Descobertas tardias

Quando era miúda detestava música clássica, achava-a deprimente.
           – Primeiro porque não sabia nem conseguia tocar instrumento algum, sempre tive um ouvido duro que nem uma pedra.
           – Depois porque era a música que punham para “encher chouriços” enquanto a emissão televisiva não voltava e às vezes durava minutos que se faziam horas intermináveis.
           – Já na faculdade continuava a não entender o porquê de haver gente que estudava ao som destas “musiquetas”, o meu Pai bem me ofereceu dois CDs, mas aquilo dava-me um sono horrível. A culpa foi minha que lhos pedi depois de ter visto “O Piano” (que banda sonora incrível!)…

Há já uns anos valentes que aprendi a apreciar, muito por causa das bandas sonoras dos filmes, principalmente de um dos meus filmes favoritos de sempre, o Cinema Paradiso, cujo Ennio Morricone orquestrou e povoou dentro de mim. Amo aquela banda sonora.
Um dia pedi a um amigo que é realizador de cinema que me desse uma lista das bandas sonoras favoritas dele e descobri Alexandre Desplat, que é outro compositor que não sabe fazer coisas abaixo de genial.
Mesmo assim estou muito longe (a milhas mesmo!) de perceber alguma coisa de música clássica, nem tal me atrevo a dizer. Pra começar sou uma nódoa para saber o compositor magnânime de que peça estou a ouvir, e depois não toco instrumento nenhum e nem uma nota sei identificar. Só sei que gosto muito de Piano e de Cordas em especial.
Até que em Novembro fui à Museum Night de Amesterdão. Na Sinagoga Portuguesa estava um quarteto de cordas a tocar e estava tudo parcamente mas maravilhosamente iluminado por grandes candelabros cheios de velas de parafina. Centenas de velas brilhavam e consumiam-se lentamente ao som de músicos que me aqueciam o coração com Bach. Finalmente aprendi a identificar a peça e o compositor. Continuo a ser uma nódoa, mas estou um bocadinho melhor.

E hoje em dia trabalho ao som de música clássica, e encho a minha casa dela, exactamente como fazia antes com Bossa Nova e Jazz. O meu iPad deve ser um tédio pra muita gente, mas a mim enche-me a alma.
Pode ser que hoje Bach chegue um bocadinho mais longe, que chegue ao coração de cada um de vós.

16 comments:

  1. (um pequeno apontamento que tem a ver c/musica mas n/com classica: o teu blogue ha semanas que me da musica, mal entro na pagina ha uma musica que me bloqueia o firefox… isso tem-me impedido de ler os teus posts a nao ser no feed do reader!)

  2. Oh, a sinagoga portuguesa… Não cheguei a ir lá quando estive aí, mas tive pena (ficava ao pé de um jardim/parque muito bonito, o jardim botânico, será…?). Uma noite de Bach com esse ambiente deve ser lindíssimo 🙂
    Bjnhs!

  3. Há momentos para todos os tipos de música. Também tenho os meus momentos "clássicos", mas quando é ao vivo, o momento é sempre.
    Ah, e claro, adoro os instrumentos de sopro. 🙂

  4. Olá, não me lembrei dessa banda sonora, tb é poderosa sim senhora. Os dois Senhores que nomeei acima são grandes maestros e compositores, procura as bandas sonoras deles que vais adorar, ganharam quase todas oscars!

  5. Vês da próxima vez que cá vieres 🙂 A sinagoga Portuguesa é pros lados de waterlooplein. E fui agora ver ao mapa, e tens razao, é ao pé do botânico! Que memória prodigiosa que tu tens, bolas!! Deves ser como a minha amiga Fernandes,deves vir com GPS incrustado na cabeça ;))
    Foi mesmo de ficar sem fôlego, gostei imenso, foi um dos momentos mais mágicos dos meus últimos anos. Daqueles que sabes que vai ser irrepetível, até pq tinha a minha Prima por companhia, coisa que não é de todo normal já que ela vive em França e antes vivia uma em Lisboa e outra no Porto. E veio com os miúdos e tudo, foi um fds muito especial mesmo 🙂

  6. Olá Lali, qdo faço incorporar dos vídeos do vimeo acontece-me sempre isso, é uma chatice, o vídeo abre ao mesmo tempo que a página do blog e começa logo a tocar, e o teu firefox nao deve gostar e empanca.
    Mas o vídeo é do post "Macacos me mordam se eu quando tiver a idade desta Senhora não vou ser igual a ela!!" e eu gosto mesmo dele e não o quero retirar. Mas daqui a uns posts mais já o video desapareceu na lista de posts e podes ler os post no blog outra vez 🙂
    Se souberes como se resolve a pastilha do auto-início do video diz-me que eu agradeço a partilha 🙂 e resolvo já isso.
    Aqui há uns tempos tinha um vídeo que começava com um senhor a dizer: La tierra……
    Ainda hoje ouço a voz dele! :))
    Beijinhos

  7. Umas boas cordas ao vivo é coisa pra me arrancar a língua, até fico muda 😀
    Os de sopro, sou mais saxofone…o clarinete nunca me apaixonou, sorry! :)) Mas uma boa flauta transversal muito bem tocada, a acompanhar uma harpa……… é bom, é muito bom.

  8. Eu sou uma moça assim para o "cota", não tenho nomes fixes e alternativos para trocar, sou fiel ao Mozart e ao Vivaldi. E as valsas do Tchaikovsky também me animam. Nomes de sinfonias e coisas assim mais "concretas" é que vai ser dfícil, eu tenho memória de peixe =D (daquele do Nemo, sabes? :P)

  9. Eu sempre estudei ao som de bandas sonoras… não percebo nada de música clássica ou de orquestra mas não fico indiferente ao "click" que produzem em mim e isso é o que conta.

    Eu recomendo também as bandas sonoras do "W.E." e "A Single Man" de um compositor polaco chamado Abel Korzeniowski e do "Out of Africa" pelo John Barry (acho que é esse o nome)… e o John Williams, colaborador frequente do Spielberg tb tem músicas muito boas.

Deixar uma resposta