Não gosto de silêncios. Levei tempo a entender porquê, mas eis a explicação de porque é que eu falo tanto e há alturas em que pura e simplesmente parece que não sei estar calada.
Na minha casa falamos todos muito, eu, o meu Pai, o meu irmão e a minha Mãe. À mesa queremos falar todos ao mesmo tempo. Estes são os momentos altos em família. São o best off na minha casa, aquelas alturas em que todos falamos e rimos ao mesmo tempo.
A minha Mãe é a melhor das Senhoras, mas tem um feitio complicado. E amua. E quando está chateada com alguma coisa não diz o que é que se passa, pura e simplesmente começa a provocar os 3 até conseguir dizer barbaridades suficientes que não rara vez não ficam sem resposta, ficando ela magoada, e amuada.
Quando assim é, há silêncio. Regra geral só se ouve as televisões e nenhum fala.
Silêncio pra mim é sinónimo de que alguém está chateado. Que alguém tem algo a dizer que não disse. É sinónimo de desconforto.
Eu sei que falo até que na cabeça das pessoas parece só ribombar o som da minha voz, e que por tal, chego a ser cansativa. Mas acreditem que nada soa pior que um silêncio meu. Só há 4 alturas em que me calo: quando estou mesmo muito concentrada num trabalho, quando leio um bom livro, quando vejo uma das minhas séries favoritas ou um bom filme, todas estas coisas são boas, excepto quando estou mesmo muito furiosa e chateada. Aí calo-me. Fecho-me. Retiro-me. Porque eu não disparo à toa.
Eu não gosto de silêncios. Silêncio pra mim quer dizer que ou eu magoei alguém, ou alguém me magoou. E não me peçam que fale quando estou em silêncio.

Também não suporto os silêncios, mas como não falo muito, às vezes quase nada, arranjo alguém que fale ou cante por mim. Tenho rádios espalhados pela casa toda. 🙂
Rádio Marginal na net. É uma óptima companhia de silêncios! 😉