“Piquinina” já eu sou!
Denominada por vários como meia leca, baixinha, pintora de rodapés, e constantemente inquirida por muitos sobre o estado do tempo aí em baixo… piadéticos!!
Mas não é a esse “piquinina” que me refiro, refiro-me a ser criança novamente.
Vá, desperta a criança que há em ti! Sê um g’anda maluco! (tretas que se dizem! Quando se lhes faz a vontade acham que somos parvos e que os fazemos passar vergonhas!)
Não sejas bebé! (mais treta p’ra conseguirem levar avante as parvoíces que se lhes ocorre!)
DEFINAM-SE!
Eu defini-me!
No trabalho, embora queira ser uma moça séria, dado este meu ar jovial de moçoila de 20 anos, e o facto de insistir em não usar fatos (quando uso, levo com o habitual: Hoje até parece uma senhorinha, ah! Piadéticos!!!), mais a minha bela pronúncia nortenha, sou denominada como g’anda maluca sem saber o sequer do porquê de tal afirmação.
Eu sossegada não sou. Tenho um tremendo mau feitio o que me leva a ser arrogante e agressiva, sou simpática e sociável (isto já parece um daqueles anúncios de encontros que saem nos jornais…!), mas sou muito séria no que faço, e, acho eu, competente. Quem não achar, tem bom remédio…mas adiante, o que eu queria dizer, é que sou uma pessoa centrada, responsável, e formiguinha (adjectivo usado por muitos para definir pessoa que trabalha feita estúpida e por míseros trocos).
Em casa a minha Mãe continua a achar que tenho 15 anos, mas acho que isso acontece com a maioria das Mães…eternas crianças da Mamã.
Com os amigos, ora sou uma curtida, ora irmã, ora one of the boys, ora mãezinha que leva o people a casa quando a bebida já superou o limite que o organismo deles consegue aguentar (e irra que demora, ah!).
No meio desta salganhada toda, o que acho mesmo é que, fora a opinião dos amigos, o resto é tudo bullshit mesmo.
De há uns anos pra cá vi-me seca, séria, e chata.
Como não andava muito feliz, decidi ir à procura de mim lá pras bandas de…eh, pa, pra umas bandas quaisquer! E lá fui eu: tralala, tralala, tralala, tralala!
Resumindo: no emprego passei a ser mais séria. Cá fora passei a ser mais eu, porque consegui recuperar a criança que havia em mim, no sentido em que consegui voltar a sentir um bocadinho da inocência perdida, consegui voltar a dar largas à imaginação e sonhar mais e melhor ….. tudo isto deve-se aos “meus meninos”!
Os “meus meninos” são as crianças de casas de acção social que vou animar de 15 em 15 dias (ai que boazinha que ela é! Deixem-se de merdas, eu não faço caridade, eu GOSTO mesmo é de me divertir com os fedelhos), e que vão estar comigo e com mais 21 animadores num campo de férias pra semana, numa terrinha no cú do mundo, num acampamento com direito a latrinas e tudo, tudo, tudo!
É no meio deles que eu volto a imaginar que sou astronauta e estou numa nave no espaço sideral, com montros guardiões de pedras que têm super poderes! Que tenho que saltar ravinas imensas pendurada numa corda que imagino ser a escada da nave e não um cordel pendurado numa árvore.
É com eles que vou brincar aos super-heróis e voar!
É com eles que eu desperto a criança fixe que há em mim, e que me faz ter vontade de ser mais e melhor, e desejar mais e melhor p’ra mim. Porque são puros, são inocentes, são meigos e terroristas, e SONHAM, sonham sem medo!
É com eles que eu vou ser verdadeiramente uma g’anda maluca!
É a eles que dou o melhor de mim, e é deles que recebo em triplo: dores nos músculos(42 putos dos 6 aos 9 anos vão arrebentar com qualquer um!), sorrisos e gargalhadas, choros e birras, carinho e doçura, e muita, muita ternura!
Vivam os “meus meninos”!!!!
E viva eu que tenho a sorte imensa de, por alguns dias, ser aquilo que tantos querem ser e não conseguem porque não sabem, já esqueceram.
Assinado: Andorinha Peter Pan

Ah! Afinal tens andado pela Terra do Nunca, olha eu tenho andado por aí, cheia de trabalho até à boca, mais o espanhol. Resumindo: não tenho tido tempo nem para me coçar. Férias, nem vê-las e trabalho redobrado, pa semana, com o sudoeste.
Quem me dera voltar ao meu estado pueril!!!!
Beijokas Grandes, te echo de menos 😉
🙂 Fico feliz por te “ler” assim… Só espero não te encontrar no emprego…
Beijo grande
Ai! Ai! Ai! Chegou a minha altura de escrever um post-comentário. Desculpa-me amiga, mas amor com amor se paga. 🙂
És pequenina em tamanho mas muito grande em personalidade (muito maior do que algumas pessoas de quem me tens falado) e em coração. O que primeiro gostei em ti, além da tua simpatia, foi pensares pela tua cabeça. Quando via as tuas amigas a pôr cara de seca mas a fazer todas as vontades dos rapazes do vosso grupo e tu, ao invés, a encheres o peito de ar e a declarares muito simplesmente “Não estou para ficar aqui a apanhar seca! Vamos andando que eles sabem onde nos encontrar!” coloquei-te imediatamente lá no alto. Enfim, coluna vertebral precisa-se, personalidade precisa-se, pragmatismo precisa-se e frontalidade, mais que tudo, é indispensável.
Nunca te achei infantil, antes pelo contrário. Sempre foste uma pessoa que demonstrou saber perfeitamente o que queria. É para curtir é para curtir, é para estar sério não brinquem comigo. As regras são estas e quem quiser está, quem não quiser volte quando mudar de idéias.
Será que por uma pessoa ser divertida, falar pelos cotovelos, saber dar umas boas gargalhadas e não ter problemas em desafiar o politicamente correcto, as fronteiras que a nossa educação nos estabelece, só por isso não tem profissionalismo? É graças a essas pessoas que rasgam essas fronteiras que o mundo avança e, sinceramente, não tem nada o cu a ver com as calças. O problema é que as pessoas que não têm essa ousadia, que não compreendem o direito à diferença, seguem o caminho fácil: é maluco(a)! E gozam. Tristes!!!
Nunca trabalhei contigo, não sei se és competente, mas sou testemunha do teu profissionalismo e dedicação.
No fundo vives rodeada de invejosos frustrados por a criança que está dentro de deles estar estrangulada. Mas tu ainda estás a tempo de não a deixar amordaçar! Por isso, tal como me disseste a mim, caga no assunto quanto te disserem algo como “gostamos de sim, assim maluca”.
Quantas pessoas eram capazes de, como acontece entre nós, dizer ao outro o que verdadeiramente pensamos e não o que o outro quer ouvir? Isso é infantilidade? Parece-me antes um sinal de maturidade! E não me estou a gabar porque aprendi a ser assim contigo, por isso tu és a minha mestre!
Eu não vejo uma maluca, vejo uma pessoa que gosta de se divertir, mas que sabe racionalizar e compreender as implicações das coisas, amiudadas (não usei esta palavra como piada fácil, juro!) vezes muito para além dos horizontes de muita gente “atinada”. 🙂 Afinal és de Olhão e jogas no Boavista, não é?
Aproveita as brincadeiras com os miúdos (de quem muitos dos teus críticos de certeza que têm terror e se transformam em pais ausentes ou sargentões), dá o teu melhor a quem o merece (ou seja, quem o sabe apreciar) e deixa os outros tristes na bênção da sua ignorância. É que esses realmente não sabem o que estão a perder. Eu sei o que perderia se deixássemos de ser amigos, por isso sei do que estou a falar.
Assinado: Peter Pan (pois é, há quem me chame isso a mim, carinhosamente!)
Schmeichel… tou mais que babada, tou corada de tanto elogio…
Não me lembrava desse cena em Coimbra…mas sim, essa sou mesmo eu.
Não sei mais o que dizer, senão: muito obrigado, do fundo do coração.
Beijos grandes!!