Eat Pray Love ao estilo novela Portuguesa

Pra início de conversa o Bardem fala Brasileiro como uma vaca espanhola (é o que dá ver o filme com legendas em Holandês e focar-me no que dizem)

Em segundo lugar, fazem a ilha parecer um ovo quando é IMENSA, fez-me lembrar uma novela que fazia de conta que a Figueira da Foz e a praia e o mar estavam coladas, quando há kilómetros entre as duas e os estudantes de Coimbra levam uma hora de regional pra lá chegar.
Reconheci sítios na Ilha de Bali onde estive e sei perfeitamente que para ir de um para o outro se leva no mínimo 3 horas na melhor das hipóteses.

Em terceiro faz parecer que as praias de Bali são todas maravilhosas e limpas, quando na verdade estão cheias de lixo a não ser que estejam à frente de um hotel.

Quarto, não há por lá Bardem’s à pazada, mas existem muitos estrangeiros que lá vivem porque é incrivelmente barato.

Quinto, se pensam que eles vivem em casas como as que viram estão extremamente enganados. Aquilo são hotéis people, wake up and smell the coffee.

O mercado praticamente vazio que se vê é a maior aldrabice de todos os tempos.

Ubud está pejado de gajas que viram este filme e têm orgasmos durante as aulas de Yoga, e seriously, há muito boa gente a precisar de um psiquiatra por lá.

O mínimo de tempo que leva a ENTRAR na cidade pra chegar ao aeroporto de Denpasar é hora e meia e Julinha está a despedir-se do “monge” a duas horas do voo dela.

Last but not the least, vê-se sempre a bela da Julie montada numa bicicleta na boínha, como se Bali não fosse o verdadeiro assassinato de qualquer turista que se atreva a andar em apenas duas rodas.
MOSCAS, aquilo são moscas! Motas por todo o lado e bicicletas contam-se pelos dedos duma mão. E aqui a besta Sofia achou que podia andar de bina e graças a Deus que bateu com os cornos no chão logo no primeiro encontro, senão a esta hora não estava aqui!!!

Seriously people, Bali é lindo e maravilhoso e fiz lá coisas que nunca mais me vou esquecer, lindas e enriquecedoras, mas este filme é a maior banhada de todos os tempos em termos de realismo.

E ainda há malta a pensar que vão pra lá encontrar O Amor. É preciso ser-se muito estúpido carago!!

Snorkeling em Pulau-menjangan – Bali

Quando fomos a Bali a Thessazita e o Fred disseram-nos que TÍNHAMOS que ir fazer snorkeling a Pulau-Menjangan porque estava no Top 10 deles pra fazer o dito.
Ora euzinha nunca tinha feito snorkeling, a Tuxa estava desgostosíssima porque ainda nem sequer tinha estreado o equipamento novo que tinha levado, e eu pensei: siga a marinha, se não aguentar subo pro barco e acabou-se.
Como não gosto de ser desmancha prazeres e detesto pensar que posso morrer estúpida por não experimentar uma coisa que todos dizem ser tão espectacular, enchi-me de coragem e disse à Tuxa: vamos que eu também quero ir!
E VALEU BEM A PENA!
Além de não me ter afogado, fiquei fã e no fim já controlava o tubo embora ainda não me aventurasse em mergulhos.
No início fiquei à rasca porque me deram um tubo que deixava entrar água, mas depois de ter trocado de tudo foi um ala que se faz tarde, qual peixinho no meio dum aquário. E foi LINDO!
E como não tínhamos máquina pra andar debaixo d’água, à cara podre roubei as fotos todas da Thessa e do Fred e publico agora para que veja a loucura que é andar a boiar pelas águas Balinesas.

Palminhas pra quem souber os nomes dos peixes e não vale dizer nemo!!

O trânsito em Bali – versão documentário a la Sofia

Agora podem todos entender a história do Jibóia em Bali: http://jiboiacega.blogspot.com/2010/08/cadernos-de-viagem.html

(Tem vídeos no fim!)

Quem me conhece bem sabe que eu não só gosto de desafios como também não as bato todas, ou como diz a minha Mãe, não meço muito as consequências.
Sou impulsiva e há quem diga destemida.
Eu, muito sinceramente, acho é que eu realmente não paro muito (pra não dizer, de todo) pra pensar e que me mando de cabeça pras situações com um enorme “seja lá o que Deus quiser” sempre atrás do “pinsamento”. Isso e a célebre “ao menino e ao borracho põe-lhes Deus a mão por baixo”, que eu cá tenho-me em grande conta.
Se eu pensar mil vezes se devo ou não fazer A ou B, vou estar a gastar tempo a decidir, tempo esse que é muito mal aproveitado se estiver a magicar coisas más que me possam acontecer. Por isso quando tenho que fazer alguma coisa, faço logo e fica despachado. Às vezes (muitas vezes) faço decisões erradas, como comprar um robot de cozinha que usei 3 vezes…ou meter-me com gajos que não devo, ou meter-me em cima duma bicicleta sem sequer ver antes como é que é o trânsito numa determinada cidade….
Pois foi exactamente isso que aqui a amiga fez.
Chegadas a Bali, rise and shine depois de uma boa noite de sono, e bora lá conhecer os arredores! Vi o Eat,Pray,Love e achei que andar de bicicleta era tranquilissimo por aqueles lados. Não há bina de senhoras? No problemo, eu cá ando de bicicleta em Amesterdao, aqui não deve haver problema! Uma ressaca monumental, e eis aqui a Je a passar por cima de paralelepípedos. A minha cabeça estalava. Chego finalmente à porta do hotel, vejo a rua, e travo…e desiquilibro-me porque fico presa na trave do meio da bina de montanha, não cheguei com os pés ao chão e vôo directamente pra cima dum charco de água. Lindo! Mesmo em frente ao segurança do hotel 6 estrelas onde estávamos. A Tuxa nem queria acreditar, como é que eu tinha feito aquilo?
Munida de valor e engolindo o orgulho, levantei-me, olhei em frente, vi as motas e os carros a passar, os passeios todos fodidos, a estrada cheia de buracos, um caos do cacete e pensei: é melhor não.
Devolvemos as bicicletas e fomos alugar uma mota.
Eu fui à pendura, de mapa na mão. Tínhamos um mapa tão merdoso que o ponto de referência mais visível era a loja “niconico sportswear”. A Tuxa disfarçava os nervos como podia, eram motas a ultrapassar-nos por todo o lado, era ela encostadinha aos carros tal como quando andava a pedalar em Amesterdão, e era eu com um capacete enorme, a dar-lhe marteladas nas travagens e caladinha como um rato atrás, principalmente depois de ter tentado “ajudá-la” a travar a mota ao por o meu pé esquerdo em cima da perna dela num momento em que ia borradinha. AH gaja de valor a amiga Tuxa, é o que tenho pra vos dizer.
Lá chegamos a Kuta, eu com uma dor no rabo que não vos digo nem vos conto, depois de termos levado uma hora pra fazer 8 kms. Saio da mota, ainda de capacete na cabeça, com os presuntos colados ao assento da mota, pouso o pé esquerdo no chão, tiro a perna direita da mota, estou prestes a por o pé direito no chão, e desiquilibro-me, completamente sozinha, e caio em cima duns tijolos de cimento e esfaniquei-me toda. Esfolei as duas pernas e os trolhas ao lado riam-se incrédulos.
Ainda assim andamos mais um dia de mota, estando eu mortinha por devolver a bicha já que naquele trânsito,”moizinha”, é que nem pensar. Chegam os nossos amigos e propõe que, como somos muitos, aluguemos carros, até porque com as mochilas e tudo, de mota era impensável. GRAÇAS A DEUS.
No dia seguinte de manhã, aqui a bela da Andorinha vai com a Tuxa devolver a mota, deixa a elementa a quase ir ao focinho do palerma que não nos queria devolver o dinheiro dos dias a mais que já tínhamos pago (o tipo era grande e ela tirou-lhe as notas da mão, foi lindo!Haja coragem!), montei-me numa mota dum bacano qualquer que me disse que havia um stand de aluguer mais abaixo, e aluguei em 10 minutos o carro MAIS PODRE do universo. Tinha bom aspecto por fora, era uma carrinha de 7 lugares, mas que tinha a embraiagem toda lixada, os travões num estado lastimável, e que era incapaz de fazer uma subida com mais de 10% de inclinação sem ser em PRIMEIRA. Dizia a Tuxa: o meu aspirador em casa tem mais potência. E estava certa.
Dizia eu então que aluguei um carro sem sequer o experimentar, nem sequer pensei nas condições de segurança, nem sequer me passou pela cabeça que o carro pudesse estar todo quinado, mas, e lá vai a Andorinha de cabeça, meti-me no carro sozinha, no lado esquerdo da estrada, em vez de fazer pisca pus o limpa-para brisas a funcionar em seco, fiz o sinal da cruz, e fui em grande velocidade buscar a Tuxa e as malas ao hotel.
E como não quis que perdessem o espectáculo que é ter-me a conduzir em Bali, fizemos dois vídeos, sendo que no segundo existe a particularidade de poderem observar esta abécula que vos escreve: em contra-mão!

Enjoy!!

Fiquei sem passaporte em Bali

Em 14 anos de viagens consecutivas nunca perdi o passaporte. Pra tudo há uma primeira vez, se bem que eu teria dispensado de bom grado esta.

Fomos ver um dos templos principais em Bali onde fazem uma dança Balinesa ao pôr do sol. O templo está carregado de macacos gordos que nem texugos,alimentados pelos turistas. Os “sores” macacos são tão espertos que abrem malas por isso decidimos deixar as malas no carro. Pra não deixar os documentos na biatura levei-os comigo numa bolsa de cintura: passaporte, cartão Visa, carta de condução e os 2 porta-moedas com o dinheiro do fundo comum e o cartão de fotos da Tuxa. Quando voltamos ao carro depois do templo entreguei tudo a uma das amigas que colocou tudo na mochila.

Quando cheguei ao hotel estava tudo às escuras e tive que trocar de roupa e ir a casa de banho com a luz do telemóivel. Quando cheguei ao carro ja não tinha documento algum. Dei por ela assim que cheguei ao restaurante mas pensei que tivesse caído no quarto. Já no hotel demos busca por todo o lado e nada. Mesmo nada.

Confesso que entrei em pânico. Fiquei sem nada. Valeu-me a mais que querida Tuxa que me financiou o resto da viagem.

No dia seguinte tentei convencer o dono a fazer com que os documentos aparecessem. O homem explicou que se alguém o tivesse encontrado tinha ficado com o dinheiro e enterrado ou queimado o resto. Frustadíssima obriguei o tipo a levar-me à policia pra dar parte. O tipo pediu-me por tudo pra dizer que tinha sido roubada por um macaco no templo. Se o fizesse ele untava as mãos à bofia e eu tinha o documento na hora. O certo é que a Policia não falava uma palavra de inglês e no fim o homem deu-lhes 100 mil rupias (10 dólares +/-) e eu vim de lá com um papel que dizia “extraviado”.

80% da população é corrupta,disse-me um dos guias. A população nao sei,mas a policia Balinesa é com TODA a certeza.

Furiosa meti-me no carro com a Tuxa e voltamos a Kuta onde os consulados estavam já todos fechados. Só trabalham até ao meio-dia. Chegamos lá era uma da tarde… Voltamos de carro pra Ubud e com a ajuda de “anjinhos Portugueses” tentou-se tudo por email. A Tuxa mandou um email à Embaixada Portuguesa em Jakarta enquanto eu telefonava sem êxito (eles não atendem o telefone, não compreendo).

Agora vem a parte realmente útil:

Se perderem o vosso passaporte desloquem-se imediatamente ao Consulado Português mais proximo. Se não existir (como é o caso em Bali) é porque existe um Consulado Português Honorário, neste caso o Consulado Espanhol que fica em Istana Kuta Galery em Kuta.

Levem uma cópia do passaporte que perderam (nos hoteis tiram sempre cópias) e imprimam os voos de volta que tem que realizar. Mandem tudo pra Embaixada em Jakarta,e rezem pra terem a sorte que eu tive com a Menina Carla Castelo que foi extraordinaria e incansável e fez de TUDO pra eu não ter que ir a Jakarta a meio das minhas férias pra assinar um passaporte. A ela a minha eterna gratidão por ter salvo as melhores férias da minha vida.

Voltando ao step by step pra terem um “how to” completo:

1) contactar o Consulado ou Embaixada Portuguesa mais próximo;

2) enviar pro Consulado uma cópia do passaporte, os voos e duas fotos de passe digitalizadas (eu encostei-me a um frigorífico branco e a Tuxa tirou-me uma foto com o Blackberry,sem sorrisos, sem colares ou brincos e de cabelo preso. Ficou muito próxima duma foto duma presidiaria,mas serviu perfeitamente e poupou tempo e dinheiro!)

3) se vão voar de volta pra Portugal num vôo directo podem pedir um “salvo conduto ou documento único de viagem” que é enviado sem necessidade de se deslocarem a Jakarta e leva 3 dias úteis a chegar em correio “azul”.

4) se vão voar pra outro Pais como era o meu caso, precisam de um passaporte temporário que custa 150 euros mas que garante que não têm problema algum em chegar ao vosso destino. Tambem levou 3 dias a chegar, assinei o passporte no Consulado e nao tive que ir a Jakarta e paguei os custos assim que cheguei à Holanda por transferência bancária.

5) se querem continuar viagem pra outros Paises o melhor é apanharem um autocarro até à ponta da ilha de Bali e apanhar o ferry até Jakarta e ir a Embaixada pedir um passaporte novo.

Nao quero repetir esta aventura, foi uma pilha de nervos horrível, mas foi rapidamente ultrapassada porque 1) tenho efectivamente Amigos; 2)a Embaixada Portuguesa em Jakarta foi duma eficiencia absolutamente extraordinaria.

Um grande bem haja a Carla Castelo, à Tuxa e à Mariita (que tratou das diligências de background e que eu sei que não descansava enquanto eu não estivesse em “terra”), se nao fossem vocês….!
 

Assim só a título de mete nojo de gabarito

(só cá ando a copiar os posts da Tuxa. Ela posta, e eu lembro-me que tenho aqui as fotos e encho-me de coragem e faço upload disto tudo e pronto.)

Durante 3 dias fiquei no melhor hotel EVER cujo lema era “whatever, whenever”. O W Hotel em Seminyak. Quer champanhe e morangos às 4 da matina? Com certeza! Quer uma massagem no pezinho cansado ao fim de um dia de praia? Ora por quem sois! E que tal uma toalhinha pra espreguiçadeirazinha junto dum guarda-solinho e dum suminho fresquinho? E vai daí aparece um senhor que me borrifa água de coco xpto na cara para combater o calor. E que vos parece estar aqui a je enfiada até à goela dentro da piscina e dizer: ai, apetecia-me assim algo…fresco! Mas tenho fome… E passa uma senhora com uma bandeja cheia de mini saladinhas de fruta dentro duns copinhos…e oferece-me um…. se há paraíso na terra deve-se assemelhar mesmo muito ao W.
Tudo se paga (e caro!), mas oh God, oh se não valeu bem cada tusto! E o pequeno-almoço digno de restaurante com estrelinha Michelin? E a piscina que tinha música debaixo d’água? E a massagem (gráteeesss!) de 15 minutos que me tirou os nós todos das costas? E a cama que era tão fofa e macia que considerei tirar os lençóis todos só pra ver a marca do colchão? E a banheira com patinho de borracha e tudo? E os produtos que deixaram diariamente que davam 10 a zero à bodyshop? E os porcos com asas desenhados nas portas?

If pigs can fly, why can’t I?

Sabes que estas em Bali quando…

Sabes que estas em Bali quando ouves:

-Heeello!

-How ari u?

-Where do u come from?

-Oh! Portugal! Cristiano Ronaldo!

-Where are u staying?

-How long havi u bin in Bali?

-Where are u going?

-Need taxi?

-Buy me!!

-Special price, cheap for you

-Massage? Want a Massage?

-How much you want to pay?

-Oh, ok, for good luck (primeira e ultima venda do dia)

– Heeeello! How are u? Where do you come from? Where are u staying? How long in Bali? Where are you going? Heeeello! How are u? Where do you come from? Where are u staying? How long in Bali? Where are you going?Heeeello! How are u? Where do you come from? Where are u staying? How long in Bali? Where are you going?Heeeello! How are u? Where do you come from? Where are u staying? How long in Bali? Where are you going?Heeeello! How are u? Where do you come from? Where are u staying? How long in Bali? Where are you going?

A historia da mochila

(eu sabia que tinha escrito um post pré-viagem em que já recomendava a Tuxa!)

Eu nunca fiz backpack. Tanta viagem no lombo e nunca tinha experimentado ser turista mochileira. Comecei a viajar depois da faculdade e por variados motivos nunca tive de recorrer a bela da mochila as costas, nem vontade havia. Fiz duas viagens de resort na vida, muitas de veleiro com mala flexivel, mas nunca tive de “alombar” com a mochila ou fazer o tipo de ferias associadas a mesma.

Era virgem de mochila, portanto.

A primeira parte da aventura foi fazer uma seleccao do que podia levar e nao podia pesar mais de 13 kilos (que é mais ou menos um quarto do meu peso, como recomendado).

A segunda parte da aventura foi enfiar tudo numa mochila de 60 litros.

A terceira parte foi por e tirar tudo de dentro da bicha durante 20 dias!!

A Tuxa chorava a rir cada vez que me via debater com a dita cuja. Ja eu bufava e espumava e insultava as sandalias a mais, as calcas a mais, a roupa interior a mais, o tudo a mais que levei e o tudo que me faltava.

Mas foi a pala da dita que pude ficar em sitios diferentes, conhecer pessoas espectaculares e muito viajadas e receber inúmeros sorrisos de gente em igual condição. E a solidariedade do mochileiro não tem fim.

Aprendi uma grande lição, ou melhor, várias! E fiquei viciada. Abriu-se um novo ciclo de viagens na minha vida que duvido que tenha fim a vista. Obrigada Cadilhe!

Are you talking to me? Tenho sono!

Não bule senão tomba!



(o Chinoca insistiu em ficar na foto)

 P.S.: um post scriptum mais importante que o proprio post – de mochila as costas so se viaja sozinho ou com um mega companheiro de viagem, que tenha tanto ou mais espirito que nós, que seja ultra desenrascado e com muita vontade de engolir o mundo. Que tenha os mesmos gostos em viagem que nós, como exemplo, que seja fã de bater todos os restaurantes (especialmente os mitras!) ou que goste de ir as compras ou que goste e de primazia a museus. A Tuxa foi das melhores companheiras de viagem que já tive, senão a melhor, e daí ter ficado com o gosto pela mochila. O meu sincero obrigada é mesmo pra ela.

Coisas que eu nunca tinha feito

– Backpacking: nunca tinha andado de mochila às costas, ever. Estou viciada;
– Meter-me num metro com milhares de pessoas ao mesmo tempo. Tenho verdadeiro pânico de multidões e um medo horrível de ser espezinhada. Mas fui na mesma;
– Dormir numa guesthouse de backpackers;
– Viajar com Indianos cobertos até aos colarinhos enquanto eu derretia literalmente de calor;
– Andar de mota à pendura do lado esquerdo da estrada com loucos vindos de todas as direcções;
– Entrar em hotéis 5 estrelas à cara podre, sem estar alojada no mesmo, só pra ir beber um gin tónico de fim de tarde;
– Alojar-me num hotel com mais estrelas do que as que consigo contar onde o lema era: whatever, whenever e havia porcos com asas em todas as janelas;
– Negociar um aluguer dum carro sem contracto mas com “seguro incluído”;
– Conduzir do lado esquerdo da estrada;
– Conduzir uma carrinha sem embraiagem, com os travões em fanicos, completamente estraquinada, e sobreviver pra contar a história;
– Não ter sítio marcado pra dormir e arranjar quartos em qualquer lado, a qualquer hora, no dia, no acto, na hora;
– Não ter uma rota completamente pré-estabelecida e valer-me das dicas de outros viajantes e dos seus guias;
– Usar um guia de viagem;
– Negociar quartos, transportes ou actividades.
– Perder um passporte;
– Depender do dinheiro dos outros – nunca na vida perdi o meu visa ou tive que recorrer a dinheiro emprestado numa viagem;
– Fazer uma viagem com mais de 4 amigos sem qualquer stress. Éramos 14 e correu lindamente, muito acima do que esperava ou do que supunha ser possível.
– Andar, tocar ou sequer aproximar-me de um elefante;
– Comer em warungs;
– Conduzir na cratera de um vulcão;
– Ir a uma festa de transe psicadélico;
– Fazer snorkeling, muito menos em mar aberto;
– Encontrar as minhas Havaianas nos pés duma Japonesa.

Agora que já vos abri o apetite q.b., imaginem aquelas coisas todas que sempre disseram que não fariam e imaginem-se a fazê-las: foram de férias connosco.

Eu tinha aqui um post a falar da Tuxa em viagem antes sequer de partir

mas não o consigo encontrar. Dizia qualquer coisa como: ainda não partimos e já sei que vai ser uma excelente companheira de viagem!

Agora que já fomos e voltamos posso dizer a verdade:

é melhor que o que eu pensava!

Nós fomos escrevendo uns posts, cada uma os seus (nos meus tenho algumas frases dela) e vamos postar cada uma no seu respectivo blog. Ela disse-me que tinha um post pra mim, e eu tenho uma frase pra ela:

não vai ser fácil encontrar uma companheira de viagem como sua “celência”, com mais pedalada ainda que eu, sem medos, sem barreiras, com uma paciência infinita e uma capacidade de resolução e de optimismo ainda maiores que os meus. Deixou-me a um canto, é o que vos digo.

No que depender de mim minha amiga, vais ser escolha número 1 para qualquer viagem que eu faça. Não desfazendo nas outras excelentes companhias de viagem (é claro!) depois desta viagem fiquei com a certeza absoluta que és “material todo o terreno”. Há pessoas com quem passeamos de veleiro, há outras com quem fazemos viagens de carro, depois há aquelas com quem vamos com tudo marcadinho, outras com quem se faz cidade, e outras, mesmo muito poucas, com quem se pega numa mochila às costas e se vai correr o mundo sem grandes planos, on the road, sempre prontas pra tudo, qualquer eventualidade e capaz de fazer face a qualquer desafio e achar o máximo que haja desafios cada vez maiores pra superar. A Tuxa é uma dessas poucas.
Valeu Amiga, foi em grande!

Monte Batur, perto de Ubud, Bali 2012