Do que mais gostei e recomendo em Nova York #2


O Gospel na Abyssinian Baptist Church em Haarlem.

Antes de mais, a dica da semana: em vez de tentarem ir lá num Domingo de manhã (a fila dá a volta ao quarteirão), vão à QUARTA-FEIRA ÀS SEIS.
A missa começa às 18:30 e não há quase fila nenhuma às seis, entram de certeza. Eles só admitem um máximo de 200 visitantes.
E vão com tempo, a missa dura hora e meia. Mas vale muito a pena.

Gostei mais que do Musical na Broadway. Gostei mais que do Top of the Rock. Gostei mais do que de East Village. Gostei tanto tanto tanto que quase viro Baptista só pela emoção, positivismo e gratidão sentida naquele dia.
Ser Católica e ouvir as nossas missas, e depois entrar numa missa destas…é pensar que devo ser a criatura mais aborrecida do mundo!
A Reverenda ficou noiva e anunciou naquele dia à sua Congregação. O noivo estava lá, outro Reverendo. Cheio de voz, pulmão e musicalidade. Baixinho, gorduchinho e inspirado. A missa ia ser diferente, disseram eles.
Quando lá chegamos explicaram-nos muito bem que aquilo não era um concerto. Era uma celebração e como tal, nós tinhamos de participar. Quando eles se levantassem, nós levantarmo-nos-iamos. Quando eles batessem palmas, nós bateríamos palmas. Quando eles cantassem, nós cantaríamos (esta parte é um bocadinho mais difícil!), porque nós estavamos lá “to praise the Lord!!”
No início tivemos direito a um “primo do Stevie Wonder”, que por muito bem que cantasse, não era tão poderoso como o Coro que esperávamos. Receámos mesmo que fosse “só aquilo”…é que não se podia sair dali antes da missa acabar, e é tudo muito giro e tal mas … Enfim, eu cá tava contente porque achei que aquela gente era toda muito optimista, e que estavam a partilhar com sentimento as alegrias e conquistas deles.
Não sei se foi de muito “Cor Púrpura”, se foi de muito “Do Cabaré para o Convento”, mas eu sempre quis fazer parte duma missa deles e gritar: AMÉN!! ALELUIA! PRAISE THE LORD! OH MIGHTY LORD! =D
Nisto, passado uns 20 a 30 minutos de lá estarmos, entra o coro de Gospel. Todos bem vestidos, todos penteadinhos, bonitinhos, preparados.
Vai daí o noivo Reverendo decide mostrar umas músicas novas.
E foi como sempre imaginei! Quando dei por mim estava de pé, a bater palmas, a cantar, a abanar a pescoceira, o rabinho e o pezinho ao som daquelas vozes maravilhosas e poderosas!!
Quando pensei que tava a acabar, vai a Reverenda e sobe ao estrado pro sermão (eu bem achei que só cantar era um bocadinho estranho).
A Senhora parecia saída dum programa da Oprah.
“Botou” um discurso de ficar pregado ao chão. De tal forma eloquente, de tal modo poderoso, de tal modo inspirador que ainda hoje me lembro do sermão: “What will it take for you to believe that He is among us?”
Fiquei tão impressionada, que imagino que se algum dia tenho tido a oportunidade de ouvir o Martin Luther King ao vivo desatava num pranto.
Acabou com tudo de pé, a cantar novamente.
A experiência é única, e garanto-vos que, se algum dia viver nos EUA, uma vez por mês vou a uma missa destas. Fica-se inspirado pra sempre.

One comment:

  1. Foi o que mais tive pena de não ver! E agora deste-me razão para ficar ainda com mais pena! Mas eu não sou organizada como a tua companheira de viagens e não me apercebi que o 2º Domingo que lá passei e quando pensei em ir ao Gospel, era o dia em que tinha o voo de regresso e não dava para mais nada! Sniiif!

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