Bebés em casa


Eu adoro crianças. No entanto não sei se algum dia serei Mãe. Eu acho que tenho instinto maternal q.b., mas não sou nada de pegar nas crianças, querer trocar fraldas, dar biberão, sopas ou banho. Não digo cuchi cuchi e não aperto as bochechas.
Dito por outras palavras, não ligo puto a recém-nascidos, melhor dito, acho-os uma verdadeira seca. Tenho receio de lhes pegar, não porque lhes possa torcer o pescoço ou amassar a moleirinha, mas porque tenho medo de torcer o pescoço da Mãe ou do Pai que estão em cima de mim como se eu fosse a mais anormal das pessoas.
Deve ser trauma de quando a minha Madrinha deu à luz a Joana. Foi há uns 20 anos atrás, mais ou menos. Não deixava ninguém tocar na moça, ficava completamente histérica e lembro que na altura já tinha eu uns 14 anos e obrigou-me a sentar com 3 almofadas nas costas (eu) para poder segurar na piolha. E parecia um cão de guarda ao meu lado e não me deixava sequer mexer os braços não fosse eu partir a criança que devia ser de loiça.
O certo é que a partir daí, nunca mais gostei de recém-nascidos. Dos meus amigos todos, acho que só fui conhecer ainda recém-nascidos o Vicente e a Sofia (e acho que o Pedro também…), porque vivem em Lisboa e tão ali ao lado, e curto muito os papás. Mesmo assim quando nasceu o Vicente fiz merda: os Pais estiveram uma hora pra adormecer a criança e eu entro no quarto, tá escuro, eu mando uma cacetada na viola do meu amigo e catrapum! Puto acordado.
Sou mesmo boa nisto, não é?
O resto da criançada já os procurei conhecer (é, eu faço um esforço p’ra só aparecer depois) aí pela volta dos 8 mesinhos, em que já gatinham e riem, e começam a ter piada. Vejo as fotos e tal, há uns giros (os das cesarianas porque não fizeram esforço), mas a maioria são feios. Procuro não chocar os Papás e dizer isto assim de frosques, por isso comento a cor do cabelo, o tamanho dos pés ou da cabeça, enfim, não minto, mas também não digo a verdade.
Isto tudo porque um Colega que está na Dinamarca vem a Amsterdão com a mulher e o filho em Julho, e pediu guarida por 3 ou 4 dias.
Eu escrevi a frase, mas depois apaguei, não fui capaz de lha mandar, mas basicamente o que eu queria mesmo dizer-lhe era que não curto crianças tão pequenas, e que não sonho propriamente com acordar com o puto aos berros, pra mais em Dinamarquês, que não se deve perceber um caroço.
Por isso escrevi que só tinha chuveiro em casa e que não tinha banheira cá pro banho do ranhoso.
Agora tou com medo que ele me diga que só lhe dá banho uma vez por semana.

7 comments:

  1. Também sou assim. Não percebo os bebés, e como não sou de cutchi cutchi fico a olhar ou a fazer caretas 😀 é o melhor que se arranja. Já com os meus sobrinhos foi a mesma coisa, comecei a achar-lhes mais graça quando se tornaram "interactivos", ou seja, capazes de comunicar.
    Mas não tenho instinto maternal, zero, nicles. Acho que dava uma péssima mãe. Verdade. cada um dá para o que dá.

  2. Menina o que eu me ri a ler o texto.Geralmente quem gosta mesmo de animais não engraça muito com crianças. No meu caso adoooroooo os meus filhos e gosto muiiiito de animais. Um dia que o relógio biológico acorde e seja mãe vai ver a loucura que é. Nove meses aquela coisinha na nossa barriga e a pouco e pouco somos um só. Quando nasce permanece o laço que nunca quebra. São feitos à nossa semelhança, dão o que recebem, amor.
    A sua madrinha, realmente, nem tenho palavras para a classificar .Beijocas

  3. A tua desculpa do chuveiro é genial!
    Se não colar podes sempre dizer que vives numa zona onde há muitos raptos de bebés ou qualquer coisa assim do género 🙂

  4. Eu tenho um filho com 6 anos. Não estou a comentar numa de “eu sou pai, eu é que sei”, muito pelo contrário, é um mundo novo, sem instruções, e só comento porque causa do que achamos que sabemos “antes”… É mais uma partilha de experiência.

    Antes dele nascer tinha uma data de ideias sobre o que queria e o que sabia, certezas, inseguranças, etc… E o que posso dizer é: não sabemos. Mas surpreendemo-nos, em diferentes sentidos, lol

    Não mudamos, na realidade não mudamos, somos o que sempre fomos, mas perante algo que nos faz parecer diferentes, Às vezes para melhor, outras não. Não sei se faço sentido.

    Por exemplo, eu também nunca fui um super apaixonado por bebés e sempre achei que tinha mais piada quando eles crescessem um pouco. E na verdade não me enganei, tem muito mais piada quando eles começam a fazer mais do que comer e dormir. Mas não trocava nenhum desses primeiros dias, nem de nenhum outro dia.

    Sim, é mais giro quando ele acha que eu sou o maior por saber os nomes dos super-heróis todos (ou quando me pergunta porque é que o super-homem está de pijama e eu não o consigo defender – ao super-homem – em condições, lol), mas há momentos que só existem quando eles pouco mais fazem do que estar ali encostados a nós… e depois há cada dia atrás de outro… 🙂

    Mas como dizia, não mudamos, antes dele nascer só tinha mudado uma fralda uma vez, o que se aprende rápido depois das 100.000 da primeira semana, lol. E tenho saudades disso, mas não saudades ao ponto de, quando estou com um bebé, pedir para mudar a fralda (mas porque é que eu faria isso? lol). Mas conheço quem o faça, sendo que a maior parte dessas pessoas já o fazia antes de ser pai/mãe.

    Sabes, conheço pessoas que afirmam que nunca vão ter filhos, ou não sabem se os vão ter, que me parecem muito mais serenos e mais conscientes do que outros que os têm sem pensar, entenda-se, os que deviam ter pensado, porque na realidade é algo que se faz desde sempre sem pensar e ainda bem.

    Acho que o que quero dizer é que o grande desafio é continuarmos a ser nós próprios, mas mudando, mudando muito, às vezes até para melhor 🙂

    P.S. E se o filho do teu amigo é recém-nascido até lhe podem dar banho no lavatório, por isso começa a limpar a casa, por causa dos amigos, o bebé não vai prestar atenção, lol

    P.S.2 E eu também achava que só os que nascem de cesariana é que tinham aquele ar “não amarrotado”. Não é verdade. Acredita 🙂

    P.S.3 E a I. dava uma óptima mãe. E não digo isto por que acho que ela deva ou não ser mãe, lol. Mas óptimas pessoas costumam dar óptimas mães, só isso 🙂

  5. Um bebé nunca toma banho uma vez por semana. No mínimo um por dia, visto que no verão é necessário mais que um banho por dia.

    Compreendo perfeitamente aquilo que escreves, pois eu também era assim, mas no dia em que assisti ao parto do meu filho, agora com 9 meses, e o colocaram ao meu colo, o sentido da minha vida mudou, tal como a minha vida também, mesmo que se diga o contrário. Digo-te, já não dormi n noites, já não fiz n coisas, mas não há nada no mundo do que, por exemplo, uma gargalhada de um bebé.

  6. Convém dizer uma petit coisinha a meu favor 😀

    Eu tenho a certeza absolutinha que, se tiver um (ou + filhos, nunca se sabe), vou ser uma excelente mãe e vou-me render às fraldas e aos dias com sono, e a tudo.
    Eu não ligo puto a recém-nascidos ou não tenho instinto maternal, entenda-se: com os filhos dos outros! 🙂

    Quanto ao banho semanal, é pq os Pais não são fãs de tomar banho diário…é que na Dinamarca é frio :)))

    Mas entretanto ele já me respondeu, que o puto já se aguenta de pé, logo o chuveiro seria uma opção… eu não disse? :))

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