Eu sei que está tudo histérico porque o Relvas se vai embora (eu inclusive, mas eu cá é como Tomé, ver pra crer. Também achava que o Berlusconi tinha desaparecido do mapa e ó pro animal ressuscitado, num é?), mas eu ando pra escrever este post há três semanas e não há meio de o encaixar.
Eu quero falar sobre o Papa Francisco.
Eu cresci entre hábitos de Padres e Freiras. Colégios dos 6 aos 18 e um Lar de Freiras Teresianas das quais não tenho saudades nenhumas dos 18 aos 22 e ainda frequentei (nunca fiz parte, ah!) a Opus Dei durante anos. Valente curriculum, ah?
E mesmo assim, torcida como sou, ninguém, nenhum deles me conseguiu convencer de nada que eu não achasse razoável. Não vou praqui discutir religião, cada um tem a sua e acredita naquilo que quer. O mais importante é respeitar as ideologias dos outros, principalmente a dos meus amigos (e não são poucos) agnósticos e ateus.
O que eu quero dizer é que vivo a religião católica à minha maneira e sem remorsos ou achar que vou parar ao inferno por não me confessar há mais de 15 anos. Sei os rituais todos, até o Angelus, se gostar do Padre vou à missa, se não gostar não vou. Desde que estou na Holanda que não vou à missa cá e não me faz falta. Quando estou em Portugal vou às necessárias (casamentos e funerais) e acompanho os meus Pais quando lhes dá na telha irem à igreja.
Gostei do que senti quando estive na Igreja Baptista em Nova York, gostei dos Pastores e não me ralei se eles eram do “Porto ou do Benfica”, se eram Mulheres ou Homens, se eram gays ou heterossexuais. Porque aquilo de que eu gosto é do sentimento de bondade do ser humano, de entrega, de amor.
Sendo assim só vou ouvir os Padres de que gosto, e vivo a religião sempre que esta implica partilha de sentimentos, de coração, de momentos, de união, de amor fraterno verdadeiro, que sim, existe.
Na Candeia tive o privilégio de conhecer os Padres e os Seminaristas mais fixes à face da terra, e se tal achei não foi porque eles rezassem muito ou fossem contra o aborto, foi porque são seres humanos magníficos, com um coração do tamanho do mundo, que falaram comigo e com os participantes de modo aberto, carinhoso, amigo, fazendo com que nos sentíssemos abraçados em cada palavra, em cada momento. Fiz amigos Padres, fiz amigos que se converteram em Padres, e um deles é Jesuíta, o Samuel.
Foi ele que me explicou o que é ser Jesuíta (dentro do possível que possa ser explicado em palavras) e que me contou que no fim dos primeiros dois anos de seminário (acho que se chama noviciado), antes de fazer os votos de pobreza, passou uma semana com um amigo prospecto de Padre como ele, prós lados de Tomar, sem um cêntimo no bolso, a terem de pedir às pessoas comida, um tecto, boleia para poderem voltar pra Coimbra onde estavam alojados. Experimentaram na primeira pessoa o que é não ter rigorosamente NADA, o que é a miséria, o que é a pobreza. Já em Braga levou-me a conhecer as instalações onde viviam em comunidade, fui à missa deles (o que eu gostei daquele dia, foi tão bom ouvir as preces deles em roda, numa missa que foi tudo menos comum, ouvi-los a rezar pelas pessoas que amam, sem julgamentos, sem falsa moral), e lanchei lá o que havia, que era o que as pessoas lhes davam. Eles só comem e bebem o que sobra do que a comunidade lhes dá depois de re-distribuirem a comida às pessoas mais necessitadas que lhes pedem ajuda.
E é por isso que venho aqui falar da religião que eu pratico e do Papa Francisco e dizer publicamente que gosto muito do Senhor e que fiquei muito contente por o Papa ser um Jesuíta. Depois do que aprendi sobre os Jesuítas, é fácil entender porque é que ele não é um Padre qualquer, e muito menos um Papa qualquer.
É um homem simples, humano, que tem agora a probabilidade de chegar a mais corações, abraçar mais pessoas, fazer um bem maior e que entende o seu lugar como o de Pastor de uma comunidade imensa que é o mundo católico espalhado pelos 5 continentes. E eu sinto que este Papa é o Padre da minha paróquia, que está próximo, que é alguém com quem se pode falar e imagino-o bem a dar um sermão fabuloso aos miúdos da Candeia e a ser capaz de tocar os corações mais empedernidos.
Não sei se me fiz entender, mas sem discutir aqui com quem é crente ou não, explico que para mim Deus é amor, Deus é ajuda, é coração, é carinho e alegria. E já que se supõe que há-de haver um representante de Deus na terra pra quem dele necessita, então que seja alguém como o Papa Francisco.