Os abraços

Abraçar é algo tão pessoal.
Quando alguém nos abraça permitimos que invadam aqueles dois palmos de distância que mantemos à nossa volta e chamamos “espaço íntimo”. Dependendo de como fomos educados, se os nossos Pais nos davam abraços com frequência ou não, podemo-nos sentir mais ou menos à vontade com o gesto. Mas mesmo que tenhamos tido uns Pais amorosíssimos, passamos sempre por aquela fase denominada adolescência em que rejeitamos o nosso corpo, que achamos que um abraço é sinónimo de ser lamechas e fracos, e desabituamo-nos a abraçar.
Aqui há uns anos fiz uma terapia um bocado marada (de que não me lembro bem o nome) com uma Senhora extraordinária e que começava cada sessão com um abraço. Aquilo era estranhíssimo!
A terapia devia-se ao facto de eu não verter uma única lágrima há uns bons 10 anos e como tal, cada vez que me emocionava ficava com tudo contido dentro do peito e tinha falta de ar, dores físicas mesmo. Basicamente, não conseguia libertar os sentimentos.
A terapia foi impecável sendo o momento áureo da mesma o dia em que desatei a chorar a ver o Extreme Make Over. Juro. Depois de 10 anos sem uma única lagriminha no canto do olho, não é um bom filme que me liberta, não é uma música, é uma casa a ser demolida e reconstruída por gajos pagos a peso de ouro em reality TV. Seriously?
Adiante!
Passado aí um ano de ter terminado a dita terapia comecei a fazer Candeia. Ora a Candeia é um grupo em que abraçar é a modos que mandatório. No meu primeiro fim de semana de animadores pensei que aquela gente fazia toda parte duma seita e que estava tudo tolinho. Um dos primeiros exercícios era estarmos todos em roda e tínhamos que ir abraçar uma pessoa que achassemos que precisava dum abraço. Ora eu não conhecia nenhum daqueles cromos! Como é que eles sabiam se eu precisava ou não?!?! De repente dou comigo a receber uma porradona de abraços e eu sem me deslocar pra abraçar ninguém. O certo é que os abraços eram distribuídos com tanto carinho, com tanta disponibilidade por parte de cada pessoa que eu … gostei!
E durante 6 anos tive direito a todo o tipo de abraços: fortes, chorosos, daqueles que tiram as saudades, dos outros em que se sente o coração, abraços medrosos, abraços palhaços, abraços carregados em ombros, abraços, abraços, abraços.
Já não faço Candeia desde Setembro de 2010 e desde então abraço e sou abraçada, e alguns com saudades, principalmente quando me vêm visitar (ou o mega abraço que dei e recebi dos farrapos que andam a dar a volta ao mundo, e meu, aquilo foi um abraço à séria!!!), mas geralmente não é a mesma coisa. Porque a não ser que seja alguém que esteja habituado a fazê-lo, a mágica quebra-se no sentimento retraído involuntário do outro provocado pela minha invasão do espaço íntimo deles.

Enfim, não me posso queixar, até porque sempre que vou a Portugal my Candeia “mimes me!” mas digamos que passei duma eficácia de abraço de 100% para uns… 30%.
E ontem abraçaram-me como nesta foto (pirosa, peço muitas desculpas mas não encontrei melhor que isto) tendo-me apanhado desprevenida, e derreti-me inteira e percebi AS SAUDADES que eu tenho deste tipo de mimo. Tenho mesmo muitas muitas saudades. Quero mais.

E só porque tenho mesmo muitas saudades, ponho aqui alguns dos meus xi-corações favoritos. (se esperavam fotos dos meus exs estão munto enganados!)

8 comments:

  1. Confesso que durante anos odiei abraços. Considerava-o tão intimo que me fazia imensa confusão ser abraçada. Por outro lado havia dias em que um abraço era tudo o que precisa e muitas vezes me virei para um grande amigo e lhe disse "não digas nada, dá-me um abraço que hoje preciso".
    Fazia-me confusão que os meus primos (os sul-africanos) me cumprimentassem com um abraço. E depois, um dia, percebi que fazia todo o sentido abraçar alguém de quem gostamos. E hoje dou por mim a dar alguns abraços. Às vezes.
    Ainda adoro abraços dados por pessoas de quem adoro. E não gosto, nem nunca vou gostar, de abraços dados por toda a gente.
    beijos (e abraços)
    (gostei das fotos. Há muita felicidade ali)

  2. Eu ADORO um abraço. Mil vezes um abraço a beijos. Aqui a tradição é dar 3 beijos e eu tenho dado UM beijo e um abraço. Prefiro de longe. E qdo abraço imediatamente quebra-se todo e qualquer gelo, desarmas a pessoa do outro lado. Pq todos os dias precisamos de um abraço, nuns dias mais q noutros, mas mtoooooo raramente o dizemos.
    Um abraço pra ti também 😉
    PS: qdo postei as fotos revi o meu sorriso em dois anos diferentes e vi perfeitamente e continuo a ver que a "enormidade" daquele sorriso só tive na Candeia. E olha, este ano nas fotos de Bali! Mas nunca fui tão feliz como nos campos da Candeia, é amor e alegria que transborda por todos os lados, não tem explicação.

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