Quando se está fora…


Imagem retirada daqui.

…parece que os amigos explodem em vez de reduzir.
Há quem tenha receio das distâncias, do que isso possa fazer a uma amizade. Já tive várias conversas sobre este assunto com vários amigos meus. Uns dizem que a amizade é cultivada todos os dias, com encontros periódicos semanais ou até diários, outros dizem que conseguem manter amigos e grandes amigos à distância.
As duas facções nunca chegam a um acordo.
Eu tenho uma experiência curiosa.
Tenho dois amigos, o Nuno e o Hugo, que são ferrenhos da primeira. Encontram-se no mínimo todas as semanas, normalmente até todos os dias para conversar, falar sobre temas diversos, a vida pessoal deles, praticam desporto juntos, enfim, tornaram-se quase irmãos. Ora quando conheci estes dois “espécimes” fui confrontada com esta necessidade de me verem constantemente para que eu pudesse “entrar” no círculo estrito das suas amizades.
Eu sou uma rapariga que gosta de conhecer pessoas e tenho, efectivamente, muitos Amigos. Para mim é às vezes difícil gerir tantas amizades e conseguir um tempo razoável pra todos. Não sei bem como é que fiz a coisa, mas o certo é que, apesar de não me verem todos os dias, entrei no círculo. As conversas são excelentes, o carinho é enorme, e a convivência é fácil. No ano passado em Julho vieram-me visitar com mais um amigo deles. Tive 3 marmanjos em minha casa, sendo que tive que me ausentar a meio da visita deles pra ir de viagem pra Croácia, deixei-lhes a minha casa e as chaves, um beijo enorme e abalei.
Pois estes dois Senhores têm sido uma enorme surpresa! Não só me deram entrada VIP no círculo, como, apesar de estar eu no “cú do mundo”, me mandam emails e presentes pelo correio, com uma ternura que me comove sempre, mesmo quando me perguntam se tenho amigas boas, mas mesmo boas pra lhes apresentar.
O certo é, que apesar da convicção ferrenha deles de que uma amizade só é possível através de constância de presença, me adoptaram e permitiram que eu fosse quem sou e como sou, e me tornaram amiga deles. Gosto muito de vocês meus Parasitas!


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A segunda parte da minha experiência é a aproximação extraordinária de algumas pessoas que estão em Portugal. Alguns vieram-me visitar mais que uma vez, outros estão no vir, mas todos eles têm tido conversas sérias e profundas comigo via web. A minha opinião é que acabam por desabafar e partilhar comigo coisas pessoais como antes não faziam porque todos eles têm em comum a sua grande timidez e reserva.
Não faz sentido? Faz. Eu explico. No fundo o que acontece é que muitos de nós somos muito mais abertos a falar a um écran, sem ter de olhar olhos nos olhos. Ora se conseguem ter do outro lado alguém que efectivamente conhecem, e com quem até gostam de falar, com a enorme vantagem de não lhes aparecer à frente na hora ou dia seguinte, porque não desabafar com essa pessoa? Ela até dá uns conselhos porreiros, não têm de a encarar dali a breves momentos, ela poupa-lhes os olhares que podem denunciar a outrém que esteja ao lado o que se passa com eles, dá-lhes liberdade para só se terem que “expor” quando eles assim o desejam, querem melhor pra quem é tímido e reservado?
O mais giro e delicioso disto tudo é que eu acabo por, ao estar longe, ter tido (e continuar a ter) o enorme privilégio de os conhecer um bocadinho melhor e a amizade vai crescendo dentro da confidência, e o respeito pelo outro também. E vale a pena. É bom. Sabe bem. GOSTO.
No dia em que regressar tenho noção de que a reacção será uma de duas: ou a amizade é mesmo amizade das fortes e permanece, ou então atenua porque afinal agora estou lá pra terem de me olhar nos olhos. Seja como for, não me importo. Os momentos que me proporcionam de carinho, de ternura, de alegria, de entrega, de disponibilidade, valem tudo.
Depois há ainda aqueles que não sabem mesmo lidar com a distância e que como deixamos de estar junto da vista, passamos a estar longe do coração. Não faz mal. Eu gosto deles à mesma. Porque fizeram parte da minha vida e na altura em que tanto eu como eles estivemos presentes, passamos bons e maus momentos, e isso preenche.
Depois há os amigos novos, aqueles que vou fazendo por terras de socas e moinhos.


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As pessoas enriquecem-nos a cada momento, fiz já algumas amizades fortes e que “pase lo qué pase” se vão manter pela vida fora porque isto de termos vivido todos longe da família e dos amigos não é fácil e une-nos muito.
Eu acredito que o nosso coração é enorme, que a capacidade do ser humano de amar é enorme (e amizade é também uma forma de amor), e que estes 4 tipos de amigos valem a pena e todos eles fazem parte da pessoa que fui, da pessoa que sou, e da pessoa que serei. Mão-na-Mão.


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3 comments:

  1. É um resumo muito acertado, isso é certo! É engraçado como as coisas se modificam quando estamos longe, mas não significando necessariamente um afastamento.

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