O tempo voa….

Ainda ontem éramos caloiros no comboio pra Coimbra, horas infindáveis de viagens aos fins de semana e coros mal batidos. Dois anos e meio depois, estava Sofia Maria aborrecida, quando decidiu dar-te uma hipótese. Namoramos dois meses e meio e depois veio a Queima. Enfiaste-me o maior par de cornos à face da terra, e foram as tuas amigas que me levaram a afogar as mágoas naquela que foi a minha primeira bebedeira.

Passado uma semana estava fina e pronta pra outra. Afinal de contas eu nunca gostei de ti e o marasmo já se tinha ido embora. Eu ia de Erasmus, quem é que quer uma mala sem alça quando se vai de Erasmus?
Ai, que saudades dos meus 21 anos oh pá, eram tão divertidos, era tudo tão fácil, tanta página por escrever.

Acabou-se a faculdade e um dia, já eu vivia em Lisboa, ligaste-me a chorar. Finalmente a minha vingança tinha chegado: a tua namorada tinha-te enfeitado a testa e tu descobriste da pior maneira.
Posso-te ir visitar?
Nunca compreendi este teu masoquismo, esta coisa de quereres falar comigo mesmo sabendo que eu não te ia passar a mão pelo pêlo, pelo contrário, eu sempre tirei prazer de te pôr sal nas feridas! É o meu lado escorpião, aquele que se lembrou durante tanto tempo da vingança que se come fria. Mesmo assim vieste. Magro que nem um cão, não comias há 3 dias. Mas jantaste lá em casa e recuperaste tão rápido que tive que correr contigo do quarto antes que me enfiasses o dente. Estar triste “não dá direito a safadeza, não! Cabra safado!”. Lá foste tu recambiado pro Norte, lamber as tuas feridas. Enterrei o meu machado de guerra e passámos a ser bons amigos.

Fui apresentada a família e amigos como “a minha ex-namorada favorita”, estivemos juntos em Braga, nas Feiras Novas de Ponte de Lima, safaste-me nas boleias de Viana pra Braga e saltaste pra cima duma grande amiga minha que quase te vale ficares sem cabeça como o camarão!

Fomos juntos ao casamento do teu amigo Top Model só pra nos sentimos um belíssimo par de jarras. Nunca vi tanta gente bonita e burra por metro quadrado. Sentimo-nos desenquadrados. Pelo menos eu 😉

Foste a Lisboa apresentar-me a tua miúda e fomos jantar os três. Deixamos o Manel de cara à banda, lembras-te? Todos sabíamos que odeias queijo e como obviamente não podíamos ser irmãos ou irmãs, fomos obrigados a confessar que éramos exs e actual. O homem ia caindo de costas, mas a nós pareceu-nos tudo muito normal. Não é?

E hoje convidas-me pro teu casamento em Braga, e se tudo correr bem, lá estarei, e com muitíssimo gosto, porque 18 anos de amizade contam muito mais que dois meses e meio de patetice há muitos, muitos anos atrás, e assim como assim, karma is a bitch and it already bite you in the ass!

Irónicamente uma das tuas músicas favoritas é o Karma Chameleon.  Ainda hoje, cada vez que passa num bar ou numa “xicoteca” eu danço com tu, com os dedos espetados a fazer de pistolas. Ainda hoje gosto desta música. Ainda hoje gosto de ti meu amigo. Espero que tenhas ganho juízo e faças essa rapariga feliz. Senão vou ter que te bater nas orelhas e é coisa que me há-de dar prazer até sermos velhinhos!
Parabéns estarola!

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