Recordações de Verão

Quando era miúda fazia férias em Vila Praia de Âncora, essa bela localidade com praias bonitas e familiares e a vizinha Caminha onde a noite fazia estremecer o Minho com pessoas bonitas e bons bares e discotecas. Era o sítio perfeito para adolescentes.
Fiz bons amigos nessa altura, alguns que ainda hoje conservo. Num dos verões apareceu um menino de Lisboa todo pintas, de cabelo comprido, bem vestido, cheirosinho e com um carro que como dizia o meu irmão, era um Opel Corsa com chasis de Ferrari porque o beto tinha substituído tudo o que podia no carro para que fosse uma bomba e não um mero Opel Corsa. Era amigo dos meus primos, e todos os dias faziamos em conjunto o mesmo ritual: de manhã ficavamos por Âncora ou íamos p’ra praia de Afife, almoço em casa com a família que tinha ido à praça buscar peixinho, café nos Verdes Lírios até às 3, praia em Moledo até às 4 e pico, hora em que se levantava (e ainda hoje levanta) uma ventania monumental e fugiamos para a Marginal p’ro momento gelado e lanche. Banhoca em casa, jantarinho, café novamente nos Verdes Lírios e um copo até à uma em Caminha. Quando os Pais dos Primos permitiam e nos conseguíamos livrar do melga do irmão mais novo da minha Prima (que por sinal casou ontem já com 28 anos..tive que deixar de lhe chamar atilho/empecilho, uma pena! Pshhhhh O tempo passa…), esticavamo-nos um bocadinho até ao Alfândega ou à Indústria em Cerveira onde outro Primo tinha a exploração dum dos bares da Disco. Tenho saudades deste ritmo bom, mas já não tenho 17 anos, não é? Pshhh…o tempo passa…
E há um dia em que voltamos de carro com o beto, e eu vim sozinha no carro com o artista e ele põe uma música que mal se conhecia em altos berros no carro, com as colunas a fazer bater o coração, e…nada, o beijo não saiu (na altura ele tinha namorada e as coisas pareciam todas extremamente complicadas como sempre parecem quando somos adolescentes), mas o momento ficou como um dos mais giros da minha adolescência. Ainda hoje me lembro dele quando ouço Hedonism dos Skunk Anansie

Só voltei a ver o dito beto 5 anos mais tarde quando me mudei p’ra Lisboa. Zangamo-nos e não nos falamos durante 7 anos. Assim teria continuado não fosse o caso do dito cujo me aparecer como Cliente num dos meus Projectos na IBM. Quando o projecto acabou deixamos de nos falar outra vez, mas sempre que ouço esta música sou incapaz de não me lembrar da minha adolescência.

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