Voltar à base

Sou incapaz de pegar sequer no telemóvel quando vou a conduzir em Amesterdão. Chego a Lisboa e passado uma hora já estou a ligar a alguém pra combinar algo ou dar-me indicações de como chegar a casa dele, com o dito pendurado na orelha à cara podre.

Não sou capaz de dormir pra lá das 10 da manhã em Amesterdão, deite-me eu a que horas me deitar. Chego a Lisboa e durmo até à uma da tarde se me deitar depois das duas.
Não me deito depois das duas em Amesterdão a não ser em raros dias de insónia ou de festa. Não aguento pura e simplesmente,seja em casa de alguém ou na rua. Chego a Lisboa e saio até às 6 da manhã (com os meus amigos que vivem comigo em Amesterdão e que também já não aguentam que segundo dizem a idade conta pra todos), não dou pelas horas a passar, falei com metade da discoteca, FUI a uma discoteca!!!, conheci uma porradona de povo, fui abraçada e beijocada por estranhos que gostaram de mim, dancei!!! e quando acordei à uma da tarde pensei: eu já não tenho idade pra estas merdas, mas há muito tempo que não me divertia tanto!
Já agora, mais umas dicas: o jardim de Santa Clara ao pé da Feira da Ladra tem um quiosque amoroso e sítio pra aterrar na relvinha e permitem cães na boa. 
O Clube Ferroviário é um sítio muito giro para estar à conversa com amigos e tem uma vista divinal: must go back!

É tão fácil fazer-me feliz

Hoje fui almoçar ao Darwin, um restaurante que fica dentro do Centro Champalimaud (espero nao estar a escrever mal o nome…) em Algés. Uma vista divina na melhor das companhias. Sou mimada até à exaustão. Depois entreguei uns livros pro leilão da Princesa Tarita (Pat, bota o link pros teus posts na caixa de comentários pf) e fui à empresa matar saudades dos meus antigos colegas, em especial do Senhor que me contratou pela primeira vez há 14 anos e de quem gosto como se gosta de um Pai. Ele ficou tão contente por me ver que no fim da conversa de mais de uma hora tivemos que fazer um esforço pra conter a lágrima. Emocionei-me. Foi felicidade em estado puro ao sentir que quem gosta de nós, está mesmo lá pra nós em qualquer momento e situação. Foi o primeiro e o melhor chefe que já tive, nunca superado por nenhum outro. Ninguém tem um coração do tamanho do daquele Senhor.

Seguiu-se uma jantarada com pessoas de quem gosto imenso e com outras que não via há mais de 8 anos e que continuam a ser do melhor que já conheci em viagem. Miúdas reguilas que me confidenciaram segredos do alto dos seus 10 e 7 anos e que me pediram pra voltar. E pratos confeccionados sem lactose especialmente aqui pra je. Grandes conversas e muita risada.
Acabei o dia a ler dois emails de grandes amigos de quem já não tinha notícias há muito e que me mandaram fotos e playlists compostas só pra mim.
Ainda só vou no terceiro dia e a continuar assim o meu estado de pure bliss, estas férias vão concorrer seriamente com qualquer viagem que eu já tenha feito no top de momentos mais deliciosos da minha vida.
Obrigada universo por escolheres os amigos mais doces e os colocares numa bandeja só pra mim.
Digam lá que eu não tenho uma ganda pinta no carro que a minha amiga me emprestou? Correr Lisboa num dia de sol de férias ao volante deste chiante foi a cereja no topo do bolo!

Because I’m happy and lucky!

Clap your hands if you are happy too!

Há gente com muita sorte, como eu.
Estou numa casa fantástica que uma grande amiga me emprestou por uma semana. Quando cheguei ontem à noite, a Tia dela deu-me as chaves de casa, do carro e da garagem e ainda me mostrou um frigorifico cheio de miminhos pro meu pequeno almoço, como faz à sobrinha.
Derretida pela simpatia da senhora, fiz um chá, tomei uma banhoca e fui-me deitar e devorei mais 50 páginas do “O sangue dos inocentes” da Julia Navarro.
Hoje de manhã acordei às 9 e pico, vesti a roupinha da Susana Gateira que os meus amigos me ofereceram e fui correr pro Campo Grande.
Mais um banho mas desta feita gelado, um pequeno almoço de truz e chega a sô Dona Esperança Olímpica Shaina pra passar o dia comigo.
Fizemos a Avenida da República inteirinha a butes e fomos almoçar com a Fernandes e dar uma beijoca ao ursinho Pandas 😉 Não me enganei, não, é um amigo fofinho como um panda que saiu duma reunião só pra nos dar um abraço.
Partimos em busca dum novo telemóvel pra repor o que me gamaram na cena da casa, e fomos dar ao Peter’s na Expo onde encontramos mais duas miúdas giras com que falamos até ficar quase sem voz. Achei lindo a Shaina dizer: eu quando for grande quero ser assim como vocês, é que é mesmo isto! Independentes e mulheres de sucesso! Ficou maravilhada, mesmo. Tão maravilhada que vínhamos pro metro e diz: um dia vou ser assim, vou sair de trabalhar às 4 e ficar a conversar com as minhas amigas até às 9 só sobre coisas inteligentes! Conversa com conteúdo, entendes? Como vocês. Quero ter amigas assim!
Eu partilho as minhas contigo Shainocas, não há problema. E ao mesmo tempo rebentava de orgulho, baba escorria pelo facto de ter como minha protegida uma miúda que agarra bons exemplos quando os vê. Um dia ainda vou conseguir que todos os teus dias sejam tao inspiradores como os de hoje.
Acabamos o dia na companhia doutro amigo nosso que ela admira imenso e que lhe disse que adorava ler e que lê imenso. Tiramos umas fotos palhaças, falamos sobre cinema e sobre cães e já com os olhos torrados de sono decidimos todos vir pro Grande Vale dos Lençóis. E eu vim com a certeza de que não há nada como rodear os “miúdos” com excelentes companhias, mas melhor ainda só o enorme privilégio que tenho em as ter.
Foi um dia fantástico, cheio de gente boa, conversa boa, muita gargalhada, muito beijo e muito abraço. Um dia que eu não me importava de repetir muitas mais vezes. E O dia em que convertemos  mais uma à literatura, com toda a certeza! Senão leva com um e-reader pela tromba que até sua! ;))
Se há dias pra agradecer, este foi um deles. Venham de lá mais! 

Nem tudo é substituível.

Acabei de me lembrar que me roubaram o meu anel de curso, oferecido pelo meu Padrinho que já faleceu e pela minha Madrinha, o meu anel do brasão que pedinchei ao meu Pai desde que tinha 8 anos e que só me foi oferecido aos 21 pelo natal mas que era igual ao dele, os brincos e o anel da Swatch que a minha equipa de Portugal me ofereceu como presente antes de eu vir pra Holanda.
Posso substituir tudo dirigindo-me à ourivesaria em Portugal, mas a raiva que tenho aos filhos da puta que me levaram coisas que jamais vou substituir e que eram tão pessoais, essa, não passa.

Resposta do meu Pai: deixa lá, fazes um anel novo, daqueles em pedra cinzenta que são mais bonitos! Se a minha Mãe sabe… mata-me.