O cancro e eu.

Porque é que me interesso tanto? Porque é que é tão importante para mim?
Neste momento é porque duas pessoas de quem gosto muito estão a passar por essa provação, e sem perspectivas liquidas de sucesso.
A minha querida Prima Zana e o meu Primo Néné estão a passar um momento muito duro. E sem bem que na minha família tudo sempre se ultrapassou com um sorriso, nesta altura não é bem assim. E eu, como um dos movimentos optimistas, pese embora o “realismo educado” do meu Tio Aprígio, acredito que é possível. Acredito contra todas as expectativas dos médicos que é viável num curto prazo combater o cancro. Quero e tenho que acreditar.
Eu sei que algum dia vou ter de me ir embora e que eles também, mas ainda é cedo. Ainda é demasiado cedo e eu PRECISO  e quero mesmo muito acreditar que os cinquenta por cento da doença adjudicados ao positivismo são reais. E que fazem efectivamente a diferença.
Quero muito, mesmo muito, que eles acreditem que é possível vencer. Quero muito que eles escutem as preces da Prima que lhes diz que não há nada como lutar pela vida, pelo estar junto dos que mais amamos. Quero muito que eles não desistam antes sequer mesmo de estarem cansados.
É preciso muita entrega, muita fé, mesmo que não acreditemos em Deus, muita fé na ciência e que acreditemos que ela vai chegar a tempo de lhes salvar o couro, ou o pêlo, como dizemos em Português. Muita CONFIANÇA de que as coisas e as doenças PODEM correr “bem”!.
Estou cansada de dar alento a quem tanto tem. Por favor, o meu optimismo é realista. Mas nada pode contra o vosso generalizado pessimismo.
Eu recuso-me a acreditar “that this is it”!. Eu preciso de sonhar que quando chegar a minha  vez ou daqueles que amo que vai ser/que é possível ultrapassa-lo.
Pelo amor de Deus ou da Ciência, acreditem.
Acreditem que somos um sortudos pelas oportunidades, ainda que breves, que se nos apresentam. Sejamos mais que realistas, sejamos crentes, no mínino, na Ciência.

Viva a ciência! Viva a investigação!!

Uma em cada dez.

Uma em cada dez mulheres tem/teve/vai ter cancro de mama. A minha avó teve e eu sou candidata por historial de família, e não gosto de pensar nisso, mas esconder a cabeça na areia também não me vai resolver o problema. A realidade é que a quantidade de pessoas que eu conheço que passaram pelo processo é arrepiante.
Há uma taxa de sucesso de cura que ronda os 95%, mas ninguém cura a cicatriz e não há mastectomia que ajude a ultrapassar um processo de quimioterapia ou a rejeição de um companheiro durante o período da doença.
Há vida depois “da morte”, ou seja, com ou sem mama, as pessoas estão cá para viver mais 30 anos se preciso for e é nisso em que elas tentam pensar. Mas há muita dor, que pouca gente compreende. Há dias em que se é forte, outros em que se é mais fraco, mas estas pessoas não têm opção. Porque tal como qualquer amputado têm que se ver ao espelho todos os dias, até ao fim das vidas, e serem fortes.
Um cancro de mama detectado num estado muito inicial pode significar apenas uma cicatriz muito pequena e um grande susto. Se houver falta de sorte, significa a quimio, mas o cabelo renasce.
Um cancro detectado tardiamente é o equivalente a cada uma das cicatrizes que vão poder ver no vídeo.
Pelo amor de Deus sejam conscientes e vão a um médico de medicina interna ou ao ginecologista e peçam-lhe para fazerem um teste de apalpação anual. Reconheçam o valor das mulheres e dos homens que expuseram as suas almas ao posar para o The Scar Project. Abracem a vossa Mãe, a Tia, a Irmã, a Cunhada, a Amiga que teve ou tem cancro de mama e digam-lhe, ponto por ponto, porque é que são bonitas e porque é que as amam.