Bad memories eraser doesn’t mean let the bye gones be bye gones


Tenho uma certa dificuldade em perdoar. Assumo-me infelizmente como uma pessoa rancorosa. Não que daí advenha nada de bom, mas sinceramente ultrapassa-me. Não desejo mal a ninguém, mas nunca mais esqueço.
Acima de tudo tenho muita dificuldade em ignorar ou esquecer que me magoaram, faltaram ao respeito ou à consideração. Porque eu sou correcta com os outros, logo espero que o sejam comigo.
Faço as coisas que faço de coração, raramente deixo que retribuam ou cobro. Se dou alguma coisa de mim, é porque quero, não é porque queira propriamente que me tragam rebuçados ou chouriços e vinho. Nem sequer sou muito boa a receber coisas dos outros. 

O que sim peço em troca, e isso para mim é pedra base, é que as pessoas tenham princípios e valores que para mim são fundamentais como a honestidade, a sinceridade e a frontalidade. E nunca jamais me deixem plantada à vossa espera. É morte súbita no meu caderninho. Juntem-lhe respeito e consideração e cumprir a palavra dada. É tudo o que exijo aos outros. 
Enquanto eu penso que isto não seja nada de extraordinário, gente há por aí que pensa que estas características e acções são algo que não se “oferece” assim “à toa”. Estão não só errados, como fora do meu âmbito de acção, que é como quem diz: não servem para ser meus amigos.
Às vezes levo um certo tempo a “tirar as medidas” a algumas pessoas e falho em ver que não são boas para mim. O diabo é quando eu acabo de as medir e as atiro fora. Primeiro que elas compreendam que não tem volta leva o seu tempo. Porque afinal de contas, a Sofia é tão boa pessoa que vai desculpar, perdoar, e aquilo foi só um disparate. Wrong.
Primeiro porque eu geralmente só as elimino ao fim da terceira metedura de pata (à terceira é de vez, diz o ditado e com muita razão). Depois porque o ser boa pessoa não faz de mim otária e passível de ser usada a bel prazer de outrém. Terceiro porque a Sofia não é perfeita e muito menos está aqui de “perna aberta” à espera que metam a mão na consciência ou cresçam e apareçam para entenderem o que fizeram de errado (muito embora eu tenha explicado).
E isto é indistinto para homens ou mulheres. Não se aplica só aos ex-coisa nenhuma ou aos ex-namorados, aplica-se também às amigas.
Antigamente dava-me ao trabalho de “treinar” as pessoas a serem minhas amigas. Até porque, embora não pareça, eu não sou fácil de aturar. Falo muito, e isso cansa. Por isso, atendendo a que tinham paciência para mim, eu tinha paciência com os outros e lá ia dizendo: olha que comigo não funciona bem assim, é mais pra esquerda (ou pra direita, conforme o caso), inúmeras vezes. E assim foi, até que entendi, chegada aos 30 (idade maravilhosa), que nem as amigas, os amigos, nem os ex-namorados se “treinam”. Ou as pessoas têm princípios semelhantes aos nossos, ou não vale a pena sequer o esforço. E quem tem valores semelhantes aos meus sabe-me mandar calar com jeitinho, e assim “colecciono” amigos e gente de quem gosto muito e que gosta de mim. E decidi então que à terceira seria de vez. Para mostrar que não sou assim tão torcida como isso (mesmo sendo escorpião), decidi que dou 3 oportunidades, e que se falham a terceira, straussss: ficam fora do meu círculo. Curiosamente, a quantidade de gente que não me faz falta nenhuma cresceu imenso. Mas a quantidade de gente válida e correcta que conheci antes e depois disso supera-os largamente. E são esses que contam.

13 comments:

  1. nem tu imaginas bem como este post calhou bem…estou precisamente com este dilema!Delete ou nao?
    Sabes, sou conhecida no trabalho por ter "southern temper", quer dizer que refilo,que digo o que tenho a dizer, mas ao contrario de ti,nao guardo rancor (as vezes,seria bom…no sentido em que nao me esquecia!, mas tb dou o que tenho e o que nao tenho!enfim,sou genuina..nao encaixo com tudo nem todos,tb ja aprendi que nao quero nem tem de ser!
    Mas de facto, acho que desta vez me enganei (hoje em dia este engano so acontece raramente!)pensei que existiam valores e principios semelhantes, e agora constato que cuspir no prato onde comeram e muito feio e provavelmente razao para eu nao voltar atras…enfim, e a vidinha!

  2. Olha miúda, digo-te mais até. Há mtos anos que não me enganava, até pq as pessoas que conheci antes de vir pra cá eram na sua grande maioria da Candeia. E na Candeia aprendi a acreditar novamente que há gente boa e com princípios e valores e que não me devia contentar com menos. Tb aprendi que não sou uma ave rara, que há mais por aí, tal como tu, que eu sei que tu és das boas. Como tal "fechei os olhos" pq me desabituei a ter de os ter mais abertos. Afinal era tudo boa gente! Mas às vezes há quem não mereça. Leva o seu tempo a percebermos, mas não tenhas medo de fazer o delete. É que se hoje não está "alinhada com a tua maneira de ser", no futuro também não vai estar. E já não temos idade pra conhecer pessoas só pra "encher chouriços". Beijos grandes, e acredita que o Southern temper é mto bom.

  3. mas sabes, eu tb dou oportunidades,se calhar mais do que 3! Mas tb desde que vim para aqui, nao fiz amizades tao intensas e verdadeiras como as que tenho em Lisboa…essas sim, sao as minhas pessoas! Sao as minhas amigas de uma vida, sao as minhas referencias!sao as quem estao,mesmo nao estando!
    Se calhar tenho de aprender que as novas amizades nesta idade nao sao como as amizades de uma vida!
    Tirando isso, o delete esta por um fio…mas eu acredito nas pessoas, e isso as vezes, pesa-me um bocado mais na minha decisao!

  4. Olá olá,
    Não acho que as coisas sejam assim tão lineares.
    Ou melhor, para mim não são. Por norma não sou capaz de "não perdoar". às vezes acho que devia ser. Seria mais fácil para mim não ser. Mas também tenho defeitos e às vezes preciso que me perdoem. E por isso acabo por perdoar. E isso por vezes magoa-me bastante.
    Mas compreendo-te. Oh se te compreendo.
    Beijocas

  5. Lua, continuo contigo por email 😉

    Pat, não saber perdoar é uma m@da. Eu q o diga. Eu tenho paletes de defeitos, mas acho q sou "bem-formada". Eu relevo defeitos (e muitos) dos outros e eles os meus, mas falta de formacao, nem eles me devem relevar a mim, nem eu lhes relevo. Sou mto radical nesta area. 😉

  6. Olá.
    Sou uma seguidora muito recente. Cheguei aqui de link em link (não me perguntes que não faço ideia de onde surgiram) mas por aqui parei pois achei imensa piada ao teu blogue e o facto de termos imenso em comum. Também eu sou uma 'emigranta' portuguesa, há 1 ano e meio aqui nesta terra das túlipas. Para além disso, também tenho um blogue a tentar descrever essa experiência (ênfase no tentar) e há uns 2 dias também fiz um post sobre este mesmo tema. E por todas essas coincidências, decidi escrever-te (que até não sou nada de participar em blogues que não conheço).
    Mae eu estou contigo, partilho a tua opinião. People suck! Pelos vistos tens tido mais sorte que eu. O que me dá esperança, quer dizer que afinal ainda há pessoas de jeito a vaguear por entre os mortais. Pode ser que um dia esbarre com alguns desses espécimes…
    Continua a escrever com essa tua boa disposição que consegues muito bem transmitir! 🙂

  7. Ola tsf, obrigada pelo comentario, e mais vale tarde q nunca: sejas bem-vinda as tulipas! 😉
    Nao e' so' o meu blog q e' bem disposto, aqui a Je nao disfarca e e' realmente bem disposta, ate pq sou daquelas chatas q ve sempre o bright side of life. O certo e' que os primeiros dois anos, ano e meio nao sao faceis, seja em q Pais for, porque se comeca do zero. E como em qq momento da vida fazer bons amigos leva o seu tempo. Mas como disse, o balanco e' sempre positivo. Fiz mais bons amigos na Holanda q aqueles que perdi, mas de facto o recomecar do zero leva a algumas desilusoes, o q acontece sempre q te expoes, que e' o q naturalmente acontece qdo mudas de Pais e estas mais sozinha.
    Tambem acontece q os anos vao passando e vou ficando mais velha, e, quisas, mais sabia ;))) ou seja, embora nao seja a primeira vez q desapareco da vida de alguem, so de ha 2 anos pra ca e' q aprendi a fechar de modo estanque capitulos da minha vida e acima de tudo assumi perante mim mesma q nao so era o melhor para mim, como q o facto de o fazer nao fazia de mim uma ma pessoa. Se posso melhorar? Posso com certeza. E' mau guardar rancor? Podes ter a certeza q sim. Nao seria melhor eu aprender a perdoar? Eh pa, obvio, mas depois de 32 anos de convivencia comigo mesma cheguei a brilhante conclusao que so estou a fazer o trajecto para evitar q a aguia coma o coelho, pq eu sou mto toto, e permito q pessoas q nao merecem abusem de mim e da minha boa vontade e coracao. E nao e' estar praqui cheia de "ai pq eu sou tao boazinha", isto nao e' uma questao de ego, embora possa parecer. E' uma questao de sobrevivencia, pq qdo fui toda paz e perdao a minha auto-estima reduziu-se a pedacos e eu levei 4 anos a recupera-la e a recuperar a crenca na bondade do ser humano.
    Eh pa e eu ACREDITO NA BONDADE DO SER HUMANO, pq vi durante anos na Candeia q efectivamente ha pessoas mto boas. E nao so'. Como a Lua de Algodao q comentou, e a Patricia (q nao me conhece e q e' um amor comigo) e como tantas outras pessoas q conheco e q merecem cada dente do sorrisobq lhes possa abrir. Por ter feito Candeia tantos anos tb te posso dizer q tb acredito q ha pessoas intrinsecamente mas e loucas.
    Por ter visto tanto e saber o q acontece se puser em causa os meus principios e valores, nao admito mais bullshits nem ao Menino Jesus. E isso aconteceria caso eu vivesse aqui ou na China 🙂 Em todas as nacionalidades ha pessoas boas e menos boas. Nao sei os motivos q te levaram a tua decisao, mas se forem iguais aos meus, vira a pagina e um dia destes vemo-nos ai numa festa de certeza 🙂
    (ah, e aqui acontecem-me coisas todos os dias q eu pensava serem altamente extraordinarias ate ter lido o "Com os Holandeses" do J. Rentes de Carvalho. Pelos vistos todos os Tugas pensam o mesmo dos nossos anfitroes :))) recomendo-te mtoooo o livro, uma beijoca e ate breve!)

  8. Andorinha,
    Assino por baixo neste teu texto. Também tenho dificuldade em perdoar, talvez seja por partilhar-mos o mesmo signo. Eu parto sempre do princípio que todas as pessoas são bem intencionadas até me fazerem alguma (o que seja). A partir desse momento posso fazer o pino e o Diabo a sete que vai ser muito difícil apagar aquela recordação da minha memória. A coisa nunca vai ser como antes. Eu chamo-lhe mecanismo de sobrevivência. É a viding…

  9. Já eu, sou uma patinha que nem imaginas. Faço delete com muito esforço, mas não resisto a alguém com cara de cachorrinho abandonado, ainda que não arrependido, e lá estendo a mãozinha para uma festa e até dou uma malga de sopa. Burra com todas as letras. Nasci para ficar pendurada, não percebo nada de pessoas.

    E tu NUNCA poderias ser minha amiga! Uma chouriça até mandava, mas falar muito? E depois, quando é que me ouvias? 😀

  10. I. não há olhos de cachorrinho que me demovam depois de eu ter tomado uma decisão, e olha que já os vi. Pior que isso é olhos de sofredor. Olham pra mim como se eu os tivesse magoado até ao âmago, isto pq o silêncio tb magoa. Não deixa de ser verdade 🙂 Mas eu cedo aos olhares da minha Petzi :)))todos! Sou uma tótó daquelas q dá comida da mesa aos cães 😀
    Sabes, tu ainda não me conheceste a mim e à Luna juntas, que nessa altura tens de arranjar um daqueles coisinhos de xadrez pro plimmmm! 😀 E por inacreditável q pareça, mesmo falando tanto, tenho montes de amigos q me ligam pra desabafar, pq eu lá mtooooo no fundo, até ouço 😉
    (a sério que ouço, eu sei estar calada. Ás vezes :D)
    E pelas almas não me mandem mais chouriços que o meu frigorífico parece um talho 😀

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