É com cada ave rara…

… eu não sei como é o vosso local de trabalho, mas o meu é certamente dos mais … estranhos? será um bom adjectivo? com que já me deparei.
Trabalhar com geeks é sempre uma caixinha de surpresas, até porque a maioria relaciona-se melhor com máquinas que com seres humanos, e dá-me a oportunidade de conhecer pessoas fantásticas, muito mais genuínas e sinceras que o normal que se encontra por aí.
Normalmente sinto-me dentro de um “Big Bang Theory” ao vivo e a cores em que eu nitidamente sou a “loira”, mas não me importo. Até porque, tal como ela, acabo por fazer amigos extraordinários. Sui generis, com toda a certeza, mas muito, muito boas pessoas.
Se em Portugal era banal eu “fazer amigos entre os animais”, aqui na Holanda é raro. Vamos lá a ver, eu gosto das pessoas com quem trabalho, tenho uma equipa mesmo porreira, cinco estrelas, mas depois há toda uma amálgama de gente que me rodeia e que são capazes de dar com o mais santo em tolinho, tudo porque pura e simplesmente ultrapassam o limite da razoabilidade do geek.
É com cada ave rara que vocês nem imaginam. Nem os filmes os conseguem reproduzir, camandro!
É claro que se a ave rara não interagir comigo, eu limito-me a observar e sorrir e seguir em frente. Às vezes faço reparos mentais, como quando vi um colega tão mal vestido que pensei que era um trolha, ou outro que parecia um lenhador, ou até quando passei por uma colega que era tão grande mas tão grande que a minha cabeça lhe dava pela anca! Quer dizer, nesta última ia ao telefone com o meu Pai e pude exclamar, como se o meu Pai a pudesse ver, tshiii Papá, ca ganda besta que passou por mim! Parecia um poste, não tás bem a ver! Dasse, que ela dava três de mim, cada mão parecia uma raquete!
Mas pronto, fora esta vez, normalmente não digo nada, até porque se há coisa que aprendi na Holanda foi que neste País cada um é como cada qual e além de ninguém ter nada a ver com isso, eles estão bem a borrifar pra minha opinião, por isso mais vale calar.
Agora, se interagem comigo e são mais esquisitos que um Hobitt, pera lá que a coisa muda de figura!
É que aí não é esquisito de aspecto, é mais como sentir que está a falar com alguém doutro planeta, “man”, a sério, é gente muito estranha. Muito mesmo.
Então se fazem caras estranhas e incompreensíveis depois de eu lhes fazer uma pergunta e ainda se remetem ao silêncio em vez de me responder decentemente, E AINDA POR CIMA olham pra mim como eu é que fosse a “esquisitóide”, então aí, eu que fervo em pouca água dou comigo a respirar uma, duas, três vezes, até que me sai entre dentes e em bom Português, e bem baixinho “também nunca percebes nada, car@lho”.
Juro, juro juradinho que às vezes até tenho que fechar os meus dedinhos em punho e agarrar-me à cadeira e manter os olhos no teclado que é pra não verem os meus olhares que alternam entre o “vou-te furar os olhinhos!”, o “ca ganda anormal” ou o mais comum, “meu, tu não és desta dimensão de certezinha”!
Loira, eu devo ser é loira….

2 comments:

  1. Como te compreendo, eu também trabalho num episódio do The big bang theory.
    Acontece-me com frequência ser a única pessoa numa reunião que não está descalça ou de chinelos e meias, tenho que lidar com gente que parece sofrer de torcicolos crónicos e não são capazes de olhar ninguém nos olhos e já cheguei a assistir a uma discussão entre 2 tipos que acabou não à porrada mas a resolver equacoes.
    Apesar de parecerem vindos de outro planeta gosto muito de trabalhar com este pessoal e acho que tenho jeito para lidar com eles. Sou uma espécie de geek whisperer 😉

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