Trabalho com muita gente, mesmo muita gente. E com vários Países, logo, com várias nacionalidades.
Este ano que passou descobri que independentemente da nacionalidade existem “raposas velhas” em todos os sítios.
“Raposa velha” é aquele fulano/fulana que tem mais de 25 anos de casa e que aprendeu a dar a volta aos chefes sendo manhoso, fazendo-se de vítima (ai estou tão cheio de trabalho, já não aguento mais!), fazendo única e exclusivamente o que quer, mas dando a ilusão de que está sempre pronto para cumprir com todos os nossos pedidos. Normalmente trabalha nas costas das pessoas, atrás do pano, e mexem-se bem na organização. Tentam plantar sementes de diz-que-disse e espalham boatos que minam as pessoas mais novas que tentam chamar a atenção para o facto de eles efectivamente não fazerem nenhum.
São gente perigosa se não soubermos como jogar. Normalmente é malta insegura que esconde a sua incompetência e incapacidade por trás de grandes filmes montados em que, lá está, se fazem de vítimas.
Não são filhos da puta, são apenas gajos/gajas com arte, que à pala de tantos e tantos anos de trabalho no mesmo sítio digamos que…sabem viver. Encontram-se aos magotes na Administração Pública e na Banca mas estão em vias de extinção. É que hoje em dia mudamos muito de empresa e como tal não é habitual passarmos 20 anos na mesma. Mas ainda há muito boa gente dessa.
Ora a minha organização não compactua muito bem com este tipo de pessoas. Eu então tenho-lhes verdadeiro pó. É gente que me faz perder tempo, e eu detesto que me façam perder tempo.
Normalmente não preciso de fazer muito porque eles são eliminados com o tempo, coisa de um/dois anos e não aguentam a pressão e acabam por se fazer à vida. Mas há alguns que se vão safando como podem e duram mais. E esses, oh esses dão cabo do meu sistema “nervótico”. Principalmente porque eu sei jogar, e entalo-os. Então aí começam a sacar trunfos debaixo da manga e às vezes vencem pelo cansaço. Aqui há uns anos passei-me dos carretos com um Senhor que, raposa velha e filho da puta, tinha uma conversa quando o Director de Projecto estava presente na sala, e outra assim que ele saía pra atender um telefonema. Aí sacava do fel e atacava-me, qual filme. Só faltava dizer: you are soooo screwed!
Eu estava a fazer o meu trabalho, ele há um ano que empatava uma resposta, e se na organização antiga dele isso funcionava e era gajo pra enterrar o assunto durante 5 anos ou pro resto da vida, na minha, com todos os mecanismos de controlo que estão presentes, não há a mínima hipótese. Obrigamos o Senhor a tomar uma decisão. E a única forma de o fazer foi por o chefe dele a apertar-lhe os gargamelos.
Agora deparei-me com outra, e está a ser mais difícil de gerir. A minha vontade é despedir o gajo, mas eu não tenho poderes pra isso. Também não lhe posso cortar os cafés que vai tomar de meia em meia hora. Mas posso fazê-lo trabalhar. Benza Deus as ferramentas de controlo que o fazem suar. Para terem uma ideia, é como ter a possibilidade de por um torno nos tomates do tipo e ficar a observar enquanto aperto devagarinho, devagarinho, devagarinho……. POW!!!!!!!

Não estão nada em vias de extinção. Por causa de uma reestruturação vou passar a trabalhar em permanência com uma dessas raposas velhas, e diabos me carreguem se comigo ela não vai piar mais fininho. Comigo e com outra, que não está habituada a aturar merdas e é muito menos paciente que eu. Isto de estar bem habituada, a gente competente e sem manhas, é uma chatice, e já ando aqui a ter dores de barriga à conta da senhora cuja antiguidade é posto e me calhou na rifa. Só ralações.
Eu acredito que se consiga despachar estes gajos nos próximos, sei lá, 5 anos?
Eu hoje passei o dia todo a insultar a raposa velha que me tocou e acabei a falar com o chefe dele (que é um senhor amoroso, mas um panaca sem explicação), e o que vai acontecer é o costume: Sofia tu agora falas só comigo, sim?
Pelos vistos salto-lhes ao pescoço com demasiada força e na eventualidade de fazer sangue (a fama do meu mau feitio precede-me) e de os deixar em estado apocalíptico de stress, deixo de falar com os inúteis e passo a ter interface directo. O que me vale é que estou meeeeesmo prestes a largar estas funções e com a passagem do trabalho pra Reoublica Checa o senhor nao vai ter outro remédio senão bulir ao som dos Checos.
Estou tão fartinha do que tou a fazer, mas tãooo fartinha. Não se nota nada, pois não?
Já agora, as piores como raposas velhas são as secretárias. Se apanhares umas do tempo da velha senhora e a gaja embicar contigo… havia uma em PT que só não lhe cuspi em cima porque não me deixaram. Também não me importava nada de lhe ter deixado as canelas pretas.
(ando com humorzinho que upa upa!)