêntimo mas todos sabem o que lhes cai (ou devia cair) na conta e esse tem diminuído de uma forma criminosa. Garanto-te que ainda me surpreendo como há tanta gente a pagar as contas. Não acho é que seja por ganhar demais, mas sim porque têm feito esforços sobenormes e têm contado com algumas ajudas. E para todos esses (e também para aqueles que já não conseguem pagar, infelizmente) vai o meu respeito e a minha solidariedade.
    Mas isto tudo não invalida que tenhas razão. Há e haverá sempre má organização, falta de coragem para arriscar (que muitas vezes nem isso é – é simplesmente falta de "rede" de segurança) e até há quem viva acima das possibilidades. Mas a maioria das pessoas que faz comentários desse género está mesmo é em pânico e a procurar desesperadamente uma forma de continuar a pagar contas.
    beijinhos

  4. A questão é que o ordenado ao fim do mês foi cortado, portanto esses duodécimos não são "a mais", vêm sim tapar o buraco do que se recebe a menos pelo corte…..

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