Agora vou ali fazer a mala pro “Bietname” e já “bolto”
O tempo passa lentamente
Eu tinha 25 anos, tu tinhas 24. Putos parvos a brincar aos crescidos, encontramo-nos em Londres. Faz esta semana 12 anos. E quando fizer 20, será que me vou lembrar? Correu tudo mal, mas mesmo assim foi memorável. Levei a maior tampa do século e mesmo assim nunca te odiei, nunca te quis mal. It was the beginning of a beautiful frienship.
E eu nunca mais voltei a Londres.
Por muita paulada que lhes demos
há ex-s que insistem em re-aparecer, quais mortos vivos, vindos do nada.
Curiosamente despertam em mim a mesma irritação do antigamente em menos de 15 minutos.
Lembro-me imediatamente porque é que “os pûs a parir” como dizem os Espanhóis.
Neste momento, not kidding, tenho 3 em 3 chats diferentes.
Dai-me paciencia Christ!
Eu sou tão boa pessoa, why is Karma such a bitch to me today?
Renascer das cinzas
Hoje acordei com uma boa disposição que há muito que não abundava. Dormi que nem um bébé. Sabem quando acordam e o vosso corpo está completamente relaxado e nem apetece sair das mantas porque parece que se está a flutuar numa nuvem? Há taaaanto tempo que isto não me acontecia.
Se calhar foi dos 500 kilos que trazia às costas (ou na mente) que me saíram de cima, mas certamente que foi porque pela primeira vez em muito tempo voltei a ser coerente comigo mesma e com aquilo em que acredito ser o melhor pra mim. E sinto-me muito bem, mesmo muito bem.
Eu bem disse que o meu anjo da guarda me aparece pra me dar nota que o meu renascimento estava pra breve. E assim foi.
Pra rematar está um sol radioso lá fora e não me canso de repetir: tenho os melhores amigos do mundo.
Life is good.
A anja
A anja é a otária que fica a aturar as desgraças e míserias do Ex no whatsapp desde as onze da noite até à uma da manhã quando está a morrer de sono.
É que sequer ao menos me estivesse a bater o coro pra voltar, mas não! Não senhores! Está a desabafar sobre o seu último desgosto amoroso (que eu previ que ia falhar há mais de seis meses) e tudo se resume a: EGO. E pila.
Seriously guys, eu sei que vocês são muito mais que isto, mas pra próxima que precisarem do peniquinho de ouvido da ex mais mau feitio do mundo, façam-no só um booooooooooooooocadinho mais cedo, pode ser?
Ah, e by the way, eu jamais voltaria pra qualquer um de vocês anyway, mas uma massagenzita ao ego aqui da menina também é fofinho….eeerrrrhhh….não? 😉
O porquê pode estar aqui
O meu maior empecilho com o sexo oposto sou eu mesma.
Os juízos de valores que lhes faço à partida e rapidamente em duas ou três frases soltas os denoto, conoto e etiqueto.
Revejo-lhes as virtudes e os defeitos, associo-os em caixas e canso-me tão depressa quanto me entusiasmo.
Se ao menos eu já me tivesse enganado nalgum deles…
Pronto, eu chibo-me
Só quem é gaja e vive na Holanda é que sabe o difícil que é:
1) encontrar um Holandês charmoso
2) encontrar um Holandês que não seja frio e com medo do toque meigo
3) encontrar um Holandês que nos convide a nós pra sair em vez de esperar que nós gajas demos o primeiro passo.
As culturas são diferentes e o modo de flirtar, conviver, conquistar, até o “levar pra cama” são completamente diferentes.
Em Portugal não temos a cultura do “date”. Vamos tomar um café, com amigos, ou até sozinhos, mas não é um DATE. É um café! É um copo! É uma cena normalíssima à qual se segue muitas vezes umas horas com mais amigos que encontramos pelo caminho e de repente temos “um amigo” e tasse bem.
Pois é. Aqui não funciona assim. Faz-se tudo só a dois, no chamado date. E é um stress. Pra mim pelo menos é um stress! Porque se fui tomar café com alguém ou um copo e passado duas horas já não o posso ouvir não tenho por onde fugir! Em Portugal tinha uma técnica excelente que era mandar uns sms discretos e indagar onde andavam os meus amigos e juntar-me à barda e de certeza que o “chatinho” acabava por engraçar com alguma das minhas amigas, ou passar o resto da noite a falar com um amigo, e pelo menos eu salvava a minha saída! Pronto, eu admito, despachava diplomaticamente a pessoa! E depois era adeusinho, tenho que ir indo, tu apanhas um taxi, certo?
AQUI NÃO É ASSIM!! Até porque se faço algo semelhante, assim que sugiro: vamos ter com uns amigos meus? O date fica com umas trombas do tamanho dum camião e decide bazar pra nunca mais o ver e por-me literalmente um traço em cima. Ora isto tem o mesmo resultado final, vá. O que acontece é que há dias em que se está em dia não, mas já se combinou o copo ou jantar e vai-se na mesma, e até a outra pessoa pode estar em dia não e acabamos por ter uma primeira impressão errada e não ter uma segunda hipótese para recompor a coisa.
Vá, vou simplificar: eu falo com toda a gente, até com as paredes, mas não tenho empatia imediata (embora todos pensem que sim porque finjo bem) com mais de 50% das pessoas que conheço. Sou muito mais reservada do que aparento, além disso tenho uma capacidade horrível e descomunal de descortinar as pessoas em pouco tempo de conversa. Têm que ter em atenção que vivi 4 anos num lar de freiras a aturar 60 gajas de cada vez, que aturei mais de 300 miúdos na Candeia e mais de 80 animadores, que sou amiga de elementos de duas tunas com mais de 50 gajos cada, que viajei durante 6 anos com grupos de 40 pessoas, e vivi em mais de 4 cidades e 3 Países. Eu conheço gente “como merda”, passo a expressão e embora todas elas sejam diferentes, há uma certa tipificação (ou julgamento, as you wish) que se pode fazer assim logo às primeiras. E eu nestas coisas (agora até tenho medo de dizer isto que o homem anda xéxé) sou tipo Cavaco Silva: nunca me engano e raramente tenho dúvidas!
A Tuxa pode comprovar o que vou dizer pra que vejam que isto não é arrogância, é mesmo verdadinha. Em Kuala Lumpur entramos no metro e conhecemos 4 Portugueses que andam a dar a volta ao mundo. Ah e tal, de onde vem, pra onde vêm, qual a vossa rota, já foram aqui e ali, sim, não, blablabla e há um que diz: nós andamos a viajar há 5 meses e vamos viajar mais 4. E outro diz: fala por ti que eu só vou viajar mais 3, e tal e tal. E nisto há um que diz: sim, porque não somos filhos de Pais ricos. E eu: sim senhora, sorrio, eles saem do metro e digo eu à Tuxa: aposto contigo que daqueles 4 dois deles têm um apelido de metro e meio, com duplo L e apelidos estrangeiros daqueles à betinho Português. E disse as idades e o como tal vez se tivessem conhecido os 4 e tal, fiz uma data de conclusões e só tenho pena não os ter voltado a ver porque teria acertado mais de metade.
Pois foi só chegar ao hotel, ir ao blogue deles e POW!! Limpinho! Dois deles (os que eu disse) tinham os ditos apelidos compostos, cheios de nomes de “aristocracia” Tuga.
Pronto, está dado o exemplo. Eu conheço malta à légua, até porque trabalho com centenas de pessoas e interajo com centenas de pessoas.
O que não quer dizer que seja a melhor “people-person” do mundo, mas normalmente consigo analisar uma pessoa em meia dúzia de passos, é um dos meus passatempos.
Isto é lixado quando se chega à vertente gajos. Às vezes engano-me, já me aldrabaram e bem! Mas normalmente ao fim de 3 ou 4 dias já os “cheirei” e é simples.
Os Holandeses é por aí também, até porque há a vertente cultural que os tipifica e me ajuda a dar umas boas gargalhadas quando conheço um ou outro. E isto só funciona quando eles têm um enorme sentido de humor. E digam o que disserem dos Holandeses, a maioria tem um sentido de humor fantástico e são muito auto-críticos e aceitam-se assim, e brincam com eles próprios e por isso, dizia eu, quando encontro um Holandês e percebo que ele me achou piada já sei que ele vai:
1) querer um date
2) não vai ter coragem pra me convidar
3) que vai querer ir jantar às 6 da tarde
4) um tempo único e isolado de N horas só pra me conhecer e vice-versa.
5) e normalmente vai ser muito awkward!
Pois eu, finalmente, ao fim de MUITO tempo, encontrei um Holandês giro, com charme e que finalmente me ajudou porque vai ser ele a marcar um date, (espero eu!) já que eu sou uma enconada-mor e não consigo, pura e simplesmente não consigo chegar ao pé dum gajo e dizer: bora lá beber copos, ou jantar ou …
Gostava de poder mudar de opinião relativamente ao que é/pode ser um date à Holandesa, e essencialmente, mudar de opinião relativamente ao que vai ser um date com um Holandês.
Principalmente e acima de tudo porque me enchi do chico esperto Português, o engatatão de trazer por casa, o superficial, o pintas que acha sempre que me leva na pandeireta com duas de treta e que depois de levar a tampa pensa: pera lá, esta gaja é das difíceis, dá pica, vou continuar a insistir. Já não há pachorra. Porque continuam a ser superficiais. Continuam a ser básicos. Por muito bonitos e muita piada que tenham. Chega.
Também me enchi do mega-geek técnico enconado (não interessa a nacionalidade) , mesmo quando têm alguma pinta e tal, e pra geek até se safa, mas que é tão control-freak, tão medricas, tão “oh eu sou bom é com máquinas” e que me acham imensa piada mas que não têm salzinho nenhum e me aborrecem ao fim de 20 minutos.
Pronto, agora que já casquei em todos os tipos de gajos já perceberam porque é que estou solteira! :))))
A mim vão ter que me apanhar completamente desprevenida, se me derem tempo pra pensar, já foram. Tem que ser algo “vapt, vupt”!! Gosto de estar contigo, sem complicações de dates e não dates, de copos ou sem copos, um amigo, uma coisa que seja FÁCIL, EASY! DIVERTIDA! Venha ele!
Vamos fazer limpeza
Vamos fazer limpeza, mas geral
e vamos deitar fora as coisas todas
que não nos servem para nada, essas
coisas que não usamos já e essas
que nada fazem mais que apanhar pó,
as que evitamos encontrar porquanto
nos trazem as lembranças mais amargas,
as que nos fazem mal, enchem espaço
ou não quisemos nunca ter por perto.
vamos fazer limpeza, mas geral,
talvez melhor ainda uma mudança
que nos permita abandonar as coisas
sem sequer lhes tocar, sem nos sujarmos,
que fiquem onde sempre têm estado;
vamos embora só nós, vida minha,
para voltar a acumular de novo.
Ou vamos deitar fogo ao que nos cerca
e ficarmos em paz com essa imagem
do braseiro do mundo face aos olhos
e com o coração desabitado.
Amalia Bautista
Foi-me enviado pela Vera que encontra estas pérolas e tem a bondade de as partilhar.
Cada um à sua maneira, hoje a minha limpeza começou por fora, mas revela-se por dentro. Foi feita ao limpar tudo o que tinha pendente, algumas coisas há mais de 6 meses.
Tenho finalmente as encomendas enviadas, as contas tratadas, os cães brincaram uma hora no parque, terminei trabalho que tinha pendente e pra finalizar fui ao IKEA e trouxe não só umas molduras como também um berbequim e iniciei-me nas bricolages. Correu-me bem. A minha casa é cada vez mais o espelho da minha vida, acima de tudo dos meus amigos e das minhas viagens. Quando isto estiver composto volto a postar umas fotos. Estou satisfeita. Emoldurei finalmente quadros que já tinha comprado há mais de dois anos.
Para quem não sabe, a ansiedade é gerada muitas vezes pela procrastinação, acto no qual sou especialista e que tento contrariar ao máximo. Sempre que coloco coisas no lugar, coloco a minha mente no lugar também e sinto-me bem melhor.
Amanhã, depois do ginásio que se tornou já obrigatório, vou fazer questão de colocar o resto no lugar e orgulhar-me das minhas decisões e da minha vida que se reflete nas paredes da minha casa e relembrar-me constantemente do afortunada que sou e não das que me faltam.
Morrer pra renascer, é assim que sei fazer. E faço o melhor que posso e sei.
Pra ser ainda mais clara pro caso de quem tenha ficado com dúvidas e correndo o caso de ser a blogger mais arrogante do planeta.
Pra ser mais clara, um tipo com a minha idade raramente ganha mais que eu, raramente viajou mais que eu, raramente não é casado, divorciado e cheio de problemas e afins às costas (coisa com a qual não tenho afinidade), raramente tem as possibilidades de mudar de País, cidade, emprego que eu tenho, e raramente, mas mesmo muito raramente tem a mesma capacidade de renascer das cinzas se for preciso todos os dias, que eu tenho. E isso, pra qualquer homem, por muito pouco machista que seja, é fodido.
É um complexo de falta de pedalada, de estaleca, de força, de experiência de vida, de capacidade de decisão, de valores, de personalidade.
Há dias assim
Em que se tem conversas que nos fazem repensar a nossa evolução. Sinto que me desenvolvi emocionalmente e profissionalmente de um modo, talvez, desmesurado, mas certamente coadjuvante com a minha idade e com a minha experiência de vida.
O certo é que, salvo raras excepções, me sinto anos luz à frente de tanta gente que dou comigo a ser mestre de quem não quero. Ou melhor dito, eu não faço questão de orientar ninguém na vida, mas tenho sempre a mania de ter uma opinião e de acabar por dar conselhos. Uns pedidos, outros não. E sei, porque mo disseram, que ajudei muito boa gente a elevar-se a um novo patamar na forma como encaram a vida. Nunca o fiz propositadamente, pura e simplesmente aconteceu.
Nada disto é encarado como uma desvantagem uma vez que já me valeu muitos e bons amigos e amizades genuínas. Algumas com pessoas que raramente vejo mas por quem nutro um carinho enorme e que sei que me têm outro tanto numa dimensão tão grandiosa que por vezes me custa acreditar até que é real. Afinal não me lembro de ter feito assim tanto, de os ter apoiado, ajudado a esse ponto. O certo é que sou bruta que nem uma porta, digo tudo o que penso, tenho o coração na boca e falo demais. E quando quem está do outro lado me aceita dessa forma, me ouve, me entende, melhora: ganho um amigo.
No entanto, a nível sentimental é uma valentíssima merda.
Acontece-me frequentemente conhecer alguém que me interessa e dar comigo a sentir, pensar, reviver uma vida inteira à frente deles. Dizem-me (muito) frequentemente que os homens me têm medo. Sou tão independente, tenho uma personalidade tão forte, sei tão bem o que quero e o que não quero que não sentem que possam acrescentar mais à minha pessoa. E sentem-se inseguros perante mim. Sentem que não me vão conseguir acompanhar e vão-se embora antes que eu os ponha a andar. Não sou uma criatura submissa. Uso a arrogância para me defender de quem se aproxima. Ficam aqueles que compreendem e vêm mais do que o evidente. Mas aqueles que o fazem, aqueles que me vêm, compreendem-me como um ser tão mais forte, e quisás, tão mais evoluído que eles, tão a anos luz do ponto em que se encontram…também se vão. Escolhem alguém diferente, mais calma, menos acelerado, menos desenrascado, alguém que lhes mostre que precisa deles para ir comprar um simples vaso de flores. A minha capacidade de decisão espontânea e eficaz (nem sempre necessariamente eficiente), as minhas ideias tão concretas e tão definidas servem como “aulas de vida” que em seguida abandonam, como se abandona um ginásio ao fim de dois meses. É too much. Sou too much.
Pior que isso é notar e saber que efectivamente sou “demasiado” para 99% da população e não conseguir vislumbrar no meu futuro um homem que seja o suficiente para me ajudar a evoluir mais, ser mais, ir mais longe. Porque na verdade consigo fazê-lo sozinha. Sempre o fiz. Arranjei um trabalho sozinha, comprei uma casa sozinha, tenho grupos de amigos conquistados por mim (sozinha), emigrei sozinha, vivo sozinha e cresço profissionalmente por minha conta. Sempre por mim, sempre pela minha mão. Nunca dependendo de ninguém e nunca tendo a oportunidade sequer de o partilhar com um gajo porque estou sempre 3 passos mais à frente. E pelos vistos vou ter de continuar a fazê-lo. E isso, ISSO, é uma merda.
Há dias assim.

