Eu não sei como se tem um date, não sei fazer parte de um.
Reajo muito mal (mecanismo de defesa em alerta máximo) quando alguém que eu mal conheço se mostra interessado em mim e tenta marcar um date.
Sendo simpática, dou um certo ar de louca e atabalhoadamente corro com as pessoas, tentando ser smooth. Nem sempre consigo a parte do “de levezinho”, mas é mais que certo que ponho a milhas em questão de minutos um candidato com grande potencial. Sou toda uma expert.
Depois sou péssima porque fico cheia de pena do dito candidato, porque afinal há que dar valor ao facto de ele ter tido coragem de me telefonar, mas nem assim.
Ontem telefonou-me um rapaz que conheci num jantar há duas semanas. Muito simpático, um verdadeiro amor. Pediu o meu número delicadamente aos meus amigos, e pra azar dele, disse-lhes que tinha gostado imenso de mim. Quando dei por ela estava tudo armado para o colocar em posição de míssil, que é como quem diz, convidado para festas de amigos comuns, o meu número de telefone entregue, tudo com muito boa vontade dos meus amigos que estão mortinhos por me ver andar com alguém que preste.
A gaita é que eu fico logo arcada como os gatos e começo a bufar e andar às arrecuas. Detesto estas situações.
Eu sei que é bom moço, eu sei que conversamos ao jantar e que foi fixe, mas e que tal deixarem-me estar sossegadinha no meu canto?
O rapaz lá reuniu as suas forças e telefonou-me ontem. Galo do caraças, estava de saída e apanhou-me num momento em que eu precisava basicamente de voar em cima da bina. Ora eu não sei conduzir a bicicleta e falar ao telemóvel, por isso despachei o moço que ficou de ligar hoje.
E hoje voltou a ligar. À minha pergunta: so, how can I help you? depois de um longo silêncio ouvi um “I don’t know where nor how to start saying this”. Entrei em pânico. Vinha de lá um convite, e havia que evitá-lo.
Comecei a falar normalmente sobre coisas banais como o fim de semana e lá dei corda ao rapaz que me foi contando mais um bocado da vida dele durante 20 minutos. Quando comecei a ver o relógio a passar começar a ficar verde. Any minute now!
E vai daí e digo-lhe muito rapidamente que vou ter que desligar porque ainda não jantei nem tomei banho e que hoje ainda não tinha feito outra coisa que matraquear (tudo verdade) e que lhe ligava um dia destes (EU ligava, nota bem!) pra combinar um copo.
O desgraçado nem percebeu bem o que tinha acontecido. Num momento estava a falar comigo muito bem, e no seguinte eu estava a despachá-lo.
Ficou super encavacado e disse que esperaria, que sim senhora, e bye bye.
E eu hei-de telefonar. Não sei quando, talvez quando achar que o entusiasmo já lhe passou e que podemos ser amigos.
A merda é que um date é um momento em que conheces alguém melhor. Fazes amigos, porque não? But I can’t date.
Eu faço amigos num ápice no sítio mais inóspito, não preciso de um date. Porque raio é que hei-de precisar de um pra fazer amigos? Ou o que é pior, pra arranjar um namorado?
Naaaah, não me parece.
Por último, é preciso estar-se preparado para se querer uma relação. E eu não estou. Nem sei se quero estar. Ou se vou estar.
Tenho a certeza absoluta que o meu amigo novo vai fazer uma rapariga muito feliz. Just not me.
(e agora tenho que parar de me auto- flagelar por ter andado com tantos atrasados mentais e ter despachado sempre boas pessoas. Shit happens, and you know it.)

Aqui esta' outra (eu) girl who couldn't/can't date. E o pior de tudo e' se amigos me dizem algo do genero "ele achou-te graca" ou "tenho um amigo que era ideal para ti" … erro!!! big alert, erro!!! e' que arrasam imediata & irremediavelmente qualquer possibilidade de espontaneidade. Para resultar, comigo, tem que ser "espontaneo" … conhecemo-nos, vamos estando juntos por isto ou por aquilo entre amigos comuns ou actividades partilhadas … e, nesse tempo (que pode ser muito variavel) a coisa ou evolui ou nao evolui … agora, ca' regras e procedimentos e enquadramentos (vulgo, dates), na, comigo tambem nao vai … acho que esta maneira de ver/viver a questao dos namoros/dates deve ser inerente 'a forma como a nossa geracao cresceu, no Pais/cultura em que cresceu (Portugal, Norte de Portugal…) … e', deve ser da nacionalidade e/ou da idade … ;D
Bjos, o' girl 🙂
Have fun!
Bom dia
o que eu já me ri com o teu post :).
Oh mulher, tu pensas demais. Se é um date, se é apenas um copo, se é um jantar… Who cares???? é um jantar não um compromisso para a vida (e até esses têm prazo de validade). Faz apenas o que te apetecer (e nada de entrar em pânico).
beijocas
Não é the girl who couldn´t date, é mais the girl who wouldn´t date!!! Tens uma sorte do caraças, porque eu estou a 2000kms senão dava-te tanto nessa cabeça que só para não me ouvires mais ias, no mínimo, beber um café com ele.
Vamos por partes:
Sinapse – disseram-me algo como "ficou mto impressionado contigo". Achou-te graça é outro big alert pra mim, e concordo mais que plenamente: espontâneo é bom!
Patrícia – eu sou o tipo de gaja que entra numa loja, experimenta 3 pares de calças e traz um pq a vendedora, coitada, teve trabalho. Tu não sabes o quão facilmente persuadida eu posso ser.
Tuxa – Eu vou beber café com ele na boa, mas não é com o rapaz completamente atrapalhado a tentar impressionar-me. No way. No dates. Como disse a Sinopse, espontaneidade é fixe. Não me dês na cabeça que é pior, e aí é que eu me ponho mesmo a milhenas.
(e a Raquel já me deu na mona q.b.)
Ai andorinha desnorteada e complicada. Deixa-me que te diga uma coisa: Nunca estarás preparada e quando menos esperas estás num Date e não dás por nada. Eu andei assim cerca de tres meses e bem me avisaram que estava num Date e não sabia e olha que sem esperar, sem estar preparada … Tauuuuu 😉
DONT STRESSATE 🙂
Miss, também já andei em dates e sem saber! :))) Mas sem saber, até vai. Sabendo é que nem pensar!
Beijinhos!
Epa! E se desligasses o cérebro só um bocadinho???
Já aprendeste a fazer isso? Então tá na hora de me ensinares. Se ainda não sabes: pshhhhhhhhhhhh, cala-te!
Isso também me acontece muito. Mas se tenho essa reacção foi porque ou não houve mesmo "click" nenhum, ou então até podia, mas apanhou-me de surpresa e não houve "preparação mental". 🙂
De qualquer das formas, acho que aqui em Portugal não há tanto a formalidade de um "date" mesmo a sério, é tudo mais na base da espontaneidade e deixar as coisas rolar (enfim, somos assim em tudo.)
Exactamente Zôzô. O que fica a pairar na minha mente sempre que isto me acontece é que eu vivo noutro País…as regras são deles. Ou então estou limitada ao Tuga na Holanda, que nem sempre é a melhor escolha. Enfim…
É pá… Essa situação dos ditos "Dates" é tramada. Só o próprio nome deixa-me furiosa e pressionada. Digo-te o melhor "date" que até agora tive, foi sem saber, ao lado de uma daquelas máquinas de comida, em que eu estava, tipo égua, aos coices à cuja dita por me ter encravado o meu bolicao e a dizer muitas asneiras ao mesmo tempo. Já era hora do jantar e estava tudo fechado e eu, ainda a meio de uma experiência, faminta como um cão abandonado, cai-me aquele cara de anjo vindo do além mais próximo e me ajudou a dar coices ainda mais fortes e saciou-me a fome. Esse cara de anjo, passou a um grande amigo e depois, só por acaso, tornou-se meu namorado até hoje (vá não quero gabar isto…). Love happens when you least expect.
Zoot, ADOREI!!