Padrões

Daqui

Há uma certa tendência para mantermos determinados padrões, mesmo quando nocivos. É uma espécie de masoquismo incompreensível, mas que achamos altamente justificado porque, afinal, os outros passam pelo mesmo, e é assim que acabamos todos a lamentarmo-nos nos ombros uns dos outros. Por exemplo, eu não tenho preferência por loiros ou morenos, mas sei que costumo encontrar para meus pares pessoas arrogantes, com um elevado nível de auto-confiança. O motivo? Talvez porque eu não goste de gente sem iniciativa ou xoninhas, gosto de pessoas que sabem o que querem e para onde vão. Estas pessoas costumam ter um efeito padrão em mim: encaro-as como desafiantes, e logo “dão-me pica”. O que dá origem a outros comportamentos padrão em mim, como ter alguma dificuldade em desligar-me de assuntos e pessoas e uma capacidade quase inata para fazer tudo ao contrário do que recomendaria a qualquer amigo ou amiga.
A alteração do padrão depende única e exclusivamente da alteração do meu comportamento, e é aqui onde nós insistimos em complicar. Eu sei que tenho que mudar, mas não quero. Agora porra, se passo a vida a levar pancada porque não quero mudar, tenho ou não que ser muito estúpida?
Por isso, é pra mudar, é pra mudar.
Chega de me auto mutilar. Chega de achar que vou ganhar. Chega de considerar um desafio aquilo que não é mais que um padrão que me rompe a racionalidade.
Aprendi a romper padrões há ano e meio, e há cinco anos que gosto mais de mim que de qualquer pessoa. A minha sanidade depende da capacidade de cortar pela raiz, que é como quem diz, pelos tomates. Já eras.

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