Pela Rita F. na Rua da Abadia:
As das mulheres em particular, que são as que conheço melhor porque eu própria também não consigo evitar certas destas exigências, vão desde inteligência, cultura e educação a cor dos olhos, rabo giro, roupa gira, nariz pequeno, nariz grande, sinal na cara, moreno, alto, baixo, gordo, “misterioso”, “decidido”, “confiante”, “sensível”, “que não tenha vergonha de chorar”, “que nunca chore”, “artístico”, “artístico sem ser gay”, “que seja de esquerda”, “que seja de direita”, “que seja centrão”, “que nunca vote”, enfim, uma imensa panóplia que com certeza os homens também terão quando idealizam a mulher perfeita.
O problema é que, às vezes, estamos mesmo à espera que as pessoas reúnam esta parafernália toda de qualidades, e temos uma lista mental com tópicos que vamos riscando, “ai, mas eu não quero uma pessoa que diz ‘há-des”, “ai, mas eu nunca poderia gostar de alguém que acha que cinema português é Adão e Eva”, “ai, mas eu nunca poderia gostar de alguém que usa pullover por cima dos ombros”, “ai, mas eu nunca poderia gostar de alguém que foi ver a Beyoncé ao vivo e adorou”, etc., etc. Confesso que estou a traçar um quadro propositadamente negro – compreendo perfeitamente que ninguém queira partilhar um minuto, quanto mais a vida, com indivíduos que correspondam a este perfil.
Mas enfim, chega-se a um ponto em que tempos de perceber que há coisas que não têm importância nenhuma (não são, seguramente, “há-des” e gostar de Beyonce, mas talvez, por exemplo, o pullover por cima dos ombros seja tolerável… ou talvez não). E que, ou abrimos os olhos para as pessoas que nos rodeiam e que talvez sejam, sei lá, “espectaculares”, ou nos sentamos, especados e especadas, pacientemente à espera de Godot que, como Beckett ensina e bem, nunca há-de chegar e é bem feita.
Eu só quero um Homem que me faça rir quando estou furiosa e que, pelas alminhas, não use camisolas pelos ombros. Obrigada Rita, concordo plenamente contigo.
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Até que enfim um post de gaja sobre gajo que me parece mesmo genuíno. 🙂
Todos nós temos os nossos sonhos da mulher e do homem perfeitos. Acho que devemos lutar por aquilo que achamos correcto mas se à partida nos cingimos apenas a essas 3 ou 4 qualidades sine qua non (aliás sine quibus non), não vamos longe…
Sabes que te digo Jibóia? Depois de ter visto no outro dia um Dr. Phil (sim, a TV aqui é mesmo uma merda) e ter ouvido as gajas americanas dizer o que querem e o que não querem, o que gostam e o que não gostam, fiquei com a impressão que as mulheres Portuguesas andam a ver TV a mais e acham que se forem tão piquinhas como as meninas do Sex and the City lhes pode sair um Mr. Big. E depois dá nisto: solteiras que não sabem nem gostam de o ser, infelizes, todas a entrar na fase do relógio biológico, a comportarem-se como patetas e a serem ainda mais infelizes que no dia anterior.
Dizem que as gajas são complicadas. São senhora. E burras!
São sim senhora 🙂
Andorinha: palmas para o teu comentário. A sério.
Eu só queria alguém que me entendesse sem ser necessário fazer um desenho, que me fizesse rir (principlamente quando estou furiosa) e me desse aquele apertozinho no estômago e no peito. Não sabia como seria, se alto, baixo, gordo, magro, careca ou cabeludo. Mas reconheci-o no momento em que o conheci. Cumpre tudo e ainda me surpreende e ensina qualquer coisa nova todos os dias. Quase cinco anos passados ainda me dá os tais apertos. E não usa camisolas sobre os ombros 😉
(eles andam aí, e se não andarmos distraídas a verificar itens numa lista até somos capazes de dar com eles)
E o apertozinho no estômago, ora pois então! Agora já tá tudo dito! 😉
O dito chegará, e eu reconhê-lo-ei, e vai ser fácil. Outra coisa que esta malta se esquece é que TEM DE SER FÁCIL. Aquela coisa do draaaaama, do cooomplicado, do difiiiiicil, do sofrimentoooo, ó senhores, que gente tola! FÁCIL MALTA, pras relações darem certo, tem de ser FÁCIL!
Exactamente! Sim, é fácil. Acredita que eu (que já passei por um divórcio bem chato e um casamento muito complicadinho) até tive dificuldade em acreditar em tanta facilidade. Pensava eu: esta relação não me dá trabalho nenhum, nem chatices de maior (fora aquelas pequenas arrelias e ajustamentos, né), serei normal? E é. Sem dramas, sem chatices, sem grandes trabalhos. Corre como água num rio. Que para nos ralar já chega o resto. E assim é que é.
Por favor, se souberem qual é a formula para uma relação dar certo, não digam…
É muito mais divertido ir descobrindo dia a dia… Pelo menos comigo tento fazer assim…
Quando a ser fácil ou difícil… haverá momentos para tudo.
Besos
Coelho
Blue, deixa-te de caenas, ouve a I.!
"Sem dramas, sem chatices, sem grandes trabalhos. Corre como água num rio."
Com o passar dos anos a lista vai diminuindo. Vão ver. A minha já só tem uma condição e não digo aqui qual é. :))
Tás-te a fazer de difícil, é? Olha que eu não sou pendinchona!
Não, naõ estou. Só não digo porque tenho vergonha.:))