E é o saudosismo Português

Eu estava a escrever um comentário, mas achei que deveria era fazer um post.

Deve-se o texto abaixo, ao meu post exaltado (TPM cof cof) sobre a Holanda e o post ponderado da minha querida Tuxa.

Só agora é que vi os comentários ao post dela e ao meu outro post aka comment lá no canto dela, e foi uma boa “conversa”.
E quis responder à I., que não conheço pessoalmente, mas de quem gosto (vá lá a gente saber porquê, são coisas! 😉 ) e com quem vou falar como se ela estivesse ali sentadinha à minha frente, agorinha mesmo!

Eu estou há “pouco” tempo na Holanda (2 anos e meio) e trabalhei 8 anos em Lisboa. Contrariamente a muita gente nos últimos anos e oriundos de várias carreiras, eu não acabei a faculdade e fiquei “sem saídas”. Eu tinha (e tenho) um excelente emprego. Também não emigrei por estar “zangada” com Portugal seja a nível salarial, social ou político.
Eu emigrei por acaso! Juro!
Estava muito bem sentada no meu lugar e deram-me a oportunidade de virar a minha vida do avesso e eu disse: why not?! E cá estou eu.
Nunca comparei Portugal com outros Países, nunca achei que cá fora fosse melhor que no Cantinho. Assumia e assumo os defeitos dos Portugueses e de Portugal e vivia mesmo bem em Lisboa, mesmo com os carros em cima do passeio e os cócós dos cães, com políticos de merda e gente estúpida. E não chegava a casa todos os dias a queixar-me, até porque eu em Lisboa (excepto talvez nos últimos dois anos) chegava a casa às quinhentas todos os dias porque tinha ido fazer Candeia, ou tomar café com uma amiga, tinha almoçado na praia e compensado horas, tinha ido jantar ao bairro, tinha ido …….. tinha ido fazer qualquer coisa que não implicasse croquetes e cervejas e chegar a casa às dez da noite como um andor, e não tinha tempo pra me queixar muito…
A única coisa de que me queixei sempre foi da quantidade de trabalho exorbitante que me iam dando e da vaca da Espanhola que na altura mandava em mim. Mas pronto, coisas básicas, afinal sou Portuguesa, há que reclamar qualquer coisinha senão acham que fui importada!
É claro que a mim não me cortaram o ordenado nem me mudaram o chefe como te fizeram a ti, por isso não tinha coisas de peso pelas quais chegar a casa irritada, excepto, como disse: a falta de tempo pra mim.
Eu não sou de todo masoquista. Vivo onde gosto de viver e tenho um sexto-sentido inimaginável para saber quando é que está na hora de “alçar a caganita” como diz um amigo meu. Que é como quem diz, de me por na alheta, ou em inglês: alçar a caganaite!
Também sei que depois de me habituar à mama (sim, porque é uma mama) de trabalhar de casa e poder ir e vir pro escritório ao sabor que me dá na real gana, voltar a fazer horários Lisboetas me vai custar um nadita. E quando estiver encravada numa fila de carros no Rato, de certeza que me vai sair um “p@ta que pariu, porque é que esta malta não usa binas?!”
Mas é viável, e tudo é possível se eu quiser mesmo. E não abdico de voltar, mas quero fazê-lo quando achar que pessoalmente e profissionalmente posso continuar a “render”. Não me custa voltar a sair tarde se depois de sair puder fazer “cenas”, jantar, sair, viver e continuar a conhecer pessoas que intelectualmente são giras, e que têm conversa, e que gostam de mudar. E não tem de ser de País!
O que me custaria seria sentir que em termos laborais teria andado de cavalo pra burro. Isso é que não. E não estou a falar de financeiramente, porque se eu ganhar 2/3 do que ganho cá, já vivo mais que bem em Portugal.
Para mim Portugal vs Holanda é uma questão de crescimento pessoal e profissional. Nunca me senti limitada nem num lugar nem no outro. Vou aproveitando a maré, e tudo o que for pra crescer é pra apostar. Seja cá, seja na Holanda, seja na Suíça, seja na Austrália! Eu quero é conhecer, quero experimentar, quero … viver. Com o resto, mesmo o menos positivo como os nossos chico-espertos e os piratas simpáticos holandeses, vivo eu bem 🙂

8 comments:

  1. Olha, a mim não me mudaram chefias, mas são coisas que andam aí a acontecer. Falei nas nomeações porque andar a dar jobs aos boys e daqui a dois mesitos o povinho é que vai pagar, e bem, a factura.
    Eu também nunca emigraria por estar zangada com este país, e acho que quem o faz é porque procura melhores condições, principalmente a nível laboral.
    Mas olha que até me doem as vistinhas quando vos leio a contar cenas daí, da europa civilizada. Sinto que estou a viver em Africa ou no Brasil. A sério. Aqui as pessoas não se sentem respeitadas nem valorizadas; e qualquer um que não seja ou se recuse a ser um chico esperto (eu e mais uns quantos) ainda é visto como parvo. E chateia ver o povinho tão imbuído dos mesmos defeitos que aponta aos governantes, e sem mexer uma palha para mudar seja o que for.
    Sabes que mais? Eu nunca teria a vossa coragem de alçar a caganita e ir para fora. Sou atadinha. E ademais, sempre achei que aqui podia fazer parte da solução (utopias!) e contribuir para qualquer coisa melhor. Agora quando vejo antigos colegas da faculdade no pay roll do guberno, com cargos mais que bem pagos, a fazer nem eu percebo bem o quê, e olharem-me de alto porque se acham mesmo muito importantes, olha, pá, fico a pensar se realmente isto tem algum remédio ou se a merda contagia e se pega.
    Ando triste e irritada. Com a falta de civismo, com a apatia, com a falta de sentido de estado e de comunidade; dos de cima e dos de baixo. E às vezes duvido se não teria sido melhor ter tido coragem para dar o mesmo paso que vós. Que, um dia, se voltarem, são capazes de trazer muitas e melhores mais valias que os que ficámos 🙂

  2. A parte engraçada é que, no "comment" que deixei no post da Tuxa, eu queria explicar que a "Europa onde vivo" só é civilizada pq a tal foi e é obrigada. É uma questão cultural, e sabes que mais? Apesar de tudo, mas de tudo mesmo, mesmo apesar dos job for the boys, não troca a cultura deles pela nossa. Acho que os Portugueses são os maiores inimigos deles mesmos, mas também que acredito que é algo que é temporal. Eu explico: qdo vejo o "conta-me como foi" aprendo mto sobre a geração dos meus Pais. Qdo ouço o Markl aprendo sobre a nossa geração, e quando vejo os putos na TV a falar como pedantes com apenas 12 anos, aprendo sobre a geração que vem aí. Comum às 3 é o facto da abertura de mentalidade ser cada vez maior. Sabias que poucos países reciclam como nós? Pouco têm uma qualidade no Ensino Superior superior à nossa? Com mais duas gerações acredito que o empresário bronco, o dito "patrão" vai desaparecendo, até pq tenho amigos q estão à frente das fábricas que os avós deles construiram e vejo bem a diferença.
    Nós temos é complexo de ficar sempre atrás. Tu explica-me pq raio é que um País do tamanho de PT tem TRÊS canais de TV dedicado exclusivamente a notícias? Pra quê?! Porquê?! Ontem vi uma notícia que dizia que nós somos o segundo país com maior clivagem salarial da Europa, logo, somos todos uns miseráveis. Este mês ainda só deram programas sobre voluntariado e sacar dinheiro ao próximo. Oh pa! Porque é que nós temos que ser sempre os maiores inimigos de nós mesmos? Porque é que temos uma falta de governo tão grande? Quem é que deixa que existam TRÊS canais de notícias e UMA empresa de electricidade?!
    Eu acredito no futuro e num futuro para Portugal, a sério. Somos mto mais educados e civilizados do que é apregoado. Temos é um TV de merda. Eu punha um bomba na porcaria da TVI! Cabum!!! Sem ninguém lá dentro! Mas dava cabo daquela estação que é o maior nojo q já criamos. Pronto, já tá, já falei mais do que devia 😀
    Um beijinho grande pra ti!

  3. Essa dos 3 canais de notícias eu também não sei explicar. Tem graça, não tem? Eu não vejo nenhum.
    E sim, há mentalidades que estão a mudar. Eu tenho uma valente picardia com a geração dos meus pais: passam a vida a cobrar-nos que fizeram o 25 de Abril, reformaram-se cedo e com reformas iguais ao último (e mais alto) salário, e ainda se dignam a falar mal de nós! A geração sem garantias, que vai trabalhar até morrer, que paga impostos e contribuições sem ter retorno, que anda ó tio ó tio para arranjar emprego. Qual falta de valores qual quê: conheço gente cheia de valores e valor. Não temos é esperança. E estamops fartos da geração que nos governa e passa a vida a falar do anti fáxismo e não sei o quê. E a geração do Sócrates também, parece que não aprenderam nada.
    Mas sim, é verdade, somos os nossos piores inimigos; mas isso também se deve à eterna indisciplina e ao "eu faço como entendo, as regras não se aplicam neste caso e a mim".

  4. Andorinha linda, tu tens é saudades de vir cá beber uns copos e ser apaparicada pela malta.

    Mas em relação a Portugal, uso sempre este exemplo:

    No coments!

    Estava há dias a falar com um amigo meu nova-iorquino que conhece bem Portugal.

    Dizia-lhe eu à boa maneira do "coitadinho" português:

    Sabes, nós os portugueses somos pobres …

    Esta foi a sua resposta:

    Como podes tu dizer que sois pobres, quando sois capazes de pagar por
    um litro de gasolina, mais do triplo do que pago eu?

    Quando vos dais ao luxo de pagar tarifas de electricidade e de
    telemóvel 80 % mais caras do que nos custam a nós nos EUA?

    Como podes tu dizer que sois pobres quando pagais comissões bancárias
    por serviços e cartas de crédito ao triplo que nós pagamos EUA?

    Ou quando podem pagar por um carro que a mim me custa 12.000 US
    Dólares (8.320 EUROS) e vocês pagam mais de 20.000 EUROS, pelo mesmo
    carro? Podem dar mais de 11.640 EUROS de presente ao vosso governo do
    que nós ao nosso.

    Nós é que somos pobres: por exemplo em New York o Governo Estatal,
    tendo em conta a precária situação financeira dos seus habitantes
    cobra somente 2 % de IVA, mais 4% que é o imposto Federal, isto é 6%,
    nada comparado com os 20% dos ricos que vivem em Portugal. E contentes
    com estes 20%, pagais ainda impostos municipais.

    Além disso, são vocês que têm " impostos de luxo" como são os impostos
    na gasolina e gás, álcool, cigarros, cerveja, vinhos etc, que faz com
    que esses produtos cheguem em certos casos até certos a 300 % do valor
    original., e outros como imposto sobre a renda, impostos nos salários,
    impostos sobre automóveis novos, sobre bens pessoais, sobre bens das
    empresas, de circulação automóvel.

    Um Banco privado vai à falência e vocês que não têm nada com isso
    pagam, outro, uma espécie de casino, o vosso Banco Privado quebra, e
    vocês protegem-no com o dinheiro que enviam para o Estado. E vocês
    pagam ao vosso Governador do Banco de Portugal, um vencimento anual
    que é quase 3 vezes mais que o do Governador do Banco Federal dos
    EUA…

    Um país que é capaz de cobrar o Imposto sobre Ganhos por adiantado e
    Bens pessoais mediante retenções, necessariamente tem de nadar na
    abundância, porque considera que os negócios da nação e de todos os
    seus habitantes sempre terão ganhos apesar dos assaltos, do saque
    fiscal, da corrupção dos seus governantes e autarcas. Um país capaz de
    pagar salários irreais aos seus funcionários de estado e da iniciativa
    privada.

    Os pobres somos nós, os que vivemos nos USA e que não pagamos impostos
    sobre a renda se ganhamos menos de 3.000 dólares ao mês por pessoa,
    isto é mais ou menos os vossos 2.080 €uros. Vocês podem pagar impostos
    do lixo, sobre o consumo da água, do gás e electricidade. Aí pagam
    segurança privada nos Bancos, urbanizações, municipais, enquanto nós
    como somos pobres nos conformamos com a segurança pública.

    Vocês enviam os filhos para colégios privados, enquanto nós aqui nos
    EUA as escolas públicas emprestam os livros aos nossos filhos prevendo
    que não os podemos comprar.

    Vocês não são pobres, gastam é muito mal o vosso dinheiro.

    Vocês, portugueses ou são uns estúpidos ou uns mansos."

  5. Em 2007 (ai caracinhas, há tanto tempo) escrevi sobre as razoes pelas quais saí de Portugal
    ( http://historiainterminavel.blogspot.com/2007/03/propsito-de-um-comentrio-que-recebi.html) e continuo a rever-me em tudo. As razoes porque saí e as razoes pelas quais nao tenho planos imediatos de regresso. Como a Andorinha, aliciem-me com a oportunidade certa e eu faco as minhas malinhas em menos de nada.

    Sinceramente, acho que nos falta em Portugal 2 coisas essenciais: Uma classe política forte e realmente interessada no bem comum e controlo decente. Políticas bem pensadas, no curto, médio e longo prazo. Políticas tendo em vista o amanha e os próximos 50 anos. E bons mecanismos de controlo para combater o chico-espertismo. Apertar na fiscalizacao e dar-lhe forte e feio nas multas. No cócó do cao, no carro no passeio, no imposto que nao se pagou. Claro que nao ia resolver os problemas todos, ia ajudar e bem. Se as pessoas achassem que o que pagavam de impostos era bem empregue e houvesse verdadeiras consequencias para quem nao cumpre, vista e sentida por todos, muito mudava em pouco tempo.

    (e ponderada só as vezes, cara Andorinha, que o sangue ferve-me por dentro tanto quanto a ti)

  6. I., não vês nenhum dos 3 pq não tens uma Mãe pessimista e alarmista em casa. Eu lá em cima desviei-me do assunto (a culpa é do meu ódio fidagal à TVI!), o que eu queria dizer é que muito do que acontece em termos de expectativas (e esperança como tu disseste) dos consumidores deve-se a notícias falaciosas como: o país com maior clivagem social! Como se fossemos uma espécie de Brasil. Já se sabe que há muita gente a ganhar o salário mínimo nacional e outros a ganharem 100 euros cada meia hora! Se está certo? Não está. É novidade? Não. Como é que se vai mudar isto? Melhorando as finanças do Estado. Como é que estas sobem? Eu diria que com mecanismos de fiscalização mais apertados, como disse a Tuxa. Agora, será que é preciso vir deixar as pessoas continuamente com medo de gastar dinheiro em pão, em roupa, em comida, em serviços, por toda a gente a falar da criiiiise, só pq não se tem assunto pro jornal? Dasse, vão encher pneus pá!

  7. @ Blue, nós gastamos mto mal o nosso dinheiro pq somos uma cambada de "cagões". O Feudalismo em Portugal ainda existe, sabes? E a comparação contínua, e como disse antes: a galinha da vizinha é mais gorda que a minha!

  8. Ai Tuxa, que a sério…a parte da política até ferve, que eu nunca fui de ligar a política e ultimamente (já antes de cá estar) só me apetece corrê-los ao bofardo! A última é mudar a lei laboral tal como fizeram na Holanda, pra "flexibilizar" o mercado de trabalho. Ou seja, conseguir-se despedir a malta com 3 meses de indemnização. Que boa falta faz a mta gente! A gaita é que na Holanda nao havia recibos verdes, e não há chefes a despedir malta e a deixar o trabalho todo em cima de um só preto. Pra mais, já se sabe no que vai dar, não é? E acabarem com a merda dos recibos verdes através duma fiscalização de trabalho como deve ser?!?! Isso é que era criar emprego!
    A sério, tou a ficar mal disposta, e hoje é sexta, e ainda tou naquela altura do mês e aí é que tu pareces ponderada ao pé de mim! 😀
    Beijos! Saudades 🙂

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