O que é “Bou fazer a POMBA”??


Dão-se alvíssaras a quem souber explicar aos leigos (aka, mouros) o que é cada uma destas expressões!

46 comments:

  1. O "és de Braga" pelos vistos tem a ver com o tempo em que os presos usavam aquelas coisas pesadas amarradas aos pés, que, dizem, se chamavam bragas e que, como vinham arrastadas atrás deles, os faziam deixar a porta aberta.
    Já não sei onde li isto, mas fiquei muito contente por a coisa fazer sentido.

    Estar a ougar: dizem que as criancinhas, se querem muito uma coisa que não lhes dão, ougam. Isto é, depois não comem mais nada, ficam incapazes de querer outra coisa.

    Enterro da gata é a queima das fitas de Braga. Gata é sinónimo de bebedeira…

    Ver Braga por um canudo vem, se não me engano, dos miradouros do Bom Jesus.

    A Sé de Braga é dos edifícios mais velhos do país.

    E os outros não sei 🙂

    **
    mariana

  2. Obrigada Mariana 😉
    Estar ougada (pra mim) era quando se ficava com desejos por não se poder comer, tipo água na boca. Mas a tua explicação faz mais sentido 🙂
    Gata não é sinónimo de bebedeira 🙂
    O primeiro enterro da gata foi feito no Liceu Sá de Miranda. No fim do ano aqueles que não tinham passado ia enterrar a gata (nao sei se enterravam mesmo um gato), mas qdo se chumbava tb se dizia: aquele gatou! Qdo a UM abriu, acho que em 75… levou-se a tradição do liceu pra Universidade e surgiu o Enterro da Gata que era um cortejo (nao a queima toda) em que os alunos iam enterrar a gata antes que chumbassem 🙂

    Bom Jesus e canudos: confere. Havia lá um cima uns…telescópios? 😀 como é que se chama aquele em que tens que meter a moedinha pra ver a cidade ampliada? e as pessoas subiam pra ver a cidade. Qdo eu era mtooo pequenina ainda existiam, mas depois tiraram-nos a todos. Acho q ainda hoje não estão lá, mas havia mtos.

    Os outros deixo pros restantes, mas se ninguém lá chegar, eu traduzo. Só nao sei mesmo o que é Bou fazer a Pomba, nao faço a mínima!

  3. Gata é sinónimo de bebedeira, sim (dicionário dixit). Mas também pode ser sinónimo de chumbo, como em Coimbra se usa… raposa? Já não me lembro.
    E o ougada também é isso, aliás, isso da água na boca é o que acontece quando não te dão aquilo que queres. O resto é só uma consequência mais duradoura 😉

  4. Em Coimbra era a raposa, mas raposa nao tem nada a ver com bebedeira.
    Eu imagino que agora no dicionário dixit seja sinónimo de gata, mas o meu Pai tem quase 70 anos e teve o seu enterro da gata no sá de miranda. Mas vou-lhe perguntar o que queria dizer "a gata". Se for bebedeira eu digo-te 😉

  5. Por acaso, de acordo com o dicionário, raposa também é sinónimo de bebedeira. Mas eu estava a falar em raposa como sinónimo de chumbo, sim. Que engraçado, será que esta analogia se fez porque um chumbo levava aos copos para esquecer? Era giro descobrir.

  6. Eu telefonei ao meu Pai e tudo de propósito :)) ele diz que não, que era mesmo "gatou" de chumbar, qdo se sabia que se ia chumbar. E a tradição é mtooo antiga, e eles faziam um cortejo e tudo, com um caixão pequenino.
    Em Coimbra "raposa" é tão antigo que não se usa desde os anos 70 😉
    Se descobrires avisa! 😉

  7. eu tb nao sei o que é bou fazer a pomba!

    Um begueiro é um vagabundo, mas dizer: ca ganda begueiro pode querer dizer "gosto muito de ti ó paneleiro!" 😀 ou então dizer "que grande lateiro", que grande mandrião, que grande labrego. É multi-facetado. Mas tudo o que esteja ligado a vagabundo serve.

  8. Ah… em minha casa também se diz "mais velho que a Sé de Braga", e estamos a muitas horas de distância.
    A pomba também não sei, e se tu não sabes é porque não existe, é o intruso.

  9. Tb se manda malta pra baixo de Bragaa mta distancia de Braga city :))
    Eu n sei o q é, mas ate pode ser verdade…nao há cá almas de braga a passar (que eu sei q há) e que possam/queiram explicar??

  10. andar a vender água sem caneco diz-se de quem insiste em falar sobre um assunto que não domina ou que não interessa aos ouvintes.
    é o queijo! o mesmo que "é o máximo!", ou "é óptimo!"
    fazer a pomba ganhar uma quantia avultada de dinheiro rápida e facilmente. Aplica-se, por exemplo, a quem encontra dinheiro na rua ou a quem abre um negócio que dá um grande lucro num curto espaço de tempo.
    fazer tanta falta como uma viola num enterro diz do que é desnecessário ou descabido em determinado contexto. Aplica-se tanto a pessoas como a objectos.

    ir abaixo de Braga ir à merda.
    saber a pato diz-se de uma refeição que se tomou e que por qualquer razão não custou dinheiro.
    ser bom para ir buscar a morte diz-se de quem é ser lento, ou demora muito a realizar determinada tarefa.
    só fala quem tem que se lhe diga! aplica-se a quem critica outrem, com o sentido de que só critica quem tem características ou comportamentos passíveis de serem criticados.
    ter sempre porcas a capar diz-se de quem alega frequentemente ter compromissos ou assuntos a resolver, sem que nenhum deles seja importante.

    vê-se que é de Braga ou deve ser de Braga diz de quem, ou a quem, se esquece de fechar uma porta.

  11. As coisas que aqui se aprendem neste blog. Não sou de Braga, mas felizmente também não sou mouro e conhecia quase todas as expressões. Essa de fazer a pomba é que é mais "bolos e tartes de ananás" (quero ver quem conhece essa expressão).

  12. Pronto, parece que mesmo ninguém admitindo que é de Braga, tens as tuas respostas. Por acaso sabia todas as "definições" menos a da pomba. Já consultei o meu pessoal de Braga e nada. Nem mesmo eu tendo morado em Braga 10 anos ajudou…Tem que se fazer uma investigação sobre o assunto, tá visto. Bj

  13. Abaixo de Braga é ir à merda, porque há muiiiitos anos atrás o "saneamento" era por fora do arco da porta nova e isso era à saída e para baixo, logo abaixo de Braga 🙂

  14. O que é ser mouro? Alguém de Santo Tirso (por exemplo) leigo nestas expressoes já pode ser considerado mouro? Um gajo de Silves que saiba todas as expressões já não é considerado mouro?

    PS – A escolha de Santo Tirso e Silves não foram escolhidas ao acaso e se fores inteligente percebes porquê 😉

  15. Jibas, keep it simple, é do Douro pra baixo :)))

    Um gajo de Santo Tirso não tem pq saber expressoes de braga, nem sequer a malta de lisboa, mas que as entende mais facilmente que um gajo de Silves, SUPOSTAMENTE, sim 😉 De Silves ainda é mouro, ah pois é, saiba ou nao o que é fazer a pomba 😉 Mas pode ser "arraçado" do norte e aí tem desconto 😉

  16. Porque Portugal foi conquistado aos Mouros de Guimarães pra baixo, aliás, o Condado Portucalense ia até às margens do Douro. É só isso. Histórico e não perjurativo. Esclarecido ou ainda não? 😉

  17. Perguntei-te isto porque deves ser a primeira pessoa a quem achei que podia perguntar e esperar uma resposta com forma, sem levar com o habitual regionalismo bacoco do futebol.

    Mas sabes que a única parte da península que os muçulmanos nao povoaram foi as Asturias, certo?

  18. Nem me lembrei do futebol!
    Braga foi invadida pelos Muçulmanos ANTES de ser Portugal: Invasões Muçulmanas

    No ano de 715, os Mouros conquistaram a cidade, mas foram, pouco tempo depois, obrigados a render-se ao Rei de Leão, D. Afonso III. Braga foi nessa altura oferecida como dote, por Afonso VI de Castela, à sua filha D. Teresa, no seu casamento com D. Henrique de Borgonha, Conde de Portugal. Aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_de_Braga

    Daí a cena de vocês serem mouros e nós não, pq Portugal nasceu depois da conquista inicial do condado de Portucalense aos Mouros.

    Eu vivi em Lisboa, nunca usei o termo mouro com sentido perjurativo, sou grande Lisboeta de alma, vivi na Graça e conheço a Mouraria e Alfama como a palma da mão.
    Mas ainda hoje digo coisas que o pessoal do sul não entende, a título de exemplo, eu chamo persianas ao que vocês chamam estores e vice-versa. Castiço, né?

  19. Entao e o pessoal que já era nascido antes das conquistas e viveu primeiro no condado dos mouros e depois no condado portucalense? É mouro, é mourisco-português ou é português de gema pura? 🙂

  20. Sei lá! 😀 A ideia é que Portugal foi conquistado aos mouros e nós teremos vindo dos romanos já que expulsamos os gajos. Mas isso pode explicar os meus cabelos e olhos castanhos e tom de pele mourisca :))

  21. Oh Jibas, home! O motivo é o que eu te dei, tem a ver com a história. Os burros chamam mouros a quem não é do Porto: tá errado! Ou a quem não é do FCP: mais errado ainda.
    O motivo eu dei-te, não te posso é dar a razão! :)) E não é que a não tenhas, é que aqui não faz sentido. Tu em Braga és mouro e ponto, principalmente se fores do FCP, entendes? 🙂 Beijinhos!

  22. Relativamente aos mouros há um estudo interessante com que me deparei á alguns anos atrás. Aparentemente os homens do Sul de Portugal são os que partilham mais genes típicos dos Muçulmanos e…adivinhem lá!! são as mulheres do Norte com mais caracteres genéticos!! 😉 Ah pois é.. Explicação.. Aparentemente os homens de antigamente, lá do condado, gostavam de trazer as "mininas" que encontravam para a a segurança nortenha!!

    Daniel

  23. Daniel, a propósito do tema, sabes o que li num livro sobre a História de Espanha? Que as Asturias foram o único pedaco da península nao invadida pelos mouros por ser demasiado montanhosa, no entanto eles iam lá "aliviar-se" porque nunca tinham visto mulheres tao branquinhas e portanto significado de pureza para eles. É o que diz o livro, da História 🙂

  24. Ser mais antigo que a Sé de Braga deve-se à antiguidade do edifício mas sobretudo da arquidiocese que existia já muito antes de Portugal, uma das mais antigas da cristandade com grande autonomia em relação a Roma.

    RBO

  25. E "Fazer a pomba" creio, pelo contexto em que vi escrita a expressão numa carta de um "homem do norte", que poderá significar "fazer gazeta".

    Já agora, por quê "fazer gazeta"?

  26. A da pomba é ganhar uma quantia avultada de dinheiro rápida e facilmente. Aplica-se, por exemplo, a quem encontra dinheiro na rua ou a quem abre um negócio que dá um grande lucro num curto espaço de tempo.

  27. Fazer a pomba é típico dos vendedores intermediários, que precisavam de vender suficiente produto, de forma a conseguir dinheiro para adquirir a próxima remessa, ainda sem ter chegado ao lucro contudo. Conseguir vender para manter a atividade em andamento. Importante garantir primeiro que se consegue fundos para continuar a pagar aos fornecedores antes de pensar no momento em que está a tirar lucro. De preferência, rapidamente. Expressão usada por muitos toxicodependentes no anos 90 em Braga, que adquiriam drogas e vendiam parte das mesmas, de forma a garantirem sempre sustentar o vício. Consumiam a sua dose e garantiam que com a venda do restante pudessem voltar a adquirir a quantidade inicial, mantendo assim o vício satisfeito com apenas um investimento inicial. Não sei se derivou dos toxicodependentes para o léxico geral ou vice versa.

  28. Acabo de tropeçar nesta curiosa expressão, “fazer a pomba” num jornal de 1912. Desconhecia-a por completo e por isso fui à procura, acabando por vir parar a estas muito interessantes e também curiosas questões colocadas pela Andorinha des-norteada.
    Pondo de parte – pelos referidos e óbvios motivos – estar a origem da expressão nos toxicodependentes citados, pelas circunstâncias em que a leio no referido jornal acho que faz sentido o resto da explicação dada.

    Permito-me transcrever o contexto em que a ‘descobri’:
    “MILHO – Ao mercado já não aparece nem um grão e enquanto isto sucede os negociantes desse cereal vão fazendo a pomba ao preço de 940 réis cada vinte litros. E o caso é que, dizendo-se que não há milho, para eles aparece sempre.
    Veremos o que farão quando chegarem os 30.000 quilogramas que se esperam no Porto”.

    Cf. O Regional n.º 543, de 2.09.1912
    Devo acrescentar que, uns dias antes, o mesmo jornal noticiava ter a Câmara local (Monção) requisitado ” a quantidade que julga suficiente para acudir ao abastecimento do mercado concelhio.
    Visto que ele não aparece no mercado…”
    Cumprimentos.

  29. BEGUEIRO!
    1. (Regionalismo: Minho) Diz-se de ou designa o jumento novo, jovem ou pequeno;
    2. (Regionalismo: Minho) Designação de besta de carga, particularmente referente ao mulo;
    3. (Regionalismo: Minho) Nome atribuído a pessoa possuidora de características ou atributos negativos. (Etm. de origem obscura)

Leave a Reply