REVOLTA

Hoje fui ver os “meus meninos”. Voltaram das férias com os…Pais…
Chegaram 5 crianças novas e outros 5 tinham voltado para as casas paternas ou maternas. Fiquei contente pelas que voltaram p’ra casa, e preocupada, e tenho imensas saudades delas, mas sei que estão onde querem estar. Se voltaram também é porque foi avaliado que era viável…
A Instituição promove a re-inserção nas famílias.
Não há nada que aquelas crianças mais anseiem que voltar para o pé da mãe. Geralmente nunca mencionam o Pai. Não quero ser discriminatória, apenas factual. É mesmo assim.
Entram assustados numa casa que chamam colégio, onde encontram mais 20 crianças. Normalmente entram “em pacotes” de irmãos.
Isso dá-lhes um certo apoio, principalmente se o irmão ou irmã são mais velhinhos..10, 12 anos. Neste caso uma tem 2, outra tem 3 e o rapaz tem 6.
Sabem que não podem ver os Pais.
Mas agora expliquem-me: COMO É QUE SE EXPLICA A UMA CRIANÇA DE TRÊS ANOS QUE NÃO VAI PODER VER PAI OU MÃE?

ONDE RAIO ESTÃO OS FILHOS DA PUTA DOS AVÓS, TIOS, PRIMOS, PARENTES DE ALGUMA RAÇA?!?!

FODA-SE!!!

A maior parte são de famílias desfavorecidas, mas outras nota-se que são crianças bem tratadas, classe média!!!

NÃO ENTENDO, NÃO ACEITO, NÃO COMPREENDO!!!

ALGUÉM É CAPAZ DE ME EXPLICAR?! ALGUÉM POR FAVOR?!

A Maria chorou no meu colo, assustadíssima, e espera-a carinho e educação por partes das pessoas DESTA instituição em causa (porque em outras há cada vaca que não há explicação). Mas espera-a a lei da selva: aprender a sobreviver no meio de outras crianças, que de doces passaram a revoltadas por estarem lá enfiadas e sem os Pais. E como revoltadas que são, tornam-se agressivas. E há um ciclo vicioso de destorcimento.
Logo no primeiro dia, antes de jantar, levou um banano doutro que estava ao lado, desatou num pranto silencioso e agarrou-se a mim em fuga. Encostou a cabecinha no meu ombro, agarrou-me com força e chorou.
– Isso é mimo!! É uma mimalha, também! Isso passa-lhe!!
Diz um de 15 anos que ainda lá vive.

– Ouve lá ó palerma, tu com quantos anos entraste praqui?

– Sete, e logo no segundo dia levei duas lambadas e aprendi a defender-me! Deixei-me logo de coisas!

– A Maria tem TRÊS ANOS!! Consegues perceber isso?! TRÊS ANOS! Acabou de chegar e está tão aterrada como tu no primeiro dia. Por isso deixa-te de merdas, e a miúda fica no meu colo até se acalmar.

Vamos lavar as mãozinhas? Pronto, chega aqui, eu ajudo. Tens fome? Sim. Agora vamos pro chão e vens pela minha mão. Linda! Tens aqui a tua cadeirinha. Um beijo.

Eu volto.

FODA-SE!!

5 comments:

  1. Eu compreendo o papel dessas instituições, mas muitas das vezes isso e só uma forma de adiar a resoluçãod e problemas… que com o decruso do tempo apenas se agravam ou se tornam irremediáveis. Temos um Estado em que vigora o principio do corrigir depois, em vez de prevenir ou tentar solucionar, pensando no bem desses inocentes antes e acima de tudo.

  2. Amiga… Nada te posso dizer… também já trabalhei com Crianças em Risco… E não consegui estar lá muito tempo… Não pelas crianças nem pela realidade do dia-a-dia delas… Sim pela falta de acção e da falta de poder educar também as famílias deles… As famílias e o nosso estado que precisa abrir os olhos e ser mais interventivo..

    Mas pronto… deixo só aquele abraço a ti…

  3. e ainda me kerem fazer acreditar em valores , em familia,, merda!!!!!!!!!
    e so tangas !!!!
    egoismo puro , seja familia ou nao.
    mais facilmente uma vizinha fica c uma criança k alguem da familia por isso familia pra mim sou eu e os meus filhos, o resto ….
    doi pra caraças ver isso, doi pra carças lembrar o k essa criança esta a sentir pk eu tb ja o senti.
    continua a ser a “mae” pra eles tdos se conseguires e tiveres coragem , pk doi mto mesmo …
    um beijo grande minha linda

  4. …pausa…ver se a tenção desce…se há coisa que me revolve as entranhas e me faz perder a cabeça por completo, é ver uma criança ser maltratada ou em sofrimento. Já ia andando á pancada na praia, porquê uma “mãe” arrastou a filha, pequenina, pelos cabelos só porquê a pobre da criança não queria vir embora da praia!
    Enfim…para quando quebrar este circulo vicioso de maus pais criarem filhos, que vão ser maus pais…felizmente há excepções!!!
    Luis

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