Andei aqui uns dias mais stressada e irritadiça e com as emoções todas trocadas e nem entendia bem porquê. Até que ontem tudo se compôs na minha mente, no meu estômago, na minha agitação que se finalmente se esfumou.
Em Janeiro deste ano mudei de funções. Tenho finalmente o cargo para que trabalhei durante anos em Portugal, faço algo que adoro, tenho uma equipa fabulosa, os meus chefes (tenho uma pilha deles) gostam imenso do meu trabalho e têm apostado tudo o que podem em mim, independentemente de falar Holandês ou não.
Trabalho que nem uma bestinha, mas não me importo. Gosto, vejo as coisas avançaram, tudo a acontecer, os planos a darem certo, as situações controladas. Absolutamente perfeito, mesmo com todas as desperfeições e stresses associados a cada função.
Trabalho a partir de casa 3 dias por semana, às vezes a semana inteira, vivo a meia hora a pé do emprego, vou ao ginásio dia sim dia não, pagaram-me a minha certificação de CISA, só falta pagarem-me o meu curso de Holandês e é ouro sobre azul.
Pra rematar, esta semana tiveram a ideia de me mandar a França, a Inglaterra e à Suiça como especialista para ajudar os Países a conseguir obter os objectivos previstos.
Em suma, estou encantadíssima.
Ora aqui há coisa de dois meses mudei o nome da minha função no linkedin, isto porque tinha lá uma nomenclatura que induzia os headhunters em erro e há 6 anos que tinha crises de nervos por só me contactarem para a área de vendas, área à qual prometi a mim mesma nunca mais voltar a não ser que estivesse literalmente a passar fome.
Pois então mudei o título no linkedin para algo reconhecido no mercado e tem sido “uma festa”. Semana sim semana não sou contactada por headhunters e empresas de recrutamento. Again, o sonho de muito boa gente.
E ainda por cima oferecem-me empregos que se coadunam finalmente com o que eu faço. E eu, curiosa, aceitei uma entrevista para algo que me pareceu interessante. E andei uma pilha durante duas semanas.
E estava assim porque o único motivo que me poderia fazer mudar de emprego seria o oferecerem-me um balde de guito. E estamos a falar de um balde muitoooo grande! Coisa que deixaria muito boa gente feliz.
Mas a mim não.
Fui pra lá contrariadíssima. Pra mais era uma fábrica. Enorme, mas um ambiente fabril. E eu fico deprimida nesses sítios.
Fui uma hora antes, estava com uma neura enorme e não conseguia definir o porquê.
Se querem saber como correu, eu acho que uma valente merda porque eu tinha 10 vezes mais experiência do que o próprio chefe e não tinha background técnico. O tipo queria alguém diferente e eu não queria nitidamente ir pra lá.
Saí de lá com uma neura ainda maior.
Porque senti que estava a trair a confiança de tanta gente que tem estado a apostar em mim, porque SOU feliz, porque tenho uma qualidade de vida EXTRAORDINÁRIA, porque tenho tempo pros meus 3 cães, luzes (e mijinhas) da minha vida, porque tenho TUDO e estava a ter mais olhos que barriga e last but not the least, não estava a ser leal para com pessoas que têm sido correctas comigo.
Não nos enganemos, no dia em que a minha empresa me quiser dar um pontapé no traseiro, estão-se a borrifar pra minha lealdade. Trigo limpo, farinha amparo.
Mas mesmo assim, porquê mudar se estou bem?
Porque tenho finalmente uma vida “rotineira”?
Eu sou sempre pró-mudança, sair da zona de conforto. Estive o dia todo em confronto interior, se realmente estava a ser uma “acomodada” e medricas, com medo de experimentar outros mundos fora da minha empresa, ou se pura e simplesmente estava a ser gananciosa e burra ao deitar pela janela as regalias que tenho e uma vida finalmente mais estável.
Graças a muito bons amigos e conselhos, limpei a cabecinha e disse-me a mim mesma: mas ó minha grande bacoca! Afinal de contas tu não és obrigada a aceitar nada, nem que te deem o balde de guito. Deixa-te de merdas Sofia Maria, siga a marinha, mantém-te onde estás, e segue o teu instinto. Se a tua barriga se contorce de dores e nervos não é do medo; é porque ias fazer merda.
Assim que segui os meus instintos a neura esfumou-se, a irritação também e voltei a ter a cabeça no sítio e a alegria nos lábios. E agora vou ali trabalhar mais um bocadinho, que afinal de contas é pro que me pagam!

Acho que não te deves martirizar, nem por uma coisa, nem por outra…
Teres ido à procura de outra coisa não tem nada a ver com os teus chefes, nem com as pessoas que apostaram em ti. Tinha a ver com um desejo ou uma necessidade tua. Foste, não deu e agora voltas para o teu trabalho tão de corpo e alma como estavas. Faz parte. Mas criar rotinas também é muito bom, sobre tudo para quem, como eu, nunca as teve… está a ser uma experiência nova. E eu adoro os meus colegas e o meu chefe, o que não impede que, mesmo tendo sido preciso um empurrãozinho, tenha dado o primeiro passo para embarcar numa mega aventura! 🙂
E mai nada! 😉 Por vezes, é preciso mudarmos e arriscarmos, mas tem de ser um risco calculado, e sempre para melhor (em todos os sentidos). De outras vezes, quando estamos bem num sítio, sobretudo num onde trabalhámos tanto para chegar a uma certa posição, temos de pesar bem aquilo que temos e os novos desafios, e ver bem se não é só mudar por mudar. Eu sinto muitas vezes isso: a tentação de mudar, mas neste momento, tendo o que tenho, seria estúpido. Um dia, quando já não fizer sentido a situação em que estou, aí sim, será diferente. E isso será inevitável, porque nada é para sempre, não é? 🙂
Bom trabalho, linda!
PS: oh miúda, já recebes as notificações dos meus comentários? Eu já andei nas configurações dos comentários e não vi nada para mudar…. Não percebo.. 🙁
como te percebo.
este texto parece os meus diálogos interiores quando estou indecisa com alguma coisa e é exactamente assim que procedo – examinar tudo e mais alguma coisa, pôr-me em causa e depois seguir o meu instinto, sem merdas.
Em suma, "quem está bem, não se muda" 🙂
Fazes bem. Às vezes achamos que ao mudarmos, vamos para melhor. Mas nem sp a mudança é a resposta para o nosso descontentamento.
Mas acho que fizeste bem ir à entrevista. É sempre bom saber como está o mercado e quanto valemos nele.
Jo, qual desejo? Qual necessidade? Eu fui por curiosidade, pq nao gosto de deixar de arriscar e ficar a pensar: e se tenho ido?
Rotinas: tou a adorar as minhas. Tb está a ser uma experiência nova, and loving it.
Qto ao teu empurrão vs trabalho actual: nao foi um empurrão, foi mais um pontapé no traseiro q te demos. Além disso não é pra mudares de empresa, é pra fazeres algo q tanto tu como eu adoramos e que embora dê trabalho, não é um trabalho, né?? Vai-se com gosto! É o cumprir de um sonho!
Zôzô, na mouche!!! Mesmo isso!
Nao recebo notificacoes tuas pq nao seguiste as minhas instruções 😛 e aquilo nao dá pra subscrever!
Qdo sentires q o estomago está embrulhado, é pq a decisão nao é a correcta. Se te sentires feliz, go get it.
A ver se apareces! Beijinhos
Sim 🙂
Note-se: eu não estou descontente!
Mas acho que a mudança é muitas vezes uma boa resposta pros descontentamentos desta vida.
Jibas sempre na linha da frente 😉 Pragmático, curto-te! 🙂
Engraçado. Estou a passar por uma situação idêntica. Fui, de surpresa, convidado para gerir a parte comercial e técnica de uma empresa, relativamente nova, mas que arrancou muito mal. Eu há anos que me lamento estar a trabalhar num "buraco" sem visibilidade e por isso com pouco reconhecimento e quase nulas oportunidades de fazer uma carreira baseado no mérito pessoal e finalmente aparece uma.
Mas com que lógica se troca um trabalho seguro e de que gosto, embora esteja um bocado cansado (já cá tenho 15 anos), por um outro que é desafio enorme, mas que tem um risco muito elevado? Sei que em parte esse risco diminuirá com a qualidade do meu trabalho, mas mesmo assim não depende totalmente de mim…
E aqui nem sequer me oferecem pipas de massa. A pipa engorda um bocadinho, mas não muito. E mais, o meu estômago não dá sinal nenhum, só fome, mas acho que isso não significa nada. :))
É de facto angustiante esta coisa de se estar parado em frente a um cruzamento sem placas. 🙂
Ah, e já quase me esquecia… tenho muito orgulho em ter uma amiga assim, com um blogue fixe de gente normal, apesar de ter coisas bem mais importantes para fazer e que ainda por cima tem ainda tempo para quase sempre responder aos comentários. És uma mulher fantástica! :))
Ò mulher, algum desejo tinhas… Se eu fosse editora da manhã na MPB FM com um ordenado fixe não ia a uma entrevista nos estaleiros navais de Viana do Castelo!!!
By the way… alguém sabe porque é que eu não consigo mudar este ícon quando assino com o log in do wordpress?