A arrebentar de orgulho

Estou siderada com o show do Anthony Bourdain em Lisboa (S08E04 – Season 8, episódio 4)  porque levaram o Senhor aos meus sítios favoritos todos, só faltou mais umas quantas esplanadas, mas à falta de sol, esteve lá.
Quando o vi comer marisco no Ramiro baba escorria-me pelos queixos. Quando ouvi o Lobo Antunes lembrei-me que não consigo ler um único livro do homem mas senti a revolta interior de tanta gente em Portugal do antigamente.
Arrepiei-me a ouvir a Carminho, rais parta a miúda que é amorosa e ainda por cima canta que se farta. E é humilde. E é doce. E educada. E tem força e sentimento nas palavras, gosto mesmo da moça.
Quase me atirei pra dentro do écran quando vi o elétrico a passar em Alfama e na Graça e vi Lisboa, a Lisboa de que eu gosto, de que tenho saudades e onde um dia acabarei por viver.
Não sabia quem eram os Dead Combo mas rebentei de orgulho por ver que a nossa música não precisa de ser Fado para chegar ao mundo inteiro.
Gostei que se mostrasse um Portugal evoluído e não do século passado, cheio de restaurantes e chefes novos que ao mesmo tempo mantém as raízes Portuguesas mas apostam num futuro.
A cena de pesca e as palavras do Tozé Brito resumiram a minha ideia sobre a destruição causada pela UE na nossa frota pesqueira e na nossa agricultura, e aquele polvo tinha um aspecto…
O Diogo Quintela esteve bem, foi bem encaixado no momento certo.
Era escusado bater tanto no Salazar e no antes e pós 25 de Abril, mas fora isso, quem quer que tenha feito a selecção de pessoas para acompanhar o Bourdain, fê-lo bem feito. Tão bem feito que deixou o homem a comer o prato favorito dele: uma boa bifana.
Juro, palavra de honra, que me vieram as lágrimas aos olhos, num misto de saudosismo e duma raiva surda por não poder voltar com as condições que quero para viver naquela casa, mesmo em frente ao Chapitô, com vista pro Tejo e um jardim com uma palmeira com mais de cem anos.
Ainda não é agora, mas lá chegaremos. Por enquanto aproveito cada minuto do meu presente, e absorvi pelos poros cada minuto do No Reservations em Lisboa.

11 comments:

  1. Vou ter que rever, a primeira vez foi en passant e depois disso já ouvi muita coisa boa e outras tantas teorias da conspiração e lobbies. Como tal, vou repetir a dose e opinar devidamente depois.

    No entanto, ver a nossa cidade exposta ao mundo num programa que seguimos sabe sempre bem.

  2. Mak, tens que ver que eu estou aqui expatriada e por isso sinto mais as coisas. De qq forma, lobbies e merdas ao lado, eu gostei de todas as pessoas que lá vi e fico contente por nao terem sido os de sempre, sabes? E eu, sinceramente, gosto de toda a gente que o acompanhou, sejam mais ou menos conhecidos, pq me revi neles. Podia ter sido eu a fazer aquela rota com um amigo, como aliás já fiz, e eu gosto de música, de literatura, de fado, da noite, dos restaurantes e só foi pena estar a chover pq faltou o sol e o céu azul. Mas fiquei com a ideia de que este tipo que diz sempre o que pensa, e que é seguido mundialmente, GOSTOU de Lisboa. E isso é que é mesmo FIXE.

  3. Opá, estou a leste do que estás para aqui a dizer, mas quando tiver um tempinho (provavelmente no fim de semana, que eu sou assim, uma moça ocupada, cof cof) já vou cuscar isso.

  4. Ohhh…. Também estou em pulgas para ver esse episódio mas cá em Portugal ainda não dá para ver. Só mesmo a galeria de fotos. 🙁

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