Quando o nosso mundo cresce, as saudades aumentam na mesma proporção

Este ano, quando fui a Nova Iorque em Fevereiro, conheci uma miúda Espanhola que lá vive há 10 anos e que me disse que estava farta dos Estados Unidos até à ponta dos cabelos. Tem uma carreira muito gira como produtora de grandes eventos, onde conhece gente famosa todos os dias, mas trabalha que nem um animal e está farta da América. Quer voltar a Espanha, mas quando até a Família Real Espanhola se tornou uma fantochada, que fazer num País que é uma anedota?
Eu fiquei a ouvi-la e a pensar: como é que alguém se farta de viver em Nova Iorque?! Porquê Espanha novamente quando tens 25% de desemprego e nada de interessante pra fazer?

Da mesma forma que ela se fartou de NY e dos EUA, também eu me fartei de Amesterdão e da Holanda. Não sei porque é que me surpreendeu tanto apenas há meia dúzia de meses atrás, que ela estivesse cansada.

E também não sei porque é que me surpreende que pessoas acabadas de chegar estejam tão espantadas que eu esteja farta 🙂
Também falei com uma miúda Portuguesa ontem que me dizia que não conhecia nenhum Português que vivesse na Holanda há mais de 10 anos.
Eu conheço meia dúzia que vivem cá há mais de 10 anos, mas também eles estão fartos, salvo raras excepções. Acabam por permanecer porque têm um bom desafio profissional ou alguém por quem se apaixonaram e que os faz ficar.

O certo é que há uma espécie de timing para cada País e para cada nova aventura. Eu pessoalmente, mesmo sem trocar de País, tenho um timing de mudança próprio, preciso de mudar alguma coisa fundamental na minha vida de 3 em 3 anos. Vá lá que nunca me deu pra casar, senão já estava em concorrência cerrada com a Elisabeth Taylor! Mas mudo de funções, mudo de País, mudo de cidade, arranjo mais um cão (esta acho melhor não…), qualquer coisa que vire o meu mundo do avesso e puxe por mim. E profissionalmente então é imperativo fazer coisas diferentes, e está na hora. Em 2008 mudei de País, em 2011 mudei de funções e em 2014 tenho que mudar alguma coisa. Eventualmente em 2017 vai-me dar outra travadinha e mudo outra vez, até pode ser que de País.
O certo é que na sua grande maioria, os emigrantes de hoje em dia, já não emigram pra ficar o resto da vida no mesmo País. Muito menos em Amesterdão.
Esta cidade, Paris, Londres, Madrid, Nova Iorque, Singapura, Xangai, são grandes metrópoles que acolhem um número exorbitante de expats que chegam e partem todos os dias. Todos, todos os dias.
A emigração já não é o que era, mas só quem já emigrou é que percebe esta frase.
E as pessoas que emigraram e hoje vivem em Portugal nunca mais foram as mesmas e são as que vivem mais felizes, são aquelas que chegaram mesmo à conclusão que o dinheiro não é tudo, mas também que não estão limitados, estão em casa por opção e não porque o mundo não esteja à espera deles a qualquer momento. E por isso vivem livres, e são, mais felizes. Quem regressa e se sente infeliz facilmente volta a pegar nas malinhas e encontrar outro País, outro rumo, outra vida.
Têm que entender, aqueles que estão a pensar emigrar e os que estão agora a emigrar, que a frase já não é “uma vez emigrante, para sempre emigrante”, a frase agora é “o mundo é muito grande, o mundo é a minha casa, mas o meu País é Portugal”.

PS: Hoje vi um post do meu amigo Espanhol que me apresentou a tal miúda, e o post dizia: home sick, big time. E ela respondeu-lhe: anda pra casa que eu faço-te uma tortilha! Eu fiz lombo assado. Somos todos iguais. Vou ali beber uma mini!

17 comments:

  1. Ainda bem que consegues ter distanciamento para te analisares, fazeres um diagnóstico do estado do teu "estado de alma" e qualquer dia achares o pontinho que vai puxar o fio que te leva à solução…E lá irá ela com os seus canitos! É pena é deixares essa casa tão bem arranjadinha…Beijinhos, alma desassossegada!

  2. Sem dúvida que ser emigrante já não é para sempre. Eu já saí de PT e regressei umas quantas vezes. Saio porque preciso de mudança, de desafios, de me embrenhar noutras culturas. Mas passado algum tempo farto-me e volto a PT. E tudo é óptimo de início e matam-se as saudades mas aos poucos volta o "bichinho" e começo a pensar novamente em sair do país.
    E só tenho 1 ano e meio de Holanda mas já sei que não me vejo cá por muitos anos e já dou por mim a pensar para onde gostaria de ir a partir daqui. No fundo, o importante é nos sentirmos bem com as nossas escolhas 😉

  3. Excelente texto e tão verdadeiro. Também eu estou farta da Suíça e acho que se conseguisse voltar para Portugal ia ser feliz lá como antes não era, porque realmente o dinheiro não é tudo. Mas é como se diz, quem não conhece outros países, nem o seu país conhece.

  4. Cheguei ao teu blog através um amigo teu chamado Pedro e que já deixou a Holanda. Já não me lembro exactamente porque é que ele me deu o teu blog, estamos a falar do ano de 2011, por ai…sou leitora assidua e gosto muito.
    A-D-O-R-E-I este teu post. Estive em Madrid 3 anos, amo aquela cidade, mas ao fim dos 3 anos já não aguentava mais, já nem conseguia ouvir os espanhois a falar. Este teu post lembra-me um meu que escrevi naqueles momentos maus, em que as saudades apertavam, eu chamava-os "Dias Portugal", em que dava tudo para estar em Portugal. Agora já estou cá e dou tanto valor a isto, mas tanto!!, mas tb não posso dizer que não me dê por vezes saudades daqueles tempos em que tive em Madrid. Se quiseres ler –> http://fui-para-madrid.blogspot.pt/2009/09/o-meu-pais-e-minha-casa.html
    Continua a escrever e força!! 🙂

  5. É mesmo isso Rita!
    por mais voltas que dê,
    por mais gente que conheça,
    por mais tempo que passe
    por mais que goste da vida que levo em Madrid…o meu país e a minha casa serão sempre em Portugal.
    É só trocar o nome à cidade 😉

  6. Teria tanto a dizer sobre este assunto…
    Eu sei o que é sentir-me em casa numa cidade que não é a minha, mas mesmo assim, nunca tive a coragem suficiente para me mandar para lá e abandonar tudo o que tenho aqui. Sou uma privilegiada porque apesar de ter 28 anos e ser da área das letras nunca estive desempregada em Portugal e por isso, melhor ou pior, fui ficando.
    A vida acabou por me mostrar que, para já, o caminho não era o que eu pensava e que ainda era para ficar cá mais tempo. Não sei se algum dia vou sair. Admiro muito quem saiu. Muito mesmo. Sinto uma espécie de frustração porque nunca o ter feito, mas também dou cada vez mais valor ao facto de ter encontros com os meus amigos e com os meus pais e avós à distância de um telefonema e 20 minutos de carro (às vezes nem tanto!).
    Já decidi que ainda este ano hei-de voltar ou a Londres ou a Amesterdão e quando as pessoas me perguntam porquê a uma de duas cidades que já conheço, se há tantas outras cidades europeias que eu gostaria de conhecer, eu respondo: "Pois há, mas eu tenho tempo. Tenho grandes amigos a viver fora e sei da enorme alegria que é para eles terem amigos a ir passar fins-de-semana com eles nos países onde escolheram (ou nem tanto) viver. E poder proporcionar-les essa alegria e ainda levar 2 garrafas de vinho do dão e uns chouriços alentejanos não tem preço!".

  7. Nem todos temos q ser emigrantes, nao é necessario se nao nos faz feliz. Vem a Amesterdao qdo quiseres, a casa é tua e eu adoro ter-te por perto. Se for bem combinado até te levo a conhecer Paris, mas tem de ser antes do dia 13 de novembro 😉
    Beijos grandes, és linda!

  8. Mariana, eu solução já tenho. Agora tenho é que ter disciplina e acima de tudo MUITA paciência para colocar o meu plano em prática. E isso custa mto mais a fazer que encontrar uma casa arranjadinha 🙂 Ou que a por arranjadinha.
    Aliás, esta casa faz parte da solução, pura e simplesmente é melhor do que eu esperava. Boas surpresas agradecem-se sempre!

  9. Exactamente Angela, sentirmo-nos bem com as nossas escolhas e sermos coerentes com os nossos sentimentos. Quem não está bem, muda-se! já diziam as nossas avós.
    Eu já me embrenhei em duas culturas que não a minha. A não ser que realmente tudo desabe e eu queira voltar a fazer tudo de novo, por mim está bom. Mas se for preciso fazê-lo no futuro, então não faço?
    Já agora, tens cá uma barrigona, daqui a nada salta cá pra fora um rebento! Vais ver que aí PT te vai saber melhor 😉

  10. Sim, e bendita a hora da minha experiência cá fora e o dia em que me convidaram pra vir pra cá!
    Mas há uma coisa importante, por mto bem que faça às pessoas, nem toda a gente nasceu pra ser saltimbanco. Se fomos capazes de o fazer, e no teu caso mais que um País, se não me engano, palminhas pra nós 🙂 Mas temos direito a dizer qdo já chega, não é? Tu da Suiça e eu da Holanda, e quem quiser de Madrid, França, whatever 🙂
    E pronto, é planear e fazer as malinhas pra voltar. É o que eu ando a fazer há uns meses. Mais um ano, menos um ano e eu consigo lá chegar!

  11. ehehehh! Já faltou mais 😉
    Sim, suponho que com um bebé a falta da família e amigos vai ser ainda maior. Mas nao tenho nada por garantido e quando lá chegar, logo veremos. Uma des melhores coisas desta vida ainda é o nosso poder de escolha 🙂

  12. Que maravilha. Também já ando a tentar planear a fuga, mas ainda não sei bem como. Quero dar-me mais um ano no máximo, porque se não estamos felizes do que é que adianta?

    Já agora aproveito para dizer que gosto muito do teu blog.

    Beijinhos e boa sorte.

  13. Obrigada miúda 😉 Qto ao plano, a primeira coisa que tens que fazer é pôr uma data limite, com dia, hora e ano. Depois a "urgência" surge e ficas pronto pra ir a qq momento.
    Beijinhos, boa sorte pra ti também! 😉

  14. É engraçado como, a vaguear pela Internet, procurando qualquer coisa que justifique ainda não estarmos a dormir (o tirano do despertador vai-se vingar mais logo), encontramos algo que tanto nos toca ao coração.
    Obrigada!

  15. De nada Xana. O que é escrito de alma e coração normalmente toca a alma e o coração dos outros 🙂
    O meu despertador tb foi um sacana hj, estou muito zangada com ele! 😉

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