Só quem é gaja e vive na Holanda é que sabe o difícil que é:
1) encontrar um Holandês charmoso
2) encontrar um Holandês que não seja frio e com medo do toque meigo
3) encontrar um Holandês que nos convide a nós pra sair em vez de esperar que nós gajas demos o primeiro passo.
As culturas são diferentes e o modo de flirtar, conviver, conquistar, até o “levar pra cama” são completamente diferentes.
Em Portugal não temos a cultura do “date”. Vamos tomar um café, com amigos, ou até sozinhos, mas não é um DATE. É um café! É um copo! É uma cena normalíssima à qual se segue muitas vezes umas horas com mais amigos que encontramos pelo caminho e de repente temos “um amigo” e tasse bem.
Pois é. Aqui não funciona assim. Faz-se tudo só a dois, no chamado date. E é um stress. Pra mim pelo menos é um stress! Porque se fui tomar café com alguém ou um copo e passado duas horas já não o posso ouvir não tenho por onde fugir! Em Portugal tinha uma técnica excelente que era mandar uns sms discretos e indagar onde andavam os meus amigos e juntar-me à barda e de certeza que o “chatinho” acabava por engraçar com alguma das minhas amigas, ou passar o resto da noite a falar com um amigo, e pelo menos eu salvava a minha saída! Pronto, eu admito, despachava diplomaticamente a pessoa! E depois era adeusinho, tenho que ir indo, tu apanhas um taxi, certo?
AQUI NÃO É ASSIM!! Até porque se faço algo semelhante, assim que sugiro: vamos ter com uns amigos meus? O date fica com umas trombas do tamanho dum camião e decide bazar pra nunca mais o ver e por-me literalmente um traço em cima. Ora isto tem o mesmo resultado final, vá. O que acontece é que há dias em que se está em dia não, mas já se combinou o copo ou jantar e vai-se na mesma, e até a outra pessoa pode estar em dia não e acabamos por ter uma primeira impressão errada e não ter uma segunda hipótese para recompor a coisa.
Vá, vou simplificar: eu falo com toda a gente, até com as paredes, mas não tenho empatia imediata (embora todos pensem que sim porque finjo bem) com mais de 50% das pessoas que conheço. Sou muito mais reservada do que aparento, além disso tenho uma capacidade horrível e descomunal de descortinar as pessoas em pouco tempo de conversa. Têm que ter em atenção que vivi 4 anos num lar de freiras a aturar 60 gajas de cada vez, que aturei mais de 300 miúdos na Candeia e mais de 80 animadores, que sou amiga de elementos de duas tunas com mais de 50 gajos cada, que viajei durante 6 anos com grupos de 40 pessoas, e vivi em mais de 4 cidades e 3 Países. Eu conheço gente “como merda”, passo a expressão e embora todas elas sejam diferentes, há uma certa tipificação (ou julgamento, as you wish) que se pode fazer assim logo às primeiras. E eu nestas coisas (agora até tenho medo de dizer isto que o homem anda xéxé) sou tipo Cavaco Silva: nunca me engano e raramente tenho dúvidas!
A Tuxa pode comprovar o que vou dizer pra que vejam que isto não é arrogância, é mesmo verdadinha. Em Kuala Lumpur entramos no metro e conhecemos 4 Portugueses que andam a dar a volta ao mundo. Ah e tal, de onde vem, pra onde vêm, qual a vossa rota, já foram aqui e ali, sim, não, blablabla e há um que diz: nós andamos a viajar há 5 meses e vamos viajar mais 4. E outro diz: fala por ti que eu só vou viajar mais 3, e tal e tal. E nisto há um que diz: sim, porque não somos filhos de Pais ricos. E eu: sim senhora, sorrio, eles saem do metro e digo eu à Tuxa: aposto contigo que daqueles 4 dois deles têm um apelido de metro e meio, com duplo L e apelidos estrangeiros daqueles à betinho Português. E disse as idades e o como tal vez se tivessem conhecido os 4 e tal, fiz uma data de conclusões e só tenho pena não os ter voltado a ver porque teria acertado mais de metade.
Pois foi só chegar ao hotel, ir ao blogue deles e POW!! Limpinho! Dois deles (os que eu disse) tinham os ditos apelidos compostos, cheios de nomes de “aristocracia” Tuga.
Pronto, está dado o exemplo. Eu conheço malta à légua, até porque trabalho com centenas de pessoas e interajo com centenas de pessoas.
O que não quer dizer que seja a melhor “people-person” do mundo, mas normalmente consigo analisar uma pessoa em meia dúzia de passos, é um dos meus passatempos.
Isto é lixado quando se chega à vertente gajos. Às vezes engano-me, já me aldrabaram e bem! Mas normalmente ao fim de 3 ou 4 dias já os “cheirei” e é simples.
Os Holandeses é por aí também, até porque há a vertente cultural que os tipifica e me ajuda a dar umas boas gargalhadas quando conheço um ou outro. E isto só funciona quando eles têm um enorme sentido de humor. E digam o que disserem dos Holandeses, a maioria tem um sentido de humor fantástico e são muito auto-críticos e aceitam-se assim, e brincam com eles próprios e por isso, dizia eu, quando encontro um Holandês e percebo que ele me achou piada já sei que ele vai:
1) querer um date
2) não vai ter coragem pra me convidar
3) que vai querer ir jantar às 6 da tarde
4) um tempo único e isolado de N horas só pra me conhecer e vice-versa.
5) e normalmente vai ser muito awkward!
Pois eu, finalmente, ao fim de MUITO tempo, encontrei um Holandês giro, com charme e que finalmente me ajudou porque vai ser ele a marcar um date, (espero eu!) já que eu sou uma enconada-mor e não consigo, pura e simplesmente não consigo chegar ao pé dum gajo e dizer: bora lá beber copos, ou jantar ou …
Gostava de poder mudar de opinião relativamente ao que é/pode ser um date à Holandesa, e essencialmente, mudar de opinião relativamente ao que vai ser um date com um Holandês.
Principalmente e acima de tudo porque me enchi do chico esperto Português, o engatatão de trazer por casa, o superficial, o pintas que acha sempre que me leva na pandeireta com duas de treta e que depois de levar a tampa pensa: pera lá, esta gaja é das difíceis, dá pica, vou continuar a insistir. Já não há pachorra. Porque continuam a ser superficiais. Continuam a ser básicos. Por muito bonitos e muita piada que tenham. Chega.
Também me enchi do mega-geek técnico enconado (não interessa a nacionalidade) , mesmo quando têm alguma pinta e tal, e pra geek até se safa, mas que é tão control-freak, tão medricas, tão “oh eu sou bom é com máquinas” e que me acham imensa piada mas que não têm salzinho nenhum e me aborrecem ao fim de 20 minutos.
Pronto, agora que já casquei em todos os tipos de gajos já perceberam porque é que estou solteira! :))))
A mim vão ter que me apanhar completamente desprevenida, se me derem tempo pra pensar, já foram. Tem que ser algo “vapt, vupt”!! Gosto de estar contigo, sem complicações de dates e não dates, de copos ou sem copos, um amigo, uma coisa que seja FÁCIL, EASY! DIVERTIDA! Venha ele!

Gosto dessas pessoas que acham que desmascaram as outras à primeira 😀
Mal tu sabes que eu já te desmascarei! 😀 e não tive nenhuma inside information! Tooooma! Vai buscar!
Continuo em Portugal e continuo com esse mesmo problema…
Nunca emigres pra Holanda. É o verdadeiro deserto. E embora continues em PT, lembra-te da pinta do Andrezinho, e pensa que sempre tens onde repousar os olhos. É que eu: NEM ISSO!
Boa sorte! :))