Eu sou geração Messenger (em vez de à rasca). Sou da geração em que o contacto já não se perdia com a mudança de casa, que mais de 50% dos meus amigos usavam o MSN para poder continuar em contacto fosse em que País fosse. Sou da geração do MIRC e dos chats nas Universidades. Sou duma geração que usa e abusa dos chats, e sem abreviaturas.
Sou então da “equipa” de amores insuflados por emoticons, bonequinhos que abraçam, que mandam beijos.
Sou também da geração dos blogs, depositando alter egos, pretensões ou corações partidos e consertados em linhas que dão a ilusão a quem lê que nos conhece.
Agora sou da geração do Facebook, em que a vida de tanta gente se explana ali dando-nos a sensação de que estamos mais perto quando afinal de contas estamos a quatro mil kilómetros de distância.
Esta sensação de proximidade falsa construiu emoções que se julgaram sentimentos. Pessoas que se dizem apaixonadas por pessoas com quem falam diariamente via chat mas que vêem duas vezes por mês. Relações que em vez de terminarem se arrastam e prolongam em grandes discussões escritas. Porque eu disse-lhe e ele respondeu-me, porque nós falamos na net e ele afinal até pensou melhor e afinal o miúdo pode ficar comigo às quintas. Porque eu lhe telefonei todos os dias, e mandei um sms logo de manhã, e outro ao meio-dia e outro à tarde, e o das boas-noites. Mas viste-a? Estiveste com ela? Tenho uma vida super ocupada, mesmo complicada, “consegui” tomar café com ela há 15 dias, mas ultimamente não tem dado. Mas eu tenho falado com ela todos os dias, sabes, e gosto mesmo de falar com ela.
Agora veio a moda dos likes de FB: mas ela foi ver as minhas fotos todas e fez like daquela onde estava a minha ex. e deixou um comentário meiguinho. E eu pus lá as fotos que tirei no dia anterior a pensar nela.
Mas viste-a? Falaste com ela? Eu moro no Porto, ela está em Castelo Branco, é longe, só dá pra nos vermos uma vez por mês.
Mas estou tão apaixonado(a). Eu gosto mesmo dele(a). Mesmo.
Quando fechas os olhos vês o quê? A cara dele(a) ou o nick?
Mas tu nem o (a) conheces!!!
Eu não consigo deixar de falar com ele (a).
Este falar, este gostar, este sentir é falso. Nós falamos para um écran e dizemos coisas que nem acordados diríamos. Partilhamos, dizemos e acredito que sentimos. Só não construímos. Mas temos a ideia de que nos sentimos menos sozinhos.
Para mim que vivo fora, a distância é capaz de morder e destruir devagarinho relações, por isso agarro-me com unhas e dentes à Internet que me aproxima daqueles de quem tenho tantas saudades e com quem quero manter contacto. Tenho o blog, vou ao Facebook ver o que eles andam a fazer, e tenho três chats diferentes instalados e ligados em permanência.
É difícil não entrar na onda das relações empoladas com os ex-namorados que estão nestes meios todos. Já fui uma especialista em ter ideias e relações com o écran. Era tudo forte e sentido até ao momento em que me reencontrava com a pessoa e qual castelo de cartas montado no ar, tudo se esfumava. Ou o que era pior, ver que do outro lado não havia o sentimento que eu tinha impregnado nos smiles que ele me mandou. E somos tantos a fazer o mesmo. A procrastinar finais, a adiar o inadiável e a manter estas relações verdadeiramente frágeis só porque nos queremos sentir menos sozinhos. Temos relações com nós próprios e como não somos tolinhos, recusamos-nos a aceitar que nunca houve uma relação a sério, então fazemos a loucura e metemo-nos no carro ou no avião e vamos ter com a pessoa. Vês? Vês? Dizemos aos amigos, eu estive lá com ele (a) e foi giro, foi romântico e foi mesmo como quando falamos na net. E o tempo vai passando, e de repente passou ano e meio, e eu tive uma relação fantástica com um portátil e gastei novecentos euros em bilhetes de avião e gasolina e portagens e afinal o gajo é um cabrão e afinal a gaja gosta doutro. Como é que me posso ter enganado tanto?!
E é assim que muitas amigas minhas andam. Miúdas tão giras, tão porreiras e tão enganadas.

Em Castelo Branco estou eu e de facto demasiado longe para criar pela net algo mais do que umas amizades simples de desabafos intermitentes e piadas ocasionais. Um escape. Mas sincero. Mas ainda sou dos que acreditam que pode dar mais, mas só se fisicamente se estiver pertinho, tipo "estamos aqui a falar…, bora lá ali à esquina tomar uma café e…" Assim acredito.
Eu sou da mesmo geração mas não consigo ter esse tipo de relação com o ecrã. Se bem que às vezes ficou louca com as multiplas interpretações que uma simples frase, escrita, pode ter (as tais do msn, do facebook e afins). Mas nada, mas nada substitui um café, uma conversa, cara a cara.
beijos
Pat
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Concordo plenamente com o Diogo.
Também sou dessa geração também já cai nesse erro mas não acho que seja impossivel, até porque tenho grandes amigos ainda hoje que calhei a conhecer no Irc.
Teria sido praticamente impossivel conhece-los de outra maneira.
Se não houver um contacto visual é muito facil sermos mal interpretados através deste meio, eu já fui uma boa quantidade de vezes, até aqui.
Só para dizer que não gostei deste teu comentário: "Ponham-se finos meninos! "
Afinal de contas, o ecrã tem dois lados, e não é tipo o espelho mágico da bruxa da branca de neve e os 7 anões.
De um lado há um rapaz e do outro há uma menina! (ou as vezes alguém que diz ser uma menina :P)
Mas percebo o que se diz sobre a geração mIRC e a geração MSN e a geração facebook… e a geração telemóveis, que quando te esqueces dele em casa parece que o mundo vai acabar pois poderá ser naquele tempo que estas sem ele que o mundo vai acabar e tu não serás informada.
Acho que damos demasiada importância à comunicação, que nos esquecemos das coisas mais importantes.
E para isso deixo este exemplo:
http://deolhonomundo1.blogspot.com/2011/02/idosa-encontrada-morta-ha-8-anos-na-sua.html
8 anos alguém morto e ninguém repara!
@Diogo, nem sempre é fácil ter disponibilidade pro café ou outras combinações. O que não é saudável é ter uma relação com um écran. e acreditar nela. Possível ou impossível não é a questão. Se funciona a longo prazo é que é o cerne.
@Pat, mto verdade.
@João, podemos até conhecer pessoas via net, mas o abraço que me é dado por quem me conhece não tem nada a ver com a simpatia cibernáutica. Pra te dar um exemplo prático, há anos q lia o blog da Luna e nunca sequer me passou pela cabeça conhece-la. Qdo ela veio pra cá, convidei-a pra tomar um café e POR ACASO, ficamos amigas. E há mais exemplos, mas só houve a dita amizade depois de conhecer as pessoas. Eu gosto imenso da Patrícia (q comentou acima) mas não a conheço. O achar q é uma pessoa fixe não faz com que ela seja minha amiga.Se as pessoas não se conhecem, é claro q podem ser mal interpretadas, óbvio. E as pessoas não se conhecem por falar em chats e blogs e FBs e afins. As pessoas conhecem-se cara a cara, e com momentos comuns vividos.
@Blue, tu sabes o que eu quero dizer com isto, falo de malta que se mete em relações à distância e que acha que é possível. Note-se q nao falo de casais q estao separados por motivos profissionais, ou pessoais, falo de pessoas q nao se conhecem, q se conheceram por breves momentos, por ex, numa festa, e depois mantém o contacto via net e acha que cria uma relação por continuar via chats e tal, e com umas visitas ocasionais ao País, que assim se faz uma relação. Eu acho que não.
Os gajos mantêm paleio pela net, seja por FB ou por Messenger ou o camandro, apenas para comer gajas!
Se dizem que mantêm a relação é pq estão a mentir e andam a comer outras às escondidas.
Se as gajas realmente acham que a relação é mais do que sexo ocasional, andam mesmo enganadas.
Mas tb há gajas que fazem o mesmo que gajos, dizem que têm ma relação à distância mas aproveitam a boa vida na mesma…
Querida Andorinha,
este texto está tão, mas tão bom. Não lhe mudava nem uma vírgula. Nunca tinha pensado desta forma nessa realidade ilusória que a net ajuda a criar, que nós, muitas vezes, alimentamos. Mas, de facto, assim é, sem tirar nem pôr. Obrigada por este ponto de vista tão límpido e esclarecedor! 🙂 Bjnhs
@Bakano, a sério, o que te vale é que já és casado, senao sempre queria ver quem te pegava! 😀 As coisas não são tão preto e branco pa! Tu lembra-te que a tua mulher está a kms de distancia!
@Zozo, obrigada :)) a net é de facto um bom meio "alimentício". É preciso ter mais juizo agora que antes! beijos