O trânsito em Bali – versão documentário a la Sofia

Agora podem todos entender a história do Jibóia em Bali: http://jiboiacega.blogspot.com/2010/08/cadernos-de-viagem.html

(Tem vídeos no fim!)

Quem me conhece bem sabe que eu não só gosto de desafios como também não as bato todas, ou como diz a minha Mãe, não meço muito as consequências.
Sou impulsiva e há quem diga destemida.
Eu, muito sinceramente, acho é que eu realmente não paro muito (pra não dizer, de todo) pra pensar e que me mando de cabeça pras situações com um enorme “seja lá o que Deus quiser” sempre atrás do “pinsamento”. Isso e a célebre “ao menino e ao borracho põe-lhes Deus a mão por baixo”, que eu cá tenho-me em grande conta.
Se eu pensar mil vezes se devo ou não fazer A ou B, vou estar a gastar tempo a decidir, tempo esse que é muito mal aproveitado se estiver a magicar coisas más que me possam acontecer. Por isso quando tenho que fazer alguma coisa, faço logo e fica despachado. Às vezes (muitas vezes) faço decisões erradas, como comprar um robot de cozinha que usei 3 vezes…ou meter-me com gajos que não devo, ou meter-me em cima duma bicicleta sem sequer ver antes como é que é o trânsito numa determinada cidade….
Pois foi exactamente isso que aqui a amiga fez.
Chegadas a Bali, rise and shine depois de uma boa noite de sono, e bora lá conhecer os arredores! Vi o Eat,Pray,Love e achei que andar de bicicleta era tranquilissimo por aqueles lados. Não há bina de senhoras? No problemo, eu cá ando de bicicleta em Amesterdao, aqui não deve haver problema! Uma ressaca monumental, e eis aqui a Je a passar por cima de paralelepípedos. A minha cabeça estalava. Chego finalmente à porta do hotel, vejo a rua, e travo…e desiquilibro-me porque fico presa na trave do meio da bina de montanha, não cheguei com os pés ao chão e vôo directamente pra cima dum charco de água. Lindo! Mesmo em frente ao segurança do hotel 6 estrelas onde estávamos. A Tuxa nem queria acreditar, como é que eu tinha feito aquilo?
Munida de valor e engolindo o orgulho, levantei-me, olhei em frente, vi as motas e os carros a passar, os passeios todos fodidos, a estrada cheia de buracos, um caos do cacete e pensei: é melhor não.
Devolvemos as bicicletas e fomos alugar uma mota.
Eu fui à pendura, de mapa na mão. Tínhamos um mapa tão merdoso que o ponto de referência mais visível era a loja “niconico sportswear”. A Tuxa disfarçava os nervos como podia, eram motas a ultrapassar-nos por todo o lado, era ela encostadinha aos carros tal como quando andava a pedalar em Amesterdão, e era eu com um capacete enorme, a dar-lhe marteladas nas travagens e caladinha como um rato atrás, principalmente depois de ter tentado “ajudá-la” a travar a mota ao por o meu pé esquerdo em cima da perna dela num momento em que ia borradinha. AH gaja de valor a amiga Tuxa, é o que tenho pra vos dizer.
Lá chegamos a Kuta, eu com uma dor no rabo que não vos digo nem vos conto, depois de termos levado uma hora pra fazer 8 kms. Saio da mota, ainda de capacete na cabeça, com os presuntos colados ao assento da mota, pouso o pé esquerdo no chão, tiro a perna direita da mota, estou prestes a por o pé direito no chão, e desiquilibro-me, completamente sozinha, e caio em cima duns tijolos de cimento e esfaniquei-me toda. Esfolei as duas pernas e os trolhas ao lado riam-se incrédulos.
Ainda assim andamos mais um dia de mota, estando eu mortinha por devolver a bicha já que naquele trânsito,”moizinha”, é que nem pensar. Chegam os nossos amigos e propõe que, como somos muitos, aluguemos carros, até porque com as mochilas e tudo, de mota era impensável. GRAÇAS A DEUS.
No dia seguinte de manhã, aqui a bela da Andorinha vai com a Tuxa devolver a mota, deixa a elementa a quase ir ao focinho do palerma que não nos queria devolver o dinheiro dos dias a mais que já tínhamos pago (o tipo era grande e ela tirou-lhe as notas da mão, foi lindo!Haja coragem!), montei-me numa mota dum bacano qualquer que me disse que havia um stand de aluguer mais abaixo, e aluguei em 10 minutos o carro MAIS PODRE do universo. Tinha bom aspecto por fora, era uma carrinha de 7 lugares, mas que tinha a embraiagem toda lixada, os travões num estado lastimável, e que era incapaz de fazer uma subida com mais de 10% de inclinação sem ser em PRIMEIRA. Dizia a Tuxa: o meu aspirador em casa tem mais potência. E estava certa.
Dizia eu então que aluguei um carro sem sequer o experimentar, nem sequer pensei nas condições de segurança, nem sequer me passou pela cabeça que o carro pudesse estar todo quinado, mas, e lá vai a Andorinha de cabeça, meti-me no carro sozinha, no lado esquerdo da estrada, em vez de fazer pisca pus o limpa-para brisas a funcionar em seco, fiz o sinal da cruz, e fui em grande velocidade buscar a Tuxa e as malas ao hotel.
E como não quis que perdessem o espectáculo que é ter-me a conduzir em Bali, fizemos dois vídeos, sendo que no segundo existe a particularidade de poderem observar esta abécula que vos escreve: em contra-mão!

Enjoy!!

9 comments:

  1. ME-DO. Credo! E essa gente das motas não tem medo de morrer? Pareceu-me que controlaste muito bem as mudanças, não há chaço que não ande nas tuas mãos.

  2. margarida, pelos vistos nao tem medo de morrer. Sao loucos e estes videos sao lights!
    Ouve-se o carro em segunda e a brrrrrrrrrrrrrrrrr! Que remédio tinha ele senão andar. Deixava-lo no meio da estrada e arranjava outro!

  3. Caçar uma mota deve de ser fácil. Era só um toquezito e pumba! podias escolher entre a meia dúzia que derrubasses a melhor. Lol muito bom!

  4. Esqueceste-te de mencionar as razias, o pequeninissimo toque nas motas estacionadas em Ubud, o deposito cheio por 15 dolares e nao contaste bem o como arranjaste carro… Sim, porque estava eu a tentar recuperar o dinheiro e de repente apareces-me tu, ja montada numa scooter de um bacano qualquer e gritas, com a mota em movimento, este bacano arranja-nos um carro; ja volto! E eu fico feita parva sem acreditar que, de facto, te estas a ir embora com um desconhecido sei la para onde em busca de um carro. So tive tempo de gritar… encontramo-nos no Hotel? E ja estava a Sofia a desaparecer na curva e faz-me com a mao um sinal de ok e desaparece…
    E eu e que sou a temeraria… Right!!!

  5. Zoot, eu juro que não sei como é q não matei ninguém!

    Jibas, QUE REMÉDIO!

    Zôzô, eu ri-me a viagem inteira! :))

    Tuxa, FININHO! FININHO! FININHOOOOOOOOOO! E eu é que bati nas motas! 😀
    Eu fui com o desconhecido pq ele disse q era 20 metros mais abaixo. Se bem q aqueles gajos têm umas certas dificuldades na medição das distâncias… mas tu tb estavas na boa pra ir ao Warung com o outro gajo na mota q era dali a um kilometro! 😀
    Quem é temerária das duas?? 😀 NENHUMA de nós!
    E negociei 15 dólares por dia com "seguro incluído", e a polícia ficou com os papéis do gajo e nós nem lhes dissemos! 😀

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