A vida passa muito depressa. Passa à velocidade da luz.
Ainda ontem cheguei a Amesterdão e hoje já passaram 4 anos e um mês desde que cá cheguei.
Ainda ontem chorava baba e ranho quando saí da IBM em Portugal e há uns dias dei comigo a chorar baba e ranho porque uma das minhas colegas de cá se vai embora.
Ainda ontem estava com os meus amigos no Bairro Alto e hoje tenho um grupo e uma “família” diferente em Amesterdão de quem não prescindo e que está a crescer com o nascimento de novos rebentos e a chegada de tanta, mas tanta gente nova a este País.
Ainda ontem acreditava que era eterna e depois a minha Tia faleceu tão jovem e eu percebi que já tenho 35 anos.
Não dei por eles a passar.
Sei que foram e são bem vividos, mas a vida tornou-se escassa, curta. E no entanto não pára, sempre em movimento. Agora tenho mais 2 pra levar à rua, dar banho e mimo.
Ainda ontem não tinha saído da Europa e da América e hoje já fui até à Ásia.
Ainda ontem tinha grandes amigos que via pelo menos anualmente e hoje reparo que há alguns a quem não vejo há 5 anos. E mandam-me fotos dos filhos e vejo que o bébé recém-nascido já não tem dentes outra vez porque já passaram 6 anos e a fada-dos-dentes chegou.
Ainda ontem tinha uma família de candeias às avessas e hoje tenho uma família que se une na doença quando entende que não somos eternos, porra! Será que é preciso esta puta desta doença pra nos acordar? Pra nos unir? Pra nos fazer separar o relevante do irrelevante?
Ainda ontem brincava com os meus primos no regato e hoje reparo que ainda não ensinei os filhos deles a brincar com as folhas que fazem de barcos e de traineiras.
Porque o tempo não me chega, não consigo chegar a todos os lados, estar com todos com quem quero, fazer tudo aquilo que quero, não tenho tempo. Tempo, porra!!!
E não tenho a certeza de ter feito sempre as escolhas certas. Mas eu que sempre fui pronta a fazê-la assumo as consequências. E assumo que estar hoje a 3 mil kilómetros de de vocês nem sempre é fácil, mas é certamente uma opção válida. Talvez.
Há 3 semanas atrás fui a Portugal e vi que passados 5 meses o meu Pai caminhava ainda mais torto, mais torcido, mais velho. A minha Mãe ostenta agora uma farta cabeleira branca e passou tudo muito depressa. E eu… e eu tenho fucking 35. Só menos 16 que a minha Tia, que tinha menos 16 anos que o meu Pai.

Como te entendo!!
Desculpa minha querida, mas eu SEI que me entendes. O relógio não pára….. um beijo muito amigo
Beijinhos Sofia e coragem.
Pois é Sofia, e deste lado já vão sete anos…Passa rápido, mas também nos faz crescer. Não consegues chegar a todos os lados, mas chegas aos mais importantes. E a presença física não é por si mais real do que a presença da amizade, da partilha (mesmo que a quilómetros de distância). Um beijinho e festinhas aos meninos, Vera
há dias assim 🙂 Beijinhos Ritinha 🙂
Às vezes nem a essa consigo chegar Vera. Tempo, preciso de tempo 🙂 Beijos e lambidelas dos artistas
Consegues, consegues;)Às vezes basta que saibam que te importas com eles (é assim que eu penso):)Vera
Ola Sofia! Nem sabes como o teu post se adapta aos meus recentes sentimentos… Ja estou quase a contar 9 anos de emigra e, apesar de ainda ser under 30, sinto exactamente o mesmo que tu… Sao dias mas esses dias doem. Realmente foi uma escolha feita por nos mas bem egoista e so agora me comeco a aperceber disso… O sofrimento que causamos aos que ficaram, aos amigos que deixamos pelo caminho (o contacto mantem-se mas perde-se para sempre o dia-a-dia). Ganhamos perspectivas diferentes, crescemos, abrimos os olhos como deve ser mas realmente o tempo passa rapido demais e o tempo de partilha com os que mais amamos vai sendo perdido. Viva o Facebook, o skype e o Gmail. Mas comeca a nao chegar… Forca para ti e sabes que voltar e' sempre uma opcao. 😉
'Travellersoul' não acho que seja uma escolha egoísta, é uma escolha e isso traz sempre algo que se ganha e algo que se perde. Claro que cada caso é diferente e as motivações que levam as pessoas a emigrar são muito pessoais, mas penso que, no contexto actual, cada vez mais tende a ser uma escolha algo condicionada (se calhar, todas as escolhas o são). É-me familiar a sensação de voltar e sentir que o tempo passou inelutavelmente pelo rosto, pela saúde dos que nos são próximos. Talvez o diga a mim mesma, mas acredito que quem realmente importa está connosco e vai connosco para todo lado, mesmo que de uma forma mais imaterial. Um abraço:) Vera
Se alguém me perguntar porque é que o teu blog faz parte da lista dos que visito periodicamente eu posso apenas mostrar-lhes este post.
Não te conheço (embora tenha descoberto que sou muito próximo de uma pessoa que te conhece 😮 ), no entanto é sempre bom ler testemunhos de pessoas que não tendo necessariamente as mesmas opiniões sobre os assuntos nos deixam contentes por partilharem valores.
Adorei o blog e pelo que li, acho que já te adoro também… Parabéns! 🙂
Ola 🙂 Não se trata de voltar, porque no fundo não resolvo muito com isso. Eu não me imagino a viver em Braga pra poder acompanhar a velhice dos meus Pais. E os meus amigos que estavam em Lisboa têm emigrado à força toda, até a minha família, por isso é irreal ter a ideia que voltar a PT seria voltar ao tempo em que vivi. Tudo muda, todos mudam. Eu falo hoje mais com os meus Pais do que quando vivia em Portugal, sabes? E mesmo com a minha família também, como dizes tu: viva o FB, o skype e o gmail.
Mas há dias em que sentes que o tempo e a vida te ultrapassam a alta velocidade e sentes mais a distância, e sentes mais as ausências. É isso: sente-se mais as ausências.
Obrigada AC. Este mundo é um peniquinho! 🙂
wow…obrigada! 🙂 Um beijinho
Pois,… Sabes, tu tens um problema. Tens muuuuiiiiitos amigos, espalhados por um mundo enooooooooorme. Se eu, que tenho um mundo mais pequeno, sinto também esse problema, imagino tu.
E agora diz-me uma coisa. E se cada um de nós tivesse filhos, como seria esse sentimento? Se calhar nem tempo tínhamos para o sentir. O nosso mundo diminuía ainda mais,… e o nosso problema passaria a ser o tamanho do nosso mundo.
bem já estou a divagar. Quanto ao tempo que dura a vida, olha, vale mais uma vida curta cheia do que uma longa e vazia e a tua, curta ou longa, vai ser (já é) um balão pronto a explodir de vida.
Beijos
És um amor. Obrigada, beijos
Adorei este post, começo a ficar fã do blog. É simplesmente inspirador. Parabéns ..
Obrigada Patrícia, és uma querida. Este post foi escrito num dia em q a tristeza bateu.