Obrigada Tolan.
Na verdade quando se tem uma Mãe cabeleireira e um Pai bancário que conhecem mais de meia cidade, é complicado ser-se tímido. “Dá um beijinho à Senhora!” “Não cumprimentas?” Eram e são as minhas frases mais odiadas, que com 34 ou 4 os meus Pais continuam a fazer as mesmas fitas e deixam-me pior que estragada. O que é certo é que desde sempre que lido com estranhos. O que eles pensavam de mim….ora isso é que já não sei quando é que deixou bem de me interessar. Excepto na adolescência, essa fase odienda em que estamos sempre preocupados com o que os outros pensam de nós, acho que nunca me preocupei muito. O facto de usar bata no Colégio também ajudou bastante a sentir-me mais “uniforme”. Por outro lado era uma bola de gorda e chamavam-me buxa e o meu irmão (tão querido) chamava-me baleia. E isso é óbvio que mexia com as minhas inseguranças, mas não me impediam de comer, logo se calhar não me interessava muito o que pensavam e interessava-me mais o que franguinho estufado com batatas fritas da minha Mãe…
Se bem que… agora que penso nisso, acho que só me passei a borrifar (pra não dizer outra coisa) do alto pro que os outros pensam aí por volta dos trinta. Essa idade maravilhosa e mágica que dá (à maioria) das mulheres uma série de certezas sobre elas próprias. O facto de ter aprendido a saltar para o meio duma roda de adolescentes a fazer figurinhas de ursa e parva também ajudou muito. Até porque eles acham que eu sou uma grande maluca e esse ponto de vista fez-me ser melhor pessoa, logo mais confiante.
O curso de Clown fez maravilhas por mim e foi na mesma altura.
Como diz o Tolan e muito bem, a melhor coisa para a timidez é a maturidade.
Se bem que …. como nunca fui muito tímida, será que se pode dizer que sou madura há muito tempo? Acho que não.

Engraçado, o meu irmão também me chamava baleia. Irmãos mais velhos são lixados!!!
(Tímida nunca mas nunca fui, embora tivesse milhares de complexos e de inseguranças, fosse gozada por metade da escola e ignorada pela outra metade. Nunca percebi como é que isso aconteceu, mas teria todas as razões para ser bicho-do-mato e não era. Expunha-me ao ponto do ridículo.) Sou uma contradição com pernas.
Por acaso és mesmo. Porque tu não és tímida. Mas és reservada p'a cacete.
E ainda hoje não te imagino vestida à freak 😉
Sou!?
Quando lá fores a casa, mostro-te umas fotos. No comments. Olha, se calhar vem daí o meu trauma com fotos.
És muito reservada sim senhora. És como um bolo com camadas. Mas primeiro que se chegue lá ao miolo fofinho…olha que não é fácil. Mas vale muito a pena!
Eu tenho uma grande amiga espanhola que é loira e pintava o cabelo com acobreado e aquilo ficava laranja florescente. Os Pais dela recusavam-se a tirar-lhe fotografias, até pq o resto da roupa era verde e amarelo florescente também, tudo muito garrido. Também teve uma altura de cabelo cor-de-rosa. E não tem traumas de fotos, vês?
Eu quero mto ver essas fotos aí em casa, assim como adorava ver as do meu colega inglês na sua fase punk com as unhas pintadas de preto e maquilhagem, devem ser pérolas!
O teu trauma com fotos só existe pq nunca queres aparecer e sai tudo tremido!
Usar bata ajudou-te? Eu tb usei bata no colégio e odiei. Nunca fui timida, sempre fui tagarela mas o que ajudou a ignorar a opinião dos outros (que muitas vezes me incomodaram, confesso) foi o mau feitio que tenho. E sempre, mas sempre me achei gordinha (mas isso é porque tenho espelhos em casa) mas não tenho coragem para fazer dieta. Um vida a folhas de alface deixavam-me demasiado infeliz e eu acho sempre que o objectivo da vida é ser feliz. Mas tens razão quando dizes que os trinta nos dão outro género de liberdade. E odeio fotos. Prefiro tirar fotos aos outros…
Mas eu detestava a bata! Todos detestavamos. Era dia de festa qdo não tinhamos de a usar. Também era nesses dias que me sentia mais buxa, ou mais mal vestida (a minha Mãe não me deixava vestir o que eu queria, só o que ela queria, e os gostos dela são mto opostos aos meus. TODOS os dias eram uma guerra pra eu sair de casa vestida como eu queria, foi assim até eu ir pra Faculdade, acreditas?) O certo é que eu me sentia sempre fora de lugar sem bata pq, pra te dar um exemplo, usava meias brancas daquelas meias rendadas até ao joelho, pq era moda EM ESPANHA e a minha Mãe achava que eu devia andar assim… não interessava se a moda dos espanhóis tinha a ver com os uniformes deles que ainda hoje têm saia às pregas e meias até ao joelho.
Daí a bata ser uma benção pra mim muitas vezes.
Se te sentes bem como estás, não faças dietas. Mas faz uma alimentação saudável. Ainda hoje tenho amigos (e irmão) que me chamam coisas mimosas como lontrinha ou foca. Ao que eu agora respondo: .!.
Eu gosto muito de fotos, mas é raro que me consigam apanhar numa espontânea e que corra bem. Chatice! 😉
Meia branca pelo joelho é um "must". Não há fotos?
Percebo-te e realmente a bata uniformizava as coisas. Mas eu nunca tive problemas com mamãe porque sempre vivi fora de casa e era eu quem decidia o que vestir todos os dias (e ignorava as roupas de que não gostava). Por outro lado nunca fui muito vaidosa pelo que umas calças de ganga e uma t-shirt foram e ainda são) a minha escolha preferida. Mas lembro-me de ter ido de mini-saia 1 vez e ter sido gozada pela minha melhor amiga que fez questão que toda a gente olhasse para mim assim que entrei pela porta. 🙂
Há fotos pois. E tb há fotos minhas com meiinha branca pé de gesso e toda de vermelho, até o mocassim amarelo… piroooooooso. Ai os 80's!
A cena nao era ser saia (btw, rica melhor amiga, ah!), era usar calças com elástico que era pra me servirem caso eu engordasse mais e pq ela achava que era mais bonitas pq faziam um fole e na ideia dela achava q me faziam cintura. A sério, a minha Mãe e eu é todo um caso de anos e anos de cabeçada e sobre quem pode mais, se eu, se ela. O meu Pai ficava doido todos os dias de manhã. Ficou mto aliviado qdo fui pra faculdade, e quando passei 6 meses em casa passados uns anos (pq estava a fazer um projecto no norte) disse-me: ainda bem que o projecto acabou, senão eu ia-te pedir pra dizeres à IBM pra te pagar um hotel que eu já não tenho idade pra isto 😀
Feitiozinhos de merda, o dela (mais!!) e o meu, é no que dá. Até a porcaria dos sapatos ela queria escolher! Ai no dia em que eu passei a ganhar dinheiro…foi carta de alforria!
E os trinta trazem muitas outras coisas boas 😉
Muitas muitas! Adoro ter 30! (e picos :D)