Em que se tem conversas que nos fazem repensar a nossa evolução. Sinto que me desenvolvi emocionalmente e profissionalmente de um modo, talvez, desmesurado, mas certamente coadjuvante com a minha idade e com a minha experiência de vida.
O certo é que, salvo raras excepções, me sinto anos luz à frente de tanta gente que dou comigo a ser mestre de quem não quero. Ou melhor dito, eu não faço questão de orientar ninguém na vida, mas tenho sempre a mania de ter uma opinião e de acabar por dar conselhos. Uns pedidos, outros não. E sei, porque mo disseram, que ajudei muito boa gente a elevar-se a um novo patamar na forma como encaram a vida. Nunca o fiz propositadamente, pura e simplesmente aconteceu.
Nada disto é encarado como uma desvantagem uma vez que já me valeu muitos e bons amigos e amizades genuínas. Algumas com pessoas que raramente vejo mas por quem nutro um carinho enorme e que sei que me têm outro tanto numa dimensão tão grandiosa que por vezes me custa acreditar até que é real. Afinal não me lembro de ter feito assim tanto, de os ter apoiado, ajudado a esse ponto. O certo é que sou bruta que nem uma porta, digo tudo o que penso, tenho o coração na boca e falo demais. E quando quem está do outro lado me aceita dessa forma, me ouve, me entende, melhora: ganho um amigo.
No entanto, a nível sentimental é uma valentíssima merda.
Acontece-me frequentemente conhecer alguém que me interessa e dar comigo a sentir, pensar, reviver uma vida inteira à frente deles. Dizem-me (muito) frequentemente que os homens me têm medo. Sou tão independente, tenho uma personalidade tão forte, sei tão bem o que quero e o que não quero que não sentem que possam acrescentar mais à minha pessoa. E sentem-se inseguros perante mim. Sentem que não me vão conseguir acompanhar e vão-se embora antes que eu os ponha a andar. Não sou uma criatura submissa. Uso a arrogância para me defender de quem se aproxima. Ficam aqueles que compreendem e vêm mais do que o evidente. Mas aqueles que o fazem, aqueles que me vêm, compreendem-me como um ser tão mais forte, e quisás, tão mais evoluído que eles, tão a anos luz do ponto em que se encontram…também se vão. Escolhem alguém diferente, mais calma, menos acelerado, menos desenrascado, alguém que lhes mostre que precisa deles para ir comprar um simples vaso de flores. A minha capacidade de decisão espontânea e eficaz (nem sempre necessariamente eficiente), as minhas ideias tão concretas e tão definidas servem como “aulas de vida” que em seguida abandonam, como se abandona um ginásio ao fim de dois meses. É too much. Sou too much.
Pior que isso é notar e saber que efectivamente sou “demasiado” para 99% da população e não conseguir vislumbrar no meu futuro um homem que seja o suficiente para me ajudar a evoluir mais, ser mais, ir mais longe. Porque na verdade consigo fazê-lo sozinha. Sempre o fiz. Arranjei um trabalho sozinha, comprei uma casa sozinha, tenho grupos de amigos conquistados por mim (sozinha), emigrei sozinha, vivo sozinha e cresço profissionalmente por minha conta. Sempre por mim, sempre pela minha mão. Nunca dependendo de ninguém e nunca tendo a oportunidade sequer de o partilhar com um gajo porque estou sempre 3 passos mais à frente. E pelos vistos vou ter de continuar a fazê-lo. E isso, ISSO, é uma merda.
Há dias assim.

Minha querida: join the club. Sim, 99% dos homens têm aquela tendência para liderar e precisam de sentir que alguém "depende" deles. Tenho conhecido centenas assim.
Mas, tão certa como eu estar aqui, também há dos outros, os inteligentes, que compreendem e sabem lidar com o facto de uma mulher ser forte e independente. São menos, mas são SÓ esses que merecem mulheres assim. Stick to what you want/need, and you'll find it. Leve o tempo que levar: a vida é longa e dá muitas voltas (ao contrário do que dizem pr'aí). E NUNCA nos contentarmos com menos do que aquilo que merecemos.
Pelo menos, é o que eu acho 🙂
Mts bjnhs.
Porventura os 3 passos em diante, são uma fuga de algo… que terás de aceitar, aprender a lidar, viver com.
Experimenta especificar o que possa ser.
Podes ter medo da rejeição e como tal aceleras o passo inconscientemente. Quem sabe, as pessoas que julgas que se afastam, estão apenas a sentir o teu afastamento e não o contrário.
Vira o prisma, espreita por outro oráculo.
Andorinha, eu sei que este post é mais instrospectivo que outra coisa qualquer. MA a bem da verdade, queria dizer-te: 1º que te admiro, já falámos, já sabes; 2º que és mesmo uma inspiração, 3º eu é que gostava de ser totalmente destemida e aventureira como tu, 4º poderá haver dias assim, mas depois tens todos os outros. Abraço com miminhos
Lembrei-me de uma cena gira que me disseram há uns tempos:
"agora que tens o mestrado de saber dar, experimenta começar uma licenciatura de saber receber"
Quando dás, estás 3 passos em diante, agora experimenta receber nessa posição 😉
James Lewis, é uma grande frase. Agora diz-me aí: como é que nos inscrevemos nessa licenciatura? Quais as primeiras cadeiras? Tens apontamentos pra emprestar? 😉
margarida, és um amor. Um xi-coração pra ti!
Sei exactamente o que isso é e quem me calha na rifa são os já comprometidos: ou seja, dá-lhes imenso jeito que eu seja assim.
Também já me disseram essa de receber. Na realidade, sei pouco. Mas aprendi uma coisa: passei a dar muito menos e a ir na onda egoísta de me virar só para mim. Má opção, eu sei, mas eu ando em "dias assim" há muitos meses 🙁
Borboleta, a mim os comprometidos não me calham pq eu me recuso terminantemente. Decisão férrea. A onda egoísta tb não me completou, been there, done that.
Eu tenho dias em que me lembro disto. Mas isto que aqui escrevi é o meu dia-a-dia há anos.
Acho que disseste (e disseram nos comentários) tudo o que há para dizer.
Mas vou repetir o que a Zozô (sorry, não te conheço mas vou aproveitar a frase)
"E NUNCA nos contentarmos com menos do que aquilo que merecemos"
Sei que não corres o risco de cair na tentação do "deixa-me experimentar pode ser que consiga viver assim" mas nunca é demais lembrar.
E acredita, é possível. Eu sou um dos exemplos: anos e anos sozinha, com n amigos homens. Disseram-me várias vezes que sou intimidante (eu, meia leca de gente!), que tinham medo de mim, que me viam como mais um (e raramente "uma" do grupo). E depois, um dia, há mais de 4 anos, apaixonei-me e ele apaixonou-se por mim. E deixa-me desatinar e ser independente. E é o meu ombro e o meu grande amigo. E o resto é história.
E como alguém que já passou por várias situações: a segunda melhor é mesmo a de estar sozinha e de bem com a vida. ~
beijos
Atenção, quando digo "calham-me" é porque me calham (até é mais passado). Eu é que já não os quero – já quis, quando era inocente e depois de estar apaixonada a coisa custa a descolar. Agora é: antes só (e muito bem, que a "solidão" é coisa que não entendo muito bem, dado que sinto que vivo bem acompanhada, ou seja, comigo) que mal (então duplamente) acompanhada.
Eu sou igual e há muito mais anos que tu, que sou mais velha 🙂
Eu ando a procurar menos as pessoas, ando cansada de ter que ser sempre eu, tipo "ela não tem filhos e nós temos sempre muito que fazer". Mas passa-me e claro que não é sempre assim. Não sei é receber, de facto, acho eu. Não sei mesmo, e ao nível mais básico de todos: gosto muito mais de dar beijinhos repenicados aos meus sobrinhos do que de os receber… Tolinha, eu sei.
Pois é minha querida, mas o exercício de não me contentar com menos levou-me tantos anos… que o tempo foi passando, eu evoluí, e agora? Where's my Wally?
Patricinha, minha querida boneca linda, quantos anos tens? 🙂
Não sei se sei receber…..tenho efectivamente que aprender mais sobre isso 🙂
Por exemplo, quão doente precisas de estar para aceitares que te vão ajudar?
Depois de me ser dito que podia ter complicações posteriores a uma cirurgia, na noite do dia em que saí do hospital não aceitei que quem quer que fosse dormisse cá em casa, disse que telefonava se fosse preciso. Acho que isto é um dos indicadores, e depois há outros como o dos beijinhos (e n outros). Quando se é assim, demora a chegar o gajo que não se importe de se sentir "desnecessário" 🙂
Mas isto é uma conversa longa, longa.
Ai isso é na boa. E aceito ajudas pra me tomarem conta dos cães (não é Vera?) e peço ajuda qdo preciso mesmo. Mas no dia a dia normalmente "desamerdo-me", mas não sou capaz de esperar 3 dias que o anónimo ali debaixo me venha ajudar a montar os móveis, por exemplo 😀
E aceito tranquilamente abracinhos e afins, aprendi a receber na Candeia, agora que penso nisso. A Candeia foi uma excelente escola. Pelos vistos ando é destreinada! 😀
Pronto, agora a titi Izzie já tem tempo e vem aqui largar umas lérias, tipo arrumadinha 😀 Ó murcona. Homens há muitos, e a maioria não interessa nada. Um gajo que se amofine por ganhares mais, seres independente e trolóló, não interessa. Já casei com um, acredita, às tantas andava a anular-me, a pensar que não valia nada, que toda a gente me garantia que ele era fantástico. Não era, e era passivo-agressivo, sentia-se inferiorizado e queria puxar-me para um nível onde ele se sentisse superior.
Resumindo, era muito infeliz e nem percebia porquê, achava que a culpa era minha e tal.
Entretanto divórcio porque ele bazou (hoje vejo que até foi um favor que me fez), estive dois anos a solo, e depois cai-me no prato um indivíduo como nunca conheci. Final de história: há homens que se estão cagando para o estatuto, o ser macho, o parecer não sei quê, ter isto e aquilo e poderem ser o líder da alcateia. Há homens que gostam de nós porque sim, e não se põem com merdas de quem ganha o quê – afinal, juntos os trapinhos, come-se do mesmo tacho e ninguém anda a ver quem tirou a fatia de pão maior e quem pagou o queijo.
Agora é preciso é que a menina esteja aberta a isso. É claro que num relacionamento as pessoas acabam por fazer concessões, e se querem ficar juntas às vezes é preciso optar por B em vez de A. Mas há homens que não têm problemas nenhuns em fazer as malas para irem contigo, de certeza. E não têm medo de ti, ou que os possas ofuscar, porque não são competitivos na relação e não querem brilhar às tuas custas, ou chegar em primeiro, querem é chegar contigo. Pronto. É dar e receber, sem fazer contas, e sentir-se respeitado na sua plenitude. E não se contentar com menos, isso nunca! Acredita que pensei que nunca me ia acontecer, não sei se é para sempre, mas isso também não interessa nada, é para agora e tem sido, e o que vier logo se resolve.
Já disse 😉
"Boneca linda" é muito bom. já me saiu uma gargalhada. Tenho 33 anos. Não me estou a armar em sabichona, nem em velha com experiência. Nem te estou a tratar como uma miúda. Mas já vi muita gente (independentemente da idade) a deixar-se ir no medo de ficar sozinha. Eu ia cometendo esse erro (lá para os 25- sim era uma gaiata) e ia dando cabo de mim. Jurei para nunca mais. Antes só que mal acompanhada. Engraçado que foi quando já lidava bem com o meu estado de solteira que conheci o "tal". bjs
ah e os "anos e anos sozinha"? Sou de uma aldeia onde não ter ninguém aos 20 é grave, ser independente (não interessa a idade) era quase um crime, ir para a borga sozinha sinónimo de "maluca" e de "fácil" (isto pelos machos que ainda hoje vivem com os pais). E mamãe anda desesperada por netos… para aí há uns 10 anos (tem-se intensificado desde que casei)! Pareceu uma eternidade 🙂
(gostei do "tipo arrumadinha" 😀
Minha querida Izzie, o meu maior problema não é o quem ganha mais propriamente. É tudo aquilo que já fiz e poucos são aqueles (principalmente Tugas) que já o fizeram, e que me dá uma estaleca do catano e que eles não acompanham. A margarida comentou no post de cima com uma história dum namorado que teve que amuava pq ela já tinha estado em todo o lado 🙂
Eu conheço rapazes/homens fantásticos, boas pessoas, giros até, e descomprometidos e que viajam imenso (alguns bem mais que eu) e que ganham (bem) mais que eu, mas que por exemplo, não têm coragem pra se mandar cá pra fora e virem viver pra um sítio onde têm que começar do zero. E outros que sim, que o fizeram, mas estão ocupados 😀
Não sou uma descrente, mas há alturas em que te questionas porquê nunca eu? Ou então, de outro modo, porque é que acho tão poucos homens interessantes e qdo os acho (é tão raro, uma merda) não me ligam pevide. Ou até ligam, mas a dada altura, qdo toca a escolher uma gaja, não escolhem uma propriamente mais bonita, mais inteligente ou mais XPTO q eu nalguma coisa, escolhem pura e simplesmente uma que não os "ameaça", seja em termos sociais, seja em qq outra coisa.
Já tive um dedinho amoroso pros gajos competitivos. Deixei-me disso, graças a Deus, e bom tempo me levou. E o resto conto-te por email que por aqui nao me apetece! pronto. Já me expus que chegasse. ate já do outro lado.
Compreendo-te perfeitamente!
Se encontrares resposta para o teu dilema, partilha pf! Não estamos no mesmo barco, mas navegamos no mesmo mar!
Um pouco de regresso aos treinos: "A Candeia foi uma excelente escola. Pelos vistos ando é destreinada!"
Relegar esta crença (a meu ver: limitativa) para 2º plano, aliás… colocar a mesma parte: "Ou até ligam, mas a dada altura, qdo toca a escolher uma gaja, não escolhem uma propriamente mais bonita, mais inteligente ou mais XPTO q eu nalguma coisa, escolhem pura e simplesmente uma que não os "ameaça", seja em termos sociais, seja em qq outra coisa."
Algum cuidado com: "Sinto que me desenvolvi emocionalmente e profissionalmente de um modo, talvez, desmesurado, mas certamente coadjuvante com a minha idade e com a minha experiência de vida". Um dia, podes julgar que este cenário é responsável por quem sabe… continuares "sozinha".
E por fim… responsabiliza-te. Aceita-te, partilha… e respeita o aparente pouco; com criatividade podes transformar o pouco em muito. (porque o resto, várias pessoas já o disseram… o amor surge!)
Olha Sofia, não digo mais nada a não ser isto: um abraço festinhas aos meninos. Não há formatos de felicidade iguais para toda a gente e tu, melhor do que ninguém, sabes o que queres:D. E o que importa é, muito bem dito pelo Cesariny:D
Pastelaria
Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura
Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio
Afinal o que importa não é ser novo e galante
– ele há tanta maneira de compor uma estante
Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício
Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola
Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita genteque come
Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!
Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir de tudo
No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra
– Cesariny-
(Vera)
🙂 Obrigada Sandra, mas acho que realmente é tão pessoal que não sei se há uma resposta que se adapte a todos.
Um beijinho e obrigada 🙂
o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício – Adorei.
Obrigada Verinha! Beijos!
Não sei que te diga a não ser: obrigada.
Muito obrigada.
Beijinhos
Qdo te perguntei a idade era porque a tua sorte veio antes da minha 🙂 Isto é só cansaço.
Sabes que o compasso de espera cansa 🙂
Enfim, há dias assim, hoje já é um dia melhor.
Beijos!
Isso mesmo! E rir:D
Beijinho, Vera
Eu ia para dizer alguma coisa mas com medo de ser abafado vou é meter o rabinho entre as pernas e voltar ali para o tapetinho da entrada 😀
Este é a quarta e agora sim, a última vez que faço um comentário neste post. Os últimos três, o sr. blogger comeu-os!!!
Estava então eu a dizer qualquer coisa como isto: Eu até acho que se andarem os dois, tu e outro qualquer, 3 passos à frente de todos ( ou atrás, para o caso não interessa) a coisa vai ser muito monótona. O que importa é que um passo à frente ou dois passos atrás, o tamanho da passada seja parecido e que todas essas passadas vos levem na mesma direcção. Acredita que anda por aí muita gente junta feliz com o número de passos diferentes. Basta que cada um se sinta realizado e feliz no seu passo e que não queira à força entrar no passo do outro!
Percebes agora porque é que o Sr. Blogger insiste em apagar os meus comentários?? 🙂
lol, Podes falar sempre Jibas, ganhaste esse estatuto 😉
lol Pq o blogger é um bacoco!
Eu percebi o que tu queres dizer. Mas como dizia o título do post: há dias assim. É de vez em qdo, um dia ou outro.
Tudo se compõe 😉
Beijos!