O meu Tio Avô é o Patriarca da Família.
Dia 1 de Novembro fará 86 anos…
Quando me perguntam qual a pessoa que mais marcou a minha infância, respondo sempre e sem hesitar: o meu Tio Aprígio!
É meu tio por afinidade, nem sequer sou sangue do sangue dele, mas p’ra mim foi mais que um tio, foi mesmo o meu Avô.
Por motivos antigos da vida, o meu Tio foi quem educou a minha Mãe a partir dos 12 anos, juntamente com mais 4 filhas. As minhas avós faleceram ambas muito cedo (creio que há uns 38 anos atrás!), e o meu avô paterno faleceu quando eu tinha 5 anos, e o materno quando eu tinha 11.
Mesmo assim, a maior proximidade foi sempre com o meu Tio.
Pessoa com personalidade muito forte, conhecido por todos pelo seu mau feitio, impulsividade, mas acima de tudo, pela boa disposição e pela incomensurável generosidade que faz dele um dos personagens mais conhecidos da vila que habita. Pra não falar do nome castiço que tem! Uma espécie de Zé dos Plásticos lá do sítio!
Outro aspecto que o caracterizou sempre, foi a enorme ternura pelos netos e sobrinhos-netos.
As melhores recordações que tenho são duas. Uma de um almoço de família em que nos conseguiu reunir a todos à volta duma mesa, com idades já na altura compreendidas entre os 2 e os 25 anos, a cantar o General Pum-Pum…ai não sabem o que é? General, general pum pum, todos trabalham menos o 1! Cada mão tem um número, e vamos fazendo uma espécie de orquestra, e só toca quem o Maestro (ele) deixar!Eramos 10 🙂
A outra recordação é dos meus…sei lá…praí 6 anos… em que enfiou 6 netos dentro do carro da escola de condução, um carro daqueles antigos com bancos corridos à frente e atrás (quem é que se lembra destes carros?) e com dois volantes ENORMES, um do lado do pendura e outro do condutor, com pedais dos dois lados, e deixou-nos “conduzir” pela estrada de Melgaço city até ao Riacho onde nós “pescavamos” peixinhos com umas iscas manhosas! Conduzimos uns bons 50 metros, ah?!
Iamos à vez! ÒBVIO que ninguém chegava aos pedais e quem mexia o volante era ele, mas nós achavamos que eramos nós, mais não fosse pelos: p’ra direita, direita, DIREITA!!! Pronto! Já foi tudo pra esquerda!
O carro a 10 km hora, e nós histéricos porque SÓ NÓS, dos nossos amigos todos, é que já tinhamos conduzido! Ah?! À maneira! lol
Mais tarde, assim que cada um fez 18 anos, a 1ª coisa que fez foi dar-nos aulas como deve ser, e oferecer-nos a carta de condução a todos.
É possivelmente uma das pessoas por quem tenho mais carinho, com quem mais me identifico nos defeitos e virtudes (não fosse ele escorpião!), e de quem tenho mais saudades.
Hoje houve um almoço de família, e toda a gente se reuniu, só e apenas, porque ele já não nos via todos juntos há muito e … pronto, pelo Tio Aprígio: tudo!
Não pude estar presente, mas o telefone deu p’ra ter um cheirinho do que foi a almoçarada…ai que ódio viver tão longe!
Todos nós temos o que lhe agradecer do fundo do coração, todos o adoramos, e todos queremos que ele continue a conseguir o pedido que faz todos os anos quando sopra as velas: só mais um aninho!

Ah, agora tá explicado porque é que tens carta… “…e oferecer-nos a carta de condução a todos.”
Os crimes que o tio Aprigio cometeu… lol
Oh pa, olha que lá na famelga ninguém conduz mal, mto contrário! :p
O meu querido Tio não tem culpa que a sobrinha seja uma azelha desorientada e não atine com o caminho pra lado nenhum!
E ofereceu, pq as aulas foram à borlix!
Havias de ter tido 7 instrutores como eu tive, todos da família e a berrar coisas diferentes: põe o pé na embraiagem! TIRA o pé da embraiagem! Põe as duas mãos no volante como os ponteiros do relógio! Não te esqueças do retrovisor! Ó primaça, não queres uma almofada pra por debaixo do rabo? Chegas aos pedais, os queres uns calços? HA HA HA! todos piadéticos ainda por cima!
Passar? Ó filha, só se for debaixo da ponte! Sim, pq outra coisa q se trabalha mto em família é a nossa quebra de auto-estima!
Carago, havias de tirar a carta com umas melgas destas que ias ver o que era bom pra tosse!Já não chega a nervoseira, ainda tens os gajos ao teu lado a gozar: ó Sofia, tu bê lá a ribanceira que eu tenho filhos pra criar!