PRAXE – definição
Eu vou repetir: na Universidade de Coimbra, a PALAVRA PRAXE É SINÓNIMO DE TRADIÇÃO!!
Em Coimbra existe o CÓDIGO DA PRAXE que tem de ser seguido à letra por todos. Contempla retaliações para quem abusar de poder ou não cumprir A TRADIÇÃO.
Quando fui caloira fui pouco praxada no sentido em que a maioria das pessoas conhece o termo. Fui no cortejo da latada, com um penico na cabeça e fui “baptizada” nas águas do Mondego.
Mas não foi disso que eu falei.
Eu falei em: TRADIÇÃO ACADÉMICA!
Eu sei que nunca vão entender, mas podem aprender algo de novo:
E agora aprendam que eu não duro sempre. CULTURA MINHA GENTE, isto é CULTURA!
Capa e Batina
Considera-se que, vestindo Capa e Batina, estão na PRAXE:
1. Os estudantes que cumpram, cumulativamente, os seguintes requisitos:
a) Utilizarem sapatos pretos de estilo clássico sem apliques metálicos e meias pretas;
b) Utilizarem calça preta, com ou sem porta;
c) Utilizarem colete preto não de abas ou cerimónia;
d) Utilizarem Batina que não seja de modelo eclesiástico;
e) Utilizarem camisa branca e lisa, com colarinho de modelo comum, gomado ou não, e com ou sem punhos;
f) Utilizarem gravata preta e lisa;
g) Utilizarem a Capa preta, de uso comum, com ou sem cortes na parte inferior e com ou sem emblemas de pano na parte interior esquerda, quando sobre os ombros;
h) Não é permitido o uso de distintivos na lapela, com excepção do alfinete de curso;
i) Não permitido ter lenço visível no bolso do peito;
j) Todos os botões do colete, das calças e da Batina têm que ser pretos;
k) O bolso posterior da calça, tendo casa, tem de ter botão;
l) A Batina, na parte frontal à altura do tronco deverá ter três botões, devendo ter no topo da lapela, na parte de trás, um pequeno botão com a respectiva casa na lapela oposta, a fim de permitir o fecho da Batina em caso de luto. Deve ainda ter pregados, na parte média posterior, dois botões de tamanho não inferior aos da parte frontal e apresentar em cada uma das mangas de um a quatro botões, mas de modo a que o número destes seja o mesmo num e noutro punho;
m) É proibido o uso de botins ou botas, luvas, pulseiras, brincos, piercings visíveis e outros adereços não expressamente autorizados pelo Conselho de Veteranos;
n) Sobre a cabeça só é autorizado o uso de gorro da PRAXE, o qual não tem borla nem termina em bico;
o) A roupa interior e os bolsos não estão sujeitos a revista;
p) Os emblemas da Capa não podem ser visíveis estando esta traçada ou sobre os ombros;
q) Somente é permitido o uso de emblemas em pano na Capa que serão os da pátria, cidade natal, dos locais relacionados com os actos decorrentes da actividade académica, excluindo os incompatíveis com a Praxe Académica Coimbrã, tais como emblemas de clubes, marcas comerciais ou similares.
2. As estudantes que cumpram, comulativamente, os seguintes requisitos:
a) Utilizarem sapatos pretos, de estilo clássico sem apliques metálicos;
b) Utilizarem meias altas e pretas;
c) Utilizarem fato preto de saia e casaco cintado;
d) Utilizarem saia com macho, com uma mão-travessa acima do joelho, de quem a veste;
e) Utilizarem camisa branca e lisa, com ou sem punhos;
f) Utilizarem gravata preta e lisa;
g) Utilizarem Capa preta, de uso comum, com ou sem cortes na parte inferior e com ou sem emblemas de pano na parte interior esquerda quando sobre os ombros;
h) O tecido das bandas do casaco será o mesmo que o do próprio casaco;
i) A roupa interior e os bolsos não estão sujeitos a revista;
j) É proibido o uso de botins ou botas, luvas, pulseiras, brincos cujo tamanho seja superior ao lóbulo da orelha, piercings visíveis e outros adereços não expressamente autorizados pelo Conselho de Veteranos;
k) Os brincos têm de ser discretos;
l) É proibido o uso de colete;
m) Sobre a cabeça só é autorizado o uso de gorro da PRAXE, o qual não tem borla nem termina em bico;
n) Os emblemas da Capa não podem ser visíveis estando esta traçada ou sobre os ombros;
o) Somente é permitido o uso de emblemas em pano na Capa que serão os da pátria, cidade natal, dos locais relacionados com os actos decorrentes da actividade académica, excluindo os incompatíveis com a Praxe Académica Coimbrã, tais como emblemas de clubes, marcas comerciais ou similares;
3. No uso de Capa e Batina, esta entende-se como um conjunto em todas as situações. Quem a vestir deverá ter condições para cumprir de forma expedita o ponto 1 no caso do sexo masculino e com o ponto 2 no caso do sexo feminino;
4. No uso de Capa e Batina, a Capa e a Batina no caso do sexo masculino e a Capa o casaco no caso do sexo feminino não podem estar separadas por uma distância superior a um braço estendido da pessoa a quem pertencem;
5. No uso da Capa sobre um ombro, esta tem de estar com a gola para a frente.
As raparigas não podem exercer Praxe sobre os rapazes, assim como do mesmo modo não é permitido aos rapazes fazerem Praxe sobre as raparigas.
O uso da Capa e Batina obedece a normas tradicionais. Assim, deve colocar se a Capa caída sobre os ombros na passagem da Porta Férrea, dentro da Sala dos Capelos, nas aulas teóricas em que o professor é catedrático (podendo retirá la com a autorização do professor), em sinal de respeito para com a pessoa com que se está a falar ou a acompanhar, e em sinal de respeito devido ao local onde se está ( igreja, catedral, cerimónia académica,etc.). Nestas ocasiões, deverão os estudantes ter também a batina abotoada. Nas serenatas, todos os estudantes que estejam de Capa e Batina deverão ter a Capa traçada.No caso de luto, deve ter se a Batina abotoada e com as abas fechadas, e a Capa caída sobre os ornbros.
Em certas ocasiões, em que se pretende homenagear alguém académicamente, coloca se lhe uma Capa caída sobre os ombros, e só em casos muito especiais, .se coloca as Capas no chão, totalmente estendidas, para que o homenageado possa passar sobre elas, sendo esta a maior homenagem académica dos estudantes de Coimbra.
O uso da Pasta da Praxe é um ritual próprio da Academia de Coimbra, mais propriamente dos estudantes da Universidade de Coimbra, pois pelo modo como os estudantes a trazem se pode “detectar” qual o ano que frequentam.

Chiça, vou dizer-te, que granda lista de coisas a cumprir! Mas, garanto, está aprendido: praxe coimbrã diferente de praxes. Pronto, não precisas de ficar rouca, mas os calos dos dedos de tanto teclar ninguém te tira…
Vale a pena teclar. E esta lista é uma parte, mas a mais importante e garanto-te que quem estudou em Coimbra sabe estas regras todas. Um altura durante um cortejo da Queima passou por nós uma miúda com um traje com uma saia que parecia um cinto. Não tens noção. Toda a gente olhou pra ela como se tivesse cometido um pecado, e de todos os lados se ouvia: não sabes ler? Então e Código? Ou essa saia desce rápido ou vou eu aí descê-la!
A moça ia agarrada às bordas da saia, a puxá-la pra baixo e só gritava: eu sou de Aveiro! Eu sou de Aveiro!
Mais uma regra: se não trajares como a Academia diz no Código e está estabelecido desde mil e troca o passo, a pessoa que te apanhar em falta tem o direito de te praxar, e neste caso, sim é humilhação. Normalmente a pessoa tem de subir a uma mesa ou cadeira e gritar bem alto: eu sou uma besta porque não sei vestir o traje e respeitar a Academia de Coimbra.
O traje é tradição secular, foi criado há muitos anos para anular discrepâncias entre os alunos. Quando trajados, todos são iguais, não há rico nem pobre, só mais velho ou mais novo, e o mais velho protege e ensina o mais novo, integra-o e ajuda-o a superar a ausência de casa e da família sentida pela primeira vez.
Não se admite de modo algum a falta de respeito por algo que simboliza a Praxe, a Tradição Académica.
E pronto, de momento fico por aqui, acho que já ensinei mto por hoje! 😉
bem…. está uma pessoa dois ou três dias sem vir cuscar o blog e quando cá chega tem uma revolução… Não sei o que te levou a reagires assim, mas acho muito bem.
Acho a maior estupidez do mundo alguém se dar ao trabalho de insultar outra pessoa num blog. Podemos nem sempre concordar, mas isso não quer dizer insultar.
Enfim, quanto à praxe eu tenho opiniões contraditórias: Adorei ser praxada e detestei praxar. Tenho a fama de ser má e os meus colegas utilizavam-me para meter medo aos caloiros e eu geralmente limitava-me a tirá-los das mãos dos que não sabiam praxar.
A praxe, mais do que tradição, é um meio de integração. Ou pode ser, se quem a cumpre a cumprir decentemente. Vesti o meu traje poucas vezes, mas sempre da forma correcta, cumprindo as regras, se bem que na minha faculdade, mini-saias eram o normal…
bjs
Patrícia, sejamos (eu) correctos. Eu insultei-o primeiro porque lhe disse exactamente o que está ali em cima escrito: A Praxe tem que ser espírito de entreajuda, solidariedade e camaradagem, e não servir de protecção a actos de cobardia e de violência barata, executados à sua "sombra" por alguém que só pode ser ignorante sobre o que é a verdadeira PRAXE ACADÉMICA de COIMBRA.
Eu nunca me meti com os trajes das outras universidades, só qdo diziam: é igual ao teu! Então aí era ver-me às bolinhas com o tamanho das saias. Eu e toda a gente. Enfim, já passou 😀 Uma pena, mas já lá vai há mtos anos. Vale-me que foram mto bem vividos e não tenho qq arrependimento! Beijinhos!
E mai nada! 😉
Olha, conheço um blogue, de uns rapazes de Economia (precisamente da FEUC e do nosso tempo), que talvez gostes de visitar.
É sobre as aventuras deles enquanto Estudantes, a vivência da praxe Coimbrã que cumpriam à risca, etc. Embora sejam às vezes um cadito… controversos… (digamos assim) ;)as histórias são giras e quem sabe não conheces alguns deles.
Bjokas 🙂
http://irmandadedassombras.blogspot.com
Eu conheço estes personagens, eram do meu ano. Quer dizer, o Marralheiro é um ano mais velho, mas deve ter levado mais 5 que eu a acabar… e a dita irmandade era um grupo que tava sempre, mas SEMPRE no bar da FEUC a jogar às cartas…
Cumpriam tanto a tradição que acho que não havia trajes mais gastos… um deles acho que em 5 anos, só o vi uma vez "à paisana", e nem o reconheci!! 😉
A miúda dos óculos de sol (na foto da latada) era do meu ano. Não faço a mínima como se chamava, mas só a reconheci pq estava de óculos. Ela estava SEMPRE de óculos de sol, uma cena impressionante.
Bom, tenho q voltar a ler as coisas q eles lá contam pra ver se algum chegou a acabar o curso… :))) Eram boas pessoas, e sim, levavam o código ao milímetro, mas…todos, todos, mas mesmo todos os dias…não sei se me vais perceber, mas era como se eles vivessem numa dimensão há parte…noutra época, eu diria 😀
Obrigada pela partilha 😉
Beijinhos
Sofia, não tendo estudado em Coimbra, mas tendo nascido em Coimbra, o meu momento mais emocionante enquanto estudante foi quando everguei o meu traje Minhoto em plena serenata coimbrã e tracei a minha capa pela primeira vez (não fazes ideia da quantidade de vezes que tive que sair a correr atrás de alguém que me "roubara" o tricórnio). Acho que até surgiu uma lágramazita tal era o orgulho que sentia. Conheço algumas tradições estudantis de coimbra mas conheço ainda melhor as do Minho e sempre as respeitei. Enquanto vice da comissão de praxe do meu ano fiz questão que todas as praxantes conhecessem o código, eu sabia-o de ponta a ponta e sempre fiz questão de o respeitar. O problema das praxes é que existem sempre alguns que acham que o objectivo é gozar com o outro e abusar de um suposto poder que lhe sobe à cabeça. No Minho vi muita coisa com a qual não concordava, à qual eu diria "não" e são esses que destroem e distorcem o sentido da praxe. Generalizar é o mais fácil e eu sinto-me f….ula quando chamam os praxantes de frustados ou praxados de pessoas fracas sem vontade própria. Se a praxe fosse respeitada e feita como é suposto nada destas merdas aconteciam. Por isso, nesse sentido, culpo os praxantes sim, culpo-os porque são o mau exemplo de uma tradição integradora e secular que é tudo menos o que se vê em certas alturas. Pôr a vida ou a integridade física dos praxantes em risco é errado e é punível sendo as regras do código da praxe e de qualquer sociedade. E esses que o fazem devem ser punidos, ponto! Mas, e há sempre um mas, eu concordo com a praxe, fui praxada e praxei, respeitei costumes e tradições, berrei até não ter mais voz, nunca fiz nada obrigada e disse algumas vezes que não. Em suma, diverti-me à grande e isso é o que conta. Beijinhos
(xiça isto ficou bué d'a grande)
Onisa, eu já tinha percebido pelo teu texto no teu blog o que pensavas acerca do assunto. Eu sou um bocadinho (muito) ferrenha relativamente à tradição de Coimbra, e não da praxe de praxar caloiros.
Por um acaso enorme, praticamente não fui praxada, principalmente pq tinha uma madrinha que era uma palerma e uma pateta, e que embora respeitasse o código, só me quis praxar qdo lhe deu jeito e de integração népia.
Pra ser mais exacta, a Ana achou que eu a fazia burra, pq ela estava há 3 anos em Coimbra, e eu em meio tinha mais cadeiras feitas do que ela em 3. Se a miúda veio da Guiné sem bases de matemática pra um curso como o de Economia, que culpa tinha eu? E qdo fui caloira, o que fez foi apresentar-me aos amigos do namorado, que pra minha santa sorte eram do grupo de fados de Coimbra, e uma semana depois tinha uma serenata à séria por baixo das janelas dos lar, como manda a tradição, nesse dia apaixonei-me por Coimbra e pelo Fado e deixei de achar que ir pra lá tinha sido a pior coisa do mundo (eu não fui pra Coimbra por escolha, caiu-me na sopa…). É a única coisa que lhe agradeço, pq nem dos moços fiquei amiga, que a tolinha tinha ciúmes.
Depois fui no cortejo da latada com ela e com as amigas, ia vestida de velha, e por isso e unicamente por isso, tenho o cabelo com farinha ou pó de talco, nao me lembro e tenho fotos a ser baptizada com um penico e comi o nabo ao longo do cortejo, o que hoje, pensando bem nisso, era um autêntico nojo). E a partir do cortejo da latada mandei a gaja catar coquinhos, e sempre que me chamava pra me praxar era pq estava com os azeites, ou pq tinha chumbado a uma cadeira, ou pq tinha problemas com o namorado, e eu tinha bem mais o que fazer que atura-la, principalmente, pq não era divertido.
E quando fui ver o meu irmão a Braga, o caloiro mais famoso do curso dele, vi uma miúda que conheci desde infância completamente histérica, a fazer uma cena que nunca mais me esqueci e que me escandalizou. Estavam a fazer um jogo em que tinham que passar um ovo por dentro das calças, e a pessoa teve tanto jeito que o ovo não rebentou. Ela passou-se e foi lá arrebentar-lhe o ovo no meio das pernas com uma palmada, enquanto gritava como uma condenada, que se ela foi pra casa a cheirar mal que as pessoas nem se aproximavam dela no autocarro, a caloira tinha de ficar no mesmo estado.
Eu não acho graça a isto. Não acho que o facto de alguém ter conseguido superar um jogo difícil, tenha piada qdo o intuito é borrar o caloiro de cima a baixo. Nunca mais falei com ela, aquela não era a E. que eu conhecia.
Sei que há muita gente da UM que vem a Coimbra na primeira Queima, que começa a tradição mais abaixo para continua-la mais acima. Mas tradição é uma coisa, praxe no sentido das praxes aos caloiros, é uma coisa bem diferente. E eu sei que quem põe o pé em ramo verde em Coimbra tá f……, porque os outros que estão ao lado lhe caem em cima (lembro-me duma fulana que passou com uma saia do traje bem curta num dia de cortejo enqto gritava: eu sou de Aveiro! Eu sou de Aveiro! Havia umas dez pessoas a querer-lhe por a saia com o comprimento certo, e não sei como é que ela chegou ao fim do cortejo sem ser praxada (lá está, praxe pra manter a tradição). Em Braga, em Lisboa, no Porto, se não cumprires a tradição há mta gente a passar ao lado.
Tb te digo que fora de coimbra não conheço outra cidade com tanta gente com traje como em Braga e na UM! Mas pronto, voltando ao cerne que isto já vai mtoooooooo longo, eu não acho piada à praxe dos caloiros, o que eu fiz às minhas foi unicamente leva-las no cortejo da latada, e tenho uma foto da minha caloirinha com a cara mais horrorosa ever enqto gritava algo como: naooooooooo! Tudo o que eu fiz de que me orgulho, foi fora do tempo de "praxe caloira".
Cá beijinho!!!
Muitos erros, desde logo sobre a definição de Praxe.
Veja o blogue Notas&Melodias.